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sexta-feira, fevereiro 27, 2026

ORPHAN (2009) Jaume Collet-Serra


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A Órfã (2009) – O mal escondido no lar

Dirigido por Jaume Collet-Serra e escrito por David Leslie Johnson, Orphan é um thriller de terror psicológico que dialoga com os medos mais íntimos relacionados à família, à maternidade e à fragilidade dos laços de confiança dentro de casa.

A premissa familiar, o horror inesperado

O filme acompanha Kate (Vera Farmiga) e John (Peter Sarsgaard), um casal que tenta se recompor após a perda de um bebê. Buscando preencher o vazio, decidem adotar uma menina. É assim que conhecem Esther (Isabelle Fuhrman), uma criança de nove anos que, à primeira vista, mistura inteligência, doçura e um comportamento peculiar. O que parece um gesto de esperança logo se transforma em uma espiral de tensão, paranoia e violência.

O jogo psicológico

Collet-Serra conduz a narrativa de forma clássica, mas eficaz: a atmosfera é construída em cima da dúvida e da desconfiança. Kate, a mãe em luto, é a primeira a perceber as atitudes perturbadoras de Esther. O filme cria um campo minado de suspense em que o espectador oscila entre acreditar no instinto materno e duvidar de sua sanidade — herança clara de outros thrillers familiares como The Hand That Rocks the Cradle (1992).

A atuação de Isabelle Fuhrman

Isabelle Fuhrman é o coração (ou melhor, a alma sombria) do filme. Sua performance vai do carismático ao perturbador com uma naturalidade assustadora. O olhar frio, os gestos calculados e a maneira como manipula os adultos à sua volta fazem de Esther uma das vilãs infantis mais memoráveis do cinema de terror contemporâneo.

Reviravolta e impacto

O grande trunfo de Orphan é a reviravolta em seu terceiro ato. Sem entrar em spoilers pesados (embora o segredo de Esther já seja conhecido por muitos fãs de terror), a revelação funciona porque recontextualiza cada cena anterior, elevando o impacto psicológico e transformando o filme em algo maior do que apenas um “terror com criança maligna”. É um choque que reforça a natureza do horror enraizado na intimidade doméstica.

Terror estilizado de Collet-Serra

Jaume Collet-Serra, que depois assinaria produções como The Shallows (2016) e Black Adam (2022), mostra aqui sua habilidade em construir tensão com ritmo eficiente. Há certo exagero melodramático — especialmente na condução do clímax —, mas isso combina com a natureza operística da história.

Temas e ecos

A Órfã toca em feridas profundas: a maternidade culpada, o luto, a adoção como tema social delicado e o medo de “não conhecer” quem está dentro da própria casa. A figura de Esther se torna um espelho distorcido desses dilemas, explorando a vulnerabilidade emocional de uma família marcada pela perda.

Conclusão

Lançado em uma época de saturação dos terrores sobrenaturais e remakes (The Grudge, The Ring, etc.), Orphan se destacou por apostar em um suspense de raiz psicológica, ainda que com elementos sensacionalistas. O filme conquistou status de cult pela coragem da reviravolta e pelo trabalho magnético de Isabelle Fuhrman.

 

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ORPHAN (2009)
dir. Jaume Collet-Serra

quarta-feira, fevereiro 18, 2026

The Exorcist III (1990) - William Peter Blatty


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O retorno sombrio: The Exorcist III

Lançado em 1990, The Exorcist III chegou aos cinemas quase vinte anos após o clássico absoluto de William Friedkin. Baseado no romance Legion, escrito pelo próprio William Peter Blatty (autor do livro original O Exorcista), o filme não tenta ser uma continuação convencional da história de Regan MacNeil. Ao contrário, Blatty explora uma dimensão mais filosófica e metafísica do horror, privilegiando atmosfera e diálogos existenciais em detrimento de choques fáceis.

A trama se concentra no Tenente Kinderman (George C. Scott), que investiga uma série de assassinatos brutais em Georgetown. As mortes carregam a assinatura do infame “Gemini Killer”, executado anos antes. A investigação leva Kinderman a um hospital psiquiátrico, onde encontra um paciente enigmático que parece ser tanto o Padre Damien Karras quanto o próprio assassino (interpretado com intensidade febril por Brad Dourif). Esse duelo entre fé, dúvida e o mal absoluto constitui o coração do filme.

O grande trunfo de The Exorcist III está no clima opressivo que Blatty constrói. A direção privilegia longos planos, corredores vazios e uma cadência narrativa que beira o hipnótico. A famosa cena do “jump scare no hospital” tornou-se uma das mais comentadas do gênero, não só pela eficácia, mas pelo domínio do tempo cinematográfico. Blatty sabe esticar a tensão até o limite antes da explosão.

O elenco contribui de forma decisiva. George C. Scott traz peso humano ao papel de Kinderman, equilibrando sarcasmo e desespero, enquanto Brad Dourif entrega uma das performances mais inquietantes de sua carreira, alternando fúria demoníaca e lucidez desconcertante. Sua presença é magnética, quase teatral, e justifica sozinha a força do filme.

Entretanto, o filme carrega também marcas da interferência do estúdio. A exigência de inserir uma cena explícita de exorcismo no clímax — ausente na versão original de Blatty — gera certo descompasso estético. O resultado é uma conclusão que soa apressada e convencional, destoando da investigação cerebral e metafísica que domina a maior parte da narrativa.

Apesar disso, The Exorcist III sobrevive ao tempo como um dos mais subestimados thrillers sobrenaturais dos anos 1990. É um filme de horror adulto, mais preocupado em debater fé, moralidade e a persistência do mal do que em repetir os choques visuais do primeiro longa. Para muitos fãs, inclusive, trata-se da verdadeira sequência de O Exorcista, ignorando a problemática Parte II (1977).

No fim, o que Blatty entrega é um pesadelo teológico — um thriller policial com roupagem metafísica, que desafia o espectador a encarar o horror não como espetáculo, mas como algo que se infiltra nos corredores da mente e da fé.

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The Exorcist III (1990) - Directed by William Peter Blatty

terça-feira, fevereiro 10, 2026

Hammer Glamour

 A expressão “Hammer Glamour” nasceu entre fãs e críticos para falar do carisma e do impacto visual das atrizes que brilharam nas produções da Hammer Film Productions, especialmente nas décadas de 1950 a 1970. A Hammer, estúdio britânico célebre por revitalizar o terror gótico com cores fortes e sensualidade insinuada, usava essas presenças femininas como contraponto ao sangue e às sombras.

Martine Beswick, Linda Hayden, Stephanie Beacham et Caroline Munro. Photo © Matt Gemmell  2012


🔎 Alguns pontos-chave sobre as “Hammer Glamour Girls”:

  • Símbolo de modernidade no terror gótico – Enquanto a Hammer atualizava Drácula, Frankenstein e Múmia, as personagens femininas ganhavam figurinos ousados, decotes marcantes e uma postura mais ativa do que se via no cinema de horror anterior.

  • Atrizes icônicas – Names como Ingrid Pitt (The Vampire Lovers, Countess Dracula), Caroline Munro (Dracula A.D. 1972, Captain Kronos), Barbara Shelley (Dracula, Prince of Darkness), Veronica Carlson (Frankenstein Must Be Destroyed), Martine Beswick e Valerie Leon se tornaram rostos emblemáticos.

  • Sex appeal + força dramática – Embora a publicidade explorasse a sensualidade, muitas dessas atrizes interpretaram personagens complexas: vítimas que resistem, vilãs sedutoras, heroínas que enfrentam monstros.

  • Marketing inteligente – Cartazes e revistas destacavam as “Hammer Glamour Girls” para atrair público jovem, numa época em que o cinema de terror competia com TV e mudanças culturais pós-anos 60.

  • Legado cult – Hoje, o termo é celebrado em livros, documentários e convenções de fãs, reconhecendo a importância dessas mulheres não só como “rostos bonitos”, mas como parte essencial da estética Hammer.

  •  Ingrid Pitt

    • Filmes Hammer: The Vampire Lovers (1970), Countess Dracula (1971)

    • Por que marcou: A polonesa Ingrid Pitt trouxe magnetismo e sensualidade aos papéis de vampira, tornando-se ícone imediato da fase mais ousada da Hammer.


    2. Caroline Munro 

    • Filmes Hammer: Dracula A.D. 1972 (1972), Captain Kronos: Vampire Hunter (1974)

    • Por que marcou: Beleza clássica, figurinos chamativos e uma presença física atlética que combinava bem com heroínas de ação.


    3. Barbara Shelley  

    • Filmes Hammer: The Gorgon (1964), Dracula: Prince of Darkness (1966)

    • Por que marcou: Considerada “a rainha da Hammer”, alternava vulnerabilidade e autoridade, com interpretações consistentes e elegantes.


    4. Veronica Carlson

    • Filmes Hammer: Frankenstein Must Be Destroyed (1969), Dracula Has Risen from the Grave (1968)

    • Por que marcou: Look “girl next door”, mas carregado de dramaticidade, tornou-se um dos rostos mais reconhecíveis do ciclo tardio de Frankenstein e Drácula.


    5. Martine Beswick 

    • Filmes Hammer: One Million Years B.C. (1966), Dr. Jekyll and Sister Hyde (1971)

    • Por que marcou: Presença carismática, olhar marcante e disposição para papéis fisicamente exigentes; também ex-Bond girl.


    6. Valerie Leon 

    • Filmes Hammer: Blood from the Mummy’s Tomb (1971)

    • Por que marcou: Um dos destaques do último suspiro do terror Hammer clássico, interpretando a dualidade inocência/posseção com impacto visual.


    7. Madeline Smith  

    • Filmes Hammer: The Vampire Lovers (1970), Taste the Blood of Dracula (1970)

    • Por que marcou: Beleza etérea e forte presença nos thrillers góticos; muito associada ao erotismo sugerido do período.


    8. Hazel Court 

    • Filmes Hammer: The Curse of Frankenstein (1957), The Man Who Could Cheat Death (1959)

    • Por que marcou: Um dos primeiros rostos femininos da fase de ouro da Hammer; aura elegante, performances intensas.


    9. Yvonne Monlaur  

    • Filmes Hammer: The Brides of Dracula (1960), The Terror of the Tongs (1961)

    • Por que marcou: Aparência angelical e delicada, mas com energia dramática que cativava.


    10. Susan Denberg 

    • Filmes Hammer: Frankenstein Created Woman (1967)

    • Por que marcou: Beleza estonteante e personagem trágica, símbolo da virada “romântica” na abordagem de Frankenstein.

    • 11  Yutte Stensgaard 

      • Origem: Dinamarquesa, nascida em 1946, radicou-se cedo no Reino Unido.

      • Hammer: Tornou-se cult ao protagonizar Lust for a Vampire (1971), segundo capítulo da trilogia “Karnstein” da Hammer. Viveu Mircalla/Carmilla, vampira sensual num internato feminino, reforçando a virada mais ousada do estúdio no início dos anos 70.

      • Estilo: Mistura de ingenuidade com erotismo, presença de tela forte e look “européia chic”. Depois do filme, trabalhou um pouco em TV britânica (Doctor in the House, The Saint), mas afastou-se do cinema ainda nos anos 70.

      • 12  Kate O’Mara  

        • Origem: Inglesa (1939-2014), conhecida também por carreira longa na TV.

        • Hammer: Esteve em The Vampire Lovers (1970) como Carmilla/Mircalla numa pequena participação e em Horror of Frankenstein (1970) como Alys, personagem de forte apelo sensual.

        • Depois da Hammer: Tornou-se rosto recorrente de séries britânicas (The Brothers, Doctor Who como The Rani, Triangle) e ganhou projeção internacional em Dynasty (anos 80). Sempre carregou a imagem de “femme fatale” elegante e irônica.


        🔹13 Julie Ege 

        • Origem: Norueguesa (1943-2008), modelo e atriz.

        • Hammer: Ficou conhecida por Creatures the World Forgot (1971), sucessor espiritual de One Million Years B.C. – pouca fala, muito impacto visual nos cartazes. Também fez Legend of the 7 Golden Vampires (1974), coprodução Hammer/Shaw Brothers.

        • Perfil: Beleza exótica, presença magnética, consolidou-se como símbolo de “glamour pré-histórico” da Hammer. Seguiu em filmes europeus de gênero e trabalhos ocasionais de TV até os anos 80.

      • 14 Lalla Ward

        • Nome completo: Sarah Ward (Lalla é apelido de infância)

        • Origem: Nascida em 1949, em Londres; filha de um aristocrata britânico, teve formação artística e inclinação precoce para atuação.

        • Hammer: Participou de Vampire Circus (1972), um dos últimos grandes títulos da produtora no início da década de 70. Viveu Helga, jovem presa no vilarejo dominado por vampiros e pelo circo sinistro. Apesar de não ser papel de protagonista, Lalla trouxe frescor juvenil e dramatismo convincente ao filme.

        • 15  Victoria Vetri 

          • Origem: Nascida em 1944, em Los Angeles (de ascendência italiana). Também usou o nome artístico Angela Dorian.

          • Trajetória inicial: Modelo e atriz de TV nos anos 1960; eleita Playmate of the Year em 1968, o que projetou sua imagem internacionalmente.

          • Hammer: Seu filme mais ligado ao estúdio é When Dinosaurs Ruled the Earth (1970), produção Hammer que surfou no sucesso de One Million Years B.C.. Victoria interpretou Sanna, a mulher pré-histórica que vive um romance em meio a clãs rivais e criaturas stop-motion de Jim Danfort

        •             Em 2010 enfrentou grave problema judicial ao ser acusada de atirar no             então marido, fato amplamente noticiado. Cumpriu pena e, depois de                 anos, obteve liberdade condicional. Esses episódios acabaram                             eclipsando a carreira artística, embora ela mantenha status cult entre                    colecionadores e fãs da Hammer.




        • 16 Maxine Audley

          A inglesa Maxine Audley (1923 – 1992) teve uma carreira sólida no teatro e no cinema britânico, e acabou entrando para a história do terror por uma breve, mas marcante, passagem pela Hammer. 
        • Na Hammer sua colaboração se dá em:The Phantom of the Opera (1962) – dirigida por Terence Fisher. Maxine Audley faz Lattimer, personagem secundária mas com presença, num filme que mistura gótico e melodrama musical, típico do estúdio.

        • 17 Lynn Frederick


        • (1954-1994) não foi propriamente um “rosto recorrente” da Hammer, mas fez parte do cinema britânico de horror/fantasia no começo dos anos 1970 e acabou lembrada pelos fãs do estúdio
        • Vampire Circus (Hammer, 1972) – seu crédito de horror mais notório. Faz Dora Mueller, jovem de aldeia aterrorizada quando um circo sinistro chega trazendo de volta a maldição de um vampiro. O filme, dirigido por Robert Young, é um dos títulos mais estilizados da Hammer pós-Drácula, com gore moderado e atmosfera de fábula.
        • Na Hammer ela aparece uma única vez, mas os fãs de terror a associam ao estúdio por causa da popularidade cult de Vampire Circus.
        • Casou-se em 1980 com o comediante e ator Peter Sellers, tornando-se sua quarta esposa. Sellers faleceu meses depois, deixando-a viúva aos 26 anos, situação que gerou intensa atenção midiática.

        • 18 Suzanna Leigh 


        • (1945 – 2017) foi uma das atrizes britânicas mais associadas ao glamour pop e ao cinema de gênero dos anos 1960, transitando entre aventura, terror gótico e até um clássico musical de Elvis.
        • Fase Hammer / Terror britânico
          The Deadly Bees (1967, Amicus) – embora não seja Hammer, marcou seu primeiro mergulho em horror, vivendo a cantora pop assombrada por um enxame assassino.
          Lust for a Vampire (1971, Hammer)** – vive Janet Playfair, professora do colégio feminino onde ocorre a trama vampiresca. Filme dirigido por Jimmy Sangster, parte do ciclo “Karnstein” que inclui The Vampire Lovers e Twins of Evil.
      •  20 - Jenny Hanley


      • A inglesa Jenny Hanley (n. 15 de agosto de 1947, Gerrards Cross, Buckinghamshire) é um rosto muito querido dos fãs do cinema de gênero britânico dos anos 1960/70, especialmente por sua ligação com a Hammer Films e sua carreira como apresentadora de televisão.

      • Ficou conhecida no universo cult ao estrelar:

        • Scars of Dracula (1970, Hammer) – interpretou Sarah Framsen, interesse romântico de Paul (Christopher Matthews). Divide cenas com Christopher Lee, num dos Dráculas mais violentos da Hammer.

        • On Her Majesty’s Secret Service (1969, James Bond) – aparece como uma das “angel faces” no esconderijo de Blofeld.



segunda-feira, fevereiro 09, 2026

Peter Cushing

Louco? Cientista diabólico? Não, ele é
SAINT PETER
nosso ilustre Convidado de Honra –
 típico de fanzines dos anos 70/80: mistura reverência, curiosidades biográficas e filmografia essencial, legitimando o ator como “santo padroeiro” do terror clássico.

Peter Cushing


“Uma lenda viva”

MATADOR DE VAMPIROS! CRIADOR DE MONSTROS! DOUTOR DA MORTE! Muitos são os títulos que têm sido dados ao grande Peter Cushing. É, portanto, com imenso prazer que o apresentamos como nosso Convidado de Honra no Festival Internacional de Filmes de Terror deste ano.
Para milhares de fãs, Peter Cushing é O ator de filmes de terror. Ele nasceu em 26 de maio de 1913, em Kent, Inglaterra. Construiu reputação sólida no teatro, televisão e cinema, tornando-se um dos intérpretes mais respeitados do mundo.
Através de suas atuações como Dr. Frankenstein, Van Helsing, Sherlock Holmes e dezenas de outros, Cushing encantou plateias do mundo inteiro.
Depois de anos retratando vilões, caçadores de monstros e heróis trágicos, Peter Cushing tornou-se, para os fãs de terror, quase um “santo”.  


“Por dentro de Peter Cushing”

Quem é esse homem? O que sabemos a seu respeito?
Embora tenha interpretado muitos personagens de coração negro, amigos e colegas descrevem Peter como bondoso e generoso. Christopher Lee costuma dizer: “Ele é um santo”. Robert Quarry o chama de “verdadeiro cavalheiro”. O prefeito de sua cidade chegou a chamá-lo de “escolha óbvia para ser prefeito de Hollywood”.
Sua gentileza contrasta com os papéis sombrios – prova de que o horror estava somente nas telas.


“Sua juventude”

Segundo a biografia oficial de Peter Cushing, ele nasceu em 26 de maio de 1913, em Kenley, Surrey (Inglaterra). Desde cedo amava o desenho e as artes dramáticas. Em 1939 mudou-se para os Estados Unidos e conseguiu seu primeiro trabalho importante em Hollywood com The Man in the Iron Mask.
Durante a Segunda Guerra Mundial, voltou para a Inglaterra, participou de teatro e TV, tornando-se nome familiar antes de se tornar ícone do cinema de terror nos anos 50.


“Uma estrela maior do que se esperava”

O grande marco de sua carreira veio com a Hammer: The Curse of Frankenstein (1957). Seu retrato do Dr. Frankenstein, frio e determinado, tornou-se referência definitiva. Seguiram-se sucessos como The Horror of Dracula (1958), The Brides of Dracula (1960) e The Hound of the Baskervilles (1959).

Enquanto Hollywood o via apenas como um ator de caráter, os fãs de terror o elevaram ao status de lenda. Sua parceria com Christopher Lee (Drácula) tornou-se um dos duelos mais icônicos do gênero

quarta-feira, fevereiro 04, 2026

Mamãe é de Morte Washington Post (1993)

 





Mamãe é perigosa

Kathleen Turner fala sobre a comédia em que faz uma terrível assassina

FRANK RIZZO
Washington Post  (1993)

KATHLEEN Turner está resistindo a pequenos contratempos.” Esta frase foi cunhada por ela própria durante as filmagens da comédia surrealista de John Waters Serial mom, na qual interpreta uma doce mãezinha que também é uma assassina psicopata. “Minhas bochechas dóiam depois de um dia dizendo ‘Alguém quer salada de frutas?’”. As bochechas de Turner tiveram outro dia movimentado durante uma série de entrevistas que ela concedeu para promover seu último filme, Undercover blues, outra comédia, lançada semana passada nos Estados Unidos.
Apesar de ser uma das celebridades mais sensuais de Hollywood, Turner também é uma atriz que chafurdou na lama, balançou em candelabros e pulou de ancoradouros. Em Undercover blues ela contracena com outro ator cheio de facetas, Dennis Quaid. Eles representam os agentes secretos Jeff e Jane Blue, que estão tirando uma licença para cuidar de seu bebê quando o dever e as fraldas os chamam. “Acho que Dennis e eu juntos somos bem naturais”, ela diz. “É bom trabalhar com alguém que não tenha problemas na vida. Metade dos atores que conheço estão sofrendo o tempo inteiro e é muito cansativo ter que conviver com isso. O Dennis é muito legal. Nós não temos um problemas de ego.”
“Eu esperava que ela fosse uma diva do cinema”, declarou Quaid numa entrevista recente. “Ela é uma veterana que está sempre pronta a passar por uma situação ridícula para encarnar o personagem”, disse Quaid. O diretor Herbert Ross também a elogiou: “Adoraria ter o metabolismo dela.” Desde sua estréia nas telas em 1981, em Corpos ardentes, Kathleen Turner trabalhou em muitas frentes, da comédia e da aventura — O médico erótico (1983), Tudo por uma esmeralda (1984) e A jóia do Nilo (1985) — a dramas fora do padrão, como A honra do poderoso Prizzi, de John Huston (1985), e Peggy Sue, seu passado a espera, de Francis Ford Coppola (1986).

Ela fez também escolhas diferentes para uma estrela de seu porte, como Crimes de paixão, de Ken Russell (1984), pegando um pequeno papel em O turista acidental (1988), e fazendo a voz de Jessica Rabbitt em Uma cilada para Roger Rabbitt (1988). E nem todas as suas escolhas foram boas. O drama Julia e Julia (1987) e a comédia Troca de maridos foram verdadeiros fracassos.

Undercover blues é o primeiro grande filme de Turner em um bom tempo, depois do mal sucedido policial V. I. Warshawski (1991). Recentemente ela teve boas notícias de um filmezinho independente bem sério, House of cards, lançado no último verão americano. A atriz de 39 anos é brusca ao falar dos últimos comentários sobre sua carreira. “O executivo de um estúdio me disse outro dia que estou envelhecendo muito bem.” Ela pára, e dá um olhar enfurecido. “Tenho uma carreira que me deixa muito orgulhosa, e acho que conquistei respeito por minhas escolhas. Mas estou realmente ficando cansada de ser julgada pelo meu envelhecimento físico. Pro inferno com isso. Enquanto estiver me sentindo bem, continuo na ativa. Minha imagem
não está mudando, eu estou mudando.”

Uma das maiores mudanças é seu desejo de enfrentar novos desafios. Um deles foi aceitar o convite do diretor cult John Waters (Hairspray, Cry baby e Pink flamingos), que a escalou no papel principal de Serial mom. “Não dá para definir o John Waters”, ela diz, nitidamente apaixonada por seu divertido diretor. “Ele apenas vê as coisas de um jeito diferente do resto de nós. É engraçado, simpático, e sempre leva a família para o estúdio. A mãe dele, um dia, me perguntou se não iam achar o personagem da mãe assassina inspirado nela. Eu disse que ela não devia se preocupar.”
Em Serial mom, que deve ser lançado em fevereiro, ela esmaga um homem com um condicionador de ar. “Depois mato Patty Hearst com um telefone porque ela está usando sapatos brancos depois do dia de trabalho, e também acerto uma mulher na cabeça com uma perna de carneiro, ao som de Tomorrow. Não me perguntem por que, não tenho a mínima idéia. Mas é engraçado como o diabo. Serial Mom é o maravilhoso tipo de risco que só existe quando se está fazendo algo que poderia não funcionar sem você. Isso é irresistível.”
Kathleen Turner também pensa em dirigir e está tentando encontrar o material certo para sua estréia. Hoje ela vive em Nova Iorque com seu marido, Jay Weiss, com quem está casada há 7 anos:
“Moro no West Side, onde não preciso me maquiar para comprar o jornal”, diz. “Não gosto de estar numa cidade-empresa como Los Angeles. Ela me sinto mais segura em Nova Iorque.”




quarta-feira, outubro 29, 2025

SciFi Now Special - Hammer Horror (2014)

 


Esta edição especial da revista SciFi Now funciona como um "manual" abrangente, dedicado a explorar a história, o legado e o renascimento do Hammer Film Productions, um dos estúdios de cinema mais icônicos e influentes da Grã-Bretanha, sinônimo de um estilo particular de horror gótico e sensual.



A revista pinta um retrato completo da Hammer Films como um estúdio que, por duas décadas, definiu o horror britânico com uma identidade visual única e ousada para sua época. Ela explora tanto a glória de seus dias clássicos, impulsionada pelo talento incomparável de Cushing e Lee e pela visão de diretores como Terence Fisher, quanto seus anos de luta e eventual declínio. Por fim, celebra seu renascimento bem-sucedido no século XXI, argumentando que o legado de qualidade, atmosfera e storytelling da Hammer é tão relevante hoje quanto era nos anos 1950. A publicação é uma homenagem definitiva para fãs e um guia essencial para qualquer um interessado na história do cinema de horror.

1. Introdução e Índice (p. 2-3)

A revista se apresenta como um guia essencial sobre o estúdio, prometendo cobrir desde seus humildes primórdios, passando pelos dias de glória, o declínio nos anos 1970 e sua gloriosa ressurreição moderna. O índice lista os principais artigos: perfis de Christopher Lee e Peter Cushing, focos em filmes específicos como Dracula e Quatermass, entrevistas com estrelas como Madeline Smith, e uma análise do retorno do estúdio.

2. Guia Completo da Hammer Horror (p. 4-11)



Este é o artigo central, traçando a história completa do estúdio.

  • Origens (1934-1950): Fundado por William Hinds (que usava o nome artístico "Will Hammer"), o estúdio começou produzindo filmes modestos. A virada veio com a mudança para a mansão Down Place (renomeada Bray Studios), onde encontraram espaço e estrutura para projetos mais ambiciosos.

  • O Primeiro Sucesso (1953-1955): A adaptação para a TV de The Quatermass Experiment foi um sucesso massivo, levando à versão cinematográfica em 1955 (The Creeping Unknown), dirigida por Val Guest. O filme, classificado como "X", atraiu controvérsia e lotou cinemas, mostrando à Hammer o potencial do gênero de terror.

  • A Revolução a Cores (1957-1959): The Curse of Frankenstein (1957) foi um terremoto cultural. Dirigido por Terence Fisher, foi o primeiro filme de terror britânico em cores e apresentou ao mundo a dupla Peter Cushing (como o Barão amoral) e Christopher Lee (como a Criatura). Seu sucesso financeiro foi estrondoso. No ano seguinte, Horror of Dracula solidificou a fórmula Hammer: cores vibrantes (o vermelho do sangue), sensualidade implícita, cenários góticos e a dualidade Cushing (o herói) / Lee (o vilão).

  • A Era de Ouro (anos 1960): A Hammer explorou outros monstros universais com grande estilo: The Mummy (1959) e The Curse of the Werewolf (1961), estrelado por um intenso Oliver Reed. O estúdio também diversificou, produzindo thrillers psicológicos ("mini-Hitchcocks" como Taste of Fear), aventuras épicas como She (1965) e ficção científica como Quatermass and the Pit (1967).

  • O Declínio (anos 1970): O estúdio lutou para se adaptar ao gosto moderno. Tentou competir com mais nudez (The Vampire Lovers, 1970) e levando Drácula para a época contemporânea (Dracula A.D. 1972). No entanto, o surgimento de filmes americanos mais realistas e chocantes como O Exorcista (1973) e O Massacre da Serra Elétrica (1974) tornou o estilo Hammer aparentemente datado. Tentativas de outros gêneros, como a comédia On the Buses, não foram suficientes para salvar o estúdio, que encerrou suas atividades em 1979.



Entrevistas e Destaques nesta Seção:

  • David McGillivray (roteirista): Fala sobre como seu trabalho com o diretor Pete Walker (The House of Whipcord) representou uma ruptura com o horror gótico da Hammer, levando o terror britânico para um caminho mais realista e exploitativo.

  • Caroline Munro (atriz): Relata sua experiência como a primeira atriz under contract com a Hammer, sua descoberta através de um comercial de rum e a emoção de trabalhar com lendas como Cushing, Lee e Vincent Price.

  • Simon Oakes (CEO da Hammer moderna): Discute os desafios de relançar a marca no século XXI, afirmando que não querem refazer os clássicos, mas sim capturar seu espírito com filmes contemporâneos. Ele expressa admiração por thrillers psicológicos da Hammer como The Nanny.




3. Christopher Lee: O Ícone de Horror (p. 12-15)

Um perfil dedicado ao homem que se tornou Dracula.

  • Trajetória: Desde seu papel mudo como a Criatura de Frankenstein até a consagração como o Conde Drácula.

  • Relação Conturbada com o Personagem: Lee detestava alguns roteiros dos sequels de Drácula, considerando-os ruins e infiéis à obra de Bram Stoker. Em Dracula: Prince of Darkness (1966), ele se recusou a ter falas.

  • Carreira Posterior: O artigo celebra seu renascimento como uma lenda do cinema em franquias gigantes como O Senhor dos Anéis (Saruman) e Star Wars (Conde Dooku), além de suas colaborações frequentes com Tim Burton.

  • Curiosidades: Lista factoides como ser fluente em vários idiomas, primo de Ian Fleming (criador de James Bond) e ter lançado álbuns de heavy metal.

4. Dracula (1958): Flashback e Restauração (p. 16-19)



Uma análise profunda do filme seminal.

  • Inovação e Impacto: O artigo argumenta que a grande inovação de Dracula foi introduzir o erotismo explícito no mito vampírico. As cenas de sedução, onde as vítimas pareciam consentir e até desejar seu destino, foram revolucionárias.

  • A Censura: A British Board of Film Censors (BBFC) cortou duas cenas-chave por considerá-las muito fortes: a sedução de Mina (por ser muito erótica e sugerir que ela gostava) e a desintegração final de Drácula (por ser demasiadamente gráfica).

  • A Restauração: Após décadas, uma cópia intacta do filme foi encontrada no Japão, único país que recebeu a versão original em 1958. Essa versão restaurada permitiu que o público visse o filme como Terence Fisher intended, reinserindo os minutos perdidos que intensificam o horror e a sexualidade da narrativa.

5. Peter Cushing: Um Cavalheiro Lembrado (p. 20-23)



Uma homenagem carinhosa ao outro pilar da Hammer.

  • O Artista Meticuloso: Cushing era conhecido por sua preparação intensa para os papéis. Para Sherlock Holmes, aprendeu a segurar um violino; para The Mummy, observou cirurgias reais.

  • O Homem por Trás do Personagem: O texto destaca sua natureza de gentleman, sua devoção aos fãs (nunca os ignorava) e a dor devastadora que sentiu com a morte de sua esposa, Helen, em 1971. Essa perda o levou a aceitar papéis inferiores apenas para se manter ocupado.

  • Carreira Diversificada: Além de Van Helsing e Frankenstein, o artigo celebra seus papéis como Sherlock Holmes em The Hound of the Baskervilles (1959) e como Dr. Who nos filmes de dos anos 1960, mostrando seu alcance como ator.

6. Entrevista com Madeline Smith (p. 24-25)



A atriz de The Vampire Lovers e Frankenstein and the Monster from Hell oferece um relato íntimo do fim da era Hammer.



  • O Ambiente nos Sets: Ela descreve o diretor Terence Fisher como um homem tranquilo e respeitoso, que comandava com autoridade suave. Relata que Peter Cushing estava visivelmente abalado e fantasmagórico durante as filmagens de Frankenstein... após a perda da esposa.

  • "Hammer Glamour": Smith defende que as atrizes da Hammer tinham oportunidades de atuação sólidas, mas expressa seu descontentamento com a exigência de nudez em The Vampire Lovers, que considerou desnecessária e que transformou um bom filme em uma "miniprodução pornô".

7. Quatermass and the Pit (1967): Um Marco Sci-Fi (p. 26-29)




Destaque para um dos filmes mais aclamados e inteligentes do estúdio.

  • Cerebral e Atípico: O artigo enfatiza como o filme, baseado na série de TV de Nigel Kneale, era uma exceção no catálogo Hammer: focado em ideias (origens do mal, histeria coletiva, alienígenas) em vez de monstros sangrentos.

  • Entrevista com Julian Glover: O ator, que interpretou o militar cético Colonel Breen, elogia o roteiro inteligente, o diretor Roy Ward Baker e o elenco de primeira linha (Andrew Keir, Barbara Shelley). Ele discute a desafiadora tarefa de interpretar um "idiota obrigatório" sem torná-lo uma caricatura.

8. O Retorno da Hammer (p. 30-34)



Uma análise do renascimento do estúdio no século XXI.

  • Estratégia Moderna: Liderados por Simon Oakes, o novo Hammer não quis simplesmente refazer os clássicos. Eles buscaram filmes que capturassem o espírito da marca: horror com qualidade de produção, baseado em literatura e com um DNA britânico.

  • O Sucesso Crítico e Commercial: Após alguns filmes menores (Wake WoodThe Resident), o grande marco foi The Woman in Black (2012). Estrelado por Daniel Radcliffe e com roteiro de Jane Goldman, o filme foi um sucesso de crítica e bilheteria (mais de US$ 100 milhões), provando que a marca ainda tinha potência.

  • Futuro e Legado: Oakes discute projetos futuros como The Quiet Ones e Gaslight (um thriller sobre Jack, o Estripador), enfatizando o compromisso com a qualidade e a rejeição ao gore exploitativo de franquias como Saw. A Hammer também embarcou em um meticuloso projeto de restauração em Blu-ray de seu catálogo clássico.

9. Quiz Hammer Horror (p. 35)



A revista termina com um questionário para testar os conhecimentos dos fãs mais ardentes, com perguntas sobre filmes, personagens e curiosidades do estúdio.