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terça-feira, fevereiro 24, 2026

"The Hits of Simon & Garfunkel – Performed by King’s Road"

(Hits Performed by King’s Road) é um cover album: não traz a dupla original, mas versões interpretadas por outro grupo, vendido no Brasil em edição da Pickwick.

Reflete o mercado fonográfico dos anos 60/70, que explorava o sucesso da dupla em diferentes frentes, com produtos paralelos, baratos e de apelo popular.

Capa da segunda edição da complicação lançada pela 
gravadora CID 


Contracapa (Kings Road - The Hits Of Simon & Garfunkel_Cap2.jpg)

As canções de Simon e Garfunkel são portas para áreas de experiência privada anteriormente intocadas na revolução folk-rock. O amor, a perda dele e a falta dele são temas poderosos: as distâncias entre as pessoas são tipicamente exploradas tanto em um nível mundial quanto pessoal.


O primeiro sucesso de Simon e Garfunkel, "The Sounds of Silence", a canção da alienação indignada, não foi o primeiro sucesso de Paul Simon e Arthur Garfunkel. Como Tom e Jerry, uma dupla de estudantes do ensino médio de Queens, Nova York (eles eram amigos desde o ensino fundamental), eles surgiram nas águas musicais turbulentas dos anos 50 com uma pequena canção chamada "Hey Schoolgirl".


O que mais tarde emergiu das profundezas dos anos 60 e de suas almas articuladas foi um tipo de canção muito mais distintivo e perturbador. Paul Simon escreveu a letra e a maior parte da música; Arthur Garfunkel criou a estrutura dos arranjos vocais. Há ironia no fato de dois talentos polidos e conscientes se misturarem casual e harmonicamente para nos dar esses tipos de canções — unindo-se para nos falar de pessoas como a Sra. Robinson que estão desmoronando e das lacunas em nosso mundo. Eles podem pegar uma melodia folk peruana do século 18 como "El Condor Pasa" ou os delicados traços de "Scarborough Fair/Canticle" e trazer a eles uma sensibilidade moderna do homem posicionado à beira da experiência, olhando para trás ou desviando o olhar de sentimentos demasiado comoventes para serem totalmente compreendidos. Essa sensação foi a essência de "A Primavera de Uma Solteirona" (The Graduate), um filme cujo sucesso se deveu em parte à trilha sonora de canções de Simon e Garfunkel. Esse sentimento de um indivíduo, sozinho, castigado pelos acasos da vida — circunstâncias além do controle — permeou o filme, e canções como "The Boxer" expressaram um certo estrato de sentimento que corria profundamente nas mentes de muitos durante a agitação dos anos 60.


O ritmo, o lirismo e, sim, a suavidade de todas essas canções foram como um bálsamo para os espíritos tensos da época. Uma alternativa à rota do hard rock, mas ainda com um caráter incisivo, não um sentimento desleixado e irrefletido, mas significativo de forma inteligente e compassiva. "Bridge Over Troubled Water" é talvez a realização máxima das mudanças que vieram com os tempos. Pode ser ouvida como uma declaração de apoio à Liberação das Mulheres combinada com o conhecimento da dor que vem com a autonomia pela qual todos estávamos lutando... ou tal seja apenas uma simples oferta de apoio e ternura, de humano para humano.


Ouça e reflita sobre estes belos momentos de música interpretados com carinho por King's Road. Os maiores sucessos de Simon & Garfunkel são verdadeiramente a música de nossa geração.


Judy Granger


Lado A

The Sound Of Silence

The 59th Street Bridge Song

(Feelin Groovy)

Mrs. Robinson

El Condor Pasa

Scarborough Fair


Lado B

Homeward Bound

The Boxer

Cecilia

Bridge Over Troubled Water



segunda-feira, fevereiro 23, 2026

Victor Santos

Quando estudava no Colégio São José, Petropolis (RJ), conheci um dos grandes músicos da MPB  que brilha até hoje.  Aqui, uma matéria sobre Victor Santos publicada em 6 de junho de 1987. Ela anuncia o segundo LP da Orquestra Vittor Santos, "Um Toque Tropical", e traça um perfil do jovem maestro e de sua bem-sucedida orquestra, destacando seu profissionalismo, o repertório do novo disco e a estabilidade do grupo de músicos.



Texto: Maria Antonieta D’Angelo

Foto: Oliveira Junior

Para os que não conheciam o som da Orquestra Vittor Santos, era muito fácil dizer que a mesma não vingaria, considerando a cidade e o fato do dirigente ser um rapaz de 20 anos, na época. Mas não houve pouca idade nem marasmo petropolitano que segurasse tanto talento e eis que vem aí o segundo disco da Orquestra: Um Toque Tropical. O lançamento será em julho, e garante Vittor que este disco é melhor que o anterior, também muito bom.

Até mesmo a produção foi mais atenciosa na confecção deste LP. "Acho que desta vez a Continental acreditava mais no sucesso da gente. Além do mais o repertório é sofisticado e mesclado, já que desta vez incluímos músicas americanas e latinas. O encarte está mais bonito e tivemos três nomes de respeito comentando nosso trabalho: Beth Carvalho, Hermínio Bello de Carvalho e Ian Guest."

Para dar um gostinho de quero ouvir, as músicas são as seguintes: Lado A: Invitation (Kaper Webster). Samba em Prelúdio (Baden e Vinicius); Preciso Aprender a Ser Só (Marcos e P. Sérgio Valle); Vereda Tropical (Gonzalez); Deixa (Baden e Vinicius). Lado B: Potpourri de Boleros com: Frenesi e Perfídia (Alberto Dominguez); Smile (Charles Chaplin); e Aqueles Ojos Verdes (Adolfo Utrera). Na segunda faixa: Nós e o Mar (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli); Caso Sério (Rita Lee e Roberto Carvalho); Apêlo (Baden e Vinicius); Se Acaso Você Chegasse (Lupicínio Rodrigues e Felisberto Martins).

UMA ORQUESTRA SEM ROTATIVIDADE


Em agosto, a Orquestra fará dois anos de existência, e uma característica curiosa é que não só seu público se mantém fiel, mas também seus músicos. Embora nos últimos tempos o número de componentes tenha crescido apenas um saiu.

Atualmente são 21 músicos, e Vittor não nega que de vez em quando se desentendem, mas nunca houve nada de sério, e todos gostam da equipe que formaram. Vittor lamenta que a receptividade por parte dos outros músicos normalmente passe pelo despeito, e acha inclusive de difícil compreensão que isto ocorra. "Já que em Petrópolis é restrito o número de músicos profissionais, o que não acontece com a totalidade dos que atuam na Orquestra. Aqui até o baterista lê partitura. Ninguém toca de ouvido", — argumenta Vittor —, "mas apesar do despeito, a orquestra cresce, e segundo Vittor, muitos músicos vivem só desta renda, e para quem vive de música é a seriedade com que encaram o trabalho."

O próprio Vittor surpreende muitas pessoas com quem trabalha. Com apenas 22 anos, é um profissional sério que formou uma orquestra vitoriosa, e nas horas que lhe restaram grava discos fazendo solos, ou participando como músico. Das últimas gravações que realizou destaca o solo que fez no disco do compositor e guitarrista Júlio Costa, na faixa samba Torto II, e um outro solo que também gostou muito para o disco de Flávio Pantola.

O envolvimento com a orquestra não lhe deixa muito tempo livre. No programa se inclui uma ida à Vitória, e a orquestra vem mantendo contato com alguns empresários do Rio, como o Studio Zero que empresaria Caetano Veloso e Ney Matogrosso. Mas vale a pena todo esse trabalho, quando se pode ver seus resultados. "E resultados cada vez melhores, é o que nos interessa, e sem dúvida, o disco é um deles", afirma Vittor. Agora é só ouvir e conferir. E enquanto o disco não sai, pode se conhecer e bailar ao som da orquestra hoje, a partir das 22 horas no clube Euterpe, no Alto da Serra.

domingo, fevereiro 22, 2026

Major Sérgio: O homem que viu Petrópolis virar cidade


O Major que mudou o destino de Petrópolis

Rua Major Sérgio, no bairro Mosela


Viver por mais de três décadas na Rua Major Sérgio, na querida Mosela, me deu uma perspectiva diferente sobre esse personagem. Hoje, ao entender que ele  percebeu que Petrópolis 'não cabia mais no molde de colônia', sinto que cada passo dado naquela rua tinha o peso da história de uma cidade que aprendeu a caminhar com as próprias pernas em 1857


Em 1857, Petrópolis vivia um momento decisivo de sua história. À frente da Colônia estava o Major Sérgio Marcondes de Andrade, uma figura que enxergou além da rotina administrativa e percebeu que aquele território já tinha alma e força de cidade.

Foi ele quem registrou o impressionante crescimento populacional — mais de 6 mil habitantes, com metade de origem germânica — e também a expansão do comércio, da indústria e do turismo. O Major compreendeu que Petrópolis já não cabia mais no molde de colônia.

Sua visão ajudou a embalar o debate que culminou, em 29 de setembro de 1857, com a aprovação da Lei Provincial nº 961, elevando Petrópolis à categoria de cidade. Embora a iniciativa tivesse forte apoio político e jornalístico, foi o olhar atento e estratégico de Sérgio Marcondes que abriu espaço para essa mudança.

Graças ao trabalho do Major, a cidade pôde se estruturar com vereadores, juizado municipal e novos rumos administrativos. Ele foi mais do que um gestor: foi o elo entre o passado colonial e a cidade que Petrópolis estava destinada a se tornar. 

Parte sda minha vida, mais de 35 anos, passei na rua Major Sérgio, na Mosela


A casa que morei na Major Sérgio, 130, Mosela


sábado, fevereiro 21, 2026

H.P. Lovecraft,


Esta imagem mostra a página de abertura do conto "Beyond the Wall of Sleep" (Além da Muralha do Sono), de H.P. Lovecraft, publicada na lendária revista pulp Weird Tales em março de 1938.

Curiosamente, esta publicação foi póstuma, já que Lovecraft faleceu em 1937. Aqui está uma análise dos elementos presentes:


A arte no topo é assinada por Virgil Finlay, um dos mais famosos ilustradores de ficção científica e horror da era de ouro das revistas pulp.

  • O Estilo: Note a técnica de pontilhismo e hachuras finas, que cria uma sensação de misticismo e energia.

  • O Conteúdo: Representa duas formas etéreas e radiantes flutuando no cosmos. Isso ilustra o clímax da história, onde a consciência do protagonista e de uma entidade cósmica se libertam de seus corpos físicos para viajar pelo espaço sideral.


O primeiro parágrafo traz uma das frases mais famosas de Lovecraft sobre a natureza dos sonhos. O autor aproveita para dar uma "alfinetada" em Sigmund Freud:

"...Freud to the contrary with his puerile symbolism..." (Freud, ao contrário, com seu simbolismo pueril...)

Lovecraft discordava da ideia de que sonhos eram apenas reflexos de desejos reprimidos. Para ele (na ficção), os sonhos eram janelas para dimensões vastas, terríveis e majestosas que a mente humana mal consegue compreender.

O texto abaixo do título resume a premissa:

  • Fala sobre um "pobre montanhês" (Joe Slater), um homem bruto e primitivo que começa a ter visões de uma beleza e complexidade impossíveis para sua mente limitada.

  • Menciona um "ser supernal de Algol, a Estrela Demônio". Na história, descobre-se que Slater está servindo de "hospedeiro" para uma entidade cósmica que busca vingança contra uma estrela inimiga.



Esta página marca a transição do horror gótico tradicional para o horror cósmico. Em vez de fantasmas ou demônios religiosos, o medo vem do espaço, da ciência e da vastidão do universo.

A frase em destaque — "Nós nos encontraremos novamente, talvez nas névoas brilhantes da Espada de Órion" — encapsula perfeitamente o tom melancólico e grandioso da obra.



Parque Quinta Normal

 

Santiago, 12 de setembro de 2012. " calor" de 22 graus... Parque Quinta Normal - Crianças tomam banho com o uniforme da escola. Inesquecível.

sexta-feira, fevereiro 20, 2026

A classificação moral dos filmes no Brasil

 


Transcrição do recorte (Correio Paulistano, 15 out. 1960)

Orientação Moral dos Espetáculos
FILMES EM CARTAZ

RECOMENDÁVEIS: — “Ben Hur”; “As 7 Maravilhas do Mundo”.

SEM OBJEÇÃO: — “O Grande Caruso”.

COM OBJEÇÃO A CRIANÇAS: — “A Morte Vem do Espaço”; “Afundem o Bismark”; “Somente Deus por Testemunha”.

COM OBJEÇÃO A MENORES: — “Os Estranguladores de Bombaim”; “A corrida da morte”; “Flor Que Não Murcha”; “O Porteiro”.

TOLERÁVEIS PARA ADULTOS: — “Hoje Como Ontem”; “Cidade Ameaçada”; “Guerra e Humanidade”; “Férias em Majorca”.

DESACONSELHADOS: — “De Repente no Último Verão”; “Hiroshima Meu Amor”; “Camarotes Indiscretos”.

CONDENADOS: — “A Rua das Mulheres Perdidas”; “Um Moralista em Apuros”.


Análise

Esse recorte é um exemplo da classificação moral dos filmes no Brasil antes da adoção do sistema de censura federal mais sistemático (anos 1960-70). O documento mostra como a imprensa publicava as listas preparadas por órgãos ligados à Igreja e comissões de moralidade para orientar o público.

  1. Hierarquia moral clara

    • De “recomendáveis” (filmes vistos como edificantes, históricos ou religiosos, como Ben-Hur) até “condenados” (obras vistas como imorais, de conteúdo sexual, crítico ou existencial).

    • A classificação mistura critérios estéticos, religiosos e políticos.

  2. Controle sobre a juventude

    • Duas categorias centrais: “com objeção a crianças” e “com objeção a menores”. A ideia era preservar a infância de violência, sensualidade ou temas adultos.

    • Filmes policiais, de guerra ou de ficção científica (A Morte Vem do Espaço) eram vistos como impróprios para crianças, mas tolerados para adultos.

  3. Conflito com o cinema de autor europeu

    • Obras de grande valor crítico e artístico aparecem em categorias negativas:

      • Hiroshima, Meu Amor (Alain Resnais, marco da Nouvelle Vague) foi considerado “desaconselhado”.

      • De Repente, no Último Verão (Joseph L. Mankiewicz, com roteiro de Tennessee Williams) foi também colocado entre os desaconselhados — provavelmente pelo tratamento de temas como homossexualidade e violência.

    • Isso mostra como o filtro moral suprimia ou marginalizava obras inovadoras e adultas.

  4. Cinema popular x cinema autoral

    • Filmes épicos, musicais e históricos (Ben-Hur, O Grande Caruso) eram celebrados.

    • Obras “menores” ou ligadas a temas sociais/sexuais eram “condenadas” — como A Rua das Mulheres Perdidas (provavelmente melodrama ou policial com conotação sexual).

  5. Instrumento de poder

    • Esse tipo de lista servia para “educar” o público, mas também funcionava como censura indireta.

    • Mesmo sem proibir oficialmente, um jornal classificar como “condenado” podia afastar espectadores e exibir o alinhamento conservador da imprensa.


👉 Em resumo: esse recorte mostra a mentalidade moralista do Brasil pré-ditadura militar, em que a Igreja Católica e setores conservadores exerciam forte influência sobre o consumo cultural. A lista revela o embate entre o cinema clássico hollywoodiano (aceito e recomendado) e o cinema moderno/autor europeu (rejeitado ou marginalizado).

quinta-feira, fevereiro 19, 2026

O CINEMA SOCIAL DE MARTIN RITT

 



Ely Azeredo

(Jornal do Brasil - 1978)

Norma Rae, um dos mais expressivos filmes americanos da produção recente, reuniu a seu favor a quase unanimidade da crítica americana.
Uma unidade não permanente na carreira de Martin Ritt (59 anos), que está em ótima forma. Seu filme sobre a praga das listas negras que assolaram o show business à época do macarthismo, The Front (O Testa-de-Ferro), comédia dramática protagonizada por Woody Allen — com uma inesquecível performance de Zero Mostel — exorcizou num conjunto irônico fantasmas recalcados por muitos anos. Na própria equipe de The Front, vários profissionais — roteirista, ator Zero Mostel, Ritt — entre outros, sofreram problemas semelhantes aos narrados no roteiro, passando privações e vendo interrompidas suas carreiras.

Norma Rae, em vigorosa interpretação de Sally Field, é uma operária que se torna líder sindical. O som do filme esconde-se de Crystal Lee Sutton, operária da indústria têxtil J. P. Stevens, de Roanoke Rapids, Carolina do Norte, e a segunda figura do filme, o organizador sindical Reuben Warshowsky (papel a cargo do ator Ron Leibman), inspirou-se em outro personagem, Eli Zivkovich. Ao agregar os de Zivkovich e Crystal Lee, tornou viável o primeiro grande filme de trabalho nas fábricas de vulto no mundo, nos Estados Unidos.

Não importa, de passagem, em que pelas declarações de Ritt, seu filme não seja obtido “luz em filmagens de documentário”, não havendo necessidade de reproduzir fielmente a realidade sindical. Ritt se fechou ao lado da ficção, e o resultado foi aceito pela documentarista de Harlan County, que lutou para levantar a verba necessária à produção. Mais uma vez, com sua paciência de monja vivendo no local, na intimidade dos dois protagonistas reais e do habitat autêntico, Barbara Kopple levará ainda tempo para concluir o filme? De qualquer maneira, deveremos ver dois filmes sobre o mesmo tema. E o paralelo será interessante.

O êxito de público e crítica de Norma Rae não constituiu favor: a sensibilidade de Martin Ritt para os temas sociais, tendo como protagonistas, em geral, gente de baixo da pirâmide, desempregados, explorados, oprimidos e humilhados. Depois de passar pela Broadway e pela televisão (onde, em início de carreira, dirigiu peças da emigração que incorporou outros nomes de talento, como Sidney Lumet e Robert Mulligan), Ritt, desde cedo, mostrou seus temas preferidos em Um Homem Três Metros de Altura (Edge of the City ou A Man Ten Feet Tall), com Sidney Poitier e John Cassavetes, mostrava a problemática social ungida de cumplicidade étnico-racial, que muitos consideram defeito do cinema americano, mas que se constitui em veia de ouro. O mestre soviético Eisenstein escreveu que o cinema americano tinha os seus maiores temas no conflito racial.

Ritt foi vítima de pecados cometidos pelos produtores que ainda tentam a inutilidade de aproximar-se de obras de Faulkner, e cujo gênero nem The Long Hot Summer (O Mercador de Almas), nem The Sound and the Fury (A Fúria), conseguiram fazer justiça. Mas teve um saldo positivo reforçado por Hud no Brasil, (O Indomado), cena ainda numerosa de suas produções preferidas de Sounder (Lágrimas de Esperança), que consagraram-se.

Norma Rae vive uma existência de dúvidas e esperanças de autorrealização de ingrata ganhadora de mal paga, vive com os pais. Arranja um companheiro, separa-se. Incapaz de educar dois filhos. Encontrou forças em companheiros e similares mas não serviram para completar uma síntese da realização como mulher. Casa-se, tem filhos. Não tem comunicação íntima com o marido, embora ame. Quando chega o perspicaz sindicalista Warshowsky, o organizador sindical, Norma Rae encontra sua ascensão como mulher. Nada de excepcional, mas muito humano.

Mas o foreiro de Nova Iorque foi o mais obediente, a esperar por melhor condição de vida e consciente militância sindical de Norma Rae, em uma história simples e comovente de sua nascente solidariedade de classe.

Características naturais — provavelmente uma forma ou outra de prolongar sua permanência nos cinemas. Para que seja a valorizada produtora Twentieth Century-Fox que há anos não possuía.

Por exemplo: há quanto tempo a Fox não possuía um produto com este tipo de qualidades artísticas, sociais e comerciais?

A história de Norma Rae já tinha sido documentada em filme. O sindicato da indústria têxtil dos Estados Unidos encomendou um documentário de 30 minutos, Crystal Lee, uma Mulher de Têxtil, dirigido por George Stoney, exibido na TV em 1978.

Melhor ainda: o primeiro documentário exibido na NBC, e premiado com o título de “melhor filme sindical”.