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sexta-feira, fevereiro 06, 2026

OVNIs em Manaus de 1977




A reportagem publicada no jornal A Notícia em 28 de agosto de 1977 é um exemplar fascinante do sensacionalismo ufológico que marcou certas épocas, especialmente durante a Guerra Fria, quando avistamentos de OVNIs eram frequentes e amplamente divulgados. 


 Nas últimas 72 horas, cinco Objetos Voadores Não identificados, libertando uma fantástica luminosidade avermelhada, cruzaram os céus de Manaus, de acordo com depoimentos de pessoas idôneas e dignas de toda fé, cujos nomes são omitidos a pedido dos próprios, para evitar que sejam incomodados por curiosos em saber mais sobre o assunto.

A primeira aparição de um feixe de luz estranha-mente luminoso no céu ocorreu no domingo a tarde e várias pessoas que se encontravam em pontos elevados da cidade, tais como morros ou terraços, vislumbraram a passagem do provável disco voador. Na quarta-feira, à noite, a torre de controle do aeroporto internacional “Eduardo Gomes” detectou a presença de um aparelho estranho nas proximidades daquele campo de pouso, desaconselhando aos aviões que chegavam a Manaus a aterrissagem.

A esposa de um conhecido comerciante de Manaus viu no céu duas estranhas “estrelas” na madrugada da quinta-feira e seu marido, chamado por ela, também assistiu as “manobras” dos discos-voadores.

Quase que ao mesmo tempo, outro também conhecido professor e jornalista assistiu dois aparelhos luminosos na rota do edifício “Cecilhão” para o conjunto de Japim. Além destes várias outras pessoas, desconhecidas do público mas não eram por isso menos dignas de fé, dizem ter visto a estranha luz, noutras oportunidades, cortarem o céu amazonense.

Ao mesmo tempo em que estas informações nos chegam, surgem mais detalhes da visita dos OVNI ao aeroporto de Manaus. Ali, tudo começou quando um avião da VASP pediu autorização para pousar. No mesmo instante, o piloto alertava a torre sobre uma estranha luz que pairara sobre seu aparelho e pedia instruções. A torre, vislumbrando a luminosidade vermelha, desaconselhou o pouso e o avião arremeteu novamente, ganhando altitude, sempre perseguido pelo feixe de luz avermelhada.

Mais dois aparelhos que tentaram o pouso quase na mesma hora foram perseguidos por luzes idênticas, um deles da VARIG, que conseguiu primeiro o pouso, depois que o pessoal de apoio correu à pista, assim como um destacamento de bombeiros, pois então se previa algum problema de extrema gravidade nos aviões. Finalmente, o pouso foi autorizado para outras duas aeronaves, sem maiores anormalidades, embora a luz vermelha continuasse focando diretamente sobre os três aviões que desembarcavam passageiros. Em diversas ocasiões, os focos luminosos se entrecruzavam. Já não eram três mais cinco os feixes de luz, se cruzando no ar, ora iluminando a parte superior do bojo das naves, inclusive de outras que estavam aterrizadas há tempo, sem que o pessoal distinguisse de onde as luzes eram dirigidas.

Jornal A Notícia de 28 de agosto de 1977


1. Sensacionalismo e Linguagem

A manchete já estabelece um tom dramático: "CINCO DISCOS VOADORES VISITARAM A CAPITAL AMAZONENSE EM 72 HORAS". O uso de "discos voadores" em vez de "objetos não identificados" (ainda que o texto depois use "OVNI") e o verbo "visitaram" humanizam o fenômeno, sugerindo uma narrativa de contato ou invasão. A descrição da "fantástica luminosidade avermelhada" reforça o apelo ao mistério e ao extraordinário.


2. Fontes Anônimas e Credibilidade

O texto menciona "pessoas idôneas e dignas de toda fé", mas seus nomes são omitidos a pedido próprio. Essa estratégia protege as fontes, mas também enfraquece a verificabilidade da história. Em jornalismo, fontes anônimas são problemáticas porque impedem que o leitor avalie a credibilidade das testemunhas. A ausência de nomes específicos (exceto a referência indireta a um "conhecido comerciante" e um "professor e jornalista") deixa a narrativa dependente da autoridade do jornal.


3. Narrativa Fragmentada e Inconsistências

A reportagem relata eventos em diferentes momentos (domingo, quarta-feira, quinta-feira) e locais (aeroporto, morros, conjuntos residenciais), mas não há uma linha do tempo clara. Detalhes como a perseguição a aviões comerciais (VASP e VARIG) são apresentados de forma caótica, com descrições confusas sobre o número de luzes ("já não eram três mais cinco"). Essa falta de clareza pode refletir tanto a dificuldade de apuração quanto a tentativa de amplificar o drama.


4. Contexto Histórico e Cultural

Em 1977, o Brasil vivia a ditadura militar, e relatos de OVNIs eram comuns – inclusive com supostas ocorrências oficiais (como o caso da Ilha da Trindade). A ufologia ganhava espaço na mídia, muitas vezes com aceitação tácita de autoridades. O aeroporto mencionado (Eduardo Gomes) é militar, o que acrescenta um elemento de possível interesse governamental. A reportagem pode espelhar um clima de paranoia ou curiosidade coletiva em relação a fenômenos aéreos inexplicáveis.


5. Falta de Investigação Cética

Não há qualquer tentativa de oferecer explicações alternativas (como testes militares, fenômenos atmosféricos ou balões). O jornal trata os relatos como factuais, sem questionar a plausibilidade ou buscar especialistas (astrônomos, pilotos, físicos) para contextualizar os eventos. Isso era comum em reportagens ufológicas da época, que priorizavam o entretenimento sobre a análise crítica.


6. Impacto e Repercussão

O texto termina abruptamente, sem conclusão ou reflexão, o que sugere que o objetivo era mais chocar do que informar. A menção a bombeiros e equipes de apoio correndo para a pista aumenta o tom de urgência, mas não há informações sobre desfecho ou consequências reais (acidentes, danos, investigações).


7. Legado Ufológico

Hoje, a reportagem serve como documento histórico de uma era em que a cultura pop e o jornalismo se alimentavam mutuamente de mitologias extraterrestres. Manaus, pela sua localização isolada e céu amplo, era (e ainda é) palco de relatos ufológicos, muitos deles atribuídos a testes secretos ou à própria dificuldade de observação em áreas remotas.

quinta-feira, fevereiro 05, 2026

Steven Spielberg 1974 - Revista Manchete

 Um Novo Orson Welles?



O nome talvez vocês não reconheçam — Steven Spielberg —, mas do filme que ele dirigiu, caso você tenha visto, certamente se lembrará: Encurralado (Duel), a insólita batalha entre um automóvel e um caminhão. Aos 25 anos, Spielberg está sendo considerado pelos críticos americanos um novo Orson Welles. Ou, traduzindo, jovem e gênio. Como Hollywood jamais dormiu de touca, Spielberg já foi devidamente contratado para realizar um filme de grande orçamento — Sugarland Express — cercado da maior publicidade. Goldie Hawn — aquela lourinha que mais parece o Piu-Piu das histórias em quadrinhos — será a estrela. Resta a incógnita: Hollywood agüenta um cara jovem e gênio? ● John Updown (de Nova Iorque)




Esta manchete, publicada provavelmente em 1974, é um documento fascinante que captura um momento específico e crucial na história do cinema: a emergência de Steven Spielberg como um talento promissor, antes de ele se tornar o cineasta icônico e consagrado que conhecemos hoje.

1. Contexto Histórico e Profético:
A reportagem é notavelmente profética, ainda que não pudesse prever a magnitude do sucesso futuro de Spielberg. Na época, ele era conhecido principalmente por Duel (1971), um filme para TV (lançado nos cinemas internacionalmente) que demonstrava sua habilidade magistral com a tensão e a narrativa visual. A comparação com Orson Welles – que também revolucionou o cinema com Cidadão Kane aos 25 anos – era um lugar-comum para críticos da época tentarem categorizar um novo talento explosivo. A pergunta final, "Hollywood agüenta um cara jovem e gênio?", soa quase cômica para o leitor moderno, mas encapsula a desconfiança que a velha indústria tinha de prodígios que desafiavam as estruturas estabelecidas.

2. Linguagem e Tom Jornalístico:
A linguagem é típica do jornalismo cultural brasileiro (ou da cobertura internacional traduzida) dos anos 70: coloquial, irreverente e um pouco sensacionalista. Frases como "Hollywood jamais dormiu de touca" e a descrição de Goldie Hawn como "aquela lourinha que mais parece o Piu-Piu" refletem um estilo mais informal e opinativo, comum em revistas de variedades e manchetes. O tom é de admiração, mas também de curiosidade e certo ceticismo sobre a capacidade de Hollywood "aguentar" um gênio.

3. A Sombra de Orson Welles:
A comparação com Welles é o cerne da matéria. Era um elogio ambivalente. Welles era um gênio incontestável, mas sua relação com Hollywood foi conturbada, cheia de interferências e projetos incompletos. Ao chamar Spielberg de "um novo Welles", a reportagem não só celebrava seu talento, mas também lançava a dúvida sobre se ele teria o mesmo destino de conflito com o sistema de estúdios. A história mostrou que Spielberg, diferentemente de Welles, conseguiu dominar o sistema e usá-lo a seu favor, tornando-se um dos diretores mais bem-sucedidos comercial e criticamente de todos os tempos.

4. O Ponto de Virada: Sugarland Express:
A menção a Sugarland Express é crucial. Este foi, de fato, o primeiro filme de Spielberg para os cinemas com um grande estúdio (Universal). Embora não tenha sido um sucesso de bilheteria estrondoso, foi extremamente bem-recebido pela crítica, que elogiou sua maturidade e técnica. Foi o trampolim que provou seu talento e lhe deu a confiança da indústria para dirigir o seguinte, um pequeno projeto chamado Tubarão (1975), que mudaria para sempre a indústria cinematográfica e catapultaria Spielberg para a estratosfera.

5. Análise em Perspectiva:
Ler essa reportagem hoje é um exercício de ironia histórica. O "nome que talvez não reconheçam" se tornou um dos mais famosos da história do cinema. A "incógnita" sobre Hollywood aguentar o gênio foi respondida com um sonoro "sim", e Spielberg não apenas foi "aguentado" como ajudou a redesenhar o conceito de blockbuster e cinema de autor dentro do sistema. A análise captura perfeitamente aquele breve momento em que um talento está prestes a explodir, quando o potencial é reconhecido, mas o resultado final ainda é uma promessa.


Mais do que uma simples notícia, este recorte de jornal é um registro histórico valioso. Ele congela no tempo a percepção sobre um artista em sua fase de ascensão, permitindo-nos observar com clareza o abismo entre a promessa e a consagração absoluta. A análise, embora entusiasmada, acerta em cheio ao identificar a genialidade precoce de Spielberg, mesmo subestimando, como era impossível não fazer, a escala monumental do impacto que ele teria.

quarta-feira, fevereiro 04, 2026

Mamãe é de Morte Washington Post (1993)

 





Mamãe é perigosa

Kathleen Turner fala sobre a comédia em que faz uma terrível assassina

FRANK RIZZO
Washington Post  (1993)

KATHLEEN Turner está resistindo a pequenos contratempos.” Esta frase foi cunhada por ela própria durante as filmagens da comédia surrealista de John Waters Serial mom, na qual interpreta uma doce mãezinha que também é uma assassina psicopata. “Minhas bochechas dóiam depois de um dia dizendo ‘Alguém quer salada de frutas?’”. As bochechas de Turner tiveram outro dia movimentado durante uma série de entrevistas que ela concedeu para promover seu último filme, Undercover blues, outra comédia, lançada semana passada nos Estados Unidos.
Apesar de ser uma das celebridades mais sensuais de Hollywood, Turner também é uma atriz que chafurdou na lama, balançou em candelabros e pulou de ancoradouros. Em Undercover blues ela contracena com outro ator cheio de facetas, Dennis Quaid. Eles representam os agentes secretos Jeff e Jane Blue, que estão tirando uma licença para cuidar de seu bebê quando o dever e as fraldas os chamam. “Acho que Dennis e eu juntos somos bem naturais”, ela diz. “É bom trabalhar com alguém que não tenha problemas na vida. Metade dos atores que conheço estão sofrendo o tempo inteiro e é muito cansativo ter que conviver com isso. O Dennis é muito legal. Nós não temos um problemas de ego.”
“Eu esperava que ela fosse uma diva do cinema”, declarou Quaid numa entrevista recente. “Ela é uma veterana que está sempre pronta a passar por uma situação ridícula para encarnar o personagem”, disse Quaid. O diretor Herbert Ross também a elogiou: “Adoraria ter o metabolismo dela.” Desde sua estréia nas telas em 1981, em Corpos ardentes, Kathleen Turner trabalhou em muitas frentes, da comédia e da aventura — O médico erótico (1983), Tudo por uma esmeralda (1984) e A jóia do Nilo (1985) — a dramas fora do padrão, como A honra do poderoso Prizzi, de John Huston (1985), e Peggy Sue, seu passado a espera, de Francis Ford Coppola (1986).

Ela fez também escolhas diferentes para uma estrela de seu porte, como Crimes de paixão, de Ken Russell (1984), pegando um pequeno papel em O turista acidental (1988), e fazendo a voz de Jessica Rabbitt em Uma cilada para Roger Rabbitt (1988). E nem todas as suas escolhas foram boas. O drama Julia e Julia (1987) e a comédia Troca de maridos foram verdadeiros fracassos.

Undercover blues é o primeiro grande filme de Turner em um bom tempo, depois do mal sucedido policial V. I. Warshawski (1991). Recentemente ela teve boas notícias de um filmezinho independente bem sério, House of cards, lançado no último verão americano. A atriz de 39 anos é brusca ao falar dos últimos comentários sobre sua carreira. “O executivo de um estúdio me disse outro dia que estou envelhecendo muito bem.” Ela pára, e dá um olhar enfurecido. “Tenho uma carreira que me deixa muito orgulhosa, e acho que conquistei respeito por minhas escolhas. Mas estou realmente ficando cansada de ser julgada pelo meu envelhecimento físico. Pro inferno com isso. Enquanto estiver me sentindo bem, continuo na ativa. Minha imagem
não está mudando, eu estou mudando.”

Uma das maiores mudanças é seu desejo de enfrentar novos desafios. Um deles foi aceitar o convite do diretor cult John Waters (Hairspray, Cry baby e Pink flamingos), que a escalou no papel principal de Serial mom. “Não dá para definir o John Waters”, ela diz, nitidamente apaixonada por seu divertido diretor. “Ele apenas vê as coisas de um jeito diferente do resto de nós. É engraçado, simpático, e sempre leva a família para o estúdio. A mãe dele, um dia, me perguntou se não iam achar o personagem da mãe assassina inspirado nela. Eu disse que ela não devia se preocupar.”
Em Serial mom, que deve ser lançado em fevereiro, ela esmaga um homem com um condicionador de ar. “Depois mato Patty Hearst com um telefone porque ela está usando sapatos brancos depois do dia de trabalho, e também acerto uma mulher na cabeça com uma perna de carneiro, ao som de Tomorrow. Não me perguntem por que, não tenho a mínima idéia. Mas é engraçado como o diabo. Serial Mom é o maravilhoso tipo de risco que só existe quando se está fazendo algo que poderia não funcionar sem você. Isso é irresistível.”
Kathleen Turner também pensa em dirigir e está tentando encontrar o material certo para sua estréia. Hoje ela vive em Nova Iorque com seu marido, Jay Weiss, com quem está casada há 7 anos:
“Moro no West Side, onde não preciso me maquiar para comprar o jornal”, diz. “Não gosto de estar numa cidade-empresa como Los Angeles. Ela me sinto mais segura em Nova Iorque.”




terça-feira, fevereiro 03, 2026

Boceta d’Ouro: O curioso anúncio de jornal de 187

  "boceta" = No português do século XIX, o termo significava simplesmente uma "caixinha" ou "estojo"



 Fragmento sobre Hamlet (Pandora - Jornal de 1873)



Texto: "...tão. Até o próprio Goetho, espirito luminoso e autorisado, parece obscuro na sua analyse. Hamleto é um presente feito ao mundo litterario à semelhança de uma boceta de Pandora. Aquellas suas harmonias philosophicas são de tal maneira desusadas e inauditas que..."



    • O texto é um fragmento de uma crítica ou ensaio literário do século XIX, como evidencia a linguagem erudita e as referências culturais ("Goetho" - Goethe, "Hamleto" - Hamlet).

    • A ortografia é arcaica para o português moderno ("analyse", "litterario", "boceta"), o que situa o texto historicamente antes das reformas ortográficas do século XX.


    • O autor faz uma crítica profunda e inteligente à obra Hamlet, de Shakespeare. A peça é comparada a uma "boceta de Pandora" (caixa de Pandora).

    • Essa é uma metáfora poderosa. Assim como a caixa de Pandora na mitologia grega liberou todos os males e esperanças do mundo, Hamlet é vista como uma obra que abre um universo de complexidades psicológicas, dúvidas existenciais e contradições humanas que são, ao mesmo tempo, uma dádiva e um tormento para o mundo literário.

    • A menção a Goethe, um "espírito luminoso", sendo considerado "obscuro" em sua análise de Hamlet, reforça a ideia da complexidade intransponível da peça. Se até um gênio como Goethe não conseguiu decifrá-la completamente, ela é verdadeiramente um abismo de interpretação.

  1. Conclusão: Este pequeno trecho revela um alto nível de debate intelectual na imprensa da época. Não era apenas um texto noticioso, mas uma peça de crítica cultural, demonstrando como a literatura clássica era discutida e reverenciada no Brasil do século XIX.

 Classificado "Boceta Perdida" (1875)

Texto: "Quem tiver achado uma boceta d’ouro, para tabaco, perdida em a noite de 5 do corrente, fará favor entregar na casa n. 16 à rua Direita, e querendo será bem gratificado... Boceta perdida, na edição de 7 de dezembro de 1875"

Análise Crítica:

  1. Contexto e Linguagem:

    • Este é um anúncio classificado comum para a época, um "avisos e perdidos". A linguagem é formal e cortês ("fará favor", "será bem gratificado").

    • A palavra "boceta" é o elemento mais crucial para a análise. No português do século XIX, o termo significava simplesmente uma "caixinha" ou "estojo". Neste caso, uma "boceta d'ouro para tabaco" era um objeto de luxo, um porta-tabaco ou rapé, pertencente certamente a um membro abastado da sociedade.

  2. Significado Histórico e Social:

    • Mudança Semântica: Este anúncio é um exemplo perfeito de como a língua evolui. A palavra "boceta", hoje um termo vulgar e de baixo calão para a genitália feminina, era um termo neutro e comum no passado. Sua presença em um jornal formal demonstra isso claramente. Analisar textos históricos exige cuidado para não projetar significados modernos sobre palavras antigas.

    • Janela para o Cotidiano: O anúncio é uma pequena janela para a vida no Rio de Janeiro Imperial (a Rua Direita era uma das mais importantes da capital).

    • Economia e Sociedade: Revela a circulação de objetos de valor (ouro) e a existência de uma rede de confiança e civilidade onde se esperava que a pessoa que encontrasse o objeto o devolvesse em troca de uma gratificação.

    • Geografia Urbana: A lista de ruas onde o objeto pode ter sido perdido (Commercio, Rozario, Boa Vista) mapeia o centro comercial e social da cidade, mostrando os locais de circulação da elite.

  3. Conclusão: Muito mais do que um simples aviso, este classificado é um documento histórico. Ele nos fala sobre hábitos (uso de rapé), economia (posse de ouro), urbanismo e, o mais fascinante, sobre a evolução da língua portuguesa. É um lembrete poderoso de que o significado das palavras está intrinsecamente ligado ao seu contexto social e histórico.

segunda-feira, fevereiro 02, 2026

Steve Rosendale

 Steve Rosendale é um artista contemporâneo nascido em 1973 em Melbourne, Austrália . Sua obra é fortemente inspirada na cultura cinematográfica americana das décadas de 1950 e 1960, refletindo um mundo que evoca glamour, nostalgia e cenas que parecem retiradas diretamente de cartões-postais retro 

Rosendale recria vignetas urbanas como se fossem instantâneos nostálgicos de um passado que muitos nunca viveram — cenas que nos são familiares, mas estranhamente distantes 

Ao revisitar imagens — de motéis, ruas e personagens com atitude — ele transforma lembranças fragmentadas em narrativas visuais poderosas 

Hot wheels, Steve Rosendale 





domingo, fevereiro 01, 2026

Scott Listfield

Scott Listfield é um artista norte-americano conhecido por suas pinturas surrealistas que misturam crítica social, nostalgia pop e ficção científica. Seu elemento mais marcante é a presença constante de um astronauta solitário — figura sem identidade definida — que vaga por paisagens urbanas e suburbanas repletas de ícones da cultura pop, marcas famosas, outdoors, personagens de filmes e elementos do cotidiano.

Ele começou a pintar o astronauta por volta do final dos anos 1990, inspirado pela sensação de “estranheza” de viver no século 21, algo que ele imaginava na infância. O personagem funciona como um observador, quase um turista perdido no nosso mundo hiperconectado, caótico e saturado de referências.

Os cenários que Listfield cria muitas vezes têm um clima pós-apocalíptico ou de abandono — ruas vazias, prédios decadentes, natureza retomando espaços urbanos —, contrastando com o visual colorido de letreiros e personagens da mídia. Essa justaposição provoca reflexões sobre consumo, tecnologia, impacto ambiental e a passagem do tempo.

Ele cita influências que vão de filmes sci-fi (especialmente 2001: Uma Odisseia no Espaço, de Kubrick, que inspirou o astronauta) a artistas pop e surrealistas. Ao longo dos anos, suas obras ganharam popularidade na internet e em exposições ao redor do mundo, justamente por dialogarem com a cultura visual da era digital e a sensação de alienação contemporânea.
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sábado, janeiro 31, 2026

Marcos Zanatta


 Marcos Aurélio Zanatta, jornalista conhecido na imprensa simplesmente como Marcos Zanatta — um nome que ele encurtou ao longo do tempo, mas que carrega a elegância do “Aurélio” que ele mesmo brinca ser “bonito e filósofo”.



Zanatta não é de Maringá: ele nasceu em Rolândia, onde viveu por muitos anos. A mudança para Maringá aconteceu já na fase adulta, por volta dos 36 ou 37 anos, quando veio para trabalhar na Cocamar — uma virada de vida que também teve um motivo afetivo: foi quando ele conheceu Leda, sua esposa, e decidiu construir aqui um novo capítulo.

A relação dele com a comunicação começou antes de qualquer “plano de carreira”. No tempo do segundo grau (o atual ensino médio), não existia orientação vocacional, e ele mesmo conta que tentou vestibular para Agronomia duas vezes, sem sucesso. Mas havia algo que já o definia: o amor pela leitura, alimentado desde cedo pelo pai, que assinava jornais e revistas em Londrina.

Foi assim que ele acabou encontrando o jornalismo, se formando pela UEL, em 1986, numa rotina pesada: estudava de manhã e trabalhava à noite, sem tempo “nem de dormir direito”. Por isso, ficou cinco anos na faculdade — e diz que saiu “mais especialista” do que quem fazia em quatro, porque viveu o jornalismo na prática enquanto estudava.

A estreia profissional aconteceu na Folha de Londrina, onde entrou primeiro no comercial e depois foi para a redação. Passou pelo noticiário local, mas se encontrou de verdade na Folha Rural, uma editoria que tinha prestígio e liberdade, e onde ele podia fazer o tipo de reportagem que amava: aquela ligada ao campo, à economia e à vida real do interior.

Em Maringá, depois de uma passagem breve pela Cocamar, ele foi para o Diário, convivendo com nomes marcantes da redação e vivendo um período que ele considera positivo, inclusive pela valorização salarial da categoria. Mais tarde, voltou para a Folha de Londrina, já na fase da sucursal, onde permaneceu cerca de nove anos e viveu o auge de um jornalismo com estrutura, autonomia e espaço para grandes pautas.

Entre as reportagens que mais o marcaram, ele lembra da cobertura sobre a mortalidade infantil em Paiçandu, quando era tão frequente a morte de bebês que a cena no cemitério dispensava qualquer agendamento. Outra memória forte foi o caso de Fabíola Coalho, atropelada em um episódio traumático na Avenida Colombo, além do assassinato do menino ligado à churrascaria Querência, em Sarandi — um caso que ele acompanhou por muito tempo e que expôs tensões entre polícia, imprensa e sigilo investigativo.

Há também um episódio que ele nunca esqueceu: um acidente grave na véspera de Ano Novo, perto do Hospital Paraná, envolvendo uma família japonesa. A cena dos corpos e o reconhecimento dos parentes “acabou” com a virada de ano dele, e ele admite que carregou aquilo na cabeça mesmo quando viajou depois — como tantas coberturas que ficam para sempre na memória de quem viveu redação.

Zanatta também teve participação importante na cobertura política, lembrando o caso Paulico, que mobilizou a imprensa e trouxe grande repercussão. Ele destaca como, naquela época, o jornal tinha força, a reportagem rendia, e a Folha chegou a triplicar vendas na região — um sinal de como o público acompanhava e valorizava a investigação jornalística.

Por fim, ele fala com emoção do encerramento do Diário do Norte do Paraná, em 2019, quando fez parte do último grupo da redação. O momento do fechamento, comunicado oficialmente, foi desolador: uma redação enorme, vazia, com poucos profissionais resistindo até o fim. Para ele, ali ficou evidente uma crise maior do modelo de negócio dos jornais, afetado pela perda de receita dos classificados e pela chegada do online.

Ao olhar para trás, Marcos Zanatta diz que não mudaria sua trajetória — embora sonhasse ter se aposentado na Folha de Londrina. E quando define o jornalismo, ele resume em duas palavras: informar e fuçar. Ele sente falta das grandes reportagens, da apuração completa, do tempo para investigar e “fechar o assunto”, e lamenta o quanto o jornalismo atual, para ele, se tornou superficial, apressado e cheio de informação desencontrada.

Encontros com a Imprensa” é um programa semanal apresentado por Marcelo Bulgarelli que reúne jornalistas, repórteres, fotógrafos, radialistas, cinegrafistas e colunistas para celebrar suas histórias mais marcantes. O programa vai ao ar todas as sextas-feiras, às 13h, e aos sábados, às 16h, na rádio UEM FM 106,9, no YouTube da UEM TV e no Spotify.

Outros episódios no   Spotify.


Alexandre Gaioto Amarildo LegalAndreia Silva

 Andye Iore -Antonio Carlos Moretti Antonio Roberto de Paula - Brenda Caramaschi

Bruno PerukaClaudio Galetti Claudio Viola -

Dayane Barbosa Diniz Neto - Dirceu Herrero • Edilson PereiraEduardo Xavier

Elaine Guarnieri

Edvaldo Magro  Everton Barbosa Gilson Aguiar Ivan Amorim

Juliane GuzzoniKris Schornobay Leonardo FilhoLuiz de Carvalho - Marcos Zanatta -

Messias MendesMilton Ravagnani - Natália Garay


PauloPupimRegina Daefiol Ricardo de Jesus Souza, o Salsicha Roberta Pitarelli-

Robson Jardim - Ronaldo Nezo - - Rogério Recco -

Sandro Ivanovski Sérgio Mendes e Rose Machado

Solange Riuzim Thaís Santana • Valdete da Graça •

Vanessa Bellei Victor Ramalho