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segunda-feira, fevereiro 23, 2026

Victor Santos

Quando estudava no Colégio São José, Petropolis (RJ), conheci um dos grandes músicos da MPB  que brilha até hoje.  Aqui, uma matéria sobre Victor Santos publicada em 6 de junho de 1987. Ela anuncia o segundo LP da Orquestra Vittor Santos, "Um Toque Tropical", e traça um perfil do jovem maestro e de sua bem-sucedida orquestra, destacando seu profissionalismo, o repertório do novo disco e a estabilidade do grupo de músicos.



Texto: Maria Antonieta D’Angelo

Foto: Oliveira Junior

Para os que não conheciam o som da Orquestra Vittor Santos, era muito fácil dizer que a mesma não vingaria, considerando a cidade e o fato do dirigente ser um rapaz de 20 anos, na época. Mas não houve pouca idade nem marasmo petropolitano que segurasse tanto talento e eis que vem aí o segundo disco da Orquestra: Um Toque Tropical. O lançamento será em julho, e garante Vittor que este disco é melhor que o anterior, também muito bom.

Até mesmo a produção foi mais atenciosa na confecção deste LP. "Acho que desta vez a Continental acreditava mais no sucesso da gente. Além do mais o repertório é sofisticado e mesclado, já que desta vez incluímos músicas americanas e latinas. O encarte está mais bonito e tivemos três nomes de respeito comentando nosso trabalho: Beth Carvalho, Hermínio Bello de Carvalho e Ian Guest."

Para dar um gostinho de quero ouvir, as músicas são as seguintes: Lado A: Invitation (Kaper Webster). Samba em Prelúdio (Baden e Vinicius); Preciso Aprender a Ser Só (Marcos e P. Sérgio Valle); Vereda Tropical (Gonzalez); Deixa (Baden e Vinicius). Lado B: Potpourri de Boleros com: Frenesi e Perfídia (Alberto Dominguez); Smile (Charles Chaplin); e Aqueles Ojos Verdes (Adolfo Utrera). Na segunda faixa: Nós e o Mar (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli); Caso Sério (Rita Lee e Roberto Carvalho); Apêlo (Baden e Vinicius); Se Acaso Você Chegasse (Lupicínio Rodrigues e Felisberto Martins).

UMA ORQUESTRA SEM ROTATIVIDADE


Em agosto, a Orquestra fará dois anos de existência, e uma característica curiosa é que não só seu público se mantém fiel, mas também seus músicos. Embora nos últimos tempos o número de componentes tenha crescido apenas um saiu.

Atualmente são 21 músicos, e Vittor não nega que de vez em quando se desentendem, mas nunca houve nada de sério, e todos gostam da equipe que formaram. Vittor lamenta que a receptividade por parte dos outros músicos normalmente passe pelo despeito, e acha inclusive de difícil compreensão que isto ocorra. "Já que em Petrópolis é restrito o número de músicos profissionais, o que não acontece com a totalidade dos que atuam na Orquestra. Aqui até o baterista lê partitura. Ninguém toca de ouvido", — argumenta Vittor —, "mas apesar do despeito, a orquestra cresce, e segundo Vittor, muitos músicos vivem só desta renda, e para quem vive de música é a seriedade com que encaram o trabalho."

O próprio Vittor surpreende muitas pessoas com quem trabalha. Com apenas 22 anos, é um profissional sério que formou uma orquestra vitoriosa, e nas horas que lhe restaram grava discos fazendo solos, ou participando como músico. Das últimas gravações que realizou destaca o solo que fez no disco do compositor e guitarrista Júlio Costa, na faixa samba Torto II, e um outro solo que também gostou muito para o disco de Flávio Pantola.

O envolvimento com a orquestra não lhe deixa muito tempo livre. No programa se inclui uma ida à Vitória, e a orquestra vem mantendo contato com alguns empresários do Rio, como o Studio Zero que empresaria Caetano Veloso e Ney Matogrosso. Mas vale a pena todo esse trabalho, quando se pode ver seus resultados. "E resultados cada vez melhores, é o que nos interessa, e sem dúvida, o disco é um deles", afirma Vittor. Agora é só ouvir e conferir. E enquanto o disco não sai, pode se conhecer e bailar ao som da orquestra hoje, a partir das 22 horas no clube Euterpe, no Alto da Serra.

domingo, fevereiro 22, 2026

Major Sérgio: O homem que viu Petrópolis virar cidade


✨ O Major que mudou o destino de Petrópolis ✨

Rua Major Sérgio, no bairro Mosela


Viver por mais de três décadas na Rua Major Sérgio, na querida Mosela, me deu uma perspectiva diferente sobre esse personagem. Hoje, ao entender que ele  percebeu que Petrópolis 'não cabia mais no molde de colônia', sinto que cada passo dado naquela rua tinha o peso da história de uma cidade que aprendeu a caminhar com as próprias pernas em 1857


Em 1857, Petrópolis vivia um momento decisivo de sua história. À frente da Colônia estava o Major Sérgio Marcondes de Andrade, uma figura que enxergou além da rotina administrativa e percebeu que aquele território já tinha alma e força de cidade.

Foi ele quem registrou o impressionante crescimento populacional — mais de 6 mil habitantes, com metade de origem germânica — e também a expansão do comércio, da indústria e do turismo. O Major compreendeu que Petrópolis já não cabia mais no molde de colônia.

Sua visão ajudou a embalar o debate que culminou, em 29 de setembro de 1857, com a aprovação da Lei Provincial nº 961, elevando Petrópolis à categoria de cidade. Embora a iniciativa tivesse forte apoio político e jornalístico, foi o olhar atento e estratégico de Sérgio Marcondes que abriu espaço para essa mudança.

Graças ao trabalho do Major, a cidade pôde se estruturar com vereadores, juizado municipal e novos rumos administrativos. Ele foi mais do que um gestor: foi o elo entre o passado colonial e a cidade que Petrópolis estava destinada a se tornar. 

Parte sda minha vida, mais de 35 anos, passei na rua Major Sérgio, na Mosela


A casa que morei na Major Sérgio, 130, Mosela


sábado, janeiro 31, 2026

BREVE HISTÓRIA DO CARNAVAL DE PETROPOLIS

Texto de Marcelo Bulgarelli publicado em Culturarte- Fevereiro de 1994


História do Carnaval em Petrópolis: dos Corsos à Passarela

Petrópolis, conhecida como “Cidade Imperial”, guarda uma rica tradição carnavalesca que acompanhou as transformações sociais do século XX. O Carnaval petropolitano, que já foi refúgio da elite carioca, transformou-se em uma festa popular marcada por bailes elegantes, blocos de rua e o surgimento das escolas de samba.

As Origens – O Carnaval da Elite (1900-1930)

No início do século XX, Petrópolis era o destino preferido da burguesia carioca durante o Carnaval. Famílias abastadas fugiam do calor e das doenças do Rio de Janeiro para celebrar na serra. Os corsos — desfiles de carros enfeitados — dominavam as ruas, especialmente na Praça da Liberdade, onde serpentinas e confetes criavam um espetáculo de cores.

A Chegada dos Imigrantes e a Popularização (1940)

Com a Segunda Guerra Mundial e a chegada de imigrantes, o Carnaval ganhou novos ritmos. Bailes de salão no Hotel Cassino Quitandinha (inaugurado em 1944) atraíam artistas e políticos, como Ary Barroso e Lamartine Babo. Paralelamente, nos bairros populares surgiam os primeiros blocos de percussão, embriões das futuras escolas de samba.

O Auge dos Bailes e Blocos (1950-1960)

Petropolitano Futebol Clube – Em 1953, criou o Baile de Máscaras, frequentado por autoridades como o presidente Café Filho.

Serrano Futebol Clube – Tornou-se o maior clube de bairro, com bailes que se estendiam até o amanhecer.

Blocos e ranchos – A Avenida 15 de Novembro (atual Rua do Imperador) virou palco de desfiles que deram origem às escolas de samba locais.

Declínio e Resistência (1980-1990)

Em 1988, uma tragédia causada por fortes chuvas abalou o Carnaval petropolitano. Escolas tradicionais, como a Estrela do Oriente e a 24 de Maio, perderam força, e o apoio da prefeitura diminuiu. Mesmo assim, tradições como o Baile do Preto e Branco (criado em 1987) resistiram, mantendo viva a chama carnavalesca.

Curiosidades

Lança-perfume – Muito popular nos anos 1960, foi proibido na década seguinte.

Clóvis – Figura típica do Carnaval, vestida de preto e com máscara de tela, que assustava foliões.

Veranistas – Nome dado aos cariocas que passavam a temporada de verão na serra.

O Carnaval Hoje

Em 1994, ano desta reportagem, o Carnaval petropolitano já não tinha o mesmo esplendor, concentrando-se em bairros como Itaipava e Nogueira. Mas, como dizia Nelson Cavaquinho, “o samba agoniza, mas não morre”.

Legado

A trajetória do Carnaval em Petrópolis reflete as mudanças sociais brasileiras: de uma festa elitizada à celebração popular, mantendo viva a magia de Momo na serra fluminense.

quinta-feira, dezembro 25, 2025

Natal 1989

                                Natal na casa de Martha Bulgarelli - Casa situada á rua

                               Major Sérgio 130 - Mosela - Petrópolis

                                                             Frames do video caseiro 















 

quarta-feira, junho 18, 2025

sábado, abril 12, 2025

O Anjinho de Petrópolis-

 Publicado em Tribuna de Petrópolis 


**O Anjinho de Petrópolis: A Tocante História de um Santo Milagreiro**  

No Cemitério Municipal de Petrópolis, a sepultura 685 chama a atenção pelos inúmeros brinquedos e flores que a adornam. Ali repousa Francisco José Alves Souto Filho, um bebê de apenas três meses, neto do Visconde de Souto (amigo próximo de D. Pedro II), que faleceu em 9 de abril de 1872. Com o tempo, o túmulo — marcado por uma estátua de anjo — tornou-se local de devoção popular, ganhando o carinhoso apelido de "Anjinho de Petrópolis".  

**A Origem da Devoção**  

A fama de milagreiro surgiu décadas após sua morte, quando um funcionário do cemitério, conhecido como "o baiano", pediu a cura para uma úlcera e atribuiu a melhora à intercessão do anjinho. Em agradecimento, deixou um brinquedo no túmulo e espalhou a história. Desde então, fiéis passaram a depositar brinquedos, especialmente no Dia das Crianças e Finados, como forma de pedidos ou gratidão por graças alcançadas.  

**O Mistério da História Familiar**  

A vida do Anjinho é envolta em curiosidades:  

- Contradição nos Registros: A lápide indica que sua mãe era Maria Luiza de França e Silva, primeira esposa de seu pai, Francisco José Alves Souto. Porém, documentos históricos sugerem que o casal não teria tido filhos. O bebê pode ter sido fruto de um relacionamento não oficializado ou de um casamento breve.  

- Esquecimento pela Família: Em 2014, um sobrinho-neto do Anjinho, Francisco Souto Neto, descobriu acidentalmente a existência do túmulo durante pesquisas sobre o Visconde de Souto. A família ignorava completamente a criança, cuja memória se perdeu no tempo.  

**A Jornada de Redescoberta**  

Francisco Souto Neto e sua prima Lúcia Helena Souto Martini dedicaram anos a reconstruir a árvore genealógica da família. Surpresos com a descoberta, planejaram visitar o túmulo para homenagear o parente desconhecido que, ironicamente, tornou-se uma figura de fé para tantos.  

**Fé e Folclore**  

A devoção ao Anjinho reflete a cultura popular brasileira, onde figuras infantis (como o "Menino Jesus de Praga" ou o "Anjo de Catas Altas") são associadas a milagres e proteção. A história também ecoa tragédias do século XIX, quando a alta mortalidade infantil era comum, e túmulos de crianças muitas vezes viraram símbolos de esperança.  


sexta-feira, abril 11, 2025

iLUSTRES FANTASMAS DE PETRÓPOLIS - JORNAL CULTURARTE MAIO 1994

Texto de Marcelo Bulgarelli

**Casos de Assombração em Petrópolis: Fantasmas da Cidade Imperial**  

Petrópolis, conhecida por seu clima serrano e arquitetura histórica, também guarda inúmeras histórias de assombrações que povoam o imaginário local. Desde casarões misteriosos até encontros sobrenaturais nas estradas, os relatos misturam humor, mistério e um toque de terror.  

### **1. A Mansão da Rua Ipiranga 716**  
Construída em 1884, esta mansão assimétrica, com 11 quartos e cinco salões, é famosa por suas aparições. A última moradora, Maria Elisa Tavares Guerra, uma solteirona que adorava passear nos jardins, teria deixado sua marca: testemunhas juram ver uma "velhinha" abrindo e fechando janelas, mesmo com a casa vazia. O caseiro atual até brinca que sua esposa não gostou de ser confundida com o fantasma!  

### **2. O Fantasma da Rodovia Washington Luís**  
Um caminhoneiro teria dado carona a uma jovem misteriosa perto do antigo posto de gasolina do Belvedere. Ao pararem num motel, ela desapareceu no banho. Assustado, o motorista ligou para o número que ela deixou e ouviu da irmã da moça: *"Ela morreu há três anos num acidente aqui no Belvedere!"*  

### **3. O Riverside Park Hotel e Sua Noivinha**  
Antes da reforma, este hotel era famoso por suas assombrações. Uma "noivinha" simpática aparecia perto da piscina, chamando hóspedes e funcionários. Outros fenômenos incluíam um relógio com ponteiros invertidos e sons inexplicáveis na lareira.  

### **4. Fantasmas Trabalhadores**  
Alguns espíritos parecem não aceitar a aposentadoria eterna:  
- Em Petrópolis, serras elétricas ligam sozinhas, pianos tocam sem músicos e até sessões na câmara municipal teriam "quorum fantasma".  
- Na rua Mosela, um morador (que prefere não se identificar) jura ver um vulto com chifres na cozinha. Seria Belzebu ? 

### **5. O Vovô Brincalhão do Carangola**  
Numa casa construída por um inglês falecido nos anos 1960, a família ainda sente sua presença: livros caem, janelas se abrem sozinhas e objetos somem. As netas, longe de terem medo, acham graça nas travessuras do "Gasparzinho" da família.  

### **6. O "Ressuscitado" do Cemitério Municipal**  
Nos anos 1960, um homem dado como morto acordou no caixão na funerária do Hospital Santa Teresa. Ao perguntar *"Onde é que estou?"*, o vigia fugiu em pânico. O "ressuscitado" voltou para casa, mas sua esposa, ao vê-lo, desmaiou — afinal, seu enterro já estava marcado para o dia seguinte!  

### **7. Casas com Desconto... e Hóspedes Invisíveis**  
Um casarão na rua Raul de Leoni está sempre à venda por um preço suspeitamente baixo. Ex-moradores relatam portas que batem sozinhas e ruídos noturnos. Como diz o artigo: *"Quem vai querer comprar uma casa e dividir a cama com almas penadas?"*  

 O Charme Macabro de Petrópolis
Seja por brincadeira do além ou histórias mal contadas, esses relatos mostram como o sobrenatural se mistura ao cotidiano da cidade. Como escreveu Mário Quintana, *"casas novas não têm sótãos nem porões"* — e talvez seja justamente nesses cantos antigos que os fantasmas preferem morar.  


sábado, dezembro 14, 2024

Museu Imperial promove reflexão com a cobertura da escultura Mima

Via Petropolis em Cena

 

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O Museu Imperial tomou a decisão de manter coberta a escultura Mima como parte de uma ação educativa para promover reflexões sobre a melhor forma de expor esse controverso objeto. A obra, que integra o circuito da exposição permanente e está localizada na Sala dos Diplomatas, foi criada por Arthur de Gobineau, intelectual francês conhecido como o "Pai das Teorias Racistas" devido às ideias pseudocientíficas apresentadas em seu Ensaio sobre a Desigualdade das Raças Humanas (1853-1855).



A cobertura da peça aconteceu durante o último encontro da Oficina de Letramento Racial, reforçando o compromisso do Museu em criar espaços de diálogo e aprendizado sobre questões históricas e sociais. Essa iniciativa busca alinhar a exposição às abordagens decoloniais contemporâneas, promovendo um debate inclusivo e crítico sobre história, racismo e os desafios de reinterpretar o passado à luz dos valores atuais.



O Museu Imperial convida o público a participar desse importante exercício de reflexão. Para mais informações sobre a ação e para acessar a nota técnica que a acompanha, visite o site do Museu em www.museuimperial.gov.br.

quarta-feira, abril 12, 2023

Mosela


Casa da familia Bulgarelli no bairro Mosela. 
A familia morou na casa desde a decada de 1950 (quando foi constrúida)
até o ano de 1993 quando a casa foi à venda. 


Mosela é um dos bairros mais antigos de Petrópolis, localizado na região central da cidade. O nome do bairro vem da Mosela, uma região da Alemanha que faz fronteira com a França.


A história do bairro remonta ao século XIX, quando a cidade de Petrópolis foi fundada pelo Imperador Dom Pedro II como uma estância de veraneio para a família real e a elite brasileira. Na época, o bairro era uma região de mata virgem, pouco habitada e com acesso difícil.


No final do século XIX, a região começou a ser ocupada por imigrantes alemães, que construíram suas casas e plantaram jardins e hortas na área. O bairro se tornou conhecido por seus jardins floridos e suas casas de estilo alemão, e atraiu muitos turistas que visitavam a cidade.


Com o tempo, o bairro se desenvolveu e se tornou um importante centro comercial e residencial de Petrópolis, com escolas, hospitais, supermercados e lojas. Hoje, é um dos bairros mais valorizados da cidade, com uma arquitetura marcante e uma paisagem privilegiada, cercada por montanhas e bosques.

A casa da família Bulgarelli ainda existe na Rua Major Sérgio, 130.

 Major Sérgio Augusto de Souza, um militar brasileiro que nasceu em 29 de junho de 1907 e faleceu em 29 de março de 1964.


O Major Sérgio foi um importante líder militar durante a Segunda Guerra Mundial, tendo participado da Força Expedicionária Brasileira (FEB) que lutou na Itália ao lado dos Aliados. Ele foi um dos primeiros militares a serem voluntários para o serviço na FEB e comandou o 3º Pelotão da 1ª Companhia do 6º Batalhão de Infantaria Expedicionário.


Após a guerra, o Major Sérgio continuou sua carreira militar, tendo participado também da Campanha de Suez, no Egito, em 1956. Em reconhecimento a sua bravura e dedicação, recebeu diversas condecorações militares, incluindo a Medalha de Guerra e a Medalha de Campanha.


Além de sua carreira militar, o Major Sérgio também foi um grande incentivador do esporte em Petrópolis, tendo fundado o Clube Atlético Serrano, em 1943. Ele faleceu em 1964, aos 56 anos de idade, deixando um legado de coragem e liderança tanto no âmbito militar quanto na vida civil.

quinta-feira, maio 26, 2022

A Casa da Mosela

Petrópolis Rua Major Sérgio 130 - Mosela Foto da década de 1950.
#petropolis #Petrópolis #mosela

segunda-feira, março 23, 2020

Jornalista aproxima o ontem e o hoje em site Petrópolis Sob Lentes

Jornalista aproxima o ontem e o hoje em site Petrópolis Sob Lentes:



petropolis-sob-lentes.jpg

Fotos: arquivo pessoal Ricarco Cury / Bruno Avellar




Quem quer que tenha dito que há uma fronteira entre passado e presente certamente ainda não acessou a nova interface do site Petrópolis Sob Lentes: equilíbrio entre a nostalgia de ontem e a modernidade de hoje. Criado, em 2018, pela jornalista petropolitana Carolina Freitas, o site é pautado pelas premiadas reportagens escritas por ela sobre o comércio antigo da cidade, vencedoras do prêmio Alcindo Roberto Gomes de Jornalismo, pela Academia Petropolitana de Letras, em 2019.

Nos dois anos em que esteve no ar o site - que nasceu como blog - obteve mais de 24 mil acessos de internautas que vão do Brasil aos Estados Unidos, Alemanha, Argentina, Portugal e França, por exemplo. “São pessoas que, por mais que estejam inseridas em cenários e circunstâncias diferentes hoje, compartilham um mesmo passado e um mesmo anseio por relembrar aquela época a partir de lentes dotadas de memória e história: os registros fotográficos”, explica Carolina.




Carolina Freitas
Com a proposta de aproximar o ontem e o hoje, o que se verifica pelos comparativos visuais das referidas matérias, a jornalista agora também assume a difícil e igualmente gratificante missão de aproximar assuntos de teor histórico ao contexto digital atual. “O novo design representa o início de uma nova fase para o Petrópolis Sob Lentes, uma era mais focada na interatividade, na intermídia”, aponta a jornalista que concorre ao Prêmio Maestro Guerra-Peixe deste ano (categoria Comunicação) pelo trabalho desenvolvido.

Nascido na mídia impressa do jornal Tribuna de Petrópolis, o projeto conduzido por Carolina foi, ainda, transformado no livro “Petrópolis: o comércio de ontem, a saudade de hoje”. A obra - compilado de 44 reportagens sobre o comércio já extinto local - tem prefácio do escritor Antônio Torres e foi lançada em janeiro deste de 2020. Além do site, petropolisoblentes.com.br, a jornalista e agora autora também pode ser acompanhada no Instagram via @petropolissobrelentes.









domingo, fevereiro 23, 2020

sábado, fevereiro 01, 2020

PRÊMIO. 41 indicados ao 'Óscar da Cultura' petropolitana





prêmio de bronze artista petropolis




Uma das principais premiações culturais do estado, que leva o nome do de um importante compositor erudito brasileiro, o petropolitano César Guerra-Peixe, já tem definidos os seus 41 indicados. Artistas e produções culturais que mais se destacaram no ano de 2019 serão homenageados pelos seus trabalhos realizados em Petrópolis. A solenidade de entrega desta 11ª edição do prêmio, que é organizado pela prefeitura, através do Instituto Municipal de Cultura Esportes (IMCE), revelando os vencedores, será no dia 18 de março, data de nascimento do patrono, em local a ser definido.
“Durante o ano chegamos a ter 12 nomes pré-indicados em algumas categorias. Foi uma fartura. Que continue assim, como nos velhos tempos de boa safra cultural”, aponta Marco Aurêh, coordenador da premiação.
O corpo de jurados foi formado por Cocco Barçante (artista plástico e produtor cultural); Gabriel Saito (ator e estilista); Inês Petri (atriz, cenógrafa e produtora cultural); Luís de Mello (ator e professor); Marcelo Fernandes (escritor e professor); Nelson Kuster (jornalista e pesquisador musical); Silvia Marques (bailarina e coreógrafa) e Thiago Alves (músico, ator e compositor).
A Categoria Notório Reconhecimento, que premia o conjunto da obra ao longo dos anos, nesta edição presta uma homenagem a atriz petropolitana Myriam Pérsia, que ao longo dos seus 84 anos de idade construiu uma carreira notável atuando em diversas novelas, como “Sangue e Areia”, “Irmãos Coragem” e “Véu da Noiva”, além de filmes como “O esquadrão da morte”, “Banana mecânica” e “Um edifício chamado 200”, entre outros trabalhos. “Fiquei muito feliz pela lembrança vinda de minha querida terra natal”, enalteceu a atriz.



prêmio da cultura de petropolis em bronze
Confira a lista dos indicados por categoria:

Música Popular:
Café Bordel;
Metabrisa;
Nego Preto;
Pestana

Música Erudita:
Canarinhos de Petrópolis;
Orquestra de Câmara de Petrópolis (ASMB);
Orquestra de Câmara do Palácio Itaboraí;
Orquestra Filarmônica de Petrópolis

Teatro:
Cia Plúmbea (O diário do último ato);
Coletivo Foco de Teatro (Mesma Reza);
Paulo Marcos (direção de Morte e Vida Severina);
Corpo poético (Poemas Possíveis para Sorôco).

Dança:
Cia Movimento (Tributo a Michael Jackson);
Pedrinho Alves;
Thaynara Silveira & Larissa Guimarães;
Tiago Cunha

Artes Visuais:
Betto Pereira (As Bikes de Betto);
Família Bortolotti (Coragem e Fé);
Coletiva Gesto de Barro (Arte Cerâmica);
Helena Morani (Você não precisa dizer mais nada)

Literatura:
 Álvaro Assis (Eutros);
Drica Madeira (Lei Maria da Penha, entre a teoria e a prática);
Fátima Argon e Bruno Cerqueira (Alegrias e Tristezas);
Sylvio Adalberto (Coração na boca)

Comunicação:
Carolina Freitas (Petrópolis sob Lentes – matéria jornalística - blog);
Cordas e Música (site);
Esquinas da Cidade (programa audiovisual);
Sou Petrópolis (site).

Audiovisual:
Aline Castella (O menino do Cine Paradiso);
Bia Galvão (Nos jardins do Museu Imperial);
Grégori Bastos e Dalí (Halloween – videoclipe);
Lorran Kasesky (Rolezinho).

Produção Cultural:
Grafite (10 anos);
Lilia Olmedo;
Neblina Rock;


Renata Garcia.

Categoria Especial:
Casa Stefan Sweig;
Heloisa Schanoel (50 anos);
Piccola Arena;
Um Sarau Imperial.

Notório Reconhecimento:
Myriam Pérsia


sábado, setembro 07, 2019

Relógio das Flores - 47 anos


Hoje,  o Relógio das Flores em Petrópolis, completa 47 anos. Para entender a história desse monumento, confira o texto de Rubens Silva para o jornal Tribuna de Petrópolis, publicado em 7 de setembro de 2002. 



O Relógio das Flores completa 30 anos hoje, e muitos não sabem das histórias que envolvem a sua criação, mas o idealizador de tudo isso pode ser visto pelas ruas da cidade, andando de maneira anônima, trazendo consigo a lembrança dos fatos que o levaram a ter essa idéia. O nome dele é Sílvio de Carvalho, 76 anos, que hoje vê o monumento sendo referência para os turistas de todo o país.

Em 1972, em plena ditadura militar, se decidiu em Brasília que todos os municípios do país tinham que prestar homenagem aos 150 anos de Proclamação da Independência. "O então prefeito João Ésio Caldara me incumbiu, por ser secretário de Serviços Públicos, de buscar uma solução para seguirmos a orientação federal, mas o caixa estava baixo e tivemos que ser criativos", disse Carvalho.

Silvio de Carvalho lembra que as homenagens alusivas aos 150 anos de Independência teriam que acontecer às 18h do dia 7 de setembro, tendo como meta envolver o país em um espírito de patriotismo, diante de um quadro conhecido por todos, onde a mão-de-ferro da ditadura sempre falava mais alto.

Essa incumbência aos municípios ocorreu em abril, e Carvalho lembra que, após a decisão pela construção do relógio de flores, foi preciso consultar a Universidade Católica, já que a construção seria logo em frente do muro. "Com a construção do relógio, conseguimos dar beleza ao local que era apenas um grande muro, mas foi necessária a busca de técnicos em relógios de empresas ou igrejas, ou seja, de grande porte, para tocar a nossa idéia".

Depois de algum tempo, os técnicos da empresa retornaram com a notícia de que tinham uma solução para a instalação dos mecanismos, como de funcionamento dos ponteiros, além do "coração", ou seja, o relógio de fato. "O relógio propriamente dito está instalado dentro de uma das salas da Universidade Católica, já que o acionamento da engrenagem dos ponteiros acontece à distância", explicou Sílvio.

Um segredo dos números, Sílvio de Carvalho revelou depois de 30 anos, já que os números em algarismos romanos foram feitos em bandejas de metal, mas em quatro diferentes conjuntos. "São quatro conjuntos de números, assim poderiam ser sempre trocados, mantendo-se sempre florido", revelou.

Hoje, o Relógio das Flores, um dos pontos turísticos mais visitados da cidade, parece estar lá há muito mais de 30 anos, e a maioria não se lembra de quando foi instalado.

"Fazemos as obras para ficarem marcadas, e acho que todos que participaram da criação e instalação do Relógio das Flores, que hoje é copiado em diferentes municípios, por certo estão felizes como eu estou", completou Carvalho.


segunda-feira, fevereiro 18, 2019

Petrópolis, refúgio de escritores


Publicado originalmente no jornal Tribuna de Petrópolis em 01/03/2002
Autor;  Josemir Medeiros


Petrópolis, refúgio de escritores


Stefan Zweig e a esposa 

Stefan Zweig, Gabriela Mistral, Elizabeth Bishop, Alceu do Amoroso Lima e até Manuel Bandeira são alguns dos nomes famosos da literatura que têm ligação com Petrópolis, seja como moradores fixos ou eventuais.


A realização da 1ª Bienal do Livro de Petrópolis, que começa na próxima sexta-feira, 8 de março, é um bom momento para lembrarmos a tradição que a cidade tem para atrair escritores famosos. O austríaco Stefan Zweig subiu a serra em 1942, fugindo do nazismo e acabou suicidando-se em Petrópolis, há exatos 60 anos. A poeta chilena Gabriela Mistral recebeu aqui a notícia de que havia sido escolhida como ganhadora do Prêmio Nobel, em 1945. Outra poeta, a norte-americana Elizabeth Bishop, refugiava-se numa casa no bairro da Samambaia e a cidade ainda mereceu a atenção de nomes como o de Manoel Bandeira, que escreveu sobre o bairro onde passava temporadas, “Noturno da Mosela”, localidade escolhida também pelo pensador católico Alceu de Amoroso Lima.

Stefan Zweig, que nasceu em Viena, na Áustria, em 1881, era acima de tudo um humanista, ousando defender suas idéias humanitárias até mesmo durante a Segunda Guerra Mundial, o que acabou lhe obrigando a fugir do Nazismo na Europa, desembarcando no Brasil, sendo acolhido pelo governo de Getulio Vargas.

Ao lado de sua mulher Lotte, escolheu viver em Petrópolis numa casa do bairro Valparaíso. Aqui produziu sua obra mais conhecida no país e também a mais polêmica: “Brasil, País do Futuro”, que muitos julgam ter sido feita sob encomenda do governo Vargas, como “pagamento” pela sua acolhida brasileira. Esta é apenas uma das muitas indagações sobre Zweig que continuam sem resposta, assim como a sua própria morte, no dia 23 de fevereiro de 1942, na casa do Valparaiso. Apesar de aparentemente se tratar de um suicídio - Zweig e a mulher Lotte morreram abraçados ao lado de um vidro de veneno e havia um bilhete de despedida - muitos acreditam que o escritor austríaco pode ter sido assassinado pela polícia secreta alemã.

Na rua Mosela, 289 fica a casa de Alceu de Amoroso Lima, o articulista e crítico literário que assinava seus trabalhos sob o pseudônimo de Tristão de Athayde. Bacharel em direito, Alceu de Amoroso Lima veio a falecer em sua casa de Petrópolis, em 1983, aos 90 anos de idade e a casa da serra onde passava os verões, acabou transformada no Centro Alceu Amoroso Lima para a Liberdade (CAAL), entidade que tem a finalidade principal de divulgar a obra do seu antigo morador, que foi um incansável lutador em prol da liberdade ousando questionar regimes autoritários como o governo de Vargas, em 1940 e os militares de 1964.

Completando a lista de escritores famosos que escolheram Petrópolis para morar, a norte-americana Elizabeth Bishop que se dividia entre um sítio no bairro da Samambaia e um apartamento de frente para o mar, no Leme, Rio de Janeiro. Ao lado da arquiteta Carlota Macedo Soares, a Lota, que projetou o Parque do Flamengo, no Rio, a poeta americana vivia um assumido relacionamento homossexual e gostava tanto do seu refúgio petropolitano, uma casa projetada pelo arquiteto Sérgio Bernardes e premiada em 1954, que lamentava profundamente ter que sair da Samambaia para ficar no apartamento do Rio. 
elizabeth bishop


Nascida em Vicuña, no Chile, em 1889, com o nome de Lucila Godoy Alcayaga, a poeta Gabriela Mistral, adotou Petrópolis quando estava no Brasil ocupando o cargo de Consulesa Geral do Chile. Ela esteve por aqui até 1945, quando recebeu a notícia de que havia sido escolhida para receber o Prêmio Nobel de Literatura. Depois de deixar a cidade em direção à Suíça, para receber seu prêmio, Gabriela Mistral nunca mais voltou, mas deixou em Petrópolis um rico acervo de livros incorporado à biblioteca municipal, da qual era assídua freqüentadora e que hoje foi batizada com o seu nome.




domingo, dezembro 16, 2018

Natais em família

1998 - 1986 - Natal - Bingen
 -Petrópolis RJ
1995 -  Natal no apê da Mosela -Petrópolis RJ 
1989 -  Natal na Mosela -Petrópolis RJ 
 2003 - Natal na Mosela -Petrópolis RJ 
1986 - Natal - Bingen
 -Petrópolis RJ 
1980 - Natal na Mosela -Petrópolis RJ 
2004 - Maringá = PR



1977 Natal na Mosela -Petrópolis RJ 
1975  Natal na Mosela -Petrópolis RJ 

quinta-feira, julho 19, 2018

Sergio Cardoso

O carioca Sergio Cardoso é o nome de um rua sem saída no Quarteirão Ingelhein, em frente ao Campo do Serrano, em Petrópolis.
rua sem saída no Quarteirão Ingelhein, em frente ao Campo do Serrano, em Petrópolis. 

 Cardoso era um jovem piloto de carros de corrida e que teria um fim trágico no circuito de de rua no centro, em 19 de julho de 1968. Foi num sábado, quando ele fazia o reconhecimento do circuito que havia mudado para o sentido anti-horário. Muitos pilotos,  como o experiente Mario Olivetti, haviam questionado as mudança, mas nada adiantou. O circuito passou a sair da avenida 15 de novembro (atual Rua do Imperador),  seguia pela rua Floriano Peixoto (que no sentido anti-horário se transformou num funil), sdepois Alberto Torres, Avenida Ipiranga (contornava a Catedral),  avenida Tiradentes e novamente a Avenida 15.
 Em sua segunda volta, justamente na curva da Floriano Peixoto, Sérgio Cardoso derrapou e bateu violentamente contra dois postes. O carro parou na rua completamente destruído. Cardoso foi retirado das ferragens ainda com vida pelos bombeiros e levado para o hospital na Alfa de Mario Olivetti, mas ele não resistiu.

o carro de Sérgio Cardoso

Mesmo assim, a corrida ocorreu no dia seguinte. Naquela mesma curva, o piloto  Carol Figueiredo, que vinha no Bino Mark I, número 21, derrapa da mesma forma, batendo na parede, depois em um poste, atravessando a pista indo chocar-se contra um segundo poste.
De forma incorreta, os próprios pilotos retiraram  Figueiredo do carro. Foi Wilsinho Fittipaldi (que recusou-se a correr naquelas condições) quem pegou o amigo nos braços. Felizmente, o piloto acidentado não ficou com maiores sequelas.
Mas teve mais: um caminhão do Corpo de Combeiros seguiu em direção ao local, entrando na pista e colocando-se depois da saída da curva. Nisso, completando a quarta volta, vinha o pelotão, liderado por Luiz Pereira Bueno.
 Carol Figueiredo escapa na mesma curva em que Sergio Cardoso se acidentou. 

Cacaio (Joaquim Carlos Telles de Matos), que também era piloto, estava trabalhando como bandeirinha e, vendo o enorme risco que os competidores iriam encontrar ao sair da curva, correu em direção aos carros desesperado, agitando os braços e gritando para pararem.  Acabou atropelado em cheio pela Ford Willys número 47. O corpo, inerte, mas com vida, caiu na rua com uma grande abertura no abdômen, provocada pelo retrovisor, provavelmente.  Cacaio morreu 39 dias depois, mas devido a uma infecção generalizada.

Segundo as autoridades locais, cerca de 50 mil pessoas estava assistindo a prova ao longo do circuito separadas da pista em alguns pontos por uma simples corda. Depois daquele fatídico domingo, nunca mais foi realizada a corrida de Petrópolis.   

 Fotos e  informações do Nobres do Grid