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quinta-feira, fevereiro 26, 2026

A reforma do Cristo Redentor

 

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Reforma em 2010






Visto de longe, é humanamente impossível ver o desgaste das pastilhas que cobrem o Cristo Redento




A estátua possui 30 metros de altura, mais 8 metros do pedestal, e os braços abertos se estendem por 28 metros. Foi construída em concreto armado e revestida com pequenas pedras de pedra-sabão, escolhidas por sua resistência ao tempo e facilidade de adaptação ao mosaico. Além de sua imponência arquitetônica, o Cristo Redentor se destaca pela localização privilegiada, a 709 metros acima do nível do mar, oferecendo uma vista panorâmica da cidade do Rio de Janeiro.

Ao longo das décadas, o Cristo Redentor tornou-se um dos principais símbolos da identidade brasileira, representando tanto a religiosidade quanto a hospitalidade do povo. Em 2007, foi eleito uma das Novas Sete Maravilhas do Mundo Moderno


2010, 

terça-feira, fevereiro 24, 2026

"The Hits of Simon & Garfunkel – Performed by King’s Road"

(Hits Performed by King’s Road) é um cover album: não traz a dupla original, mas versões interpretadas por outro grupo, vendido no Brasil em edição da Pickwick.

Reflete o mercado fonográfico dos anos 60/70, que explorava o sucesso da dupla em diferentes frentes, com produtos paralelos, baratos e de apelo popular.

Capa da segunda edição da complicação lançada pela 
gravadora CID 


Contracapa (Kings Road - The Hits Of Simon & Garfunkel_Cap2.jpg)

As canções de Simon e Garfunkel são portas para áreas de experiência privada anteriormente intocadas na revolução folk-rock. O amor, a perda dele e a falta dele são temas poderosos: as distâncias entre as pessoas são tipicamente exploradas tanto em um nível mundial quanto pessoal.


O primeiro sucesso de Simon e Garfunkel, "The Sounds of Silence", a canção da alienação indignada, não foi o primeiro sucesso de Paul Simon e Arthur Garfunkel. Como Tom e Jerry, uma dupla de estudantes do ensino médio de Queens, Nova York (eles eram amigos desde o ensino fundamental), eles surgiram nas águas musicais turbulentas dos anos 50 com uma pequena canção chamada "Hey Schoolgirl".


O que mais tarde emergiu das profundezas dos anos 60 e de suas almas articuladas foi um tipo de canção muito mais distintivo e perturbador. Paul Simon escreveu a letra e a maior parte da música; Arthur Garfunkel criou a estrutura dos arranjos vocais. Há ironia no fato de dois talentos polidos e conscientes se misturarem casual e harmonicamente para nos dar esses tipos de canções — unindo-se para nos falar de pessoas como a Sra. Robinson que estão desmoronando e das lacunas em nosso mundo. Eles podem pegar uma melodia folk peruana do século 18 como "El Condor Pasa" ou os delicados traços de "Scarborough Fair/Canticle" e trazer a eles uma sensibilidade moderna do homem posicionado à beira da experiência, olhando para trás ou desviando o olhar de sentimentos demasiado comoventes para serem totalmente compreendidos. Essa sensação foi a essência de "A Primavera de Uma Solteirona" (The Graduate), um filme cujo sucesso se deveu em parte à trilha sonora de canções de Simon e Garfunkel. Esse sentimento de um indivíduo, sozinho, castigado pelos acasos da vida — circunstâncias além do controle — permeou o filme, e canções como "The Boxer" expressaram um certo estrato de sentimento que corria profundamente nas mentes de muitos durante a agitação dos anos 60.


O ritmo, o lirismo e, sim, a suavidade de todas essas canções foram como um bálsamo para os espíritos tensos da época. Uma alternativa à rota do hard rock, mas ainda com um caráter incisivo, não um sentimento desleixado e irrefletido, mas significativo de forma inteligente e compassiva. "Bridge Over Troubled Water" é talvez a realização máxima das mudanças que vieram com os tempos. Pode ser ouvida como uma declaração de apoio à Liberação das Mulheres combinada com o conhecimento da dor que vem com a autonomia pela qual todos estávamos lutando... ou tal seja apenas uma simples oferta de apoio e ternura, de humano para humano.


Ouça e reflita sobre estes belos momentos de música interpretados com carinho por King's Road. Os maiores sucessos de Simon & Garfunkel são verdadeiramente a música de nossa geração.


Judy Granger


Lado A

The Sound Of Silence

The 59th Street Bridge Song

(Feelin Groovy)

Mrs. Robinson

El Condor Pasa

Scarborough Fair


Lado B

Homeward Bound

The Boxer

Cecilia

Bridge Over Troubled Water



segunda-feira, fevereiro 23, 2026

Victor Santos

Quando estudava no Colégio São José, Petropolis (RJ), conheci um dos grandes músicos da MPB  que brilha até hoje.  Aqui, uma matéria sobre Victor Santos publicada em 6 de junho de 1987. Ela anuncia o segundo LP da Orquestra Vittor Santos, "Um Toque Tropical", e traça um perfil do jovem maestro e de sua bem-sucedida orquestra, destacando seu profissionalismo, o repertório do novo disco e a estabilidade do grupo de músicos.



Texto: Maria Antonieta D’Angelo

Foto: Oliveira Junior

Para os que não conheciam o som da Orquestra Vittor Santos, era muito fácil dizer que a mesma não vingaria, considerando a cidade e o fato do dirigente ser um rapaz de 20 anos, na época. Mas não houve pouca idade nem marasmo petropolitano que segurasse tanto talento e eis que vem aí o segundo disco da Orquestra: Um Toque Tropical. O lançamento será em julho, e garante Vittor que este disco é melhor que o anterior, também muito bom.

Até mesmo a produção foi mais atenciosa na confecção deste LP. "Acho que desta vez a Continental acreditava mais no sucesso da gente. Além do mais o repertório é sofisticado e mesclado, já que desta vez incluímos músicas americanas e latinas. O encarte está mais bonito e tivemos três nomes de respeito comentando nosso trabalho: Beth Carvalho, Hermínio Bello de Carvalho e Ian Guest."

Para dar um gostinho de quero ouvir, as músicas são as seguintes: Lado A: Invitation (Kaper Webster). Samba em Prelúdio (Baden e Vinicius); Preciso Aprender a Ser Só (Marcos e P. Sérgio Valle); Vereda Tropical (Gonzalez); Deixa (Baden e Vinicius). Lado B: Potpourri de Boleros com: Frenesi e Perfídia (Alberto Dominguez); Smile (Charles Chaplin); e Aqueles Ojos Verdes (Adolfo Utrera). Na segunda faixa: Nós e o Mar (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli); Caso Sério (Rita Lee e Roberto Carvalho); Apêlo (Baden e Vinicius); Se Acaso Você Chegasse (Lupicínio Rodrigues e Felisberto Martins).

UMA ORQUESTRA SEM ROTATIVIDADE


Em agosto, a Orquestra fará dois anos de existência, e uma característica curiosa é que não só seu público se mantém fiel, mas também seus músicos. Embora nos últimos tempos o número de componentes tenha crescido apenas um saiu.

Atualmente são 21 músicos, e Vittor não nega que de vez em quando se desentendem, mas nunca houve nada de sério, e todos gostam da equipe que formaram. Vittor lamenta que a receptividade por parte dos outros músicos normalmente passe pelo despeito, e acha inclusive de difícil compreensão que isto ocorra. "Já que em Petrópolis é restrito o número de músicos profissionais, o que não acontece com a totalidade dos que atuam na Orquestra. Aqui até o baterista lê partitura. Ninguém toca de ouvido", — argumenta Vittor —, "mas apesar do despeito, a orquestra cresce, e segundo Vittor, muitos músicos vivem só desta renda, e para quem vive de música é a seriedade com que encaram o trabalho."

O próprio Vittor surpreende muitas pessoas com quem trabalha. Com apenas 22 anos, é um profissional sério que formou uma orquestra vitoriosa, e nas horas que lhe restaram grava discos fazendo solos, ou participando como músico. Das últimas gravações que realizou destaca o solo que fez no disco do compositor e guitarrista Júlio Costa, na faixa samba Torto II, e um outro solo que também gostou muito para o disco de Flávio Pantola.

O envolvimento com a orquestra não lhe deixa muito tempo livre. No programa se inclui uma ida à Vitória, e a orquestra vem mantendo contato com alguns empresários do Rio, como o Studio Zero que empresaria Caetano Veloso e Ney Matogrosso. Mas vale a pena todo esse trabalho, quando se pode ver seus resultados. "E resultados cada vez melhores, é o que nos interessa, e sem dúvida, o disco é um deles", afirma Vittor. Agora é só ouvir e conferir. E enquanto o disco não sai, pode se conhecer e bailar ao som da orquestra hoje, a partir das 22 horas no clube Euterpe, no Alto da Serra.

domingo, fevereiro 22, 2026

Major Sérgio: O homem que viu Petrópolis virar cidade


O Major que mudou o destino de Petrópolis

Rua Major Sérgio, no bairro Mosela


Viver por mais de três décadas na Rua Major Sérgio, na querida Mosela, me deu uma perspectiva diferente sobre esse personagem. Hoje, ao entender que ele  percebeu que Petrópolis 'não cabia mais no molde de colônia', sinto que cada passo dado naquela rua tinha o peso da história de uma cidade que aprendeu a caminhar com as próprias pernas em 1857


Em 1857, Petrópolis vivia um momento decisivo de sua história. À frente da Colônia estava o Major Sérgio Marcondes de Andrade, uma figura que enxergou além da rotina administrativa e percebeu que aquele território já tinha alma e força de cidade.

Foi ele quem registrou o impressionante crescimento populacional — mais de 6 mil habitantes, com metade de origem germânica — e também a expansão do comércio, da indústria e do turismo. O Major compreendeu que Petrópolis já não cabia mais no molde de colônia.

Sua visão ajudou a embalar o debate que culminou, em 29 de setembro de 1857, com a aprovação da Lei Provincial nº 961, elevando Petrópolis à categoria de cidade. Embora a iniciativa tivesse forte apoio político e jornalístico, foi o olhar atento e estratégico de Sérgio Marcondes que abriu espaço para essa mudança.

Graças ao trabalho do Major, a cidade pôde se estruturar com vereadores, juizado municipal e novos rumos administrativos. Ele foi mais do que um gestor: foi o elo entre o passado colonial e a cidade que Petrópolis estava destinada a se tornar. 

Parte sda minha vida, mais de 35 anos, passei na rua Major Sérgio, na Mosela


A casa que morei na Major Sérgio, 130, Mosela


sábado, fevereiro 21, 2026

H.P. Lovecraft,


Esta imagem mostra a página de abertura do conto "Beyond the Wall of Sleep" (Além da Muralha do Sono), de H.P. Lovecraft, publicada na lendária revista pulp Weird Tales em março de 1938.

Curiosamente, esta publicação foi póstuma, já que Lovecraft faleceu em 1937. Aqui está uma análise dos elementos presentes:


A arte no topo é assinada por Virgil Finlay, um dos mais famosos ilustradores de ficção científica e horror da era de ouro das revistas pulp.

  • O Estilo: Note a técnica de pontilhismo e hachuras finas, que cria uma sensação de misticismo e energia.

  • O Conteúdo: Representa duas formas etéreas e radiantes flutuando no cosmos. Isso ilustra o clímax da história, onde a consciência do protagonista e de uma entidade cósmica se libertam de seus corpos físicos para viajar pelo espaço sideral.


O primeiro parágrafo traz uma das frases mais famosas de Lovecraft sobre a natureza dos sonhos. O autor aproveita para dar uma "alfinetada" em Sigmund Freud:

"...Freud to the contrary with his puerile symbolism..." (Freud, ao contrário, com seu simbolismo pueril...)

Lovecraft discordava da ideia de que sonhos eram apenas reflexos de desejos reprimidos. Para ele (na ficção), os sonhos eram janelas para dimensões vastas, terríveis e majestosas que a mente humana mal consegue compreender.

O texto abaixo do título resume a premissa:

  • Fala sobre um "pobre montanhês" (Joe Slater), um homem bruto e primitivo que começa a ter visões de uma beleza e complexidade impossíveis para sua mente limitada.

  • Menciona um "ser supernal de Algol, a Estrela Demônio". Na história, descobre-se que Slater está servindo de "hospedeiro" para uma entidade cósmica que busca vingança contra uma estrela inimiga.



Esta página marca a transição do horror gótico tradicional para o horror cósmico. Em vez de fantasmas ou demônios religiosos, o medo vem do espaço, da ciência e da vastidão do universo.

A frase em destaque — "Nós nos encontraremos novamente, talvez nas névoas brilhantes da Espada de Órion" — encapsula perfeitamente o tom melancólico e grandioso da obra.