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sexta-feira, maio 29, 2026

Eletrofone

 

anúncio publicitário clássico da Philips no Brasil, provavelmente da década de 1970, promovendo um toca-discos portátil (chamado na época de eletrofone).

 O uso do laranja vibrante no aparelho é muito característico do design industrial dos anos 70, uma época que rompeu com os tons sóbrios para adotar cores psicodélicas e quentes.

O papel de parede floral e a vestimenta da criança reforçam a nostalgia e o ambiente familiar de classe média da época.


O texto utiliza uma técnica de vendas clássica: focar no benefício emocional e na facilidade de uso.

Título: "Faça sua boneca ninar ao som de um eletrofone Philips."

Corpo do texto: > "Você sabe como são as bonecas. Elas passam o dia inteiro brincando, andando de lá pra cá, e chega de noite não têm sono. Se você já experimentou todas aquelas canções de ninar e não deu resultado, peça para sua mãe lhe dar um eletrofone Philips. Ele é portátil, funciona a pilha e na tomada, e é facílimo de lidar. Da próxima vez que sua boneca insistir em não ir para a cama, pegue-a no colo e ponha um disquinho para tocar no eletrofone Philips. Ele tem um som tão gostoso que boneca nenhuma consegue resistir."

  1. Público-Alvo Duplo: O anúncio fala diretamente com a criança ("peça para sua mãe"), usando a imaginação do brincar, mas vende para os pais a ideia de um produto "portátil", "fácil de lidar" e que funciona tanto a pilha quanto na tomada.

  2. Educação de Consumo: Naquela época, a música não era digital nem onipresente. Ter um aparelho portátil que a própria criança pudesse operar era um grande diferencial tecnológico.

  3. Linguagem: O texto é doce e lúdico. Ao tratar a boneca como alguém que "insiste em não ir para a cama", a publicidade cria uma conexão emocional imediata com a rotina diária das crianças (e o desafio dos pais na hora de dormir).



O modelo mostrado parece ser um toca-discos de 45/33 RPM. Esses aparelhos eram populares por serem maletas que fechavam, facilitando o transporte para festas ou para outros cômodos da casa. Foi o precursor da liberdade que o Walkman traria anos depoi

quarta-feira, maio 27, 2026

Subvertising

 


O Ovo e as Pernas (Pretty Polly)

Nesta imagem, o anúncio de meias calças utiliza uma metáfora de "nascimento" para enfatizar a suavidade.

  • Texto Original do Outdoor:

    "Legs as soft and smooth as the day you were born."

    Tradução: "Pernas tão macias e suaves como no dia em que você nasceu."

  • O Grafite:

    "BORN KICKING!" (acompanhado do símbolo de Vênus duplo, símbolo do feminismo/lesbianismo).

    Tradução: "NASCIDA CHUTANDO!" ou "NASCIDA PARA LUTAR!"

Análise: As ativistas subvertem a ideia de que a mulher deve ser apenas "suave" e "delicada" desde o nascimento. Ao pichar "Born Kicking", elas transformam a imagem de pernas saindo de um ovo (que sugere fragilidade ou nascimento passivo) em um símbolo de resistência e vitalidade agressiva contra as expectativas sociais.



 

A Modelo Deitada (Get your hands off...)

Este é um dos exemplos mais diretos de protesto contra a objetificação do corpo feminino na publicidade.

  • Texto Original do Outdoor:

    "It makes me feel like a woman."

    Tradução: "Isso me faz sentir como uma mulher."

  • O Grafite:

    "GET YOUR HANDS OFF OUR BODIES" e, alterando a frase original: "It makes me feel like ~~a woman~~ PUKING UP."

    Tradução: "TIREM SUAS MÃOS DOS NOSSOS CORPOS" e "Isso me faz sentir vontade de VOMITAR."

 Aqui, as ativistas atacam o conceito de "feminilidade" vendido pelas marcas (geralmente ligada ao consumo de produtos de beleza). Elas riscam a palavra "mulher" e a substituem por uma reação física de nojo ("puking up"), rejeitando a ideia de que a identidade feminina deva ser definida por anúncios criados por homens para vender produtos. A frase "Tirem as mãos dos nossos corpos" é um grito por autonomia corporal.



Essas intervenções foram fundamentais para o movimento de "Subvertising" (subversão + advertising). Elas provaram que o espaço público não era apenas um lugar para as empresas falarem com os cidadãos, mas um campo de batalha onde as mulheres podiam responder e retomar a narrativa sobre seus próprios corpos.

terça-feira, maio 26, 2026

culture jamming

 


 imagem icônica da história do ativismo feminista, capturando um momento de "culture jamming" (interferência cultural) ou contra-publicidade.

  1. O Texto Original do Outdoor (Fiat):

    "If it were a lady, it would get its bottom pinched."

    Tradução: "Se fosse uma dama, levaria um beliscão no bumbum."

  2. O Grafite (A Resposta Feminista):

    "If this lady was a car she'd run you down."

    Tradução: "Se esta dama fosse um carro, ela te atropelaria."

A imagem retrata um anúncio da Fiat para o modelo 127 Palio na década de 1970 (ou início de 80), no Reino Unido.

  • A Publicidade da Época: O anúncio original utiliza o que hoje chamamos de "objetificação". Ele tenta vender o carro comparando o design da traseira do veículo ao corpo de uma mulher, sugerindo que o carro é tão atraente que provocaria um assédio físico ("beliscão").

  • O Protesto: A resposta pichada subverte a lógica da propaganda. Em vez de aceitar a posição de objeto passivo que recebe um toque indesejado, a "dama" (personificada no carro) assume uma postura agressiva e de autodefesa.

  • Significado Histórico: Esta foto tornou-se um símbolo da Segunda Onda do Feminismo. Ela demonstra como as ativistas passaram a questionar não apenas leis, mas também a representação da mulher na mídia e a normalização do assédio sexual na cultura popular.



Muitas vezes, essa pichação é atribuída a grupos como o Jill Posener, uma fotógrafa que documentou extensivamente grafites feministas em outdoors em Londres durante os anos 70 e 80, transformando o vandalismo em uma forma de crítica social visual.

segunda-feira, maio 25, 2026

Marquees,” Jenny Holzer, 1993 (Times Square)

 




Essas fotos registram a icônica instalação "Marquees", realizada pela artista conceitual Jenny Holzer em 1993, na Times Square, em Nova York. Na época, a área ainda não era o centro turístico ultra-tecnológico que é hoje; era uma região mais decadente e marcada por cinemas de rua, muitos deles exibindo filmes de exploração e pornografia.

Holzer utilizou os letreiros desses cinemas históricos (como o Selwyn e o Apollo) para exibir frases de suas famosas séries Truisms e Survival.

Aqui está uma análise dos pontos principais dessa intervenção:

1. O Contraste de Linguagem

O impacto das fotos reside na subversão do uso do letreiro. Normalmente, esses espaços anunciam consumo, espetáculo ou escapismo (como o filme Geronimo, que aparece discretamente em um dos letreiros). Holzer substitui o entretenimento por frases filosóficas, diretas e, muitas vezes, perturbadoras.

2. Análise das Frases

As mensagens selecionadas nessas imagens focam na vulnerabilidade humana e na estrutura social:

"Savor kindness because cruelty is always possible later": Uma advertência existencial. Ela sugere que a bondade não é um estado permanente, mas uma escolha frágil diante da inevitabilidade da dor ou da maldade.

"Alienation produces eccentrics or revolutionaries": Uma observação sociológica sobre como o isolamento do indivíduo na sociedade moderna pode levar a dois caminhos: o desvio da norma (excentricidade) ou a tentativa de derrubar o sistema (revolução).

"Turn soft and lovely any time you have a chance" e "It is in your self-interest to find a way to be very tender": Estas são particularmente potentes dado o ambiente da época. Em uma Times Square "crua" e hostil, o incentivo à ternura e à suavidade é apresentado não como fraqueza, mas como uma estratégia de sobrevivência e interesse próprio.

3. Estética e Contexto Urbano

As fotografias capturam a textura da Nova York dos anos 90:

A Iluminação: O brilho das lâmpadas incandescentes sob os letreiros cria uma atmosfera quente que contrasta com a frieza das mensagens.

Arquitetura: Os prédios ao redor, como o letreiro do teatro New Amsterdam visível em uma das fotos, mostram o peso da história daquela região antes da "Disneyficação" que ocorreria anos depois.

Curiosidade Técnica

Essa intervenção fez parte de um projeto do Public Art Fund e é considerada um dos maiores exemplos de como a arte conceitual pode ocupar o espaço público para forçar o pedestre a uma reflexão imediata e não solicitada.

domingo, maio 24, 2026

Don McLean








A carreira de Don McLean (nascido em 1945) é uma das mais fascinantes da música americana, marcada por um sucesso meteórico no início dos anos 70 que o transformou em um "trovador" da cultura dos EUA.

Abaixo, apresento detalhes que vão além das faixas do CD que você enviou:

1. O Fenômeno "American Pie"

Escrita quando ele tinha apenas 24 anos, a canção é um épico de 8 minutos e meio que narra a perda da inocência americana.

  • A Inspiração: O estopim foi a queda do avião em 1959 que matou Buddy Holly, Ritchie Valens e The Big Bopper — evento que McLean apelidou de "o dia em que a música morreu".

  • O Recorde: Durante 50 anos, foi a música mais longa a chegar ao #1 da Billboard, sendo superada apenas em 2021 pela versão de 10 minutos de "All Too Well" da Taylor Swift.

  • O Mistério: McLean sempre foi evasivo sobre o significado de cada verso (como quem é o "boboneco" ou o "rei"), dizendo que a letra significa apenas que ele "nunca mais precisará trabalhar na vida" devido aos royalties.

2. "Vincent" e a Sensibilidade Artística

Diferente de muitos artistas de um hit só, McLean provou sua profundidade com "Vincent" (conhecida pelo verso "Starry, Starry Night").

  • Ela foi escrita após ele ler uma biografia de Vincent van Gogh.

  • A música é tão respeitada que o Museu Van Gogh em Amsterdã a utilizou por anos, e as letras originais manuscritas foram leiloadas por valores milionários.

3. Don McLean em 2026: Ainda na Ativa

Mesmo após décadas de carreira, McLean continua extremamente ativo:

  • Turnê Atual: Em março de 2026, ele está realizando a turnê "Starry Starry Night Tour", com shows confirmados em cidades como Clearwater e Las Vegas.

  • Lançamentos Recentes: Em 2024, ele lançou o álbum "American Boys", que explora temas sociais contemporâneos dos EUA, provando que ele ainda compõe sobre a identidade americana.

  • Reconhecimento: Em 2025, sua música "American Pie" foi tocada em Roma para celebrar a eleição do primeiro Papa nascido nos Estados Unidos (Papa Leo XIV), consolidando-a como um "hino nacional alternativo".

4. Conquistas e Legado

  • Songwriters Hall of Fame: Induzido em 2004.

  • Calçada da Fama: Recebeu sua estrela em Hollywood em 2021.

  • Influência: Suas músicas foram regravadas por artistas tão diversos quanto Madonna (que fez uma versão dance de American Pie no ano 2000), Garth Brooks, Josh Groban e até o lutador Tyson Fury.


música "Killing Me Softly with His Song" (sucesso com Roberta Flack e Fugees) foi inspirada em Don McLean. A compositora Lori Lieberman a escreveu após ver Don se apresentar ao vivo em Los Angeles em 1971.