Quando estudava no Colégio São José, Petropolis (RJ), conheci um dos grandes músicos da MPB que brilha até hoje. Aqui, uma matéria sobre Victor Santos publicada em 6 de junho de 1987. Ela anuncia o segundo LP da Orquestra Vittor Santos, "Um Toque Tropical", e traça um perfil do jovem maestro e de sua bem-sucedida orquestra, destacando seu profissionalismo, o repertório do novo disco e a estabilidade do grupo de músicos.
Texto: Maria Antonieta D’Angelo
Foto: Oliveira Junior
Para os que não conheciam o som da Orquestra Vittor Santos, era muito fácil dizer que a mesma não vingaria, considerando a cidade e o fato do dirigente ser um rapaz de 20 anos, na época. Mas não houve pouca idade nem marasmo petropolitano que segurasse tanto talento e eis que vem aí o segundo disco da Orquestra: Um Toque Tropical. O lançamento será em julho, e garante Vittor que este disco é melhor que o anterior, também muito bom.
Até mesmo a produção foi mais atenciosa na confecção deste LP. "Acho que desta vez a Continental acreditava mais no sucesso da gente. Além do mais o repertório é sofisticado e mesclado, já que desta vez incluímos músicas americanas e latinas. O encarte está mais bonito e tivemos três nomes de respeito comentando nosso trabalho: Beth Carvalho, Hermínio Bello de Carvalho e Ian Guest."
Para dar um gostinho de quero ouvir, as músicas são as seguintes: Lado A: Invitation (Kaper Webster). Samba em Prelúdio (Baden e Vinicius); Preciso Aprender a Ser Só (Marcos e P. Sérgio Valle); Vereda Tropical (Gonzalez); Deixa (Baden e Vinicius). Lado B: Potpourri de Boleros com: Frenesi e Perfídia (Alberto Dominguez); Smile (Charles Chaplin); e Aqueles Ojos Verdes (Adolfo Utrera). Na segunda faixa: Nós e o Mar (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli); Caso Sério (Rita Lee e Roberto Carvalho); Apêlo (Baden e Vinicius); Se Acaso Você Chegasse (Lupicínio Rodrigues e Felisberto Martins).
UMA ORQUESTRA SEM ROTATIVIDADE
Em agosto, a Orquestra fará dois anos de existência, e uma característica curiosa é que não só seu público se mantém fiel, mas também seus músicos. Embora nos últimos tempos o número de componentes tenha crescido apenas um saiu.
Atualmente são 21 músicos, e Vittor não nega que de vez em quando se desentendem, mas nunca houve nada de sério, e todos gostam da equipe que formaram. Vittor lamenta que a receptividade por parte dos outros músicos normalmente passe pelo despeito, e acha inclusive de difícil compreensão que isto ocorra. "Já que em Petrópolis é restrito o número de músicos profissionais, o que não acontece com a totalidade dos que atuam na Orquestra. Aqui até o baterista lê partitura. Ninguém toca de ouvido", — argumenta Vittor —, "mas apesar do despeito, a orquestra cresce, e segundo Vittor, muitos músicos vivem só desta renda, e para quem vive de música é a seriedade com que encaram o trabalho."
O próprio Vittor surpreende muitas pessoas com quem trabalha. Com apenas 22 anos, é um profissional sério que formou uma orquestra vitoriosa, e nas horas que lhe restaram grava discos fazendo solos, ou participando como músico. Das últimas gravações que realizou destaca o solo que fez no disco do compositor e guitarrista Júlio Costa, na faixa samba Torto II, e um outro solo que também gostou muito para o disco de Flávio Pantola.
O envolvimento com a orquestra não lhe deixa muito tempo livre. No programa se inclui uma ida à Vitória, e a orquestra vem mantendo contato com alguns empresários do Rio, como o Studio Zero que empresaria Caetano Veloso e Ney Matogrosso. Mas vale a pena todo esse trabalho, quando se pode ver seus resultados. "E resultados cada vez melhores, é o que nos interessa, e sem dúvida, o disco é um deles", afirma Vittor. Agora é só ouvir e conferir. E enquanto o disco não sai, pode se conhecer e bailar ao som da orquestra hoje, a partir das 22 horas no clube Euterpe, no Alto da Serra.





















