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sábado, fevereiro 21, 2026

H.P. Lovecraft,


Esta imagem mostra a página de abertura do conto "Beyond the Wall of Sleep" (Além da Muralha do Sono), de H.P. Lovecraft, publicada na lendária revista pulp Weird Tales em março de 1938.

Curiosamente, esta publicação foi póstuma, já que Lovecraft faleceu em 1937. Aqui está uma análise dos elementos presentes:


A arte no topo é assinada por Virgil Finlay, um dos mais famosos ilustradores de ficção científica e horror da era de ouro das revistas pulp.

  • O Estilo: Note a técnica de pontilhismo e hachuras finas, que cria uma sensação de misticismo e energia.

  • O Conteúdo: Representa duas formas etéreas e radiantes flutuando no cosmos. Isso ilustra o clímax da história, onde a consciência do protagonista e de uma entidade cósmica se libertam de seus corpos físicos para viajar pelo espaço sideral.


O primeiro parágrafo traz uma das frases mais famosas de Lovecraft sobre a natureza dos sonhos. O autor aproveita para dar uma "alfinetada" em Sigmund Freud:

"...Freud to the contrary with his puerile symbolism..." (Freud, ao contrário, com seu simbolismo pueril...)

Lovecraft discordava da ideia de que sonhos eram apenas reflexos de desejos reprimidos. Para ele (na ficção), os sonhos eram janelas para dimensões vastas, terríveis e majestosas que a mente humana mal consegue compreender.

O texto abaixo do título resume a premissa:

  • Fala sobre um "pobre montanhês" (Joe Slater), um homem bruto e primitivo que começa a ter visões de uma beleza e complexidade impossíveis para sua mente limitada.

  • Menciona um "ser supernal de Algol, a Estrela Demônio". Na história, descobre-se que Slater está servindo de "hospedeiro" para uma entidade cósmica que busca vingança contra uma estrela inimiga.



Esta página marca a transição do horror gótico tradicional para o horror cósmico. Em vez de fantasmas ou demônios religiosos, o medo vem do espaço, da ciência e da vastidão do universo.

A frase em destaque — "Nós nos encontraremos novamente, talvez nas névoas brilhantes da Espada de Órion" — encapsula perfeitamente o tom melancólico e grandioso da obra.



Parque Quinta Normal

 

Santiago, 12 de setembro de 2012. " calor" de 22 graus... Parque Quinta Normal - Crianças tomam banho com o uniforme da escola. Inesquecível.

sexta-feira, fevereiro 20, 2026

A classificação moral dos filmes no Brasil

 


Transcrição do recorte (Correio Paulistano, 15 out. 1960)

Orientação Moral dos Espetáculos
FILMES EM CARTAZ

RECOMENDÁVEIS: — “Ben Hur”; “As 7 Maravilhas do Mundo”.

SEM OBJEÇÃO: — “O Grande Caruso”.

COM OBJEÇÃO A CRIANÇAS: — “A Morte Vem do Espaço”; “Afundem o Bismark”; “Somente Deus por Testemunha”.

COM OBJEÇÃO A MENORES: — “Os Estranguladores de Bombaim”; “A corrida da morte”; “Flor Que Não Murcha”; “O Porteiro”.

TOLERÁVEIS PARA ADULTOS: — “Hoje Como Ontem”; “Cidade Ameaçada”; “Guerra e Humanidade”; “Férias em Majorca”.

DESACONSELHADOS: — “De Repente no Último Verão”; “Hiroshima Meu Amor”; “Camarotes Indiscretos”.

CONDENADOS: — “A Rua das Mulheres Perdidas”; “Um Moralista em Apuros”.


Análise

Esse recorte é um exemplo da classificação moral dos filmes no Brasil antes da adoção do sistema de censura federal mais sistemático (anos 1960-70). O documento mostra como a imprensa publicava as listas preparadas por órgãos ligados à Igreja e comissões de moralidade para orientar o público.

  1. Hierarquia moral clara

    • De “recomendáveis” (filmes vistos como edificantes, históricos ou religiosos, como Ben-Hur) até “condenados” (obras vistas como imorais, de conteúdo sexual, crítico ou existencial).

    • A classificação mistura critérios estéticos, religiosos e políticos.

  2. Controle sobre a juventude

    • Duas categorias centrais: “com objeção a crianças” e “com objeção a menores”. A ideia era preservar a infância de violência, sensualidade ou temas adultos.

    • Filmes policiais, de guerra ou de ficção científica (A Morte Vem do Espaço) eram vistos como impróprios para crianças, mas tolerados para adultos.

  3. Conflito com o cinema de autor europeu

    • Obras de grande valor crítico e artístico aparecem em categorias negativas:

      • Hiroshima, Meu Amor (Alain Resnais, marco da Nouvelle Vague) foi considerado “desaconselhado”.

      • De Repente, no Último Verão (Joseph L. Mankiewicz, com roteiro de Tennessee Williams) foi também colocado entre os desaconselhados — provavelmente pelo tratamento de temas como homossexualidade e violência.

    • Isso mostra como o filtro moral suprimia ou marginalizava obras inovadoras e adultas.

  4. Cinema popular x cinema autoral

    • Filmes épicos, musicais e históricos (Ben-Hur, O Grande Caruso) eram celebrados.

    • Obras “menores” ou ligadas a temas sociais/sexuais eram “condenadas” — como A Rua das Mulheres Perdidas (provavelmente melodrama ou policial com conotação sexual).

  5. Instrumento de poder

    • Esse tipo de lista servia para “educar” o público, mas também funcionava como censura indireta.

    • Mesmo sem proibir oficialmente, um jornal classificar como “condenado” podia afastar espectadores e exibir o alinhamento conservador da imprensa.


👉 Em resumo: esse recorte mostra a mentalidade moralista do Brasil pré-ditadura militar, em que a Igreja Católica e setores conservadores exerciam forte influência sobre o consumo cultural. A lista revela o embate entre o cinema clássico hollywoodiano (aceito e recomendado) e o cinema moderno/autor europeu (rejeitado ou marginalizado).

quinta-feira, fevereiro 19, 2026

O CINEMA SOCIAL DE MARTIN RITT

 



Ely Azeredo

(Jornal do Brasil - 1978)

Norma Rae, um dos mais expressivos filmes americanos da produção recente, reuniu a seu favor a quase unanimidade da crítica americana.
Uma unidade não permanente na carreira de Martin Ritt (59 anos), que está em ótima forma. Seu filme sobre a praga das listas negras que assolaram o show business à época do macarthismo, The Front (O Testa-de-Ferro), comédia dramática protagonizada por Woody Allen — com uma inesquecível performance de Zero Mostel — exorcizou num conjunto irônico fantasmas recalcados por muitos anos. Na própria equipe de The Front, vários profissionais — roteirista, ator Zero Mostel, Ritt — entre outros, sofreram problemas semelhantes aos narrados no roteiro, passando privações e vendo interrompidas suas carreiras.

Norma Rae, em vigorosa interpretação de Sally Field, é uma operária que se torna líder sindical. O som do filme esconde-se de Crystal Lee Sutton, operária da indústria têxtil J. P. Stevens, de Roanoke Rapids, Carolina do Norte, e a segunda figura do filme, o organizador sindical Reuben Warshowsky (papel a cargo do ator Ron Leibman), inspirou-se em outro personagem, Eli Zivkovich. Ao agregar os de Zivkovich e Crystal Lee, tornou viável o primeiro grande filme de trabalho nas fábricas de vulto no mundo, nos Estados Unidos.

Não importa, de passagem, em que pelas declarações de Ritt, seu filme não seja obtido “luz em filmagens de documentário”, não havendo necessidade de reproduzir fielmente a realidade sindical. Ritt se fechou ao lado da ficção, e o resultado foi aceito pela documentarista de Harlan County, que lutou para levantar a verba necessária à produção. Mais uma vez, com sua paciência de monja vivendo no local, na intimidade dos dois protagonistas reais e do habitat autêntico, Barbara Kopple levará ainda tempo para concluir o filme? De qualquer maneira, deveremos ver dois filmes sobre o mesmo tema. E o paralelo será interessante.

O êxito de público e crítica de Norma Rae não constituiu favor: a sensibilidade de Martin Ritt para os temas sociais, tendo como protagonistas, em geral, gente de baixo da pirâmide, desempregados, explorados, oprimidos e humilhados. Depois de passar pela Broadway e pela televisão (onde, em início de carreira, dirigiu peças da emigração que incorporou outros nomes de talento, como Sidney Lumet e Robert Mulligan), Ritt, desde cedo, mostrou seus temas preferidos em Um Homem Três Metros de Altura (Edge of the City ou A Man Ten Feet Tall), com Sidney Poitier e John Cassavetes, mostrava a problemática social ungida de cumplicidade étnico-racial, que muitos consideram defeito do cinema americano, mas que se constitui em veia de ouro. O mestre soviético Eisenstein escreveu que o cinema americano tinha os seus maiores temas no conflito racial.

Ritt foi vítima de pecados cometidos pelos produtores que ainda tentam a inutilidade de aproximar-se de obras de Faulkner, e cujo gênero nem The Long Hot Summer (O Mercador de Almas), nem The Sound and the Fury (A Fúria), conseguiram fazer justiça. Mas teve um saldo positivo reforçado por Hud no Brasil, (O Indomado), cena ainda numerosa de suas produções preferidas de Sounder (Lágrimas de Esperança), que consagraram-se.

Norma Rae vive uma existência de dúvidas e esperanças de autorrealização de ingrata ganhadora de mal paga, vive com os pais. Arranja um companheiro, separa-se. Incapaz de educar dois filhos. Encontrou forças em companheiros e similares mas não serviram para completar uma síntese da realização como mulher. Casa-se, tem filhos. Não tem comunicação íntima com o marido, embora ame. Quando chega o perspicaz sindicalista Warshowsky, o organizador sindical, Norma Rae encontra sua ascensão como mulher. Nada de excepcional, mas muito humano.

Mas o foreiro de Nova Iorque foi o mais obediente, a esperar por melhor condição de vida e consciente militância sindical de Norma Rae, em uma história simples e comovente de sua nascente solidariedade de classe.

Características naturais — provavelmente uma forma ou outra de prolongar sua permanência nos cinemas. Para que seja a valorizada produtora Twentieth Century-Fox que há anos não possuía.

Por exemplo: há quanto tempo a Fox não possuía um produto com este tipo de qualidades artísticas, sociais e comerciais?

A história de Norma Rae já tinha sido documentada em filme. O sindicato da indústria têxtil dos Estados Unidos encomendou um documentário de 30 minutos, Crystal Lee, uma Mulher de Têxtil, dirigido por George Stoney, exibido na TV em 1978.

Melhor ainda: o primeiro documentário exibido na NBC, e premiado com o título de “melhor filme sindical”.

quarta-feira, fevereiro 18, 2026

The Exorcist III (1990) - William Peter Blatty


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O retorno sombrio: The Exorcist III

Lançado em 1990, The Exorcist III chegou aos cinemas quase vinte anos após o clássico absoluto de William Friedkin. Baseado no romance Legion, escrito pelo próprio William Peter Blatty (autor do livro original O Exorcista), o filme não tenta ser uma continuação convencional da história de Regan MacNeil. Ao contrário, Blatty explora uma dimensão mais filosófica e metafísica do horror, privilegiando atmosfera e diálogos existenciais em detrimento de choques fáceis.

A trama se concentra no Tenente Kinderman (George C. Scott), que investiga uma série de assassinatos brutais em Georgetown. As mortes carregam a assinatura do infame “Gemini Killer”, executado anos antes. A investigação leva Kinderman a um hospital psiquiátrico, onde encontra um paciente enigmático que parece ser tanto o Padre Damien Karras quanto o próprio assassino (interpretado com intensidade febril por Brad Dourif). Esse duelo entre fé, dúvida e o mal absoluto constitui o coração do filme.

O grande trunfo de The Exorcist III está no clima opressivo que Blatty constrói. A direção privilegia longos planos, corredores vazios e uma cadência narrativa que beira o hipnótico. A famosa cena do “jump scare no hospital” tornou-se uma das mais comentadas do gênero, não só pela eficácia, mas pelo domínio do tempo cinematográfico. Blatty sabe esticar a tensão até o limite antes da explosão.

O elenco contribui de forma decisiva. George C. Scott traz peso humano ao papel de Kinderman, equilibrando sarcasmo e desespero, enquanto Brad Dourif entrega uma das performances mais inquietantes de sua carreira, alternando fúria demoníaca e lucidez desconcertante. Sua presença é magnética, quase teatral, e justifica sozinha a força do filme.

Entretanto, o filme carrega também marcas da interferência do estúdio. A exigência de inserir uma cena explícita de exorcismo no clímax — ausente na versão original de Blatty — gera certo descompasso estético. O resultado é uma conclusão que soa apressada e convencional, destoando da investigação cerebral e metafísica que domina a maior parte da narrativa.

Apesar disso, The Exorcist III sobrevive ao tempo como um dos mais subestimados thrillers sobrenaturais dos anos 1990. É um filme de horror adulto, mais preocupado em debater fé, moralidade e a persistência do mal do que em repetir os choques visuais do primeiro longa. Para muitos fãs, inclusive, trata-se da verdadeira sequência de O Exorcista, ignorando a problemática Parte II (1977).

No fim, o que Blatty entrega é um pesadelo teológico — um thriller policial com roupagem metafísica, que desafia o espectador a encarar o horror não como espetáculo, mas como algo que se infiltra nos corredores da mente e da fé.

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The Exorcist III (1990) - Directed by William Peter Blatty

terça-feira, fevereiro 17, 2026

Robert Duvall - 1931-2026

 Robert Duvall morreu aos 95 anos em 15.02.2026

“Criar um personagem é como fazer uma cadeira, só que em vez de usar madeira, você a faz a partir de si mesmo.” Robert Duvall

Kumi Oguro

A obra da fotógrafa japonesa Kumi Oguro é um convite ao estranhamento e à introspeção. Radicada na Antuérpia, Bélgica, ela desenvolveu um estilo visual inconfundível que transita entre o surrealismo, a moda e o cinema de horror psicológico.

Seu trabalho não busca documentar a realidade, mas sim criar um "teatro da mente" onde o corpo feminino é o protagonista de narrativas fragmentadas e enigmáticas. 2763c46da8170021d692cca5d865af266471653e

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O brasileiro que dirigiu Hitchcock





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É com evidente ponta de orgulho que o cinegrafista Orlando Moreira relembra que já dirigiu o cineasta Alfred Hitchcock. Moreira foi um dos funcionários mais antigos da TV Globo.




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No documentário O Reencontro (2015), onde jornalistas da emissora contam suas impressões pessoais sobre a trajetória na emissora carioca, ele cita quando em 1976 esteve no Universal Studios para filmar o Mestre do Suspense. A matéria para o Fantástico celebrava os 50 anos da carreira do diretor.

O repórter Hélio Costa exigiu que seu câmera fosse o brasileiro, o que fez com que a Globo pagasse ao sindicato local para conseguirem a permissão. Na hora de filmar ele deu as instruções: “Mister Hitchcock, eu quero que você entre por essa sala, segue aí atrás da sua mesma e fale: good evening”.


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E assim foi! Apenas este trecho da matéria que foi ao ar em 11 de julho de 1977
Não há notícias de outro brasileiro a fazer nada parecido. Naquele ano Hitchcock lançaria seu último filme, Trama Macabra (Family Plot), o que pode explicar sua boa vontade com a equipe sul americana.

Dizem  que Eva Wilma, a Vivinha, chegou a  participar de teste com o próprio Hitch para o papel de Juanita em de Topázio (Topz, 1969). O personagem de latina acabou ficando com a germânica Karin Dor.

segunda-feira, fevereiro 16, 2026

Banda do Carnaval - Os 34 Maiores Sucessos em Ritmo de Folia

 



Album "Banda do Carnaval - Os 34 Maiores Sucessos em Ritmo de Folia", lançado pelo selo Soma (uma divisão da gravadora Som Livre voltada para coletâneas de TV).

 Apresenta  a modelo Monique Evans  numa estética é típica das coletâneas de Carnaval do início dos anos 80, que focavam em imagens chamativas e ensolaradas.

Diferente dos outros discos que focavam em marchinhas clássicas, este álbum traz sucessos do Pop/Rock nacional e MPB da época, adaptados para o ritmo de Carnaval. Entre as 34 faixas, destacam-se:

  • Sucessos da New Wave/Rock: "Lança-Perfume" (Rita Lee), "Você Não Soube Me Amar" (Blitz), "Rock da Cachorra" (Eduardo Dussek) e "Erva Venenosa".

  • Temas de TV e Personagens: "Capitão Gay" (Jô Soares) e "Guerra dos Sexos" (tema da novela).

  • Músicas Infantis e Pop: "Superfantástico" (do Balão Mágico), "Ursinho Pimpão" e "Lindo Balão Azul".

  • Clássicos da época: "Homem com H" (Ney Matogrosso), "Pura Adrenalina" e "Estrelar" (Marcos Valle).

O selo Soma era conhecido por comercializar discos que compilavam hits que estavam tocando exaustivamente nas rádios e nas trilhas sonoras da Rede Globo. O subtítulo "Os 34 maiores sucessos" indica que as músicas eram apresentadas em formato de pout-pourri (medley), ideal para tocar sem interrupções em festas e bailes.

“Hipócritas” (1915)

 







Hipócritas” (1915), dirigido por Lois Weber, é considerado um dos filmes mais ousados e polêmicos do cinema mudo norte-americano. Lois Weber foi uma das primeiras mulheres a dirigir longas-metragens em Hollywood, além de ser pioneira no uso da linguagem cinematográfica para abordar questões sociais, morais e religiosas.

Enredo e Estrutura

O filme apresenta uma narrativa alegórica em duas linhas paralelas:

  • De um lado, um ministro contemporâneo que luta para transmitir ao seu rebanho a necessidade da verdade espiritual, mas enfrenta resistência e hipocrisia.

  • De outro, a história de um monge medieval que esculpe a alegoria da Verdade nua, provocando o escândalo e a rejeição de sua comunidade.

Essa duplicidade reforça a ideia de que a busca pela verdade universal sempre esbarra na hipocrisia humana, independentemente da época.

Estilo e Inovações

  • Weber utilizou efeitos fotográficos inovadores para a época, como múltiplas exposições e sobreposições, criando imagens oníricas e alegóricas.

  • A personificação da Verdade nua (interpretada pela atriz Margaret Edwards) foi um marco: uma mulher que aparece sem roupas, não em tom erótico, mas como símbolo de pureza e franqueza. Isso causou grande polêmica, gerando censura em várias cidades dos EUA.

  • Os diretores de fotografia Dal Clawson e George W. Hill ajudaram a criar a estética que mistura realismo e alegoria visual.

Importância Histórica

  • “Hipócritas” reforça Lois Weber como uma cineasta que desafiava padrões sociais e morais, além de ser uma das primeiras mulheres a explorar o cinema como ferramenta de debate filosófico e ético.

  • O filme também antecipa discussões sobre liberdade de expressão, censura e o papel da arte em confrontar tabus.

  • Hoje, é lembrado tanto por sua ousadia estética quanto por seu valor histórico no cinema de vanguarda americano do início do século XX.

 Em algumas exibições, cartazes anunciavam que o público poderia ver uma “mulher totalmente nua” no filme — algo que atraiu atenção, mas ao mesmo tempo gerou proibições e cortes, revelando justamente a contradição que o título denuncia: a hipocrisia da sociedade diante da arte e da verdade.