NOS ACOMPANHE TAMBÉM :

NOS ACOMPANHE TAMBÉM :

sexta-feira, janeiro 21, 2022

A Copa que não comemorei

 (ELZA SOARES) - 25/05/2014



Além de ter sido um período muito difícil para o Brasil, a ditadura militar foi quando tive minha casa metralhada. Estávamos todos lá: eu, Garrincha e meus filhos. Os caras entraram, metralharam tudo e nunca soube o motivo.

Era 1970, já tínhamos recebido telefonemas e cartas anônimas, nos sentíamos ameaçados e deixamos o país. Acredito que fizeram isso por conta do Garrincha, mas também por mim, pois eu era muito inflamada e então, como ainda hoje, de falar o que penso. Eu andava muito com o Geraldo Vandré e devem ter pensado que eu estava envolvida com política. Mas eu sou uma operária da música, e qual é o operário que não se revolta?

Fomos para Roma, e lá o Garrincha, que não tinha sido convocado para aquela Copa, estava em desespero por não estar jogando e por não ter onde morar. Estávamos num hotel, vendo o Brasil ser campeão. Foi quando o Juca Chaves foi comemorar na Piazza Navona, onde fica a embaixada brasileira.

Estávamos trancados dentro de um apartamento, e o Garrincha queria sair de qualquer maneira: queria participar da festa, mas ao mesmo tempo estava altamente deprimido. Ele perdeu a casa, teve de deixar o país e não sabíamos como voltar.

Enquanto se celebrava o fato de o país se tornar o primeiro tricampeão na história da Copa do Mundo, o Brasil fazia barbaridades com sua população. O Garrincha sentia um misto de alegria e dor, porque ele queria comemorar, mas, ao mesmo tempo, sentia repulsa por tudo que nos havia acontecido.

Imagine o que é para um homem que, para mim, está acima de qualquer nome no futebol brasileiro, ser mandado embora do país. Isso já é tenebroso, vergonhoso; imagine então esse homem vendo aquela conquista, confinado numa selva de pedra, no exterior, sem entender nada, sem saber o que havia acontecido com nossa casa.

Aquela foi a época em que ele mais bebeu, e não saía de casa, pois tinha vergonha de aparecer embriagado. Eu fazia de tudo para ele não beber, mas não adiantava.

Era tão grande a minha angústia que eu tinha vontade de invadir a embaixada brasileira em Roma. Mas segurei a onda. Continuamos vivendo num hotel e tivemos grande ajuda de Chico Buarque e Marieta. Eles tinham se exilado na cidade e foram dois amigos de alma.

Ali eu tive um bom empresário, trabalhei muito e fui ganhando o dinheiro com o qual pagava todas as contas. Durante um jantar, conheci Ella Fitzgerald, que estava fazendo shows com repertório de bossa nova e teve um problema de saúde. Eu acabei substituindo-a.

Mas, quando descobriram que eu estava trabalhando na Itália sem documentação, tivemos de sair de Roma -então fomos para Portugal por um tempo.

Um dia, estávamos no Cassino Estoril, perto de Lisboa, e encontramos o apresentador Flávio Cavalcanti e o Maurício Sherman, que dirigia um programa na TV Tupi. Eles deram ao Garrincha uma camisa do Brasil, querendo homenageá-lo -mas quem queria camisa da seleção naquela altura?

"Obrigado o..., cadê minha casa, cadê minha moradia? Já vesti a camisa do Brasil anteriormente, já dei tudo que eu poderia ter dado ao Brasil", ele disse.

Passados 50 anos do golpe, ninguém jamais tomou nenhuma atitude sobre o que nos aconteceu naquele 1970, e eu continuo brigando pelo Mané, até hoje.

Quando eu canto "Meu Guri", canto com muita força, e essa é uma maneira que eu tenho de cantar uma música do Chico, mas homenageando o Mané. Eles são os dois guris de "my life".

ELZA SOARES, 86, é cantora e se apresenta no show "A Voz e a Máquina" nos dia 6 e 7/6 no Sesc Santo André.

Elza Soares

Chico Buarque beija Elza Soares em show no Garden Hall, em outubro de 2000.

Chico Buarque beija Elza Soares em show no Garden Hall, em outubro de 2000. Foto: Wania Pedroso/07-10-2000

Por Chico Buarque

Se acaso você chegasse a um bairro residencial de Roma e desse com uma pelada de meninos brasileiros no meio da rua, não teria dúvida: ali morava Elza Soares com Garrincha, mais uma penca de filhos e afilhados trazidos do Rio em 1969. Aplaudida de pé no Teatro Sistina, dias mais tarde Elza alugou um apartamento na cidade e foi ficando, ficando e ficando.

Se acaso você chegasse ao Teatro Record em 1968 e fosse apresentado a Elza Soares, ficaria mudo. E ficaria besta quando ela soltasse uma gargalhada e cantasse assim: “Elza desatinou, viu.”

Se acaso você chegasse a Londres em 1999 e visse Elza Soares entrar no Royal Albert Hall em cadeira de rodas, não acreditaria que ela pudesse subir ao palco. Subiu e sambou “de maillot apertadíssimo e semi-transparente”, nas palavras de um jornalista português.

Se acaso você chegasse ao Canecão em 2002 e visse Elza Soares cantar que a carne mais barata do mercado é a carne negra, ficaria arrepiado. Tanto quanto anos antes, ao ouvi-la em “Língua’’ com Caetano.

Se acaso você chegasse a uma estação de metrô em Paris e ouvisse alguém às suas costas cantar Elza desatinou, pensaria que estava sonhando. Mas era Elza Soares nos anos 80, apresentando seu jovem manager e os novos olhos cor de esmeralda.

Se acaso você chegasse a 1959 e ouvisse no rádio aquela voz cantando “Se acaso você chegasse’’, saberia que nunca houve nem haverá no mundo uma mulher como Elza Soares.

Ecos from The Kid (1921)

d2c805913dd83bc43ca9317ad599f727bd46cb37



9a696ceadfcb68da291b88dd83836bd11e2f4814



7653b8d7d4fc200e0de5d123f950865caafbd712



4057164912b8769563334dab269d73873a0fa739



d38fe9a5a3aaaf562f43d0e1f51b09affd6aa22d



a60b8341eddfac8a37ad94cfb224b4de267ed88c



The Kid (1921)

segunda-feira, janeiro 10, 2022

Gabriela Mistral

 Em 10 de janeiro de 1957, morria em Nova York, a chilena Gabriela Mistral. Poetisa, educadora, diplomata e feminista, ela ganhou o Nobel de Literatura de 1945. Mistral residia em Petrópolis quando soube que se tornara a primeira de todos os escritores latino-americanos a receber o Nobel. O Prêmio

a transformou em figura de destaque na literatura internacional e a levou a viajar por todo o mundo e representar seu país em comissões culturais das Nações Unidas, até falecer em 1957 nos EUA. Sua obra é humanitária. (Na foto, portão da casa de Mistral, no bairro Independência, Petrópolis)



domingo, janeiro 09, 2022

biscoitos Globo

Biscoito Globo, uma tradição do Rio.  Nunca fez propaganda, jamais mudou de embalagem. Um simbolo da cidade estampado até em  cangas e biquinis. Aqui estou com a versão doce do biscoito. Os pacotes vermelhos vendem biscoito doce e os verdes, salgado. Isso vem da época em que os ambulantes eram analfabetos. A unica fabrica produz 150 mil biscoitos diariamente. Uma historia que começou em 1955



domingo, dezembro 12, 2021

Monarco, presidente de honra da Portela, morre aos 88 anos

Monarco Portela

Monarco era presidente de honra da Portela

Monarco, de 88 anos, morreu neste sábado (11). Ele era presidente de honra da Portela e símbolo do samba. A escola de samba soltou um comunicado lamentando a morte do seu baluarte.

Em novembro, ele precisou ser internado no Hospital Cardoso Fontes, no Rio de Janeiro. Foi feita uma cirurgia no intestino. Ainda não há detalhes sobre como será o velório e o enterro do cantor.

Monarco era o integrante mais antigo da Velha Guarda da Portela. Hildemar Diniz nasceu no Rio de Janeiro, no bairro Cavalcante. Se mudou muito cedo para Oswaldo Cruz, origem da agremiação. A partir daí, começou a ter contato com sambistas e escreveu músicas para a escola.

Aos 17 anos, entrou para a Ala de Compositores. Em 1976, emplacou seu primeira samba. Em 1980, ele lançou seu segundo disco “Terreiro”, que virou samba exaltação na Majestade do Samba. A canção “Passado de Glória” se tornou um símbolo para os portelenses.

Portela lamenta morte de Monarco

“É com tristeza profunda que a Portela informa a morte de nosso Presidente de Honra, Monarco, aos 88 anos. O Mestre estava internado desde o mês de novembro no Hospital Federal Cardoso Fontes, em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio, onde se internou para fazer uma cirurgia no intestino. Infelizmente, não resistiu a complicações. Ele deixa esposa, filho, netos e uma legião de fãs e admiradores. Por enquanto, não há informações sobre velório e enterro do corpo”, diz trecho da nota.

“O presidente Luis Carlos Magalhães, o vice-presidente Fábio Pavão, a Velha Guarda Show da Portela, a Galeria da Velha Guarda e toda a diretoria da Majestade do Samba lamentam o falecimento e se solidarizam com os familiares, amigos e fãs”, completou.

Anne Rice (1941-2021)


Anne Rice

De acordo com o portal G1, a escritora americana Anne Rice morreu aos 80 anos por complicações de um AVC:

O filho, Cristopher Rice, fez uma publicação no perfil da mãe nas redes sociais. “Anne nos deixou quase 19 anos depois que meu pai, seu marido Stan, morreu”, escreveu Cristopher.

Rice nasceu em Nova Orleans, no estado da Luisiana, nos Estados Unidos, em 1941. Formada em ciência política e escrita criativa pela Universidade de São Francisco, foi publicada em todo o mundo. Começou a escrever em 1972, após a perda da filha Michele, de cinco anos, que morreu de leucemia. Desde então, escreveu mais de 30 livros.

O maior sucesso da carreira foi a série “Crônicas vampirescas”, a primeira delas “Entrevista com o vampiro”, de 1976. No Brasil, o livro foi traduzido por Clarice Lispector. Em 1994, virou filme, também de grande sucesso. No elenco, Tom Cruise, Bradd Pitt, Kirsten Dunst, Antonio Banderas, além da própria autora. Aos 80 anos, Anne ainda escrevia e publicava. A última obra, lançada no Brasil em 2018, foi “Comunhão do Sangue”.

segunda-feira, novembro 15, 2021

Avô de FHC queria fuzilar Dom Pedro II

 

Dom%2BPedro%2BII.jpg


Às 11 horas da noite de Seis de novembro de 1889, um grupo de militares se reuniu na casa do tenente-coronel Benjamin Constant, professor de Matemática da Escola Militar da Praia Vermelha, no Rio de Janeiro. O objetivo era tratar dos preparativos para a derrubada da monarquia.

Entre eles estava o alferes Joaquim Inácio Batista Cardoso, avô do presidente Fernando Henrique Cardoso. Na conversa, todos se manifestaram de acordo com o uso das armas para depor o governo monárquico. Combinou-se um plano para agitar os quartéis e estocar armamento para o golpe.

A certa altura, Benjamin Constant mostrou-se preocupado com o destino do imperador Pedro II:

– O que devemos fazer do nosso imperador?, perguntou.

 Mas e se ele resistir?, insistiu Benjamin.

– Fuzila-se!, sentenciou Joaquim Inácio.

Benjamin assustou-se com tamanho sangue frio:

– Oh, o senhor é um sanguinário! Ao contrário, devemos rodeá-lo de todas as garantias e considerações, porque é um nosso patrício muito digno.

Para sorte de Pedro II, no dia 15 de Novembro haveria de prevalecer a posição de Benjamin. Em vez de fuzilado, como queria o alferes Joaquim Inácio, o imperador seria despachado para o exílio.

(Trechos do capítulo “O golpe” ,do livro  “1889”, do maringaense Laurentino Gomes)

 


Gremlins (1984) dir. Joe Dante

a01a3cd21a2bb062067e7beba80b7a3bf32784d5



01e57e2b1b6938ee385a305d45e69528c688f79e



21ef16276b03099f340112b2e1e0d2cf0115a9ff



48faf52fdecdaf3fee9d7a516dfe821fe00a4a41



06dd02384ee92218c8e68f61f55ed7bec1339f0c



2679c63fb34863579022a0b42baa24076b779b3f