Essa é uma peça delicada e introspectiva da autora Ullie-Kaye. O poema explora o contraste entre o desconforto social (o medo ou aversão a multidões humanas) e a beleza de encontrar abundância na natureza, nos objetos cotidianos e na espiritualidade.
O poema utiliza a repetição estrutural ("Eu não amo multidões – a menos que...") para criar um ritmo calmante, quase como um mantra. A autora redefine a palavra "multidão", retirando o peso do caos urbano e humano e atribuindo-o a elementos que trazem paz ou admiração.
Natureza e Cosmos: No início, ela foca no vasto (estrelas, nuvens, montanhas), sugerindo que ser "pequeno" diante da natureza é reconfortante, ao contrário de ser pequeno em uma massa de pessoas.
O Cotidiano e o Sensorial: Na metade, o foco muda para o tátil e o visual (xícaras de chá, livros, pinturas), celebrando a quietude e o colecionismo de momentos e objetos.
O Abstrato e o Espiritual: O final eleva o tom para o emocional e curativo (orações, anjos, feridas cicatrizando), sugerindo que a verdadeira "multidão" que vale a pena carregar é aquela que traz cura interna.
Tradução: Eu não amo multidões
Eu não amo multidões — a menos que seja uma multidão de salgueiros sussurrantes. Uma multidão de corvos. Uma multidão de nuvens. Uma multidão de estrelas, cintilando.
Eu não amo multidões — a menos que seja uma multidão de gotas de chuva caindo. Uma multidão de montanhas. Uma multidão de vidros do mar. Uma multidão de folhas, flutuando.
Eu não amo multidões — a menos que seja uma multidão de flores silvestres, florescendo. Uma multidão de penas. Uma multidão de sementes. Uma multidão de ondas, dançando.
Eu não amo multidões — a menos que seja uma multidão de pinturas nas paredes. Uma multidão de xícaras de chá. Uma multidão de livros. Uma multidão de orações, respondidas.
Eu não amo multidões — a menos que seja uma multidão de milagres, chegando. Uma multidão de anjos. Uma multidão de paz. Uma multidão de feridas, cicatrizando.
— ullie-kaye
Nota: A tradução de "sea glass" como "vidros do mar" refere-se àqueles pedaços de vidro polidos pela areia e pelas ondas que as pessoas costumam colecionar em praias.















