TOM SAVINI: Novo Mestre da Maquiagem Mágica
Matéria publicada no primeiro número da revista Fangoria (edição #001), lançado nos Estados Unidos em agosto de 1979
Dawn of the Dead emprega alguns dos efeitos de maquiagem mais macabros, mas absolutamente realistas, já vistos na tela. E, ao contrário de seu predecessor, Night of the Living Dead, Dawn é totalmente colorido. À
Com apenas quatro filmes e mais de 70 produções teatrais em seu currículo, o maquiador, dublê e ator Tom Savini é a mais nova estrela em ascensão do cinema de terror.
POR DAVID HUTCHISON
Tom Savini tem três faces. Ele é um artista de maquiagem de efeitos especiais, ator e dublê. Em Dawn of the Dead, a sequência de Night of the Living Dead dirigida por George Romero, e o trabalho mais recente de Tom no cinema, ele aparece como o líder da gangue de motoqueiros, Blade, realiza vários saltos e quedas como dublê e é responsável pela criação e execução dos muitos efeitos especiais de maquiagem impressionantes pelos quais o filme está rapidamente se tornando famoso.
O primeiro trabalho de Savini no cinema foi Dead of Night, de Bob Clarke, seguido pelo próximo filme de Clarke, Deranged. Mas ele teve seu verdadeiro começo como ator de palco. "Na verdade", diz Tom, "recebi um telegrama de George Romero sobre fazer Dawn of the Dead enquanto eu interpretava Filipe da França em uma produção de The Lion in Winter para um teatro na Carolina do Norte."
O roteiro de Dawn logo seguiu o telegrama. Depois de examiná-lo, Savini lembra ter ficado um tanto surpreso com a enorme quantidade de efeitos especiais de maquiagem necessários. Além disso, o roteiro exigia uma série de efeitos que Savini não havia feito antes. "Mas", sorri Savini, "a parte divertida do que faço é inventar soluções para esses problemas. Por exemplo, nunca havia arrancado o topo da cabeça de alguém com a hélice giratória de um helicóptero ou enfiado um facão com força total na cabeça de alguém."
Mas essa resolução de problemas é a especialidade de Savini. "O cinema é um meio verdadeiramente mágico. Há aquele quadro em branco e você pode fazer qualquer coisa. O público vê tudo através dos olhos da câmera. Você pode criar ilusões da realidade — fazendo as pessoas pensarem que viram coisas que realmente não viram... como explodir a cabeça de um cara com uma espingarda."
"Criar essas ilusões para George Romero é divertido, porque ele gosta que tudo aconteça direto na câmera. Se alguém vai ter um facão enfiado na cabeça, ele não corta a cena antes do golpe atingir e muda para uma tomada dos restos sangrentos. Ele gosta que a coisa aconteça do começo ao fim — o cara pega o facão, levanta, e pumba, direto na cabeça com a lâmina... e tudo na câmera!"
"Ou a hélice do helicóptero cortando o topo da cabeça do zumbi. Teria sido fácil fazer uma tomada com o cara de verdade em pé ao lado do helicóptero e cortar para uma tomada do manequim com a hélice do helicóptero balançando fisicamente na cabeça do manequim. Mas George queria que o cara de verdade ficasse bem em pé na hélice giratória e então, whacko, lá vai ela!"
Encontrar atores dispostos a realizar tais acrobacias não é tão difícil quanto pode parecer. Para a cena do helicóptero, Savini encontrou um velho amigo que não via há vários anos. "Fui correndo até ele e perguntei se ele queria participar de um filme. 'Tenho um efeito aqui, que envolve você ter sua cabeça decepada por uma hélice de helicóptero.' A resposta do meu amigo foi: 'É, beleza!'"
"Acho que ele confiou em mim", reflete Savini.
"Já vi o filme pronto várias vezes agora e o efeito do helicóptero quase sempre arrancas aplausos. Por que o público deve aplaudir lá, eu não tenho certeza. É o efeito ou apenas o fato de que um zumbi está se dando mal sem que nosso herói precise fazer nada?"
Os primeiros 10 minutos mais ou menos do filme são os mais reveladores. "É repleto de efeitos. Costumo esperar pela sequência da espingarda. Quando a cabeça dos caras explode, a plateia inteira grita e pula das cadeiras. A partir desse momento, o público sabe o que o espera."
Houve um esforço para fazer com que os efeitos parecessem o mais sangrentos possível? "Não", diz Savini, "apenas aconteceu assim. Muitas vezes eu ficava sentado com a equipe tentando pensar em novas maneiras de matar as pessoas. Algumas das ideias encontradas acabaram no filme. Por exemplo, um dos heróis está lutando com um zumbi zelador. Ele pega uma chave de fenda do cinto de ferramentas do zumbi e enfia a ponta através da orelha dele e dentro do cérebro... e isso acontece bem na câmera!"
A solução de Savini para essa sequência foi simples e engenhosa. "Pintei um canudinho de refrigerante comum de prata e o adaptei em uma chave de fenda que havia sido cortada ao meio para funcionar como uma lâmina retrátil. Então coloquei uma seringa, como uma seringa de ouvido de bebê, dentro do canudinho. O 'sangue' fluía pelo canudinho e parecia estar saindo do ouvido dele. Então preparei uma segunda chave de fenda menor, com uma bola de cera na orelha do ator, para que ela ficasse ali, saindo de seu ouvido, e parecesse que a maior parte da lâmina estava enterrada em seu cérebro."
Há muitas sequências em que os zumbis estão mordendo pessoas. "Acho que os efeitos de mordida ficaram melhores do que eu esperava — surpreendentemente. A equipe no set até reagiu a isso. Depois que as primeiras tomadas foram feitas, nas quais um zumbi morde uma pessoa e você vê carne rasgada e sangue jorrando, houve um longo suspiro da equipe e depois aplausos. As pessoas vieram até mim dizendo que eram os melhores efeitos que já tinham visto!"
O interesse de Tom Savini pela maquiagem começou aos 13 anos, quando ele por acaso viu James Cagney em The Man of 1,000 Faces — a história de vida do lendário Lon Chaney. "Comecei a montar meu próprio kit de maquiagem, pedindo batons, compactos, etc., à minha mãe. Eu ficava sempre no meu quarto estragando meu rosto", ri Savini. "Com o tempo, comecei a comprar livros sobre o assunto, obtendo materiais profissionais e comecei a ganhar dinheiro com isso."
"Na Carolina do Norte, depois que voltei do Vietnã (me alistei no Exército), tornei-me o diretor de maquiagem de três teatros. Também atuei, fazendo um show a cada dois meses durante cinco ou seis anos. Quanto mais eu atuava, melhor eu ficava, até que passei a interpretar os papéis principais."
Savini tem sido visto em uma grande variedade de papéis em todos os tipos de produções, desde o Rei Arthur em Camelot até Thoreau em The Night Thoreau Spent in Jail. "Eu interpretava meias-irmãs feias em Cinderela ou até mesmo o Charlie Brown em You're a Good Man, Charlie Brown. Eventualmente, fui para Pittsburgh e fiz teste para Carnegie-Mellon. Eles me deram uma bolsa de estudos integral como aluno principal de atuação, enquanto eu ensinava o curso de maquiagem deles. Não muito tempo depois disso, comecei com George Romero em Martin."
Ele gosta mais de atuar do que de maquiagem? "Bem, a combinação tem sido um grande trunfo. Essa habilidade técnica que tenho como maquiador e dublê me leva a lugares para ver pessoas que apenas ser ator não me permitiria."
Seu ídolo pessoal é Dick Smith, a quem Savini admira como "o mestre e deus da maquiagem protética. Li tudo sobre ele que foi publicado. Até estudei as fotos da oficina dele com uma lupa!"
Tom Savini é uma combinação verdadeiramente única de talentos, nos quais valeria a pena ficar de olho no futuro. Como disse um dos membros admiradores da equipe em Dawn, "Quero seu autógrafo, você vai ser famoso!"

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