terça-feira, abril 04, 2017

Jamie Lee Curtis

Título:   Curtis recupera título de rainha do grito              
Data:     28/Dez/98         
Autor:   Cláudio Castilho               - Especial para a Folha, em Los Angeles
Folha de São Paulo




Jamie Lee Curtis é uma cria legítima de Hollywood. Filha do lendário galã Tony Curtis e de Janet Leigh -que se imortalizou no cinema com a cena do chuveiro de "Psicose"-, Jamie Lee aproveitou a fama dos pais debutando em 1978 na produção independente de terror "Halloween", de John Carpenter. Por sua performance, ela ganhou US$ 8.000 dólares.
Hoje, aos 40 anos, famosa e milhões de dólares mais rica, a atriz -chamada no fim dos anos 70 de a rainha do grito- volta ao papel de Laurie Strode em "Halloween H20", versão comemorativa dos 20 anos da série, que está em cartaz (confira os horários à pág. 2).
Ao falar à Folha, em um luxuoso hotel de Beverly Hills, em Los Angeles, Curtis disse ter recuperado o título, roubado por Neve Campbell com o blockbuster "Pânico".
Ela confessou não ser fã de filmes de terror e apontou o que mais a aterroriza no fim desse milênio.
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Folha - Na época do sucesso do "Halloween" original, passou por sua cabeça a possibilidade de 20 anos mais tarde você estar fazendo o papel de Laurie Strode?
Jamie Lee Curtis - De maneira alguma. Essa foi uma idéia minha que surgiu somente há poucos anos. Diga-se de passagem, uma idéia que veio à tona bem antes do lançamento de "Pânico". Eu sabia que, se fizéssemos um bom filme, o mais realista possível, contando a história dessa mulher que, após sofrer durante 20 anos, resolve recuperar sua própria alma, enfrentando seus medos, a platéia ia invadir os cinemas. O sucesso não poderia ter sido melhor. Fizemos um filme que custou uns US$ 15 milhões e que acabou gerando quase US$ 60 milhões somente nos EUA.
Folha - "Pânico" foi a grande revelação dos filmes do gênero desta década. Como você compara o filme protagonizado por Neve Campbell e a série "Halloween"?
Curtis - Não vejo "Pânico" como sendo um filme de terror em sua essência. "Pânico" é um filme que traz muito mais humor do que o nosso. "Halloween H20" é mais pesado e gráfico e não tão engraçado como "Pânico". Ele foi feito em especial para aqueles que curtem ver na grande tela um terror de verdade. Com esse filme, eu reconquistei o título de rainha do grito roubado por Neve em "Pânico" (risos).

Folha - Você gosta de filmes de terror?
Curtis - Nem um pouco. Filmes de terror não me amedrontam. O que me apavora, por exemplo, são os dois adolescentes que enforcaram e mataram recentemente aquele adolescente gay no Estado de Wyoming. Esse tipo de comportamento, preconceito e ódio me deixa apavorada. Como posso ter medo do personagem Michael Meyers, de "Halloween"? Ele é pura fantasia. Por outro lado, os assassinos desse garoto inocente é que são os verdadeiros monstros que ameaçam nossa sociedade.
Folha - Como foi contracenar com sua mãe nesse filme?
Curtis - Foi um momento muito especial e emocionante. Queríamos desde o princípio que a participação dela fosse histórica. Quando, no filme, mamãe se despede de minha personagem, ela na realidade está dando um adeus à sua carreira, a seus fãs e fiéis admiradores de filmes de terror e suspense, já que ela está idosa e não pretende mais participar de outros filmes.
Folha - Você poderia falar sobre seu próximo filme, "Virus"?

Curtis - Muita gente pensa que estou fazendo outro filme de terror, o que não é verdade. "Virus" é uma ficção-científica baseada em uma revista em quadrinhos. Nele, uma nova forma de vida é criada em uma espaçonave. É cheio de efeitos e me consumiu longos e cansativos sete meses de trabalho. Acredito que foi o filme mais difícil de minha carreira.

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