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sexta-feira, outubro 30, 2026

Vincent Price - The Bat (1959)


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Vincent Price - The Bat (1959)

Frankenstein

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Frankenstein

Directed by James Whale (1931)

Quinta da Regaleira, em Sintra - Portugal.

 


Jardins e o Banco da Cascata

O caminho com bancos de madeira, luminárias antigas e o banco de pedra coberto de musgo com a mini cachoeira.

Estilo: Jardim romântico inglês, mas com toques de jardim secreto. Tudo foi feito para parecer selvagem, mas é altamente planejado. Bancos de pedra com musgo, fontes escondidas, grutas, poços iniciáticos.

O banco da foto 7 é um dos cantos mais zen: uma bica fina de água caindo sobre musgo, com grafites antigos de corações e nomes na pedra atrás — casais deixam marca há décadas. A pichação azul "GAB" que aparece é típica de lá.

O Leão de Rouillard

A estátua do leão de bronze/pedra em cima de um pedestal com assinatura "P. Rouillard".

Autor: Pierre Louis Rouillard, escultor francês do século XIX famoso por esculturas de animais. Esse leão guarda a entrada do jardim.

Significado: Em Sintra, leões guardam portais. Na Regaleira, eles são guardiões. A textura que você pegou mostra bem o desgaste, o limo, o tempo — é o charme de Sintra, tudo parece ter 500 anos.

Essa curva é muito famosa. O azul forte do asfalto contrasta com o verde da mata. Do lado direito, o muro de pedra com musgo e o pequeno templo/coreto que faz parte da Regaleira. É a entrada visual da propriedade.

 O Palácio da Regaleira

A escadaria enorme com o castelo ao fundo, estátua branca à esquerda.

Arquitetura: Neogótico, neomanuelino, neorenascentista — tudo misturado. Foi projetado pelo arquiteto italiano Luigi Manini a pedido de António Augusto Carvalho Monteiro, o "Monteiro dos Milhões", entre 1904-1910.

Simbolismo: O palácio é cheio de símbolos maçônicos, templários e alquímicos. Nada ali é por acaso. A escadaria que você fotografou leva ao Palácio, mas parece cenário de filme de fantasia.

A parede amarela com musgo, azulejos azuis e o medalhão circular no centro. Essa é a famosa fonte que fica logo na subida da estrada para a Quinta.


The UFO Incident - A bordo de um disco voador! - 1975.

Estelle Parsons como Betty Hill, assustada olhando para fora da janela do carro.

 recorte de tabloide americano do fim de 1975, estilo National Enquirer. Manchete em caixa alta: ABOARD A FLYING SAUCER!

O texto anuncia o telefilme da NBC que iria ao ar no outono de 75, estrelado por James Earl Jones como Barney Hill e Estelle Parsons como Betty Hill. É a história real do casal interracial de New Hampshire que em 19 de setembro de 1961 disse ter sido abduzido — o famoso Caso Hill, o primeiro relato de abdução da ufologia moderna.


O filme foi baseado nas gravações de hipnose feitas pelo psiquiatra Dr. Benjamin Simon, de Boston, nos arquivos da Força Aérea dos EUA e nos arquivos do NICAP (Comitê Nacional de Investigação de Fenômenos Aéreos).

Esse telefilme é até hoje considerado o mais fiel ao relato original dos Hill. Ele estabeleceu todo o clichê da cultura pop sobre abdução: luz forte na estrada, tempo perdido, exame médico a bordo.

Agora é um Filme de TV...

A BORDO DE UM DISCO VOADOR!

Neste Outono Você Pode Ver a História Incrível do Casal de Como Eles Foram Sequestrados por um OVNI

Por BOB PRATT e GRANVILLE TOOGOOD


Hollywood fez um filme sobre um dos filmes mais incomuns já feitos — é baseado em gravações de dois povos pesquisados que disseram que foram levados a bordo de uma espaçonave por alienígenas que...

O filme de um milhão de dólares, que será exibido na NBC TV em setembro ou outubro, reconta talvez o mais bizarro incidente de OVNI da história, no qual um casal relembrou através de hipnose um incidente que havia sido bloqueado de sua memória — a fantástica história de ter sido capturado e depois liberado por criaturas sobrenaturais do espaço sideral.

No filme, estrelam James Earl Jones como um carteiro negro Barney Hill e sua esposa, Betty...

O filme é sublinhado pesadamente nas transcrições reais das gravações em fita nas quais duas pessoas foram hipnotizadas por um psiquiatra de Boston, Benjamin Simon, de registros da Força Aérea dos EUA, arquivos do Comitê Nacional de Investigações... após o qual o filme é nomeado... inter...

Betty Hill (Estelle Parsons) assiste OVNI do lado de fora de sua casa... Neste filme para dar aos espectadores algumas... rodovias em frente a nós e pairou sobre... campo fora da estrada. Ele simplesmente parou no meio do ar....



Assassinatos na Rua Morgue - 1971 - VHS Orion

 Capa brasileira (Globo Video) "BASEADO NA NOVELA DE EDGAR ALLAN POE". No verso sinopse em português falando de Madeleine, Christine Kaufmann e Jason Robards. É o filme da AIP com maquiagem bem expressionista.


Uma série de acontecimentos estranhos rondam uma companhia de teatro itinerante que se apresenta em Paris. Madeleine (Christine Kaufmann), atriz e mulher do dono da companhia, é perseguida por visões tenebrosas e alguns atores acabam sendo encontrados mortos e estrangulados. Um delegado de polícia é chamado para esclarecer os crimes, que tem como principal suspeito Marcel (Herbert Lom), artista do circo da companhia que localizou o cadáver morto há vários anos. Marcel no entanto estima e quer se vingar de acusações injustas que lhe foram feitas no passado envolvendo o assassinato na rua de Marceline. O filme se inspira no clássico obra de Edgar Allan Poe.

É uma edição NTSC da Orion que depois foi distribuída pela Globo Vídeo aqui no Brasil.

© 1971 AMERICAN INTERNATIONAL PRODUCT CO / INGLAND (TJ) TODOS OS DIREITOS RESERVADOS

The Abominable Dr. Phibes - 1971 - VHS Roadshow

 

Capa australiana Roadshow Home Video 1214. Vincent Price como Dr. Phibes de máscara de caveira beijando a vítima. Frase de marketing "Love means never having to say you're ugly...". Nos extras da capa dá pra ler "FOR MATURE AUDIENCES". Um clássico do horror art deco.

Outubro 1964 - Halloween nos EU

 


Foto familiar americana carimbada "JAN - 65" - era quando revelaram o filme. Seis crianças na varanda da casa 543, com chapeuzinhos de aniversário mas decoração de Halloween na janela: abóboras com carinhas e um esqueleto. Vestidos vermelhos, gramado de subúrbio.


quinta-feira, outubro 29, 2026

Rebecca

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“Na noite passada, sonhei que voltava a Manderley. Parecia-me estar diante do portão de ferro que dava para a alameda de acesso e, por um momento, não consegui entrar, pois o caminho estava bloqueado para mim. Então, como acontece com todos os que sonham, vi-me subitamente dotada de poderes sobrenaturais e atravessei, como um espírito, a barreira que estava à minha frente.”

Rebecca
1940 | Alfred Hitchcock

"O Estrangeiro"

 

"O Estrangeiro"

 

 

Albert Camus and his cat, Cigarette v

(...)

"Era o mesmo sol do dia em que a minha mãe fora enterrada e, como então, doía-me a testa, sobretudo a testa, e todas as suas veias batiam ao mesmo tempo debaixo da pele. Por causa desta queimadura que já não podia suportar mais, fiz um movimento para a frente. Sabia que era estúpido, que não me iria desembaraçar do sol simplesmente por dar um passo em frente. Mas dei um passo, um só passo em frente. E desta vez, sem se levantar, o árabe tirou a navalha do bolso e mostrou-ma ao sol. A luz refletiu-se no aço e era como uma longa lâmina faiscante que me atingisse a testa. No mesmo momento, o suor amontoado nas sobrancelhas correu-me de súbito pelas pálpebras abaixo e cobriu-as com um véu morno e espesso. Os meus olhos ficaram cegos, por detrás desta cortina de lágrimas e de sal. Sentia apenas as pancadas do sol na testa e, indistintamente, a espada de fogo brotou da navalha, sempre diante de mim. Esta espada a arder corroía-me as pestanas e penetrava-me nos olhos doridos. Foi então que tudo vacilou. O mar enviou-me um sopro espesso e fervente. Pareceu-me que o céu se abria em toda a sua extensão, deixando tombar uma chuva de fogo. Todo o meu ser se retesou e crispei a mão que segurava o revólver. O gatilho cedeu, toquei na superfície lisa da coronha e foi aí, com um barulho ao mesmo tempo seco e ensurdecedor, que tudo principiou. Sacudi o suor e o sol. Compreendi que destruíra o equilíbrio do dia, o silêncio excepcional de uma praia onde havia sido feliz. Voltei então a disparar mais quatro vezes contra um corpo inerte, onde as balas se enterravam sem se dar por isso. E era como se batesse quatro breves pancadas, à porta da desgraça."

(...)

 

Crédito: CAMUS, Albert. O Eostrangeir. São Paulo, Abril Cultural, 1979, pág. 222

quarta-feira, outubro 28, 2026

Enzo Bulgarelli

 Enzo Bulgarelli foi um importante diretor de arte, cenógrafo (scenografo) e figurinista italiano, com uma carreira prolífica no cinema europeu entre as décadas de 1950 e 1970.

  • Atuação no Cinema: Ele moldou a estética visual de dezenas de produções, assinando o design de produção e cenografia (frequentemente creditada em exibições internacionais com o termo em alemão Bauten, como visto nos créditos de faroeste da segunda imagem).

  • Parcerias Marcantes: Ficou internacionalmente conhecido por seu trabalho em clássicos do gênero Spaghetti Western e nas comédias de ação estreladas pela icônica dupla Terence Hill e Bud Spencer, participando de sucessos como Lo chiamavano Trinità... (Trinity é o Meu Nome, 1970), Continuavano a chiamarlo Trinità (1971) e Anche gli angeli mangiano fagioli (Até Mesmo os Anjos Comem Feijões, 1973).

  • Outros Trabalhos Notáveis: Sua filmografia inclui passagens pelos departamentos de arte e figurino em longas como Un esercito di 5 uomini (1969), A Colina dos Homens Maus (1969) e Death Rides a Horse (1967).




terça-feira, outubro 27, 2026

Anna Nicole Smith & J. Howard Marshall II

 



Em 27 de junho de 1994, a modelo e atriz Anna Nicole Smith, de 26 anos,  casou-se com o magnata do petróleo J. Howard Marshall II, de 89 anos, na capela White Dove  Wedding Chapel, em Houston, Texas. A cerimônia tornou-se um dos espetáculos midiáticos mais comentados e icônicos da década de 1990, devido à diferença de idade de 63 anos entre os dois e à vasta fortuna de Marshall.






segunda-feira, outubro 26, 2026

Beni Montresor’s illustrations for Little Red Riding Hood, 1991


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Ilustrações de Beni Montresor para *Chapeuzinho Vermelho*, 1991


Ele remete ao conto de fadas original e sombrio de Charles Perrault, *Le Petit Chaperon Rouge* (1697)


“E, dizendo essas palavras, aquele lobo malvado lançou-se sobre a Chapeuzinho Vermelho e a devorou ​​por inteiro.”

sábado, outubro 24, 2026

ALLEN encontra SCORSESE - Folha de São Paulo

foto criada por IA


Data: 30/Jan/98
Autor:
Editoria: Ilustrada
Página: 4-12
Edição: Nacional
Seção: Multimídia


Numa conversa em NY, os dois diretores norte-americanos discutem sobre atores, suas influências e Hollywood
do "El País Semanal"
Com novos filmes no mercado, -"Deconstructing Harry" e "Kundun", respectivamente-, Woody Allen e Martin Scorsese, dois dos diretores ao mesmo tempo clássicos e inconformistas do cinema norte-americano, falam frente a frente dos filmes que admiram e do sistema do qual tentam de fugir. Duas das personalidades mais carismáticas da sétima arte atual, travam aqui um debate.
Embora trabalhem para o sistema, nenhum dos dois diretores pertence a ele. Devem ser considerados como dois "proto-independentes" que seguem a pauta marcada pelos criadores europeus dos anos 60, mesmo não desprezando o dinheiro de Hollywood.
O novo filme de Scorsese, "Kundun", que fala da juventude do Dalai Lama, e o de Allen, "Deconstructing Harry", escrito, dirigido e protagonizado por ele, são exemplos do cinema americano mais audacioso.
"Deconstructing Harry" deve estrear no Brasil em março, enquanto "Kundum" não tem data prevista para entrar em cartaz.
Em uma tarde de sábado de outubro passado, os dois diretores se encontraram no elegante escritório de Scorsese em Park Avenue, em Manhattan.
Apesar de serem nova-iorquinos e da mesma geração, praticamente não se conheciam. Allen passou a maior parte do tempo encolhido em um sofá, enquanto Scorsese, vestido de preto dos pés à cabeça, e sentado bem reto em uma cadeira, dirigia a conversa.
*
Martin Scorsese - Encontramo-nos algumas vezes por casualidade.
Allen - Lembro-me de ter visto você, já faz alguns anos, em uma loja de vídeo da Broadway.
Scorsese - Foi muito divertido. Eu estava procurando "Itïs in the Bag", de Jack Benny e Fred Allen.
Allen - É mesmo, agora lembrei! Por que estava tão interessado nesse filme?
Scorsese - Gosto muito dele. Gosto demais de Fred Allen e também de Jack Benny.
Allen - Mas, pelo que eu me lembro, esse filme não teve muito sucesso...
Scorsese - Não, não teve mesmo.
Allen - Mas os dois trabalhando juntos é demais.
Scorsese - Lembro que você estava procurando um filme de Buñuel, "Os Esquecidos", acho...
Allen - É mesmo, isso.
OUTROS DIRETORES
Scorsese - Tenho algumas fases em que só assisto a filmes antigos, principalmente quando estou rodando ou editando algum filme.
Allen - Não fica deprimido quando assiste a um filme muito bom enquanto está fazendo um filme?
Scorsese - Não, não fico deprimido, mas isso me obriga a rever o que estou fazendo. Às vezes, torna-se difícil, principalmente se é na fase da filmagem. Se for a obra de um diretor jovem e novo, o que a gente pensa é: "Vou me sair bem na comparação?"
Allen - Ingmar Bergman também dizia isso. Afirmava que não podia assistir a nenhum filme -nenhum filme bom- enquanto estava filmando porque perdia toda a confiança nele mesmo. Eu o compreendo perfeitamente, é tão difícil manter a autoconfiança durante os dez meses ou um ano que se leva para fazer um filme...
Scorsese - É. Algumas vezes também acontece isso quando se trata dos grandes clássicos. No último final de semana, decidi assistir novamente a minha antiga cópia em tecnicolor de "Um Corpo que Cai". É verdadeiramente genial!
Allen - Assistir a uma obra de arte filmada por outra pessoa acaba com a autoconfiança. São trabalhos prontos: já foram montados, editados, sua cor foi corrigida. Enquanto isso, você está aí, rodeado de um monte de copiões pouco promissores (risada). Fica difícil continuar trabalhando.
Scorsese - Uma vez, quando estava no meio da filmagem de "Os Bons Companheiros", eu estava cansado e comprei uma cópia de "Man with a Movie Camera", de Dziga Vertov, um diretor russo. Nunca tinha visto nada igual, mal podia esperar que fosse segunda-feira para voltar a trabalhar.
Allen - Isso é inspiração.
HOLLYWOOD
Scorsese - Fui a Hollywood para montar "Woodstock". Eu não era um hippie. Quando estive em Woodstock, usava camisas e abotoaduras francesas -por sinal perdi uma delas no festival. Depois fui para Los Angeles, onde me transformei num típico habitante local. Consegui abrir caminho e fiz o primeiro filme com Roger Corman. Depois fiz "Taxi Driver - Motorista de Táxi". Achei que devia ir embora, mas gostei de tudo aquilo.
Allen - Você ficou bastante tempo lá.
Scorsese - Sim, mas todos continuavam me considerando um forasteiro.
Allen - Mas você se saiu muito bem. Foi capaz de conseguir dinheiro para fazer seus filmes e os fez do jeito que queria. Acho isso uma conquista.
Scorsese - Tive muita sorte. O sucesso nos anos 70 se deveu grande parte a Robert De Niro. Os estúdios estavam encantados com ele, e, depois de "Taxi Driver", sempre estavam dispostos a oferecer seu apoio, obviamente sempre que houvesse um papel para De Niro.
Ele estava interessado em fazer "Touro Indomável". Antes de começar a rodar, fiquei quatro anos preparando o filme. Assim, entrei nos anos 80 e praticamente precisei começar tudo de novo.
Allen - Eu tive muita sorte, a sorte dos novatos. Quando fiz meu primeiro filme, ninguém esperava nada de mim. A única coisa que os estúdios fizeram foi me apoiar.
Scorsese - Nos estúdios, é necessário passar por todo um processo no que se refere aos roteiros, é necessário levar em consideração as observações que eles fazem.
Mas eu tento filtrar as observações, porque eles, embora estejam muito bem-intencionados, têm que fazer filmes para o mercado.
Mas para mim as coisas não são assim. Preciso fazer o que eu gosto e depois espero que exista alguém interessado em assisti-lo. Lembro-me de "Os Bons Companheiros": respeitei os prazos e fiz tudo o que podia. Quando os executivos do estúdio assistiram ao filme, gostaram, mas exigiram que fizéssemos algumas pré-estréias, e por causa disso surgiram problemas.
Allen - As pessoas saíam da sala?
Scorsese - Sim, foi um horror! Depois da primeira cena das facadas, houve um pequeno êxodo. As pessoas deveriam saber qual é o tipo de filme que vão ver.
SEUS FILMES
Allen - Fiz meus primeiros filmes no fim dos anos 60, mas nunca mais os vi.
Scorsese - Nem eu.
Allen - Você não assistiu a "Touro Indomável"?
Scorsese - Está brincando? Nem morto.
Allen - Se você assistisse a esse filme agora, não pensaria: "Gostaria de mudar isto" ou "não poderia ter feito tudo isto melhor"?
Scorsese - Esse filme me traz muitas lembranças.
Allen - Mas você sente isso em relação a todos seus filmes, não é?
Scorsese - Sim, por isso tenho tantos problemas em assisti-los.
Allen - O que eu não suporto quando assisto a um filme meu é a crueldade de perceber que se pudesse começar de novo poderia fazê-lo muito melhor.
Scorsese - De vez em quando, assisto a algum dos meus filmes na TV. Mas com o som desligado.
SUAS POSIÇÕES
Allen - Espero que você tenha percebido o grande impacto causado pelo seu trabalho sobre todos estes cineastas jovens. Não pode deixar isso passar batido. É seu estilo de filmar, o conteúdo de seus filmes e a forma como os dirige. Eu não acredito ter influenciado ninguém. Não é falsa modéstia.
Scorsese - Isso não é verdade. Sem dúvida seus filmes abriram caminho para um determinado estilo de comédia. Não existe nada igual a eles.
Allen - Eu não percebo essa influência, mas acho que é uma sorte ter podido trabalhar com tanta liberdade. Sempre lidei com orçamentos relativamente baixos, não até o extremo daqueles garotos negros da Califórnia que fazem filmes maravilhosos.
Scorsese - Sei, os irmãos (Albert e Allen) Hughes, não é? "Perigo para a Sociedade" é excelente.
Allen - Você também acha? É surpreendente como esses caras conseguem, quase sem dinheiro, fazer filmes excelentes. Eu trabalhei com orçamentos relativamente baixos, mas que não podem nem se comparar aos deles.
Scorsese - Nem sequer me passou pela cabeça pensar quanto custou "Perigo para a Sociedade", porque o filme funciona.
Por isso reaprendi tudo para fazer "Depois de Horas" com um orçamento mais baixo. Precisei abaixar meu nível de vida. Quando estava filmando, um amigo me disse: "Não quer voltar para Los Angeles e fazer um filme de verdade?" Mas depois disso fui capaz de fazer um filme de estúdio, "A Cor do Dinheiro", e ter dois grandes astros (Paul Newman e Tom Cruise) como protagonistas.
Allen - Conseguiu controlar a situação?
Scorsese - Consegui controlar a situação e não estourar o orçamento. Depois disso filmei "A Última Tentação de Cristo" com um orçamento de apenas US$ 7 milhões. De certa forma, estava outra vez no caminho, fazendo o tipo de filme que eu gosto de fazer.
Allen - Eu preferiria que meus filmes fossem mais populares. Mas nunca farei nada para isso. Os custos com a publicidade superariam os rendimentos da bilheteria. Além disso, quando as críticas são boas, nem sempre são úteis.
Scorsese - "O Rei da Comédia" obteve boas críticas, mas foi um desastre de bilheteria. Mas a minha carreira sempre teve o apoio da crítica. De certa forma dependo da crítica. Ela torna possível que estúdios dêem dinheiro para fazer o próximo filme. Nunca se sabe qual é o estúdio que vai querer produzir seu filme.
"Kundun" foi da Universal à Disney, passando pela Warner Brothers. Para mim leva anos conseguir fazer um filme a partir de um roteiro determinado. Fizemos esse último com um orçamento de US$ 28 milhões, o que é aceitável.
Allen - A minha carreira é menos agitada. Devido à minha forma de trabalhar, sempre cuidei para que os meus filmes não fossem um acontecimento. Por isso que gosto de fazer o filme e não ler as críticas sobre ele nem me preocupar com a bilheteria. Quero esquecê-lo e pensar no próximo trabalho.
O ELENCO
Scorsese - O elenco de um filme é uma das coisas mais terríveis do nosso trabalho -e também é horrível para os atores. As pessoas vêm te ver, querem o papel e tudo isso. É muito triste. É terrível.
Allen - Mas é uma questão de sobrevivência. Você tem um roteiro e faz uma idéia da pessoa que quer para um determinado papel.
Scorsese - É um pouco mais complicado se for fazer um filme em que é preciso ter um ator que seja um sucesso de bilheteria. É necessário combinar a estrela de cinema com a personagem.
Allen - Algumas idéias somem com muita facilidade. A única que tive em toda a minha vida foi Julia Child (risada). Mas nunca tive a sorte de poder usá-la. No entanto, acho que se eu tivesse uma comédia faria o papel de mãe.
Scorsese - Exato.
Allen - Foi a única inspiração que tive. O resto foi uma espécie de escolha feita com bom senso. Há atores excelentes! Certamente gosto dos mesmos atores que você! Nunca trabalhei com Dustin Hoffman, mas ele é maravilhoso.
Scorsese - É excelente. Eu nunca trabalhei com Al Pacino.
Allen - Pacino também é incrível. Igual a De Niro. Os que todos acham que são bons, certamente são. Mas, considerando os orçamentos que eu tenho, as estrelas devem fazer um abatimento para trabalhar comigo, do contrário não posso me dar esse luxo.
Scorsese - No meu caso, depende do projeto. Em "A Época da Inocência", Daniel Day-Lewis e Michelle Pfeiffer reduziram o cachê, e o mesmo aconteceu com Sharon Stone em "Cassino".
Allen - A gente depende da sua bondade, da sua consciência e da sua disponibilidade. Embora estejam dispostos a fazer seu filme, tudo pode mudar se alguém lhes oferece o que eles ganham normalmente. Se no momento não estão com nenhum projeto, é possível contratá-los por um valor bem menor. Mas, se alguém os contrata para algo interessante, é melhor esquecer.
Allen - Eu já passei pela situação de atores que me falaram: "Não posso fazer isso, estão me oferecendo mais dinheiro para outros filmes" ou "o papel não é muito importante, quando trabalho com você quero fazer um papel melhor".
Allen - O meu último filme, "Deconstructing Harry", foi escrito por mim e teria gostado que o protagonista fosse outra pessoa. Não gosto de ter que ser sempre o protagonista. É mais divertido dirigir de vez em quando e não precisar fazer a barba todos os dias. Mas não consegui ninguém. Eu fui a minha última alternativa.
A TECNOLOGIA
Scorsese - Há pouco tempo um amigo me disse: "Você se lembra dos filmes em que sabia o que ia acontecer, mas aconteciam muitas coisas até chegar o momento culminante? Tudo isso acabou. Agora tudo se reduz a um clímax contínuo. É como uma surra. Agora a questão não é por que morre o bandido, é como morre".
Allen - Mas isso é para garotos. Esse tipo de coisas não interessa às pessoas sérias, não acha? O problema de todos esses avanços tecnológicos no cinema é que muitos diretores não os consideram apenas uma ferramenta.
Scorsese - É você quem deve controlar a técnica, não é a técnica que deve controlar você. Seis anos atrás, deixei de assistir a filmes de ação. Tentei assistir alguns depois disso, mas tudo era pura técnica. Esses filmes logo se voltam contra o diretor. É barulho demais. E depois vem o sexo.
Na década de 70, o sexo era mais duro, mais forte. Havia coisas muito fortes. Agora, até certo ponto -com exceção de "Crash", que considero um filme extraordinário-, há um tipo de filtro que depura o sensual e o elimina. Vemos imagens falsas e corpos falsos. Como você filmaria uma cena de sexo? Não tenho resposta.
Allen - É verdade. Se não há limite, tudo é muito mais difícil, porque as opções são muitas. Alguns anos atrás, essas opções não existiam, por isso era necessário trabalhar com algumas poucas formas sofisticadas de mostrar o sexo.
Agora, com a tecnologia virtual, é possível fazer qualquer coisa, e a decisão é uma questão estética.
Scorsese - Sem dúvida é mais difícil.
Allen - Porque você não pode usar a censura como desculpa. Tem que fazer algo criativo ou esteticamente agradável.
Scorsese - É aquela velha história de que Lubitsch conseguia fazer muito mais com uma porta fechada que qualquer outro diretor com uma braguilha aberta.
Allen - É isso mesmo.
Tradução Maria Carbajal


 Copyright © 1994-1999 Empresa Folha da Manhã S/A

sexta-feira, outubro 23, 2026

Artista desconhecido

 

Se você já navegou por páginas de arte surrealista, com certeza já esbarrou nessa imagem: uma caveira encapuzada segura um grande espelho oval no meio do oceano. Dentro do espelho, um céu estrelado com uma lua crescente. Do lado de fora, uma lua cheia. E bem na borda do espelho, um pequeno barco com dois homens prestes a cair numa cachoeira que despenca no vazio.


A obra não tem autor confirmado. Ela circula na internet desde os anos 2000 como "arte de autor desconhecido" e, justamente por isso, já foi atribuída a dezenas de nomes

quinta-feira, outubro 22, 2026

Eu - Augusto dos Anjos



 É  a única obra em livro do poeta Augusto dos Anjos.

Eu e Outras Poesias

Esta obra é um dos marcos fundamentais da literatura brasileira, situada entre o final do Simbolismo e o início do Pré-Modernismo, célebre pela sua linguagem crua, cientificista, mórbida e de profundo pessimismo existencial.

  1. Dados da Edição 

    • Edição: 3.ª edição.

    • Editora: Livraria Castilho (de A. J. de Castilho – Editor), localizada na Rua da Assembléa, 92, no Rio de Janeiro.

    • Ano: 1928.

    • Marcas de Proveniência / Manuscritos: Na folha de rosto existe uma anotação manuscrita a tinta (que parece indicar um nome, como "Virgilio Costa...", acompanhado de uma data,  Recife, "25/9/928"). Este tipo de registo manuscrito é comum em livros antigos, atestando a história de posse, circulação ou leitura do exemplar ao longo das décadas.

    •  Composto e impresso na Typographia do Annuario do Brasil.

    • Rua D. Manoel, 62, no Rio de Janeiro.

    •  Setembro de 1928.

Trata-se de um registo bibliográfico interessante de uma edição clássica dos anos 1920 deste clássico da poesia em língua portuguesa. 

The Elephant Man // 1980



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I am not an elephant! I am not an animal! I am a human being! I am a man!

The Elephant Man // 1980