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quinta-feira, agosto 06, 2026

1º Festival Internacional de Folclore - 25 de maio de 1999

 

CAPITAL DA DANÇA

Grupos folclóricos de vários países prometem espetáculo que deve entrar para o calendário cultural da cidade; o Brasilis (centro), de Maringá, vai representar o Brasil no festival que começa hoje no teatro Marista"

1º Festival Internacional de Folclore traz grupos da Itália, Estônia e da Noruega; apresentações acontecem hoje e amanhã no Teatro Marista

Marcelo Bulgarelli — Da equipe de O DIÁRIO Maringá, terça-feira, 25 de maio de 1999

Mais uma prova de vida inteligente no Texas tupiniquim. Hoje e amanhã, Maringá vai sediar o 1º Festival Internacional de Folclore, um evento que tem tudo para entrar no calendário cultural da cidade. As apresentações serão hoje e amanhã no Teatro Marista (sim, nós temos teatro).

O evento é promovido pela Brasilis Cia. de Danças Folclóricas e Populares da UEM, tendo como coordenador o professor Sérgio Sabino de Carvalho, sob a supervisão da organização não governamental francesa, Conseil International des Organisations de Festivals de Folklore (Cioff).

No Brasil, a Cioff é representada por Maria Aparecida Manzolli, uma das principais entusiastas do festival. De acordo com Sérgio, se tudo der certo, Maringá poderá nos próximos anos fazer um evento no mesmo nível do Festival Internacional de Folclore que anualmente acontece na cidade paulista de Olímpia. Esse festival chega a reunir um público de 200 mil pessoas.

Maringá está recebendo grupos da Itália, Noruega e da Estônia. Eles acabaram de se apresentar em Olímpia e a previsão é que chegariam ontem à noite na cidade. Os integrantes ficarão hospedados no Recanto Rainha da Paz.

MARINGÁ

Todos os grupos, inclusive o Brasilis, se apresentam hoje e amanhã no moderno teatro do Colégio Marista. O grupo maringaense mostrará a evolução do samba passando pelo lundu, polca, batuque e o maxixe. "Nosso objetivo é inserir Maringá num roteiro internacional de festivais folclóricos", acredita Sérgio.

Apesar de várias ofertas para que o festival acontecesse em Londrina e Curitiba, os organizadores fizeram de tudo para que Maringá abrigasse o grande evento. Afinal, de acordo com os organizadores, um grupo maringaense tinha que brigar para conseguir o festival na cidade.

NORUEGA

O Grupo de Danças Folclóricas Gjesdalringen é o representante da Noruega e nasceu na parte sudoeste daquele país escandinavo, precisamente na pequenina cidade de Gjesdal, com uma população de 10 mil habitantes, situada a 30 quilômetros ao sul de Stavanger.

O grupo foi formado em 1976 e desde então tem viajado pelo mundo. Em 1986 o grupo organizou um dos maiores festivais de folclore, com a presença de 11 representantes estrangeiros, num total de 530 participantes.

É formado por estudantes, fazendeiros, escriturários, professores, engenheiros e trabalhadores da indústria. São cerca de 40 pessoas de ambos os sexos e com idades que variam de 18 a 70 anos. Boa parte das coreografias norueguesas são baseadas em danças de roda.

ITÁLIA

E por falar em tradição, um dos grupos mais antigos da Itália é o Castrovillari. Foi fundado em 1929 com o nome de "Cantorezinhos de Castrovillari" e desde aquele ano vem defendendo os cânticos e as danças tradicionais do povo castrovillanês.

Em 1959 passou a ser chamado de Grupo Folclórico Pró-Loco do Pollino de Castrovillari e vem fazendo excursões por diversos países da Europa e África do Norte.

ESTÔNIA

O Folkdance Ensemble Kajakas de Galvota representa a República da Estônia, região do Cáucaso. Foi convidado em cima da hora depois da desistência de um grupo argentino. É uma oportunidade para se conhecer um pouco da cultura do leste europeu.

O grupo tem 32 componentes entre dançarinos e músicos e a dança tem forte influência russa. É uma visita histórica, pois até há poucos anos a Estônia era apenas mais um estado da ex-União Soviética.

Desde o momento da independência, criou-se um forte movimento na Estônia com o objetivo de preservar e resgatar suas raízes culturais. Parte delas os maringaenses poderão conhecê-las no Teatro Marista.

PROVA DE FOGO

Esse festival será uma "prova de fogo" para o Brasilis, grupo organizador e anfitrião. É mais uma oportunidade para Maringá se firmar no cenário cultural do estado. A exemplo do elogiado Grupo Parafolclórico Fogança (também da UEM), o Brasilis vem resgatando não só as origens de diversas danças e ritmos brasileiros como também boa parte do folclore paranaense. Um folclore rico, embora desconhecido por muitos. E não tem nada de country, diga-se de passagem.

SERVIÇO

  • Evento: 1º Festival Internacional do Folclore de Maringá.

  • Quando: Hoje e amanhã, às 20h30.

  • Onde: Teatro Marista.

  • Ingressos: R$ 6,00 na Farmácia Nossa, Academia Físico e Forma e Sesc.

quarta-feira, agosto 05, 2026

Os 25 Anos do Fantástico

 Contigo nº 1.196 - 18/08/98 - Editora Abril


Fantástico

A voz da família

Completando 25 anos no ar, o programa que se consolidou como atração dominical aposta na interatividade

Por MARIANA CASTRO

No dia 5 de agosto de 1973 a família brasileira parava pela primeira vez em frente à TV para assistir ao Fantástico, o Show da Vida. Era só o começo do que se tornaria um hábito, quase uma obrigação, das noites entediantes de domingo. Para muita gente, começar a semana sem ter ouvido a famosa música escrita por José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, é como pular o domingo.

Em 25 anos, a atração que se consolidou como o programa para a família agora é o programa da família. Por meio do Painel do Fantástico, hoje, quem assiste ao programa pode opinar sobre os assuntos abordados ou votar em sua matéria preferida.

Criado para ser uma revista de variedades na TV, o Fantástico sempre foi eclético. Teve sua fase voltada à paranormalidade, à saúde, ao shows e musicais, ao jornalismo em geral. Agora, o que dá o tom ao programa é a interatividade.

A cada edição, no final do programa o Fantástico apresenta uma pesquisa para avaliar qual matéria caiu no gosto do público, para, na semana seguinte, detalhar o assunto. Temas polêmicos também ganham direito a pesquisas de opinião.

Um dos quadros que já estreou usando e abusando do recurso foi o Altos Papos, comandado pelo jornalista Zeca Camargo. Dirigido aos jovens, pais e adolescentes podem expor seu ponto de vista em relação a temas que vão de sexo e Aids à maneira mais adequada de terminar um namoro.

Mesmo antes de ocupar boa parte do programa, pesquisas de opinião já faziam parte da história do Fantástico, que comemora seus 25 anos com um quadro especial — no ar até o final do ano — com seus melhores momentos.

Passagens memoráveis é que não vão faltar. Se o Você Decide consolidou a idéia de interagir com o público, definindo seu final a partir da opinião de telespectadores, o Fantástico já exibia, no final dos anos 70, um quadro nos mesmos moldes.

O quadro Você É o Juiz, uma espécie de fórum popular de pequenas causas, contava com a participação do público.

— O quadro ia ao ar no início do programa e o resultado era mostrado no final. Além dos telefonemas recebidos pela produção, o Ibope fazia a pesquisa de opinião — conta José Itamar de Freitas, que dedicou vinte anos de sua vida ao Fantástico, quinze deles como diretor-geral.

— O Fantástico sempre foi um programa de grande impacto popular. Com os avanços tecnológicos, a partir de 1993 o Fantástico passou a usar recursos eletrônicos, que agilizam a obtenção dos resultados. Hoje, todo o serviço de participação do público via telefone é terceirizado.

Segundo Freitas, o programa passa a ser elaborado em função dos resultados apontados pelas pesquisas.

Para Manoel Carlos, autor da novela Por Amor, "o Fantástico é o melhor programa da TV", por acompanhar tendências e estar em sintonia com o interesse do telespectador. Ele foi diretor-geral da atração em 1973 e, até o ano passado, participava de reuniões da equipe.

— A criação do programa saiu da proposta de fazer uma revista de variedades que refletisse os principais acontecimentos da semana, com conteúdo jornalístico e artístico — diz. — O Fantástico se mantém há tanto tempo no ar porque acompanha tendências e mostra o que o telespectador quer ver — analisa.

terça-feira, agosto 04, 2026

RAUL CORTEZ: ENTRE A ESPANHA E PORTUGAL

 

RAUL CORTEZ: ENTRE A ESPANHA E PORTUGAL



Um Certo Olhar... une a poesia do português Fernando Pessoa com o lirismo do espanhol Federico García Lorca; hoje tem a última apresentação no Calil Haddad

Marcelo Bulgarelli — Da equipe de O DIÁRIO

Maringá, sábado, 22 de maio de 1999

É momento de dar voz às palavras. Um Certo Olhar Pessoa e Lorca é exatamente isso: através dos poemas de Fernando Pessoa e García Lorca, o público poderá entender que as palavras existem como força transformadora do mundo. Quem conhece a poesia portuguesa e espanhola, sabe disso.

O espetáculo que está sendo apresentado no Teatro Calil Haddad pelo ator Raul Cortez, pretende resgatar a nossa origem ibérica. "Temos o Portugal pela frente e a Espanha pelas costas", resumiu Raul durante uma entrevista ao O DIÁRIO, no mezanino do Hotel Golden Inga, onde está hospedado. Ele não poupou a mediocridade reinante na mídia.

Num mundo globalizado, estaria na hora de resgatar a cultura latina?

— Eu acho justamente isso, acho que você pode reforçar demais no momento que você tem essa força. Todo "o novo" deve ser provocado por nós. Nós somos um povo com uma série de problemas de "povo novo", que está começando. Até nossos vícios, nossa corrupção deve ser banida... Isso veio com nossos imigrantes que vieram de maneira meio estranha pra cá. Uma "certa purificação" (risos) deve ser provocada pela gente para termos um futuro melhor para nossos filhos e netos.

Fernando Pessoa por Raul Cortez

— Fernando é uma grande surpresa, é um exemplo da língua portuguesa. É uma viagem no interior do homem e do seu sentimento. Foi uma surpresa particularmente incrível devido ao seu despudoramento. Ele tinha uma vida muito simples, fechada, introvertida, mas os demônios que ele tinha dentro dele realmente eram extraordinários. Há versos dele que lutei muito porque tinha um pudor imenso em falar. Não é uma palavra, mas o sentimento que ele traz. Eu trabalhei em cada poema interessado em cada subtexto que estava por detrás de cada palavra e o que ele deveria estar sentindo no momento em que escreveu.

E García Lorca?

— Recolhemos entrevistas de García Lorca e Fernando Pessoa e colocamos como se fosse uma entrevista de uma pessoa só. Isso tem uma certa graça dentro do próprio espetáculo. Quando Fernando diz que "o poeta é um fingidor, que finge que a dor é a dor que deveras sente", Lorca responde: "eu sou todo de estrelas derretidas, sangue do infinito. Ea caravela dos sonhos ao desconhecido e tenho a amargura solitária de não saber nem o meu fim, nem o meu destino". Essa união leva a pessoa que assiste a ter um sentimento tão forte que, a faz voar, faz uma viagem ali...

Até mesmo no teatro...

— Eu tenho muita curiosidade de ver como fica esse espetáculo nesse teatro. Aliás o teatro (Teatro Calil Haddad) é lindíssimo, vocês estão de parabéns. Além de ser um teatro é também um centro cultural, tem exposições ali. É um bonito trabalho que a Dina (Dina Dollis, diretora de Cultura) está fazendo.

Em relação à mediocridade que acontece hoje na mídia. Vejo que você tem vontade de resgatar, com essa peça, um pouco da nossa latinidade, de nossa identidade...

— Mas isso depende de vocês também. Veja o exemplo da TV Cultura de São Paulo. Todos os jornalistas se uniram e fizeram uma espécie de código de ética do que deveria ser perguntado ou informado ao público em relação ao entrevistado e ao assunto. Achei extraordinário. Há uma lei que obriga a televisão dar sua parte, já que é uma concessão, através de uma atividade cultural dentro de seus canais. Mas não acontece nada. Se briga por uma guerra de audiência baixando o nível da maneira que tá...

Contrariando até a Constituição.

— É, mas quando a gente fala isso para um jornalista, como aconteceu comigo em São Paulo, ele responde que está "dando para o público aquilo que ele quer". Eu digo que não, são vocês que estão querendo que o público aceite isso. Eu sempre achei que detrás de uma bunda estampada na Playboy, tem um cafetão de luxo atrás. Então eles pegam esse cafetão de luxo e jogam na revista Caras, mostrando a casa e não sei mais o quê... É exaltação? O que é isso? É uma inversão de valores total. A mulher é até uma gracinha. Participo também do desejo de todo o brasileiro em dar "uma volta por lá" (risos). Mas, pô, não se pode dar esse espaço...

E muita coisa vem de fora...

— Existe o entretenimento, e ele tem que existir mesmo, mas há uma série de coisas que são importantes. Hoje em dia é impossível separar Educação e Cultura para se obter uma condição de vida melhor. Não se acata para essa mediocridade, esse americanismo, essa musiquinha e filminho de violência classe b, o lixo que eles trazem pra cá e que toma conta de todos os espaços de cinema. Isso é geral, não só aqui, na Europa também. No Festival de Cannes eles foram até quase banidos... O Oscar foi uma palhaçada, todo mundo viu e não digo isso porque nós perdemos. É o poder do dinheiro, do dólar que influi até numa premiação que deveria ser artística em primeiro lugar. Isso tudo deve ser fiscalizado por todo o cidadão, cada um que exerce sua profissão. Vocês têm que peitar os donos dos jornais e tal...

É a cultura do "fast-food".

— Aqui está sendo conduzido para isso. Mas no Chile você abre o jornal de domingo que tem aquela folha do "teenager", que entrevista adolescente, e a primeira pergunta que eles fazem é "qual o livro que você está lendo? Tá gostando e por quê?". Essa garotada tem uma outra cultura, totalmente virada para a Europa... Olha, não dá pra ser um Dom Quixote, mas você tem como conduzir o seu país para uma cultura melhor.

Seria importante pra nossa autoestima...

— Exatamente. Você se acha um lixo, rodeado num país cheio de gente corrupta querendo tirar vantagem e que não leva a nada, a não ser um prazer momentâneo e individual.

SERVIÇO

  • Espetáculo: Um Certo Olhar, Pessoa e Lorca

  • Quando: Hoje, último dia, às 20h30.

  • Onde: Teatro Calil Haddad.

  • Ingressos: R$ 20,00 nos shoppings Avenida Center e Aspen Park (Happy e Happy Man) e na bilheteria do teatro.

segunda-feira, agosto 03, 2026

Jason S. Voss.



 fotografia artística de estúdio feita pelo ilustrador, fotógrafo e cineasta norte-americano Jason S. Voss.

Ele é bastante conhecido por criar trabalhos inspirados no universo do terror, mitologias sombrias, lendas urbanas (especialmente da cidade histórica e "assombrada" de Jerome, no Arizona) e pelo conceito de Femme Fatales misturadas a elementos macabros — o que explica perfeitamente a estética gótica e sensual da foto, com a modelo segurando a máscara de esqueleto.

domingo, agosto 02, 2026

Brecht Vandenbroucke

 




"Eu achava que todas as pessoas do passado eram inteligentes. Mas as coisas mudaram e eu aprendi que as pessoas burras daquela época eram apenas inteligentes o suficiente para ficarem quietas."

sábado, agosto 01, 2026

Michael Dumontier


 Encontrei esse poema visual  de Michael Dumontier que traz um  jogo de palavras em inglês baseado nos múltiplos significados de before (antes/na frente) e after (depois/atrás).

Dependendo da interpretação, a tradução pode seguir dois caminhos:

Opção 1: Foco no movimento (Perseguição/Corrida)

Esta opção traduz a ideia física de alguém correndo na frente e a outra correndo atrás.

"Ela correu na frente

Eu corri atrás"

Opção 2: Foco no tempo (Linha cronológica)

Esta opção foca na ordem dos acontecimentos (ela correu primeiro, eu corri depois).

"Ela correu antes

Eu corri depois"


(Gostei mais da segunda opção) 

sexta-feira, julho 31, 2026

USINA ELETRÔNICA

 O  Tribo's Bar marcou a vida noturna de Maringá no inicio dos anos 2000.  em 2002

fiz uma matéria com o  Fabricio D.Vyzor que lembrou esse fato no documentário acima aos

18´ 47.   Abaixo, a matéria.    

O Diário - 08 02 2002



 O Diário - DIVERSÃO - 08/02/2002 - B-1

USINA ELETRÔNICA
A festa vai rolar toda segunda sexta-feira do mês reunindo o melhor da música Hip Hop

MARCELO BULGARELLI - Equipe O DIÁRIO

Guarde sua fantasia de Carnaval, pelo menos, até amanhã. O semblante ainda é afro, mas os tamborins hoje darão lugar para as pick-ups Djs no Tribus Bar. É a primeira edição da Usina Eletrônica que vai rolar toda segunda sexta-feira do mês.

O preço do ingresso é bem no espírito hip hop: um quilo de arroz ou feijão. Os alimentos serão doados ao Lar Escola da Criança de Maringá, entidade que abriga 70 por cento de suas crianças oriundas do Conjunto Santa Felicidade, um bairro na periferia das grandes cidades que explode a cultura Hip Hop.

A noite de hoje será com Fabrício Luciano, conhecido como D. Vyzor, Paulista de Osasco, ele trouxe para Maringá boa parte do Hip Hop, sobretudo a música. Ele já tocou no Sesc Pompéia (Sampa) durante o Campeonato Nacional de DJs, no (Campeonato Nacional de Break), no Ginásio Ibirapuera (Batalha do Ano de Break) e também no lançamento do dvd-rivistas SB, a publicação original da cultura Hip Hop.

Hoje, com o apoio luminoso de Clever Light na iluminação, D. Vyzor apresentará na Usina Eletrônica as músicas que não se ouve nas rádios. São difíceis até para quem é da área, uma vez que boa parte dos lançamentos não saem em vinil (as velhas bolachas matéria prima da Usina).

As batidas começam as 22h30, vão abranger o hip hop Abstract, (batidas com modificações de composição tradicional), drum'n'bass (batida de rap bem acelerada), IDM (Inteligent Dance Music, batidas atravessadas em que as vezes os compassos não possuem muita lógica).

D. Vyzor vai "raspar" muita coisa de Afx Twin, especialista em IDM que tocou no Free Jazz Festival do ano passado. De quebra, seu amigo Marcelo Brandão também mostra seu set em BM, Vários trabalhos de rock alternativo dos anos 80. Garcia possui um projeto de techno chamado "Entropia" junto com Luis Doninato. Portanto, o Tribus Bar hoje é espaço para as pick-ups (toca-discos de bolachão) e pra dançar.

O HIP HOP
O Hip Hop é um conjunto de expressões culturais dos negros e latinos que moravam em Nova York. O que se vai ouvir logo mais à noite é um dos elementos do Hip Hop, que também abrange dança (break), pintura (grafite) e a poesia falada (MCS).

A origem do movimento remonta aos anos 70 quando os DJs dominavam o uso da mixagem. Depois veio o falatório, o rap.

A divulgação dessas festas nos subúrbios de Nova Iorque era feita de boca-a-boca ou por folhetos. Ou melhor, pelas paredes. E todos esses materiais usavam a estética do grafite. Assim, o grafite, elemento artístico urbano por excelência, caiu nas graças do Hip Hop. Break, grafite e MCs. Manos e manas.

SERVIÇO
Usina Eletrônica - hoje, às 20h30 no Tribus Bar - informações pelo telefone 9962-3476


North American Purgatory, Phil Donohue

 



A série fotográfica "North American Purgatory", de Phil Donohue, é um estudo visual melancólico sobre o declínio do "Sonho Americano" em áreas rurais e suburbanas. As imagens  capturam o que muitos entusiastas de fotografia e arquitetura chamam de "espaços liminares" ou a estética da decadência urbana.


quinta-feira, julho 30, 2026

Ben Addison

 Sequência de telas do artista britânico Ben Addison faz parte de um projeto pictórico fascinante que transporta o espectador diretamente para a atmosfera do cinema policial e de ação dos anos 1970. O título da série, "Sabotage!", evoca imediatamente uma narrativa de conspiração, perseguição e urgência.






terça-feira, julho 28, 2026

Darkness on the edge of town, Christopher Soukup




 A série fotográfica "Darkness on the Edge of Town", de Christopher Soukup, é uma exploração visual que utiliza a estética noir moderna e o conceito de "espaços liminares" para evocar uma sensação de isolamento e mistério suburbano. As imagens apresentadas  capturam momentos de quietude inquietante durante a noite. Em todos os três registros, a presença de carros antigos e solitários é constante.
Esta obra de Soukup parece beber da mesma fonte melancólica das músicas de Bruce Springsteen (que dá nome à série) e das pinturas de Edward Hopper, transformando o cotidiano americano em um cenário de suspense psicológico.


Paducah



 Cenas da cidade de Paducah, localizada no Condado de Cottle, no estado do Texas, Estados Unidos (apesar de o arquivo trazer menção a Lubbock no nome, os locais exatos correspondem a Paducah, TX).




  • Hunters Lodge Motel: Um motel clássico de fachada histórica em tijolos aparentes, localizado na 11th Street em Paducah. O local preserva um charme rústico e hospitaleiro característico de pequenas cidades do interior americano.

  • The Palace Theatre: O histórico cinema e teatro da cidade, inaugurado em novembro de 1928. O letreiro (marquee) na imagem exibe em d

segunda-feira, julho 27, 2026

O Irmão João

 


Faz 52 anos que uso óculos. Só os abandonei agora devido a uma inevitavel catarata que me obrigou a cirurgias nos dois olhos que agora passam a entender o mundo com novas lentes. É estranho. Os oculos estavam incorporados à minha personalidade. E me faz lembrar quando comecei a usa-los

A armação era daquelas feiosas, que pareciam pesar uma tonelada em cima do nariz de uma criança de dez anos. Na Petrópolis de 1974, usar óculos na infância não era um charme retrô nem um manifesto estilístico; era uma sentença de desajuste com o temeroso apelido: "quatro olho" .

Eu os odiava com a força que só a infância consegue destilar. Havia dias em que eu os desafiava, saindo de casa no escuro da minha miopia, tateando o mundo para provar a mim mesmo que podia viver sem eles. Outros dias, a realidade impedia o blefe e eu os vestia, sentindo o olhar de todo mundo pesar sobre as lentes fundas.

Era época da colônia de férias, sediada bem no coração do Batalhão de Petrópolis — uma ironia e tanto para os meus dez anos, numa época em que a ditadura militar impunha seu passo pesado e fardado sobre o país, transformando até quartéis em áreas de lazer como cartilha de relações públicas. No primeiro dia, fui de óculos. No segundo, sem. No terceiro, a hesitação.

Até que o Otávio me pegou no flagra.

O Otávio era um garoto curioso, daqueles que investigam o universo com a naturalidade de quem não teme as regras ou o ambiente austero do batalhão. Ele empacou na minha frente, cruzou os braços e disparou a pergunta inevitável:

— Por que ontem você tava de óculos e hoje tá sem?

Naquele segundo exato -  entre a vergonha de admitir a fraqueza dos meus olhos e a urgência da sobrevivência infantil -  nasceu o meu irmão.

— É que eu tenho um irmão gêmeo — soltei, sem piscar.

— Gêmeo? — os olhos do Otávio se arregalaram.

— É. Eu me chamo Marcelo. Ele se chama João. O João usa óculos. Eu não uso.

— E por que a gente nunca viu vocês dois juntos? — desconfiou ele, estreitando os olhos.

A mentira, quando é boa, exige precisão logística. Dei de ombros com a maior naturalidade do mundo e mandei a cartada mestre:

— Porque quando a minha mãe foi fazer a inscrição aqui no Batalhão, só tinha uma vaga. Ela tentou de tudo, mas não conseguiu outra. Aí ela botou a vaga no nome do Marcelo. Como a gente queria muito vir, resolveu fazer um esquema: um dia eu venho, no outro ele vem. Por isso que a gente nunca se cruza.

O Otávio  se amarrou com a explicação. Ficou fascinado em ter dois coleguinhas em dias diferentes. 

Sim, a história colou. E colou tanto que o João virou uma entidade oficial da colônia de férias militar. Nos dias em que eu aparecia de óculos, os colegas me olhavam com a solidão de quem sabia que eu estava carregando o fardo da miopia pelo irmão. Nos dias sem óculos, era o Marcelo quem reinava. 

Mas toda narrativa complexa  exige engenharia de sobrevivência.

O ápice da tensão aconteceu no último dia da colônia. Era o encerramento oficial no batalhão, com direito a mães reunidas, balões de gás,  discursos dos oficiais e monitores e, o pior de tudo, o perigo iminente de cruzamento de dados.

Meu maior pavor não era ser descoberto pelos meninos; era a minha mãe dar de cara com a mãe do Otávio. Imagine a cena: senhora dona de casa abordando minha mãe no meio do quartel para elogiar o esforço dos gêmeos e perguntando qual dos dois era o mais estudioso. Eu passei a manhã inteira circulando pelas beiradas para manter as duas senhoras em órbitas totalmente distantes. Por milagre divino e correria estratégica, consegui evitar o colapso diplomático. A colônia acabou, o quartel ficou para trás, e o mito de João e Marcelo sobreviveu intacto no papel.

Um mês depois, estava eu com outros coleguinhas num domingo abafado de carnaval no tradicional baile infantil do Clube Petropolitano. Confete no chão, serpentina nos salões , o som abafado de marchinhas ecoando pelas paredes do clube.

Eu estava distraído quando alguem  gritou :

— João! João! 

Antes que eu pudesse raciocinar, um vulto disparou na minha direção, desviando de crianças fantasiadas de pirata e super-homem no meio da folia do Petropolitano. Era o Otávio. Ele parou na minha frente, ofegante, abrindo o maior sorriso do mundo, genuinamente feliz por reencontrar o parceiro de quartel de verão.

Eu congelei por um segundo, olhando para o rosto dele. Nunca fui o João. Nunca serei o João. O João era apenas um pedaço de vidro que eu escolhia ou recusava colocar no rosto.

Mas naquele instante, no meio do salão lotado do clube, eu não tive coragem de desmanchar a fantasia. Sorri de volta para o Otávio, aceitei o meu nome emprestado e deixei, por alguns instantes, que o meu irmão gêmeo vivesse mais um pouco. O Marcelo, aquele sem óculos, resurgiria 52 anos depois. 



Heidi Priebe

AMAR ALGUÉM A LONGO PRAZO É COMPARECER A MIL FUNERAIS DAS PESSOAS QUE ELAS COSTUMAVAM SER.



As pessoas que elas estão exaustas demais para continuar sendo. As pessoas que elas não reconhecem mais dentro de si mesmas. As pessoas que elas deixaram para trás ao crescer, as pessoas em que elas acabaram nunca se tornando. Nós queremos tanto que as pessoas que amamos recuperem sua faísca quando ela se apaga; que sejam encontradas rapidamente quando estão perdidas. Mas não é nosso trabalho cobrar de ninguém a pessoa que ela costumava ser. Nosso trabalho é viajar com elas entre cada versão e honrar o que emerge pelo caminho. Às vezes, será uma chama ainda mais luminescente. Às vezes, será um estalo que desaparece e inunda temporariamente a sala com uma escuridão perfeita e necessária.