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quinta-feira, abril 23, 2026

neon lit cemeteries of Iceland.

 






uma tradição de Natal única e visualmente impressionante da Islândia, onde cemitérios são decorados com cruzes de neon e luzes elétricas durante a época do Advento e do Natal.

Significado e Tradição

  • Homenagem aos Mortos: O Natal (chamado de Jól na Islândia) é visto como uma época de união familiar, e isso inclui aqueles que já partiram. Decorar as sepulturas é um gesto de respeito e uma forma de mostrar que os entes queridos ainda são lembrados e fazem parte das celebrações.

  • Luz na Escuridão: Como o inverno islandês é marcado por dias extremamente curtos e muitas horas de escuridão, as luzes nos cemitérios servem para iluminar a noite mais longa do ano.

  • Histórico: Embora o ato de acender velas em túmulos seja antigo, a tradição específica de usar decorações elétricas e cruzes iluminadas em larga escala ganhou força por volta de 1960, com registros iniciais marcantes nas ilhas Vestmannaeyjar.

Características Visuais e Práticas

  • Cruzes de LED e Neon: Diferente de outros países nórdicos que usam predominantemente velas de cera, os islandeses frequentemente utilizam cruzes elétricas (muitas vezes em tons de branco ou azul suave) porque resistem melhor aos ventos fortes e à neve da ilha.

  • Véspera de Natal: O auge da tradição ocorre na tarde de 24 de dezembro. O tráfego ao redor dos cemitérios em cidades como Reykjavík fica tão intenso que a polícia costuma ser acionada para coordenar o movimento de famílias que visitam os túmulos antes do jantar de Natal.

  • Locais Comuns: A imagem é típica de cemitérios como o de Lágafellskirkja ou o de Hafnarfjörður, onde a combinação de neve, o crepúsculo azulado e as luzes cria uma atmosfera "mágica".

Essa prática transforma o que poderia ser um lugar sombrio em um cenário de calor e luz, refletindo o espírito de comunidade e continuidade geracional da cultura islandesa.

quarta-feira, abril 22, 2026

Halloween como sempre na Casa de Amityville



NEWSDAY, QUINTA-FEIRA, 1º DE NOVEMBRO DE 1979



Halloween como sempre na Casa de Amityville

Por Bill Mason e Stephen Williams

Amityville — Foi apenas mais um Halloween na “Casa do Horror de Amityville”: curiosos e criaturas fantasiadas, seguranças particulares e crianças pedindo doces, gritos de quem passava e bebidas para os convidados da festa lá dentro.

Apesar da enorme publicidade do ano passado, James e Barbara Cromarty decidiram realizar sua terceira festa anual de Halloween na noite passada, na casa da Ocean Avenue.

Graças à cerca de arame e aos seguranças, os convidados sem convite foram mantidos a uma distância razoável. Ainda assim, houve algumas cenas ocasionais na rua: um homem saiu correndo da casa gritando, depois voltou, entrou novamente e foi embora de carro.

Lá dentro, o clima era festivo. Não havia nenhuma abóbora esculpida ou bruxa de papelão à vista, mas havia muitas bebidas, comidas frias e curiosos entre os 100 ou mais convidados.

A maioria dos convidados conhecia a história da casa de três andares: que Ronald DeFeo assassinou seus pais, dois irmãos e duas irmãs ali em 1974; que, depois, George e Kathleen Lutz compraram a casa em 1975, dizendo ter encontrado espíritos malignos.

O resultado foi um livro best-seller, um filme de grande sucesso e, para a casa, uma reputação que os atuais proprietários consideram mais um passivo do que um ativo.

Embora os Cromarty não morem na casa — ela é confiada ao zelador Frank Burch —, eles voltaram na noite passada para manter uma tradição iniciada três anos atrás “para tirar a mente das pessoas do que estava acontecendo lá fora”, disse Barbara Cromarty.

O que acontecia do lado de fora era uma loucura ocasional: bêbados gritando por Ronald DeFeo, outros estacionando e encarando, algumas invasões e vandalismo. Mas os convidados da noite passada pareciam mais fascinados do que assustados.

“Eu sempre ouvi que, se eu entrasse, sentiria algo estranho”, disse Bill Peters, que estava acompanhando a celebridade local Suzy Chafee, do comercial “Suzy Chapstick”. “Mas não é nada disso… todo mundo é tão simpático e as fantasias são tão criativas.”

Os anfitriões se fantasiaram tanto de dia quanto de noite (a Sra. Cromarty à noite). O tio de Cromarty, o juiz Arthur Cromarty, da Suprema Corte do Estado, se vestiu de juiz. Ele se recusou a comentar o aspecto de horror da casa, mas elogiou as “fantasias maravilhosas”.

Laura Baach, 20 anos, de Massapequa, vestida como Peter Pan, disse: “Nunca foi tão divertido”. Mas como saber se alguém recebeu um convite para a festa do Horror de Amityville e não foi? Ainda assim, admitiu: “É só como qualquer outra festa.”

Do lado de fora, porém, não. A maioria dos jovens ficou longe da cerca, dos seguranças e do famoso porco de olhos vermelhos que supostamente habitava a casa. Antes do pôr do sol, no entanto, duas jovens pedindo doces se aproximaram da casa e receberam M&M’s dos Cromarty.

“Todo mundo por aqui acha que é uma piada”, disse a corajosa Wendy Moore, 14 anos, da 305 Richmond Ave. “Nós não temos medo de entrar lá.”


1. Contexto histórico imediato (1979)

A matéria foi publicada em 1º de novembro de 1979, momento em que o caso Amityville já havia ultrapassado o âmbito policial e se consolidado como fenômeno midiático internacional. O livro The Amityville Horror (1977), de Jay Anson, e o filme homônimo de 1979, dirigido por Stuart Rosenberg, haviam transformado a casa em símbolo do horror pop, misturando crime real, alegações sobrenaturais e exploração comercial.

O texto surge, portanto, no olho do furacão cultural, quando a residência já não é apenas um local físico, mas um espaço mitológico.


2. A estratégia narrativa do jornal

O tom adotado por Newsday é deliberadamente banalizante. Logo na abertura, o Halloween é descrito como “apenas mais um”, estratégia que:

  • reduz o peso do horror,

  • normaliza o espaço,

  • e desloca o foco do sobrenatural para o comportamento humano ao redor da casa.

Essa escolha é típica do jornalismo local norte-americano da época, que buscava reapropriar-se da narrativa após a espetacularização promovida pelo cinema e pela literatura sensacionalista.


3. A casa como passivo simbólico

Um dos trechos mais reveladores é a afirmação de que a fama da casa passou a ser vista pelos proprietários como “um passivo, não um ativo”. Isso indica:

  • desgaste social;

  • invasões frequentes;

  • vandalismo;

  • presença constante de curiosos, bêbados e fanáticos.

A casa deixa de ser um “lugar maldito” e passa a funcionar como polo de atração patológica, algo que antecipa discussões contemporâneas sobre turismo do horror (dark tourism).


4. Deslocamento do medo: do sobrenatural para o social

O texto faz algo muito interessante: o perigo não está dentro da casa, mas fora dela.

  • bêbados gritando o nome de Ronald DeFeo,

  • invasões,

  • pessoas estacionando apenas para “olhar”.

O medo, aqui, é urbano e social, não paranormal. O sobrenatural é tratado quase como um ruído cultural que perdeu potência diante da repetição midiática.


5. O Halloween como ritual de dessacralização

A festa de Halloween organizada pelos Cromarty funciona simbolicamente como:

  • um ritual de dessacralização do espaço;

  • uma tentativa de reapropriação doméstica;

  • e uma forma de afirmar normalidade frente ao mito.

Ao transformar a casa em cenário de festa, bebida e fantasias, os anfitriões retiram o controle simbólico da narrativa do horror.

É uma inversão poderosa: o local do medo vira local de sociabilidade.


6. Celebridades locais e cultura pop

A presença de Suzy Chafee, garota-propaganda do ChapStick, reforça a fusão entre:

  • horror,

  • consumo,

  • publicidade,

  • e espetáculo.

Amityville já não pertence ao oculto, mas ao entretenimento. O comentário “todo mundo é tão simpático” soa quase como uma negação performática do mito.


7. O porco de olhos vermelhos: o mito residual

O texto menciona o famoso “porco de olhos vermelhos”Jodie — apenas de passagem, quase com ironia. Ele aparece:

  • como lenda persistente,

  • mas já esvaziada de terror real,

  • restrita à imaginação de quem observa de fora da cerca.

Isso revela como o mito começa a perder centralidade, sobrevivendo apenas como curiosidade folclórica.


8. As crianças e a quebra final do medo

A cena final, com duas meninas pedindo doces e recebendo M&M’s, é crucial:

  • encerra a matéria com um gesto de normalidade absoluta;

  • desmonta o discurso do horror;

  • transforma a casa em mais um ponto do circuito do Halloween.

A fala da adolescente Wendy Moore — “não temos medo de entrar lá” — sela o texto com uma declaração geracional: o mito já não assusta quem cresceu com ele.


9. Leitura crítica geral

A matéria não tenta provar nem refutar o sobrenatural. Seu verdadeiro tema é outro:

o esgotamento do medo quando o horror vira produto cultural.

Amityville, em 1979, já é menos um mistério e mais um objeto de consumo simbólico, algo que ecoa diretamente em discussões atuais sobre true crime, franquias de terror “baseadas em fatos reais” e a diluição do impacto emocional pelo excesso de exposição.


terça-feira, abril 21, 2026

100 melhores filmes de terror segundo a crítica

the GOLEM (1920)


🕯️ Origens e expressionismo

  1. The Cabinet of Dr. Caligari (1920) – Robert Wiene

  2. Nosferatu (1922) – F. W. Murnau

  3. Häxan (1922) – Benjamin Christensen

  4. The Golem (1920) – Paul Wegener

  5. Faust (1926) – F. W. Murnau


🩸 Clássicos universais (anos 30–40)

The Wolf Man (1941) – 


  1. Dracula (1931) – Tod Browning

  2. Frankenstein (1931) – James Whale

  3. The Bride of Frankenstein (1935) – James Whale

  4. The Wolf Man (1941) – George Waggner

  5. Cat People (1942) – Jacques Tourneur

  6. I Walked with a Zombie (1943) – Jacques Tourneur


🧠 Terror psicológico clássico

peeping_tom


  1. Vampyr (1932) – Carl T. Dreyer

  2. Psycho (1960) – Alfred Hitchcock

  3. Peeping Tom (1960) – Michael Powell

  4. Eyes Without a Face (1960) – Georges Franju

  5. The Innocents (1961) – Jack Clayton

  6. Repulsion (1965) – Roman Polanski

  7. Rosemary’s Baby (1968) – Roman Polanski

  8. Don’t Look Now (1973) – Nicolas Roeg


🧛‍♂️ Gótico europeu e Hammer

KILL, BABY... KILL! 


  1. Horror of Dracula (1958) – Terence Fisher

  2. The Devil Rides Out (1968) – Terence Fisher

  3. Black Sunday (1960) – Mario Bava

  4. The Whip and the Body (1963) – Mario Bava

  5. Blood and Black Lace (1964) – Mario Bava

  6. Kill, Baby… Kill! (1966) – Mario Bava


🌲 Folk horror

Blood on Satan


  1. Witchfinder General (1968) – Michael Reeves

  2. Blood on Satan’s Claw (1971) – Piers Haggard

  3. The Wicker Man (1973) – Robin Hardy

  4. Viy (1967) – Ershov / Kropachyov

  5. The White Reindeer (1952) – Erik Blomberg


🔪 Giallo e horror italiano

Lizard in a Woman’s Skin 


  1. Deep Red (1975) – Dario Argento

  2. Suspiria (1977) – Dario Argento

  3. Inferno (1980) – Dario Argento

  4. Tenebrae (1982) – Dario Argento

  5. Don’t Torture a Duckling (1972) – Lucio Fulci

  6. A Lizard in a Woman’s Skin (1971) – Lucio Fulci

  7. The House with Laughing Windows (1976) – Pupi Avati


🧟‍♂️ Horror moderno (anos 60–80)

The Texas Chain Saw Massacre 


  1. Night of the Living Dead (1968) – George A. Romero

  2. The Exorcist (1973) – William Friedkin

  3. The Texas Chain Saw Massacre (1974) – Tobe Hooper

  4. Jaws (1975) – Steven Spielberg

  5. Carrie (1976) – Brian De Palma

  6. Halloween (1978) – John Carpenter

  7. Dawn of the Dead (1978) – George A. Romero

  8. Alien (1979) – Ridley Scott

  9. The Shining (1980) – Stanley Kubrick


🩸 Corpo, gore e transgressão

The Beyond (1981) 


  1. Zombie (1979) – Lucio Fulci

  2. The Beyond (1981) – Lucio Fulci

  3. City of the Living Dead (1980) – Lucio Fulci

  4. The Fly (1986) – David Cronenberg

  5. Videodrome (1983) – David Cronenberg

  6. Scanners (1981) – David Cronenberg

  7. Possession (1981) – Andrzej Żuławski

  8. Eraserhead (1977) – David Lynch


🧠 Horror existencial e autoral

Funny Games


  1. The Vanishing (1988) – George Sluizer

  2. Funny Games (1997) – Michael Haneke

  3. Cure (1997) – Kiyoshi Kurosawa

  4. Pulse (2001) – Kiyoshi Kurosawa

  5. Antichrist (2009) – Lars von Trier

  6. The House That Jack Built (2018) – Lars von Trier


🩸 Horror erótico europeu

  1. Vampyros Lesbos (1971) – Jesús Franco

  2. Female Vampire (1973) – Jesús Franco

  3. A Virgin Among the Living Dead (1973) – Jesús Franco

  4. She Killed in Ecstasy (1971) – Jesús Franco

  5. Lips of Blood (1975) – Jean Rollin

  6. The Living Dead Girl (1982) – Jean Rollin


🌏 Horror asiático

  1. Kwaidan (1964) – Masaki Kobayashi

  2. Onibaba (1964) – Kaneto Shindō

  3. Kuroneko (1968) – Kaneto Shindō

  4. Ringu (1998) – Hideo Nakata

  5. Audition (1999) – Takashi Miike

  6. Noroi: The Curse (2005) – Kōji Shiraishi


🧠 Horror contemporâneo (anos 2000–2020)

  1. The Others (2001) – Alejandro Amenábar

  2. The Orphanage (2007) – J. A. Bayona

  3. Let the Right One In (2008) – Tomas Alfredson

  4. Martyrs (2008) – Pascal Laugier

  5. The Devil’s Backbone (2001) – Guillermo del Toro

  6. The Babadook (2014) – Jennifer Kent

  7. It Follows (2014) – David Robert Mitchell

  8. The Witch (2015) – Robert Eggers

  9. Get Out (2017) – Jordan Peele

  10. Hereditary (2018) – Ari Aster

  11. Midsommar (2019) – Ari Aster


🖤 Horror radical e recente

  1. Raw (2016) – Julia Ducournau

  2. Titane (2021) – Julia Ducournau

  3. Saint Maud (2019) – Rose Glass

  4. Under the Skin (2013) – Jonathan Glazer

  5. The Lighthouse (2019) – Robert Eggers


🧟‍♂️ Fechamento do cânone

  1. The Silence of the Lambs (1991) – Jonathan Demme

  2. The Blair Witch Project (1999) – Myrick / Sánchez

  3. The Sixth Sense (1999) – M. Night Shyamalan

  4. Who Can Kill a Child? (1976) – Narciso Ibáñez Serrador

  5. The Brood (1979) – David Cronenberg

  6. The Changeling (1980) – Peter Medak

  7. Invasion of the Body Snatchers (1978) – Philip Kaufman

  8. Don’t Look in the Basement (1973) – S. F. Brownrigg

  9. The Omen (1976) – Richard Donner

  10. The Haunting (1963) – Robert Wise

  11. Angel Heart (1987) – Alan Parker

  12. The Devil Rides Out (1968) – Terence Fisher





segunda-feira, abril 20, 2026

Lareiras da Villa Della Torre Allegrini – Fumane, Itália






A Villa Della Torre Allegrini, localizada em Fumane, na região de Valpolicella (próximo a Verona), é uma das mais impressionantes vilas renascentistas do norte da Itália. Entre seus elementos mais famosos estão os grandes lareiras monumentais, que vão muito além da função prática e se afirmam como verdadeiras obras de arte escultóricas.

🔥 As lareiras

A villa abriga quatro lareiras monumentais, conhecidas por seu caráter expressivo e quase inquietante. Elas são esculpidas em pedra e apresentam máscaras grotescas (mascheroni), figuras mitológicas, rostos distorcidos, animais simbólicos e criaturas fantásticas — incluindo leões e faces demoníacas.

Essas lareiras impressionam pelo tamanho e pela teatralidade: a boca do fogo frequentemente coincide com a boca das figuras esculpidas, criando a sensação de que o fogo “nasce” da criatura. O efeito visual é poderoso e, até hoje, causa impacto nos visitantes.

🎭 

No contexto do Renascimento, o grotesco não era apenas decorativo. As figuras das lareiras dialogam com temas como:

  • o poder da natureza e do fogo,

  • a dualidade entre razão e instinto,

  • referências à mitologia clássica e ao imaginário romano.

Esse tipo de ornamentação refletia o gosto humanista da época, em que arquitetura, escultura e simbolismo se fundiam para provocar reflexão e emoção em quem ocupava o espaço.

🏛️ 

A villa foi projetada no século XVI, atribuída a Giulio Romano ou ao seu círculo, e alguns estudiosos relacionam as lareiras a artistas ligados à tradição escultórica maneirista do norte da Itália, como Giovan Battista Scultori. Elas fazem parte de um programa decorativo mais amplo, que transforma o edifício quase num “teatro de pedra”.

🍷 

Atualmente, a Villa Della Torre pertence à família Allegrini, referência internacional na produção de vinhos. O espaço é usado para eventos, experiências enogastronômicas e visitas guiadas, nas quais as lareiras continuam sendo um dos pontos mais fotografados e comentados.

✨ 

As lareiras da Villa Della Torre Allegrini não são apenas elementos arquitetônicos:
são esculturas simbólicas, carregadas de dramatismo, que condensam o espírito renascentista — beleza, erudição, estranhamento e poder — em torno do fogo, elemento central da vida doméstica e do imaginário da época.


domingo, abril 19, 2026

Underground - Sheldon Renan 1967 Ed. lidador

 


Trata-se de um objeto editorial bastante revelador do momento em que o cinema underground começa a ser sistematizado como campo de estudo, sobretudo no Brasil.

A capa de Underground – uma introdução ao cinema underground, de Sheldon Renan, aposta numa estética claramente alinhada ao espírito que o livro descreve:

  • Imagem fragmentada de um rosto feminino, em alto contraste, quase “rasgada”, remetendo à colagem, ao experimentalismo e à recusa da imagem clássica e íntegra do cinema industrial.

  • O uso do roxo/magenta no título reforça a associação com contracultura, psicodelia e artes marginais dos anos 1960 e 1970.

  • A tipografia irregular de “UNDERGROUND” sugere ruptura, informalidade e um certo gesto de afronta gráfica ao design editorial tradicional.

  • Há um diálogo visual direto com o cinema de vanguarda americano, o cinema experimental, o Warhol dos Screen Tests, o Jonas Mekas diarístico, e até com a iconografia da imprensa alternativa.

A capa, portanto, não é apenas ilustrativa: ela performativiza o conceito de underground.

O texto da contracapa é especialmente significativo porque revela a recepção histórica do tema no Brasil:

  • O livro é apresentado como o “primeiro estudo fluente” sobre o filme underground americano, o que indica um esforço de legitimação acadêmica e crítica.

  • O discurso equilibra entusiasmo (“excitante campo novo da expressão artística”) e cautela institucional (“sujeita a controvérsias”), típico de quando práticas marginais começam a entrar no circuito editorial.

  • Renan é descrito como alguém que:

    • Analisa subjetividade, técnica, estilo e processos de produção;

    • Constrói uma história geral do avant-garde americano;

    • Cataloga carreiras, créditos e filmografias de 26 realizadores centrais, o que dá ao livro um valor documental enorme;

    • Discute a tensão entre underground e “establishment”, tema crucial para entender a absorção do experimental pelo mercado e pelos museus.

  • A menção ao futuro do cinema e aos filmes cibernéticos denuncia o otimismo tecnológico típico do período, antecipando debates que hoje associamos à videoarte, cinema expandido e mídias digitais.

Este livro ocupa um lugar-chave porque:

Em síntese

É um livro que:

  • Não apenas explica o cinema underground,

  • Mas encena editorialmente seus valores,

  • E marca um momento em que o marginal começa a ser historicizado sem perder totalmente seu caráter subversivo.

Para pesquisa, crítica ou reflexão histórica, trata-se de um volume canônico e ainda muito atual, especialmente quando relido à luz da institucionalização contemporânea do experimental e do “cinema de borda”.

sábado, abril 18, 2026

Por onde anda a Konga? A nostalgia dos antigos parques de diversões.

konga - atração do  Tivoli Park da Lagoa (Rio)

 A história de Konga, a Mulher-Gorila, é uma das atrações mais icônicas e nostálgicas dos parques de diversões itinerantes e parques fixos (como no  Tivoli Park da Lagoa ).

O show era um exemplo clássico de "ilusionismo de feira" que misturava terror, suspense e efeitos visuais simples, mas muito eficazes para a época.

Como funcionava o espetáculo?
O show geralmente seguia um roteiro coreografado para causar o máximo de susto:

A Narrativa: Um apresentador (o "pitman") contava uma história trágica sobre uma linda mulher que teria sido capturada em uma expedição na selva e vítima de uma maldição ou experimento genético.

A Jaula: O público entrava em uma sala escura e via, atrás de uma grade ou vidro, uma mulher sentada e acorrentada.

A Metamorfose: Sob luzes estroboscópicas e fumaça, a mulher começava a se transformar lentamente em um gorila peludo e feroz.

O Ápice: O gorila, agora furioso, "quebrava" as grades da jaula e avançava em direção ao público, fazendo todos correrem desesperados para a saída.

O Segredo por trás do truque
O efeito visual era baseado em uma técnica de ilusionismo do século 19 chamada Pepper's Ghost (O Fantasma de Pepper).

Espelhos e Luz: Havia um vidro inclinado entre o público e a cena. A "mulher" e o "gorila" estavam em posições diferentes.

Transição: Quando as luzes sobre a mulher diminuíam e as luzes sobre o ator fantasiado de gorila aumentavam, o reflexo no vidro criava a ilusão de que um corpo estava se transformando no outro.

O Legado Cultural
No Brasil, a Konga se tornou um símbolo dos parques das décadas de 70, 80 e 90. Ela representava o "terror acessível" e é uma das memórias afetivas mais fortes de quem frequentava parques de diversões.



Marcelo Bulgarelli via IA


 

sexta-feira, abril 17, 2026

Mama Cass Elliot

Ao longo de sua carreira, Cass Elliot teve que enfrentar uma gordofobia cruel, constante e generalizada. Ela tentava usar o humor e rir da situação, lembrou sua amiga Sue Cameron: “Ela escondia isso. Ela era a 'engraçadinha'. Era horrível para ela ser vista como 'a gorda' e Michelle [Phillips] como a bonita. As pessoas diziam isso na cara da Cass. Ela tinha que engolir o choro e rir.” Cass chegou a ser alvo de chacotas nas músicas de sua própria banda: “Ninguém engorda, exceto a Mama Cass”, cantavam os Mamas & the Papas em sua música “Creeque Alley”, de 1967.

Corre o boato de que, no início, a banda não a queria por ela estar acima do peso. O fundador do quarteto, John Phillips, confessou que a pressão dos colegas para emagrecer afetou Cass, levando-a a fazer dietas tão extremas quanto perigosas. Essas dietas acabaram danificando irremediavelmente seu sistema cardiovascular. Em 1968, depois de jejuar quatro dias por semana e perder até 55 quilos (cerca de 121 libras), Elliot foi internada no hospital. "Sou gorda desde os sete anos e ser gorda te diferencia dos outros", disse ela.

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"Inventei uma nova dieta fabulosa. Custa apenas US$ 2.000 por cada quilo perdido. Ela também enfraquece sua resistência natural a doenças. Não posso garantir, mas a Dieta da Mama Cass pode causar amigdalite aguda, hemorragia nas cordas vocais, mononucleose e um caso perigoso de hepatite. Pelo menos foi o que aconteceu comigo. Perdi minha saúde — e mais de um quarto de milhão de dólares em ganhos como cantora."

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Cass  em 1969
Neste artigo de março de 1969 da revista The Ladies Home Journal , Mama Cass era ao mesmo tempo atrevida e dolorosamente sincera ao falar sobre sua abordagem pouco saudável para perder peso. Ela poderia ter optado por manter seus problemas de saúde em segredo, mas obviamente escolheu a autenticidade. Ela admitiu que não consultou um médico sobre sua abordagem drástica para emagrecer porque sabia que se privar de comida "era errado" e que "estava com pressa para pesar 50 quilos".

Embora em 1969 a maioria dos americanos ainda não estivesse acima do peso ou obesa e mantivesse a boa forma com uma dieta e estilo de vida regulares (sem perda de peso), dietas da moda, jejum, gomas de mascar com truques, divãs milagrosos e drogas perigosas estavam ganhando popularidade. Eram iscas perigosas e/ou caras oferecidas àqueles que realmente precisavam de ajuda.

Sue Cameron, que trabalhava como jornalista para o The Hollywood Reporter na época, escreveu o artigo que ligava a morte de sua amiga ao sanduíche de presunto. Ela foi contratada pelo empresário da cantora, Allan Carr, que tentava salvar a reputação da artista e evitar hipóteses que associassem a morte súbita de Cass ao uso de drogas. A autópsia não encontrou narcóticos em seu organismo, nem restos de comida presos em sua boca ou traqueia. “Muitas pessoas não percebem que [a história do sanduíche de presunto] nem sequer é verdade. Mesmo eu tendo dito — e escrito — que não é verdade, ela continua circulando. Nunca imaginei que duraria tanto tempo”, diz Cameron, em tom de desculpas.

quinta-feira, abril 16, 2026

Ringo Starr

Em 19 de maio de 1980, Ringo Starr se envolveu em um terrível acidente de carro que quase tirou a vida do baterista e de sua esposa, Barbara Bach. Em circunstâncias assustadoras, o acidente ocorreu a apenas 800 metros do local do acidente fatal de Marc Bolan, ocorrido apenas três anos antes.

Bolan, que também era amigo íntimo de Ringo Starr, tornou a coincidência ainda mais bizarra. O ex-Beatle, tão próximo da família Bolan, é inclusive padrinho de seu filho, Rolan. Felizmente, porém, Starr não sofreu o mesmo destino, mas a história poderia facilmente ter sido bem diferente.

O casal, que se dirigia para uma festa em Surrey, tentava atravessar o nevoeiro quando ocorreu o acidente catastrófico. Ao se aproximarem de um ponto crítico na rotunda Robin Hood, na A3, onde uma colisão terrível destruiria completamente a Mercedes branca de Starr, ele teve que desviar, a 96 km/h, para evitar uma colisão com um caminhão que vinha na direção oposta. Sua manobra evasiva fez com que o carro derrapasse por cerca de 45 metros, resultando na colisão frontal do supercarro contra dois postes de iluminação.
Apesar da lesão na perna sofrida por Ringo, ele heroicamente tirou Barbara do carro e a salvou. Depois de retirá-la, Starr, de forma cômica, voltou para seu carro destruído para pegar um maço de cigarros, como um verdadeiro astro do rock. Felizmente, ambos saíram ilesos do acidente, com apenas ferimentos leves.

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The Mercedes was a total loss and written off. Following the accident, the couple had the wrecked car crushed into an artistic cube and converted it into a unique coffee table for their home, serving as a reminder of their lucky escape.

The near-fatal experience reportedly brought Starr and Bach closer together, and they married the following year.
Adjuntos:

quarta-feira, abril 15, 2026

Eduardo Cavallari




Encontros com a Imprensa segue como um espaço de escuta e memória da comunicação em Maringá, reunindo histórias de quem constrói o jornalismo no dia a dia. Nesta edição, o jornalista Marcelo Bulgarelli recebe o cinegrafista Carlos Eduardo Moraes Cavallari para uma conversa franca sobre trajetória, bastidores e os desafios da profissão.

Nascido e criado em Maringá, Cavallari carrega no humor a marca de suas origens. “Como diria meu pai, nasci e fui mal criado aqui”, brinca, ao relembrar a infância na região próxima à antiga perimetral. A cidade, segundo ele, não é apenas cenário, mas parte essencial de sua formação pessoal e profissional.

O interesse pela comunicação surgiu cedo, ainda na infância, por meio da fotografia. Antes, porém, houve uma tentativa frustrada na Agronomia, na Universidade Estadual de Maringá (UEM). A virada veio em 2002, quando ingressou no curso de Jornalismo, concluído em 2006, seguido de uma pós-graduação em fotografia na Universidade Estadual de Londrina (UEL).

Foi durante esse período que começou a vivenciar a prática da comunicação, conciliando estudos com trabalhos em emissoras como a RIC TV e a Jovem Pan. A rotina intensa, dividida entre Maringá e Londrina, moldou um profissional habituado à chamada “jornada dobrada”, comum no início de carreira.

Embora tenha começado na fotografia, Cavallari rapidamente abraçou a cinegrafia. A oportunidade surgiu ainda na faculdade, ao trabalhar em um programa voltado ao agronegócio, onde filmava rodeios e eventos rurais. “Recebia pouco, mas era experiência”, resume, com sinceridade.

Ao longo dos anos, construiu uma visão crítica sobre o jornalismo e o mundo. Para ele, não é possível exercer a profissão sem questionamento. “Se alguém está ganhando demais, alguém está perdendo. Nunca é igualitário”, afirma, destacando a importância de um olhar atento e ético na produção das notícias.

Essa postura já o colocou diante de situações delicadas. Em Londrina, participou de uma reportagem que ajudou a expor um caso de nepotismo, com desdobramentos judiciais. Também enfrentou momentos de tensão em coberturas políticas, com ameaças e hostilidade. “Você está ali para informar, não para apanhar”, resume.

Apesar dos riscos, Cavallari valoriza o impacto social do jornalismo. Entre as reportagens mais marcantes, cita o registro de um parto e a história de uma criança com autismo que teve a vida transformada após acesso a tratamento com canabidiol. “São histórias que ficam com você”, diz.

Ao refletir sobre as mudanças na profissão, ele aponta transformações profundas: jornadas mais longas, equipes reduzidas e maior demanda por conteúdo ao vivo. “Hoje se faz mais com menos gente”, observa. Para ele, o furo jornalístico perdeu espaço para a agilidade e a capacidade de contextualizar informações.

A relação entre cinegrafista e repórter, segundo Cavallari, deve ser baseada em leveza e parceria. “Se não tiver bom humor, não funciona”, afirma. Ele também destaca a importância da troca constante entre os profissionais, reconhecendo o aprendizado mútuo no cotidiano das redações.

Sobre o futuro, acredita na consolidação do modelo de vídeo-repórter, embora ressalte os desafios. “Exige muito mais do profissional. Você precisa fazer tudo ao mesmo tempo”, explica. Ainda assim, defende que o trabalho em equipe continua essencial para uma cobertura de qualidade.

Ao final, deixa um conselho direto aos estudantes de comunicação: experimentar sem medo. “Tentem tudo. Não tenham vergonha de perguntar, de chegar nas pessoas. O jornalismo é isso: curiosidade e coragem”, afirma. Uma síntese de quem construiu a carreira na prática e segue aprendendo todos os dias.

 Aperte o play e acompanhe essa conversa no Encontros com a Imprensa.

Encontros com a Imprensa” é um programa semanal apresentado por Marcelo Bulgarelli que reúne jornalistas, repórteres, fotógrafos, radialistas, cinegrafistas e colunistas para celebrar suas histórias mais marcantes. O programa vai ao ar todas as sextas-feiras, às 13h, e aos sábados, às 16h, na rádio UEM FM 106,9, no YouTube da UEM TV e no Spotify.


Outros episódios no   Spotify.


Alexandre Gaioto Amarildo LegalAndreia Silva  Anelize Camargo 

 Andye Iore -Antonio Carlos Moretti Antonio Roberto de Paula - Brenda Caramaschi

Bruno PerukaClaudio Galetti Claudio Viola -  Creval Sabino

Dayane Barbosa Diniz Neto - Dirceu Herrero • Edilson PereiraEduardo Xavier Eduardo Cavallari -

Elaine Guarnieri

Edvaldo Magro  Everton Barbosa Gilson Aguiar Ivan Amorim

Juliane GuzzoniKris Schornobay Leonardo FilhoLuiz de Carvalho - Marcos Zanatta - Marilayde Costa --

Messias MendesMilton Ravagnani - Natália Garay

PauloPupimRachel Coelho - Regina Daefiol Ricardo de Jesus Souza, o Salsicha Roberta Pitarelli-

Robson Jardim - Ronaldo Nezo - - Rogério Recco - Rose Leonel -

Sandro Ivanovski Sérgio Mendes e Rose Machado

Solange Riuzim Thaís Santana • Valdete da Graça •

Vanessa Bellei Victor Ramalho -Victor Simião -