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quarta-feira, julho 01, 2026

"Galeria do Terror" (Night Gallery)

 revista Amigão (nº 380, de 1977): o crítico A.C. Gomes de Mattos, analisa o seriado de TV que estava sendo reprisado na época pela TV Record (SP) e TV Estúdio Silvio Santos (RJ).



POR DENTRO DOS SERIADOS

A.C. GOMES DE MATTOS

Galeria do Terror, suspense sem vampiros nem lobisomens

Um seriado que está alcançando bons índices de audiência, embora se trate de uma reprise é "Galeria do Terror" ("Night Gallery"), exibido em São Paulo pela TV Record e no Rio pela TV Estúdio Silvio Santos. Verdade que o gênero conta com grande aceitação dos espectadores, tendo inclusive seus adeptos incondicionais, que não se incomodam com a costumeira implausibilidade da trama nem se importam se a dose de sustos, que os realizadores gostam sempre de espalhar em alguns trechos da narrativa, passar um pouco da conta. 

Nem todos os quadros desta exposição terrorífica são satisfatórios, mas num ou noutro respeitou-se a lição de Val Lewton, um produtor de cinema dos anos 40 que sabia o que dizia quando falava de filme de horror. Para ele o horror tinha que ser sugerido: nada de vampiros ou lobisomens metendo medo com suas caras feias. Pavor sem monstros é mais eficiente. Contudo, muita gente poderá achar que há pobreza de imaginação ou inverossimilhança na maioria das histórias desta série, mas convém lembrar que não se pode esperar de um despretensioso seriado de televisão o mesmo rigor de um filme de Lewton ou de outro cineasta do gabarito dele.

O organizador desta coletânea de episódios foi Rod Serling, autor de telepeças notáveis como "Patterns" ("História de um Egoísta") e "Requiem for a Heavyweight" ("Réquiem por um Lutador"), depois transformadas em filmes. Fez também o roteiro de "The Planet of the Apes" ("O Planeta dos Macacos") e criou o seriado "Twilight Zone", que obteve enorme êxito. Se ele não acertou na escolha de alguns enredos, pelo menos o espetáculo vale pelo escapismo.

terça-feira, junho 30, 2026

Paul Davis,

 Esta é uma obra do artista britânico Paul Davis, conhecido por suas ilustrações minimalistas que utilizam um humor seco e melancólico para explorar a ansiedade, a vida urbana e as neuroses do cotidiano.



Tradução

No topo, o horário: 03:42.

O texto repetido em azul diz:

"Não adianta se preocupar com isso agora. Não adianta se preocupar com isso agora. Não adianta se preocupar com isso agora..." (e assim por diante).

1. O Paradoxo da Ansiedade: A força da imagem reside na contradição. O personagem está tentando usar a lógica para silenciar a mente, mas o fato de a frase ser repetida exaustivamente (como um mantra que não funciona) prova que ele está, na verdade, profundamente preocupado. É o retrato visual do "pensamento em looping".

2. Estética "Doodle": O estilo de Paul Davis é propositalmente cru, quase como um rascunho feito às pressas em um guardanapo ou caderno. Isso confere uma sensação de intimidade e urgência. A escolha do azul para o texto contrasta com o traço preto da figura, separando o "mundo físico" (o homem na cama) do "mundo mental" (o barulho dos pensamentos).

3. O Horário (03:42): Esse é o detalhe crucial. É a "hora do lobo", aquele momento da madrugada em que os problemas parecem insolúveis e a mente se torna nossa pior inimiga. Para quem trabalha com comunicação, jornalismo ou produção cultural — áreas que demandam criatividade e lidam com prazos constantes —, essa cena é quase um espelho.



Paul Davis tem um histórico de colaborações com veículos como The New Yorker e The Guardian. Ele é mestre em capturar o absurdo da condição humana com pouquíssimas linhas. Essa peça específica faz parte de uma série que explora a insônia e o peso das expectativas modernas.

segunda-feira, junho 29, 2026

Eric White





 Eis o trabalho do artista contemporâneo americano
Eric White, especificamente de sua exposição intitulada "Fury". White é conhecido por um estilo que mistura o Surrealismo com uma estética de Realismo Cinematográfico, evocando frequentemente a nostalgia distorcida da cultura americana dos anos 40 a 70.
O trabalho de White nestas peças brinca com a memória coletiva e o subconsciente. Ele utiliza ícones da cultura pop e do consumo para criar cenas que parecem frames de um filme de David Lynch ou um pesadelo tecnicolor.

domingo, junho 28, 2026

Michael Ripper

 Tributo fúnebre a Michael Ripper (1913–2000), um dos atores coadjuvantes mais prolíficos e queridos do cinema britânico, especialmente conhecido por sua associação com a Hammer Film Productions. Texto de Ronald Bergan, um renomado historiador de cinema e escritor de obituários para o The Guardian.



Ator com talento para o horror e o humor

Michael Ripper

Os fãs dos filmes de terror da Hammer estão familiarizados com o ator coadjuvante de nome apropriado, Michael Ripper, que faleceu aos 87 anos. Ele foi um dos pilares daquela que é a mais comercialmente bem-sucedida de todas as produtoras cinematográficas britânicas. Na verdade, ele apareceu — em vez de protagonizar ou ter destaque — em mais filmes da Hammer do que qualquer outro ator.

Baixo e atarracado, com uma cabeça grande e olhos saltados, Ripper foi frequentemente vítima de Dráculas, múmias, Frankensteins e lobisomens. Em O Sarcófago da Múmia (1967), ele foi jogado de uma janela pela múmia, enquanto em O Testamento do Monstro (1961), interpretando um bêbado, ele foi jogado na mesma cela de prisão que o lobisomem (Oliver Reed).

No início da década de 1950, Ripper, que era um fumante inveterado, desenvolveu um problema na tireoide que exigiu uma cirurgia. "Quando acordei da operação, só conseguia falar sussurrando", lembrou ele. "Melhorou um pouco, é claro, mas eu não soava mais como um ser humano — então, tudo o que eu podia fazer era terror."


Além dos filmes de terror da Hammer, ele apareceu em uma infinidade de produções britânicas, interpretando todos os tipos de servos, donos de pub, pequenos criminosos e policiais. Principalmente, porém, sua aparência rústica o escalava como oficial militar de baixa patente, notavelmente como o soldado nervoso que vigia a massa radioativa pulsante em X - O Desconhecido (1956), e como o sargento em Quatermass 2 (1957), um dos três filmes derivados da série de televisão de Nigel Kneale para a BBC, Quatermass, na qual Ripper era um ator regular.

Ripper nasceu em Portsmouth, onde seu pai trabalhava no Almirantado. Aos 14 anos, ele já havia decidido deixar a escola para se tornar ator. Seus pais, compreensivos, permitiram que ele estudasse na Central School of Speech and Drama, da qual se formou aos 16 anos e ingressou no teatro de repertório de Folkestone.

Enquanto trabalhava no teatro, Ripper fez sua estreia nas telas em um filme de baixo orçamento (quota quickie) chamado Twice Branded (1935), estrelado por James Mason em seu segundo filme. Pouco antes da guerra, após uma dúzia ou mais de filmes esquecíveis — muitos deles dirigidos por Maclean Rogers —, ele foi convidado para o Gate Theatre, em Dublin, onde Rogers se tornara produtor. Foi lá que o ator de 27 anos interpretou Hamlet. Após a guerra, ele retornou à Inglaterra, onde apareceu regularmente em filmes, especialmente naqueles da equipe de produtor-diretor Frank Launder e Sidney Gilliat.

Entre eles estava A História de Gilbert e Sullivan (1953), no qual Ripper interpretou o criado de Sullivan, e o personagem Albert, o atrevido cavalariço em The Belles of St Trinian's (1954).

Em Ricardo III (1955), de Laurence Olivier, Ripper foi Forrest, o segundo assassino que coloca o cadáver do Duque de Clarence (John Gielgud) em um barril de malvasia, e um dos "cães sangrentos" que matam os jovens príncipes na Torre de Londres. Alguns anos depois, em O Anatomista (1961), ele foi o ladrão de túmulos Hare, fornecendo cadáveres ao Dr. Alastair Sim. Entre seus outros filmes dos anos 60 estavam O Segredo da Ilha de Sangue (interpretando um soldado japonês cruel), O Réptil, A Praga dos Zumbis e Drácula - O Perfil do Diabo.

Na televisão, Ripper impressionou como o paciente motorista e confidente na série Butterflies (1978) e, mais recentemente, foi o porteiro experiente do clube Drones na série Jeeves and Wooster. Um de seus últimos papéis foi como o veterano Tony Bonaparte, em No Surrender (1985), uma parábola eficaz sobre o conflito na Irlanda do Norte.

Ripper deixa sua terceira esposa e uma filha de seu primeiro casamento. Ronald Bergan

Michael Ripper, ator, nascido em 27 de janeiro de 1913; faleceu em 28 de junho de 2000.


“Woman and Terrier” (1963) Alex Colville.



 Esta obra de Alex Colville, Woman and Terrier (1963), é uma das pinturas mais icónicas e enigmáticas da arte canadiana do século 20

Colville era mestre em pintar cenas que parecem perfeitamente normais à primeira vista, mas que estão carregadas de uma tensão quase insuportável. A pintura mostra uma mulher e um cão num espaço doméstico. A composição é rigorosamente geométrica, quase matemática. Essa precisão confere à obra uma sensação de imobilidade absoluta, como se o tempo tivesse parado.

O que torna a obra perturbadora é o que não está a acontecer. A mulher e o cão olham para fora do quadro ou para algo que nós não vemos. Existe uma desconexão: eles estão juntos fisicamente, mas parecem habitados por pensamentos isolados. É este silêncio, este "suspense doméstico", que faz com que a obra seja frequentemente associada ao cinema de Stanley Kubrick (que, de facto, utilizou obras de Colville como inspiração visual para o filme The Shining - O Iluminado).

A pintura captura a essência do isolamento. O interior, embora cuidado, parece um palco desprovido de vida externa. É um retrato da psique humana — a ideia de que, mesmo num ambiente doméstico protegido, existe um mistério ou uma estranheza inerente.

Colville era um artista de detalhes minuciosos. A forma como a luz bate nas superfícies e a geometria das sombras na pintura de Colville exige que o espectador "leia" a imagem, tal como você faz ao pesquisar a localização histórica das fotos que partilhou.


sábado, junho 27, 2026

Amusement Park in New Orleans










 

 Six Flags New Orleans (antigo Jazzland)

 Localizado em New Orleans East, perto da intersecção das autoestradas I-10 e I-510, em Nova Orleães, Louisiana, EUA.

 O parque abriu originalmente em 2000 como Jazzland, sendo mais tarde arrendado e renovado pela Six Flags em 2003. Foi permanentemente encerrado após a devastação causada pelo Furacão Katrina em agosto de 2005.

  • O Impacto do Katrina: O parque ficou submerso sob cerca de 2 metros de água salgada durante mais de um mês. O sal destruiu 80% das atrações, tornando a sua recuperação financeiramente inviável para a Six Flags, que acabou por abandonar o contrato de arrendamento.

  • Simbolismo da "Ruína Moderna": A imagem de montanhas-russas esqueléticas e sinais de "boas-vindas" pichados e enferrujados tornou-se um símbolo visual da tragédia que atingiu a cidade. O local é hoje um destino frequente de exploradores urbanos e fotógrafos, apesar de ser propriedade da cidade e o acesso ser proibido e vigiado pela polícia.

  • Cenário de Hollywood: Devido à sua atmosfera pós-apocalíptica única, o parque serviu de cenário para grandes produções cinematográficas, como Jurassic World e Dawn of the Planet of the Apes.

  • Futuro Próximo: Após quase duas décadas de abandono e vários projetos falhados, iniciou-se recentemente (2024-2026) um processo de demolição e limpeza do local para dar lugar a um novo complexo desportivo e de entretenimento.

sexta-feira, junho 26, 2026

Centro comercial em Amityville



Não conheço o autor dessa foto sobre o centro comercial local em Amityville, Nova Iorque, situado na Merrick Road. O local é um ponto de referência quotidiano na vila, contrastando com a fama sobrenatural pela qual Amityville é mundialmente conhecida.
O estabelecimento à direita, B&B Fish & Clam, está localizado no número 179 Merrick Road, Amityville, NY 11701.
Este pequeno centro comercial encontra-se a leste da intersecção entre a Route 110 e a Merrick Road.
O B&B Fish & Clam é uma instituição na comunidade de Long Island, funcionando tanto como mercado de peixe fresco como restaurante desde há várias décadas. É conhecido por pratos típicos da região, como o "Overstuffed Lobster Roll" e o "The Cod Father Sandwich".
Esta imagem é particularmente interessante. Ela mostra a Amityville real e banal — com a sua "Blue Pizza" e a sua "Something Special Deli" — que coexiste com a Amityville mítica do cinema.

quinta-feira, junho 25, 2026

Evidências de OVNIS nos céus de Maringá

 Evidências de OVNIS nos céus de Maringá

Maringá, Domingo, 25 de junho de 2000 | Página 3 | O DIÁRIO do Norte do Paraná

Amanhã é o Dia Mundial dos Discos Voadores. Ufólogo revela o sequestro de dois jovens levados por um OVNI no Jardim Alvorada, em 1979

Por Marcelo Bulgarelli — Da equipe de O DIÁRIO

| Página 3 | O DIÁRIO do Norte do Paraná


A angústia de sentir que somos os únicos seres capazes de raciocínio, o tempo, as distâncias para explicar a imensidão do universo, parece não atormentar desde o início dos tempos. O homem moderno espera por algo ou alguém da mesma forma que o homem da Idade Média esperava a salvação pelos anjos para fugir dos demônios.

"Não estamos sós", afirmava Spielberg com *Contatos Imediatos do 3º Grau*. Mas a ufologia ainda engatinha. Na verdade, ela começou há pouco mais de 50 anos. Neste fim de século, boa parte da ciência vem mostrando que a existência da vida inteligente em nosso planeta tornou uma questão de sorte.

Ao tentar provar que os extraterrestres existem, esses estudiosos correm sérios riscos diante da ciência oficial e, acima de tudo, diante do preconceito, início da discórdia. Tudo em busca de um único objetivo: a prova. Amanhã, é o Dia Mundial dos Discos Voadores, uma oportunidade para discutir esse enigma que acompanha a história da humanidade.

 Um Maringaense de Destaque

Na história da ufologia no Brasil, um maringaense se destaca: Ademar José Gevaerd, 38, divorciado e pai de um casal de filhos. Começou suas atividades de pesquisa dos discos voadores muito cedo, aos 11 anos, quando passou a "devorar" a revista *Planeta*. O fascínio pelos discos voadores fez com que em poucos anos ele montasse um arquivo com mais de 10 mil recortes de jornais.

Em 1983, Gevaerd foi morar em Campo Grande, onde fundou o Centro Brasileiro de Pesquisas de Discos Voadores (CBPDV). É a maior entidade de pesquisas sobre o tema em todo o Hemisfério Sul e a segunda maior do mundo, com 3.500 membros.

O Caso do Jardim Alvorada (Sequestro)

No dia 13 de abril de 1979, os irmãos Jocelino de Mattos, com 21 anos na época, e Roberto Carlos, 13, andavam pela noite no Jardim Alvorada quando perceberam que estavam sendo seguidos por um objeto brilhante.

"Estávamos debaixo de uma grande árvore quando, de repente, caímos no chão. O estranho objeto se encontrava a uns 15 metros de distância de nós e a 2 ou 3 metros de altura do chão", recordou Jocelino em seu depoimento à Gevaerd.

Durante diversas sessões de hipnotismo, o rapaz foi se lembrando de fatos intrigantes, como o contato com seres que coletaram amostras de sua pele, cabelo e sangue, além da extração de esperma através de um aparelho de sucção. A regressão hipnótica foi conduzida pelo médico e hipnoterapeuta Oswaldo Alves.

 Luzes em Maringá (1986)

Sete anos após o episódio do Alvorada, Maringá seria manchete nacional graças ao cinegrafista João Batista Siqueira, o Foguinho. Ele documentou, em vídeo, três objetos brilhantes, suspensos no ar, que sobrevoavam a Cidade Canção.

Foi no dia 22 de maio de 1986. Uma equipe da TV Cultura havia sido escalada para cobrir uma palestra no Auditório Ney Marques, na UEM. Ao serem avisados da presença de um objeto voador não identificado, a equipe se dirigiu para a Praça do Cogumelo, na Zona 5. Foguinho conseguiu registrar os objetos com sua câmera, criando um registro que repercutiu nacionalmente, inclusive no Jornal da Globo.

As Seis Manifestações Ufológicas

O Centro Brasileiro de Pesquisas de Discos Voadores (CBPDV) classifica as manifestações em 6 categorias, baseadas na distância e no nível de interação:

Contato Imediato de Zero Grau (CI-0): A simples observação de UFO a grande distância.

Contato Imediato de Primeiro Grau (CI-1) Observação a curta distância, onde se pode definir detalhes do UFO (janelas, luzes, etc).

Contato Imediato de Segundo Grau (CI-2) O UFO pousa ou sobrevoa um local, deixando sinais físicos ou perturbações.

Contato Imediato de Terceiro Grau (CI-3): Observação de tripulantes, sem comunicação.

Contato Imediato de Quarto Grau (CI-4): Observação de tripulantes com algum tipo de comunicação (telepática, gestual ou falada).

Contato Imediato de Quinto Grau (CI-5): Contato imediato de sequestro (abdução), onde o observador ingressa no UFO.

 Opinião: Os ETs não vêm à Terra para passear

*Por A. J. Gevaerd

Que razões trazem nossos vizinhos espaciais à Terra? Interesse científico, turismo, curiosidade? Essa pergunta é uma das mais importantes e que mais simplificações apresenta no estudo e compreensão da Ufologia.

Certos defensores dessa teoria imaginam até que estes mesmos seres promoveriam uma evacuação de nosso planeta. Outros ufólogos acreditam na hipótese de que os alienígenas tenham uma espécie de agenda e que estão vindo à Terra apenas para buscar aquilo que necessitam – células, sangue e até órgãos humanos.

O que falta à maioria das pessoas envolvidas com o fenômeno UFO é ter uma visão mais completa, abrangente e panorâmica da Ufologia. Mente aberta às possibilidades, inclusive àquelas improváveis, é absolutamente essencial para que se compreenda melhor a complexidade do tema.

teddy bear motel

 

teddy bear motel

O motel estava localizado na U.S. Route 19, em Cherokee, Carolina do Norte, EUA. Esta região é conhecida por ser a porta de entrada para o Parque Nacional das Grandes Montanhas Fumegantes (Great Smoky Mountains National Park) e, durante décadas, foi repleta de motéis temáticos e atrações turísticas coloridas desenhadas para atrair famílias que viajavam de carro.

Estética "Roadside Americana": O sinal em forma de urso e a tipografia arredondada são típicos do marketing visual das décadas de 50 e 60, onde o objetivo era criar uma identidade amigável e memorável para os viajantes.

A imagem atual mostra o motel em estado de abandono, com mato alto e fitas de isolamento, o que cria um contraste forte com o nome "infantil" e acolhedor do estabelecimento. É uma "ruína moderna" que dialoga diretamente com a foto do Castle Park em Panama City Beach que analisamos anteriormente.

 Este local parece saído de um cenário de filme de suspense ou de uma crónica sobre o fim do "sonho americano" das viagens de estrada. O letreiro de "VACANCY" (Vagas) ainda visível num local claramente desabitado reforça essa sensação de tempo parado.


quarta-feira, junho 24, 2026

O rosto do Sena



Certa vez, quando eu era adolescente, uma mulher afogada foi encontrada no Sena. Ela era tão bonita que fizeram uma máscara mortuária para ela. Cópias da máscara foram produzidas. “A Mulher Desconhecida do Sena” vendeu bem. Comprei uma.

…Será que ela ficou feliz em se matar? Ou será que alguém no necrotério forçou um sorriso em sua boca para a máscara?… Eu me pergunto se o único retrato verdadeiro é a máscara mortuária. Uma visão frontal de um rosto imóvel. É tudo o que resta de alguém. Um rosto imóvel.


— Jane B. por Agnès V. (1988)


L'Inconnue de la Seine (lit.'A Desconhecida do Sena ') era uma jovem não identificada cuja supostamáscara mortuáriatornou-se uma figura popular nas paredes das casas de artistas após 1900. Seu rosto inspirou inúmeras obras literárias. Nos Estados Unidos, a máscara é comumente conhecida como La Belle Italienne

Segundo uma história frequentemente repetida, o corpo da jovem foi retirado do rio Sena no Quai du Louvre , em Paris , por volta do final da década de 1880.  Como o corpo não apresentava sinais de violência, suspeitou-se de suicídio . Um patologista do necrotério de Paris ficou, segundo a história, tão impressionado com a sua beleza que se sentiu compelido a fazer uma máscara mortuária de gesso e cera do seu rosto. Questiona-se se a expressão facial poderia pertencer a uma pessoa afogada. 

Segundo o desenhista Georges Villa , que recebeu esta informação do seu mestre, o pintor Jules Joseph Lefebvre , a impressão foi feita a partir do rosto de uma jovem modelo que morreu de tuberculose por volta de 1875, mas não restou nenhum vestígio do molde original. De acordo com outros relatos, a máscara foi feita à filha de um fabricante de máscaras na Alemanha.  A identidade da jovem nunca foi descoberta. Claire Forestier estimou a idade da modelo em não mais de 16 anos, dada a firmeza da pele. 

terça-feira, junho 23, 2026

Storyland, Pompano Beach, Flórida





 

Storyland, Pompano Beach, Flórida

O Storyland foi um daqueles parques temáticos "de beira de estrada" (roadside attractions) que floresceram na Flórida durante o boom do turismo pós-guerra, antes da escala monumental da Disney mudar tudo. Eles eram desenhados para serem paradas rápidas para famílias que dirigiam pelo estado, focados em cenários de contos de fadas, zoológicos de carinho (petting zoos) e arquitetura lúdica.

As fotos mostram uma tentativa de trazer o mundo das ilustrações infantis para a realidade tridimensional. A casinha dos Três Porquinhos e a carruagem da Cinderela são arquiteturas de cenário. Elas são "falsas" no sentido de não serem funcionais, mas funcionavam perfeitamente como gatilhos de memória para as crianças da época.

 A paisagem ao fundo, com terra batida e áreas ainda não urbanizadas, revela a Flórida sendo "domada" para o entretenimento. É o contraponto perfeito para a foto do parque abandonado em Panama City Beach que você enviou anteriormente: uma é o parque no seu auge de otimismo e cores, a outra é o mesmo conceito de parque, décadas depois, consumido pelo tempo e pelo abandono.

Note como a menina, nas fotografias, está sempre posicionada como parte do cenário. Ela não é apenas uma visitante; ela está posando como se habitasse aquele mundo de contos de fadas. Isso é um reflexo do estilo de fotografia familiar da década de 50: posada, quase teatral.

 Hoje, temos efeitos digitais, mas em 1950 a "magia" era feita com concreto pintado, madeira compensada e criatividade manual.

segunda-feira, junho 22, 2026

Abandoned Theme Park, Panama City Beach

 

Abandoned Theme Park, Panama City Beach, Florida.

A Cabeça de Diabo Abandonada (Abandoned Theme Park, Panama City Beach)

  • : Antigo parque temático Castle Park (também conhecido como Petticoat Junction em algumas fases), em Panama City Beach, Flórida, EUA.

  • : Esta estrutura icônica era a entrada para uma atração de "trem fantasma" chamada Dante’s Inferno. A imagem é um exemplo clássico de urban decay (decadência urbana). O contraste entre o design caricato e levemente assustador do diabo com o entulho e o abandono ao redor cria uma atmosfera de "terror real", muito próxima da estética de filmes de suspense que lidam com parques de diversões esquecidos. Curiosamente, o nome "PAUL" pichado nos dentes é um detalhe que humaniza a ruína.


domingo, junho 21, 2026

The House of the Seven Gables

 

The House of the Seven Gables (Casa das Sete Empenas), também conhecida como a Turner-Ingersoll Mansion.  Endereço: 115 Derby St, Salem, MA 01970, EUA. Localiza-se à beira-mar, no porto de Salem, no estado de Massachusetts.

A casa é um dos marcos históricos mais importantes da Nova Inglaterra e é mundialmente famosa por ter servido de inspiração para o romance homônimo de Nathaniel Hawthorne, publicado em 1851.

 Construída originalmente em 1668 para o capitão John Turner, a casa é um exemplo clássico da arquitetura colonial de madeira com o característico estilo de empenas (gables) múltiplas

 Hawthorne era primo de Susanna Ingersoll, que viveu na casa. Suas visitas à residência influenciaram profundamente a atmosfera sombria e gótica do seu livro.

No início do século XX, a casa foi restaurada por Caroline Emmerton, que fundou o assentamento histórico para ajudar imigrantes locais, transformando-a em um museu que permanece aberto até hoje.

A fotografia captura a fachada lateral da casa, destacando as suas tábuas de madeira escura (clapping boards) e as chaminés de tijolos vermelhos proeminentes contra um céu nublado, o que reforça o tom misterioso associado às lendas de Salem e à literatura de Hawthorne.

sábado, junho 20, 2026

Ben-Hur Lobo da Costa Prado

 No dia do aniversário, 25 de maio de 2026 morre o empresário e produtor cultural Ben-Hur Lobo da Costa Prado, em Maringá.  Ben-Hur Lobo da Costa Prado foi um importante produtor cultural, diretor, ator e empresário paulista radicado em Maringá (PR). Bastante querido na cena artística  local, faleceu repentinamente em 2026, aos 66 anos, após sofrer um mal súbito enquanto jogava tênis . Eu o entrevistei diversas vezes para O Diário do Norte do Paraná.  Aqui, ele me contou a razão de escolher Maringá para morar. 


MARINGAENSE POR OPÇÃO

Fugindo da Violência

O ano era 1998. São Paulo, capital. Uma mãe saía de carro de sua casa com a filha de dois anos e, sem motivo aparente nenhum, ambas foram assassinadas a tiros. O crime aconteceu a três quadras da casa do pai do produtor teatral Ben-Hur Lobo da Costa Prado (foto).



"Aquilo me chocou muito. Meu filho tinha quase a mesma idade daquela criança e o crime acelerou o processo de minha saída de São Paulo", conta.

Dois meses depois, Ben-Hur tirou férias e veio passar alguns dias na fazenda de amigos em Castelo Branco. Naquela época um circo se apresentava em Maringá e ele veio encontrar alguns amigos circenses.

"Me encantei com a cidade e resolvi mudar para cá. Comuniquei à minha mulher: 'A cidade é linda, as pessoas são boas e vamos montar uma pizzaria'. Ela me chamou de louco, pois nunca havia trabalhado na área, mesmo assim topou na hora. Três meses depois estava aqui", lembra.

Na mesma época, um amigo de Ben-Hur, Angelo Pulchinelli, voltou do Japão querendo montar um negócio fora de São Paulo. Pulchinelli ouviu a proposta e aceitou ser parceiro no projeto do restaurante. Em agosto os dois sócios visitaram Maringá, em outubro alugaram o imóvel e em março inauguraram o restaurante.

"Depois que me mudei para cá, em dezembro de 1998, nunca mais pensei em sair. E não faltaram grandes oportunidades. A segunda peça que eu trouxe para a cidade era com a Elizabeth Savalla. Ela estava mudando de produtor e me convidou para organizar a turnê nacional da peça. Era uma proposta quase irrecusável, mas eu não quis sair de Maringá. Queria mudar de vida, dar qualidade de vida à minha família e firmar meu restaurante. Aqui encontrei tudo isso".

David Wojnarowicz

 


David Wojnarowicz, retirado de sua obra fundamental Close to the Knives: A Memoir of Disintegration (1991). O texto é um grito de resistência e luto em meio à epidemia de AIDS em Nova York.


PERTO DAS FACAS

Meu coração é um vácuo de horror; eu quero perder o controle, mas sou civilizado demais. Em vez disso, deposito seus óculos grossos e amarelados no santuário nos fundos da minha mente e compro uma sopa para viagem no balcão do restaurante próximo, cercado por este ruído inacreditável feito pelos vivos e pelos inconscientes com talheres variados contra pratos e tigelas, e penso em que planeta de merda este se tornou hoje em dia. Penso nas outras sete pessoas que conheço que morreram este mês de AIDS. Penso em um cara em particular que foi viciado por anos e que aplicou todos os golpes imagináveis em seus amigos, e todas as suas rotinas passadas, jogos e delírios tornaram-se encantadores porque todos se resumiam à sobrevivência, e a sobrevivência é uma coisa tão adorável, uma coisa tão passageira.

sexta-feira, junho 19, 2026

Miopia

 Essa matéria é um registro histórico interessante de como o avanço da informática no final dos anos 90 e início dos 2000 já gerava debates sobre saúde pública que hoje são ainda mais relevantes.

 Maimone explica como funciona a musculatura ocular


Cai a média de idade das pessoas que usam óculos; TV, internet e videogames seriam os grandes vilões

Marcelo Bulgarelli 

Da Redação  O Diario do Norte do Paraná - 1997

É cada vez maior o número de crianças e adolescentes com problemas de visão provocados pela permanência excessiva diante de aparelhos de TV e computadores.

A média de idade das pessoas que usam óculos vem caindo drasticamente nos últimos 15 anos. Segundo o oftalmologista Nelson Maimone, crianças com apenas 5 anos já estão com problemas de visão.

Maimone em seus 32 anos de profissão, vem acompanhando diversas gerações desde quando a TV começou a se popularizar.

“A babá foi sendo substituída pela TV. O resultado disso foi o início de uma geração com problemas de miopia nos primeiros cinco anos de vida. Hoje, o problema é maior devido a proliferação de computadores, videogames e a internet que se tornou um vício”, disse.

A melhor maneira de evitar problemas visuais ainda é a moderação, apesar de que nem sempre isso é possível, principalmente fora de casa onde os estudos e o trabalho exigem cada vez mais a presença do computador.

O médico não esconde a sua preocupação com o que chama de “ônus da tecnologia”. Assinante das principais revistas de oftalmologia americanas, lembra que ainda não leu qualquer artigo alertando para o problema.

Maimone chega a desconfiar de que exista um “lobbie” pois os fabricantes de televisores, por outro lado, também não estariam procurando fórmulas de evitar a radiação.

PROTEÇÕES

Muitos se utilizam de uma proteção de tela na tentativa de diminuir os riscos. No mercado, são cada vez mais vendidas as lentes anti-reflexo. Nas óticas do centro da cidade, elas podem ser encontradas a partir de R$ 60,00 o par. O preço varia de acordo com o grau da receita.

Mas tudo isso ainda é paliativo, segundo Maimone, pois não evita a radiação provocada pelos monitores de vídeo.

Produtos como o “Vídeo Filter”, lentes azuladas feitas especialmente para usuários de computadores também estão com boa aceitação no mercado. O par custa em média, R$ 15,00.

A vendedora Leandra Terra Mansarenti trabalha há oito anos em ótica e também é testemunha do aumento de pessoas dependentes de óculos.

Lembra que funcionários de empresas como a Telepar tem feito encomendas de lentes especiais principalmente pelo trabalho intenso na frente de terminais.

VISTA CANSADA

Além dos problemas provocados pelos computadores, os usuários com mais de 40 anos ainda enfrentam o problema da presbiopia ou “vista cansada”. É um distúrbio visual em que se perde, por baixa de elasticidade e diminuição do cristalino, o poder de distinguir, com nitidez, os objetos próximos.

Muito comum na velhice, o distúrbio tem sido observado em pessoas na faixa dos 35 anos. Maimone lembra que muitos outros fatores colaboram para o aparecimento da “vista cansada”, principalmente o hábito da leitura.

“Assim como os orientais que descansam regularmente durante o trabalho, os músculos da vista também precisam de um pouco de repouso. Quando a vista começa a embaçar, está na hora de repousar”, aconselhou.

PREVENÇÃO

Muita gente descobre um problema de visão somente na fase adulta depois de passar anos acreditando que enxergava tudo normalmente. Um exame de vista anual poderia corrigir e até evitar diversos distúrbios.

Medir a pressão dos olhos uma vez por ano também é importante como prevenção do glaucoma, doença que pode ser fatal principalmente se existir algum caso com membros da família do paciente.

A doença é caracterizada pela dureza do olho em conseqüência do aumento da tensão intra-ocular e que pode acarretar perturbações transitórias ou até definitivas.

EXAMES NAS ESCOLAS

O oftalmologista defende o exame de vista para todas as crianças que ingressarem na escola. Isso evitaria, na sua opinião, problemas de aprendizado provocados por distúrbios visuais que só mais tarde serão verificados.

“Assim como se exige exames de vista para as Forças Armadas e para se obter a Carteira Nacional de Habilitação, também seria importante exigir exames para o ingresso nas escolas”.

Mesmo considerando o computador como um dos vilões causadores de distúrbios visuais, Maimone não descarta a importância da nova tecnologia mas acha que ela não pode ser o centro da vida do indivíduo.

“A pessoa precisa de lazer, de esportes. Deve haver um equilíbrio. Tudo que é demais, faz mal”, finalizou.