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| Orlando Orfei em frente ao Tivoli Park. 1972 |
O PALHAÇO
— Por meio da lógica te faço desaparecer, diz o palhaço de cara branca ao companheiro com fisionomia meio boba.
— Mas vá lá, responde meio incrédulo o outro.
— Você neste momento se encontra em Milão?
— Não, é a resposta.
— Está você em Roma?
— Muito menos, responde o outro.
— Se não te encontro em Milão nem em Roma, decerto estarás noutro lugar.
— Certamente, responde o palhaço.
— E se estás alhures, não estás aqui!
E uma bofetada chega sonora na cara do palhaço espertalhão.
— Desgraçado! grita. Por que me esbofeteaste?
— Eu? concluía o palhaço. Mas, se não estou aqui...
Recordo esta ceninha cômica, vista nos primeiros anos de minha infância, como se fosse agora. Que fascínio ver os palhaços por mim, criança. Adulto, permaneço ainda fascinado por aquele humorismo simples, absurdo. Fazem rir com situações que diria cretinas. Se não, fazem muitas das falsetas do homem. Há o palhaço forte, o esperto e o estúpido que sempre vence, quando na realidade é diferente. Todas as vezes que o palhaço dá uma marretada na cabeça do companheiro, eu, adulto, me vejo rindo, ainda. Será falta de maturidade? pergunto-me. Ou necessidade de uma descarga de simples alegria sem duplo sentido, para amenizar um pouco o afã do dia-a-dia? O palhaço, este humilde personagem, com a força de me dar um momento de serenidade, como naquele tempo...
Obrigado, Palhaço. Aprendi com você que as coisas mais simples, mais puras, são eternas.














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