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sábado, março 28, 2026

Apple’s Way

 



Essa imagem mostra uma embalagem de disco View-Master — um brinquedo icônico das décadas de 1960 e 1970 que projetava imagens tridimensionais em um visor portátil. O conteúdo apresentado é o conjunto “Apple’s Way”, baseado em uma série de TV da rede CBS, produzida pela Lorimar Productions (a mesma de Dallas e Knots Landing).


🍎 Contexto da Série

“Apple’s Way” foi uma série dramática americana exibida entre 1974 e 1975, criada por Earl Hamner Jr., também responsável por The Waltons. O enredo segue a família Apple, que abandona a vida urbana em Los Angeles para se estabelecer na pequena cidade de Appleton, Iowa, buscando um modo de vida mais simples e humano.

A série tinha uma pegada moralista e idealizada, explorando temas como solidariedade, valores familiares e conflito entre modernidade e tradição — refletindo a nostalgia rural típica do período pós-Vietnã, quando o público ansiava por narrativas reconfortantes.


📸 Sobre o View-Master

O View-Master, criado em 1939, atingiu o auge nos anos 1960 e 1970. Cada pacote vinha com três discos contendo 21 fotos em estéreo, formando uma narrativa visual (quase como um minifilme em slides 3D).
A série Showtime do View-Master incluía programas de TV populares, filmes e atrações da cultura pop. Era uma forma de “reviver” episódios e cenas antes do advento do videocassete doméstico.


💬 Comentário Cultural

O item combina dois ícones da cultura de consumo americana:

  • A idealização da família tradicional, representada pela série televisiva;

  • E o fetiche tecnológico infantil, o View-Master, que transformava a TV em um objeto tátil, colecionável e imersivo.

Esses discos são hoje itens de colecionador, valorizados tanto por fãs de mídia vintage quanto por estudiosos da cultura visual dos anos 70.
“Apple’s Way”, embora não tenha tido o mesmo sucesso de The Waltons, é lembrada como parte dessa fase de televisão moralmente edificante e nostalgia pastoral — um antídoto à violência urbana e à crise de valores que tomava conta da sociedade americana da época.


sexta-feira, março 27, 2026

MONSTROS TAMANHO MONSTRO

 

MONSTROS TAMANHO MONSTRO
2,13 metros de altura (7 feet tall)
Em cores autênticas, com olhos que brilham no escuro
Apenas US$ 1,00
Teste grátis por 10 dias!

Imagine o susto dos seus amigos quando entrarem no seu quarto e virem o “Monstro” de pé — maior que o próprio Frankenstein, o verdadeiro homem feito de pedaços! Sim, ele vai dominá-los com seu olhar, de pé com incríveis 2,13 metros!

Coloque-o na parede e veja a expressão deles! É uma decoração de arrepiar! Perfeito para festas de Halloween, brincadeiras e sustos.

Você ficará impressionado com o realismo — e com os olhos que brilham no escuro!

Escolha o Dr. Frankenstein ou Boney, o Esqueleto. E o melhor: nenhum deles sai do túmulo — eles são feitos de papel resistente e vêm com instruções fáceis de pendurar!

Mande US$ 1,00 por cada monstro ou envie US$ 2,00 pelos dois — Frankenstein e Boney.

Adicione 35 centavos para o envio e manuseio. Garantia total de devolução do dinheiro se não ficar satisfeito.

(A entrega leva de 2 a 4 semanas.)


💀 Comentário e Contexto Histórico

Esse tipo de anúncio é um clássico das revistas pulp e quadrinhos de terror e ficção científica das décadas de 1960 e 1970 nos Estados Unidos. Eles apelavam diretamente à imaginação juvenil — prometendo algo “gigantesco” e “assustador” por apenas um dólar.

Na prática, o que os compradores recebiam era um pôster de papel fino, impresso em tamanho real (2,13 metros), geralmente com uma arte tosca e um leve brilho nos olhos pintados com tinta fosforescente. Era, portanto, um produto de ilusão publicitária, típico da cultura de consumo infantil da época — muito antes de qualquer regulamentação mais rígida sobre propaganda enganosa.

O tom do texto é deliberadamente teatral: cheio de exclamações, ênfase em adjetivos (“realista”, “assustador”, “gigante”), e apelos emocionais (“imagine o susto dos seus amigos!”). Ele reproduz o espírito de um show de horror de parque de diversões em forma de anúncio.

Também reflete um momento em que o imaginário do terror clássico — Frankenstein, esqueletos, fantasmas — estava sendo reapropriado pelo consumo de massa, misturando humor, kitsch e nostalgia. Esses anúncios são, hoje, objetos de culto e representam bem o lado “camp” da cultura pop de horror.

quinta-feira, março 26, 2026

Creval Sabino

 O programa Encontros com a Imprensa, da UEM FM, recebeu o cinegrafista Creval Aparecido Sabino para uma entrevista conduzida pelo jornalista Marcelo Bulgarelli. Com quase 40 anos de carreira, Creval compartilhou sua trajetória profissional e histórias marcantes dos bastidores do telejornalismo regional.

Natural de Iretama, na região de Campo Mourão, Creval chegou a Maringá ainda criança e construiu na cidade a maior parte de sua vida. Antes de ingressar na televisão, trabalhou como repositor de supermercado, até que um convite inesperado mudou completamente seu destino profissional.
O início na comunicação aconteceu no fim dos anos 1980, na TV Sarandi, onde começou como operador de áudio. Em pouco tempo, passou a atuar com câmeras e descobriu a vocação que o acompanharia por toda a vida: contar histórias por meio das imagens.
Ao longo da carreira, Creval acumulou passagens por importantes emissoras da região, como a TV Maringá (Band), RPC, RIC e Rede Massa. Em cada uma delas, vivenciou diferentes fases do jornalismo televisivo, acompanhando transformações tecnológicas e editoriais ao longo das décadas.
Um dos momentos mais marcantes de sua trajetória foi o período em que trabalhou na RPC de Guarapuava, onde permaneceu por nove anos. Segundo ele, essa foi a fase mais intensa e enriquecedora da carreira, marcada por grandes reportagens, desafios e aprendizados.
Entre as histórias compartilhadas na entrevista, uma reportagem exibida em rede nacional ganhou destaque. Realizada no interior do Paraná, a matéria denunciou o trabalho infantil em carvoarias clandestinas, contribuindo para mobilizar órgãos públicos e promover mudanças na realidade da comunidade.
Creval também falou sobre os bastidores da profissão, destacando a pressão por prazos, os desafios enfrentados em campo e os chamados “perrengues” do dia a dia, como problemas técnicos, longas viagens e situações inesperadas durante as coberturas.
Outro ponto abordado foi a relação entre cinegrafistas e repórteres. Para ele, o diferencial de um bom profissional está na curiosidade, na iniciativa e na capacidade de ir além do básico, buscando sempre novas abordagens para enriquecer as reportagens.
Ao comentar o lado humano do trabalho, Creval destacou a necessidade de equilíbrio emocional, especialmente em coberturas policiais. Segundo ele, é fundamental manter o profissionalismo diante de situações difíceis, sem perder a sensibilidade necessária para contar histórias com respeito.
A entrevista reforça a importância dos profissionais que atuam nos bastidores do jornalismo, muitas vezes invisíveis ao público, mas essenciais para a construção da notícia. O episódio completo está disponível no Spotify e integra a programação do Encontros com a Imprensa, que segue valorizando trajetórias e reflexões sobre a comunicação.
Aperte o play e acompanhe essa conversa impactante no Encontros com a Imprensa.
Encontros com a Imprensa” é um programa semanal apresentado por Marcelo Bulgarelli que reúne jornalistas, repórteres, fotógrafos, radialistas, cinegrafistas e colunistas para celebrar suas histórias mais marcantes. O programa vai ao ar todas as sextas-feiras, às 13h, e aos sábados, às 16h, na rádio UEM FM 106,9, no YouTube da UEM TV e no Spotify.

Outros episódios no   Spotify.


Alexandre Gaioto Amarildo LegalAndreia Silva

 Andye Iore -Antonio Carlos Moretti Antonio Roberto de Paula - Brenda Caramaschi

Bruno PerukaClaudio Galetti Claudio Viola -  Creval Sabino

Dayane Barbosa Diniz Neto - Dirceu Herrero • Edilson PereiraEduardo Xavier

Elaine Guarnieri

Edvaldo Magro  Everton Barbosa Gilson Aguiar Ivan Amorim

Juliane GuzzoniKris Schornobay Leonardo FilhoLuiz de Carvalho - Marcos Zanatta -

Messias MendesMilton Ravagnani - Natália Garay

PauloPupimRachel Coelho - Regina Daefiol Ricardo de Jesus Souza, o Salsicha Roberta Pitarelli-

Robson Jardim - Ronaldo Nezo - - Rogério Recco - Rose Leonel -

Sandro Ivanovski Sérgio Mendes e Rose Machado

Solange Riuzim Thaís Santana • Valdete da Graça •

Vanessa Bellei Victor Ramalho -Victor Simião - 

Resurrection Cemetery fghh

 






O Hospital de Minnesota para os Alienados em St Peter foi inaugurado em dezembro de 1866. A localização dos primeiros 20 sepultamentos é desconhecida. O primeiro sepultamento aqui ocorreu em 1867. Este cemitério fazia parte do campus e fazenda de 900 acres, mais tarde chamado de Hospital Estadual de St Peter. Em 1895, um incêndio na pradaria destruiu as pequenas cruzes de madeira e as etiquetas de identificação dos primeiros 550 sepultamentos. Algumas poucas pedras do campo sobreviveram e estão dispostas planas no chão. Os locais seguintes são identificados com pedras numeradas (1-433). 

Em 1913, os sepultamentos começaram no cemitério dentro do campus, marcado com números de concreto. Nomes e datas foram adicionados ao cemitério dentro do campus em 1990 pelo projeto Remembering with Dignity. Em 1980, o Estado de Minnesota vendeu este terreno com um acordo de manutenção para a Primeira Igreja Luterana, St Peter, e ele foi nomeado Cemitério da Ressurreição.


Todo esforço para registrar com precisão estes sepultamentos foi feito em www.findagrave.com. Ligue para 507-933-9200 para assistência adicional.

quarta-feira, março 25, 2026

revista Peteca






 A revista Peteca foi uma publicação brasileira de comportamento e erotismo leve que circulou principalmente entre meados dos anos 1970 e início dos 1980, integrando a onda das chamadas revistas masculinas populares do período — um subgênero editorial que misturava sexo, humor, curiosidades e astrologia, direcionado ao público adulto de classe média urbana.


🗞️ Contexto editorial

A Peteca surgiu em um momento em que o Brasil vivia a liberalização gradual dos costumes, ainda sob o regime militar, mas com a censura começando a afrouxar. Assim como títulos contemporâneos (Homem, Ele & Ela, Status, Playmen, Sexy), ela explorava o erotismo dentro dos limites legais da época — sem nudez explícita, mas com forte apelo sensual e linguagem coloquial.

A revista era publicada pela Grafipar Editora, de Curitiba — uma das casas editoriais mais ousadas e prolíficas da época, conhecida também por seus gibis eróticos e de terror (Histórias do Além, Erotika, Eros). A Grafipar foi dirigida por Cláudio Seto e Rogério de Campos, e teve enorme importância para a cultura gráfica e alternativa brasileira.


💋 Conteúdo típico

Os números da Peteca combinavam:

  • Ensaios fotográficos com atrizes, modelos ou "garotas do mês" (geralmente acompanhados de pôster central);

  • Reportagens de comportamento sexual — sobre temas como impotência, fetichismo, masturbação, homossexualidade, “mulher moderna”, etc.;

  • Textos humorísticos e pseudocientíficos, muitas vezes irônicos ou parodiando a linguagem das revistas femininas;

  • Astrologia, confissões e cartas de leitores, que criavam um tom de proximidade popular.

A edição  nº 37/79, traz a modelo Andréa de Fio a Pavio na capa e chamadas típicas do estilo Peteca: provocativas, mas de tom leve e sensacionalista — “Como conquistar o homem que me despreza?”, “Meu pênis está atrofiado?”, “Homossexualidade: assumir ou não?”.


📸 Estilo gráfico e público

Visualmente, a Peteca seguia o modelo das revistas italianas e argentinas do gênero, com fotografia quente, tipografia de impacto e cores fortes, além de uma linguagem de manchete voltada à curiosidade sexual e confessional.
O público-alvo era majoritariamente masculino entre 18 e 35 anos, mas curiosamente muitas leitoras escreviam para as seções de cartas, sugerindo que o conteúdo circulava de modo mais ambíguo do que o de revistas mais explícitas.


🕰️

Hoje, Peteca é lembrada como parte do ciclo da imprensa erótica brasileira dos anos 1970, anterior à explosão de títulos abertamente pornográficos nos anos 1980 (Private etc.).
Ela é também um registro de época, misturando repressão, curiosidade sexual e humor, e faz parte da mitologia da Grafipar, cuja produção é hoje objeto de estudo em cursos de comunicação e cultura pop.

segunda-feira, março 23, 2026

Xarope São João

 

Xarope São João  Na Revista da Semana, 5 de maio de 1923

LARGA-ME... DEIXA-ME GRITAR!...

O XAROPE SÃO JOÃO

E' o melhor para Tosse, Bronchites e Constipações.

As pessoas que tossem... As pessoas que se Resfriam e Constipam facilmente — As que temem o Frio e a Humidade — As que por uma ligeira mudança de tempo ficam logo com a Voz roxa e a Garganta inflammada — As que sofrem de uma velha Bronchite — Os Asthmáticos e, finalmente, as creanças que são acometidas de Coqueluche podem ter a certeza de que seu único remédio é o Xarope S. João. E' a única garantia da sua saúde. O Xarope S. João é o remédio scientifico apresentado sob a forma de um saboreso licor. E' o único que não ataca o estomago nem os rins. Age como Tônico Calmante e faz expectorar sem tossir. Evita as graves Affecções do Peito e da Garganta. Facilita a respiração, tornando-a mais ampla, limpa e fortalece os bronchios, evitando as inflammações e impedindo os Pulmões da invasão de Perigosos Microbios. Ao publico recomendamos o Xarope S. João para curar Tosses, Bronchites, Asthma, Grippe, Coqueluche, Catarros, Defluxos, Constipações e todas as Doenças do Peito.

MUITA ATTENÇÃO — Somente os bons remédios são imitados; por isso pedimos com empenho ao Publico que não aceite imitações grosseiras e exija sempre o verdadeiro Xarope São João.

domingo, março 22, 2026

Roseana Murray. A Cura


 

De Modess à Liberdade: Quando a "toalha sanitária" virou esporte

 

Publicidade na revista O Cruzeiro, 2 de agosto de 1930

A  que ama os esportes
necessita MODESS

São toalhas sanitarias de incomparavel commodidade.
Alguns dias de indisposição não a obrigarão a permanecer em casa. Durante esses dias necessitará sentir-se commoda e segura de sua pulchritude. Modes, a toalha sanitaria moderna, proporcionar-lhe-ha uma tranquilidade até agora desconhecida.
Modes oferece maior protecção porque o seu chumaço é muito mais absorvente que o de qualquer outra toalha, e porque o lado exterior é impermeável. Modes é muito mais commoda, porque o enchimento é de flocos leves e a gaza está acolchoada por um processo patenteado.
Modes evita as incertezas dos methodos antigos, assim como a inconveniência da lavagem, porque se dissolve na água corrente. Além disso, Modes leva o nome de Johnson & Johnson, conhecido e afamado no mundo inteiro como fabricante de artigos sanitários e hygienicos.
Adquira um pacote na sua pharmacia ou loja predilecta e convenca-se de suas insuperáveis vantagens. Peça-a pelo seu nome — Modes— e repare que tenha a firma de Johnson & Johnson.


MODESS
A TOALHA SANITARIA MODERNA
É um produto de Johnson & Johnson, a firma de confiança.

sábado, março 21, 2026

The Brain That Wouldn’t DieDirected by...

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Directed by Joseph Green (1962)

The Brain That Wouldn’t Die (1962), dirigido por Joseph Green, é um dos exemplares mais cultuados da ficção científica e do horror trash dos anos 1960 — um produto típico do pós-guerra americano, com ecos da ciência descontrolada, do medo do corpo feminino e da obsessão masculina pelo domínio sobre a vida e a morte.


🧠 Enredo

O filme acompanha Dr. Bill Cortner, um cirurgião brilhante, mas eticamente duvidoso, que sobrevive a um acidente de carro no qual sua noiva, Jan Compton, é decapitada. Usando seus experimentos secretos de regeneração e transplante de tecidos, ele consegue manter viva a cabeça de Jan em seu laboratório, enquanto sai à caça de um novo corpo “perfeito” para anexar a ela.
Preso ao corpo mutilado de sua amada está um monstro de experimentos anteriores — mantido em uma cela trancada — que, claro, acaba por escapar e causar o clímax sangrento.


🧬 Temas e subtexto

Apesar de parecer apenas uma exploitation barata, o filme toca em pontos simbólicos interessantes:

  • O cientista como demiurgo: Cortner representa a arrogância científica típica da era atômica — o homem tentando superar as leis naturais com resultados grotescos.

  • Corpo feminino e fetichismo: A busca do médico por um novo corpo para Jan transforma o corpo feminino em mercadoria e objeto de desejo, antecipando leituras feministas posteriores sobre o cinema de horror.

  • A cabeça sem corpo: Jan, reduzida a uma voz rancorosa e irônica em um prato metálico, torna-se uma figura trágica e simbólica — a inteligência feminina literalmente isolada e aprisionada pela obsessão masculina.

Essa dicotomia entre o corpo e a mente, e a vingança final da “criação”, coloca o filme numa linhagem que remete a Frankenstein, mas com uma estética drive-in e sexualizada dos anos 1960.


🎬 Produção e estilo

  • Filmado em 1959, lançado apenas em 1962 pela American International Pictures, com cortes impostos pela censura.

  • Produção de baixíssimo orçamento (cerca de US$ 60 mil), com efeitos rudimentares e fotografia em preto e branco granulado, o que paradoxalmente dá ao filme um ar expressionista acidental.

  • O desempenho de Virginia Leith (como a cabeça) é marcante: ela grava boa parte das falas com apenas a cabeça emergindo de um falso pedestal, transmitindo uma mistura de raiva e tristeza.


🧩 Legado

Com o tempo, The Brain That Wouldn’t Die virou cult absoluto — exibido em programas como Mystery Science Theater 3000, restaurado em HD, e revisitado em estudos acadêmicos sobre gender horror e mad science cinema.
Ele inspirou paródias, quadrinhos e até o remake de 2020, dirigido por Derek Carl.

 

sexta-feira, março 20, 2026

Rita Lee j Fatos & Fotos Gente (1977)

 

📰 Fatos & Fotos Gente (1977)



Em Família
Picurucha é tão bonitinho (e risonho) que Rita Lee já está pensando em ter um batalhão de filhos. Por causa dele até sua música mudou de ritmo. Do rock para o acalanto.

Com apenas quatro meses de vida, Picurucha pode se tornar o responsável por uma importante renovação na música popular brasileira. Por causa dele, sua mamãe — a esfuziante Rita Lee — sem deixar de adorar o rock — pode amenizar o compasso de seus frenesis e entrar numa cadência mais pausada. Ao mesmo tempo em que o bebê dá nó à ternura do acalanto.
Músicas de acalanto, maternidade e picardia (do registro da vida civil do pequeno filho de Rita Lee e do também músico Bob Lee) “nasceu”, de alguma maneira, a nova fase da vida da cantora.
Rita Lee, aliás, adora brincar com a ideia de que o filho surgiu do desejo de compor para crianças, que ainda são puras. “É bem mais para dar do que para trocar.”

Ela está consciente de não ter muito a falar para quem já está feito. O seu negócio agora é investir no futuro, modelar, construir o amanhã, o alfabeto e as crianças. Enquanto isso, Picurucha vai embasbacando os pais (o pai é o ex-músico do conjunto Secos e MolhadosRoberto Carvalho) com seus sorrisos e umedecendo as roupas alheias. Muito sua mãe. Alheios a tudo, absorvem esse mundo sublinear.

Durante a gravidez, ainda mais barriguda, Rita estava pesadíssima de emoção. Mas de um jeito doce, mole, maternal. Mesmo depois que Picurucha nasceu, ela não mudou muito.

Aos 28 anos, cinco a mais que o marido e companheiro musical (a dupla assina Trampo Produções — que fundaram para administrar o conjunto Tutti Frutti), também só pensa em filhos e discos.

O rock, porém, continua — mas agora mais doce, mais lírico. Rita e Roberto são um casal especialíssimo. Trabalham juntos, se divertem juntos, falam de música, filhos e mulheres com naturalidade.

“Meu marido, Rita Lee, está sempre comigo e Roberto. Lemos, trabalhamos e viajamos juntos. Bob Lee é muito calmo. Ele chora pouco e ri para nós o tempo todo. Agora estamos tranquilos. Bob passou por cima de tudo. Numa boa. Nós mesmos coruja que o pai. Rita curte intensamente o filho. ‘Eu aproveito desesperadamente dele o máximo que posso. Durante a gravidez li muito sobre puericultura, sobre bebê. Mas um pouquinho só. No dia a dia aprendo tudo o que é fundamental. Fiz questão de dar o peito, de cuidar pessoalmente. Me senti mais mãe e menos pessoa física.’”

Para os dois, o nascimento do filho foi o coroamento de um amor já sereno e estável.
“Não houve crise, nem depois da prisão”, diz Rita.

Ela se refere ao período em que ficou detida por porte de maconha. “Foi um sofrimento, mas também um aprendizado. Depois daquilo, amadureci muito. Na prisão, aprendi muita coisa sobre a vida, inclusive as mais perigosas para os inocentes como eu. As presas foram maravilhosas comigo. Elas faziam de tudo para que eu ficasse bem. As mulheres me deram muito carinho.”

Rita passou quinze dias presa e foi libertada em liberdade condicional. “Nos fins de semana, eu só podia ir à rua com autorização do juiz. Mas considero essa fase da minha vida muito importante.”

Depois da prisão, não houve mais nenhuma crise. Agora, com o filho, Rita pensa em multiplicar a experiência.
“Quero ter um batalhão de filhos. Não quero que Bob seja filho único. Acho que criança precisa de criança.”

Enquanto o bloco não sai, Rita vai cuidando do seu trabalho com entusiasmo.
Atualmente, ela estava grávida de três meses e descobriu que esperava uma menina.

Ela encontrou maconha. “Foi engraçado. A coisa mais chata do mundo é ser presa e ficar sendo olhada por qualquer pessoa.”

Ela se diz absolutamente segura e consciente. “Ninguém poderia fazer nada contra mim e o filho que eu carregava.”

Desquitada, a cantora não pretende viver uma nova experiência matrimonial. “Eu e Roberto não somos casados. E daí? Não pretendo entrar nessa de segundo casamento.”

Às vezes, por suas imposições profissionais, Rita tem de se afastar de Bob. “O máximo que já fiquei longe dele foi dois dias. Já fico com saudade.”

Nesses períodos, é o pai quem toma conta de Picurucha.
“Ele fica comigo o tempo todo”, diz Rita. “Meu marido é ótimo pai. O Bob faz tudo com muito carinho.”

A vida com Bob e Picurucha deu a Rita uma segurança sólida, firme, serena.
“Hoje sou mais mulher, mais madura e menos menina. E é por isso que me sinto cada vez melhor, mais alegre, mais viva. E feliz.”

A artista encerra a conversa:
“Já passei dos 15 anos — tenho só som para dar.”

(Reportagem de Graça Neiva — Fotos de Mitue Shiguihara)