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sábado, outubro 24, 2026

ALLEN encontra SCORSESE - Folha de São Paulo

foto criada por IA


Data: 30/Jan/98
Autor:
Editoria: Ilustrada
Página: 4-12
Edição: Nacional
Seção: Multimídia


Numa conversa em NY, os dois diretores norte-americanos discutem sobre atores, suas influências e Hollywood
do "El País Semanal"
Com novos filmes no mercado, -"Deconstructing Harry" e "Kundun", respectivamente-, Woody Allen e Martin Scorsese, dois dos diretores ao mesmo tempo clássicos e inconformistas do cinema norte-americano, falam frente a frente dos filmes que admiram e do sistema do qual tentam de fugir. Duas das personalidades mais carismáticas da sétima arte atual, travam aqui um debate.
Embora trabalhem para o sistema, nenhum dos dois diretores pertence a ele. Devem ser considerados como dois "proto-independentes" que seguem a pauta marcada pelos criadores europeus dos anos 60, mesmo não desprezando o dinheiro de Hollywood.
O novo filme de Scorsese, "Kundun", que fala da juventude do Dalai Lama, e o de Allen, "Deconstructing Harry", escrito, dirigido e protagonizado por ele, são exemplos do cinema americano mais audacioso.
"Deconstructing Harry" deve estrear no Brasil em março, enquanto "Kundum" não tem data prevista para entrar em cartaz.
Em uma tarde de sábado de outubro passado, os dois diretores se encontraram no elegante escritório de Scorsese em Park Avenue, em Manhattan.
Apesar de serem nova-iorquinos e da mesma geração, praticamente não se conheciam. Allen passou a maior parte do tempo encolhido em um sofá, enquanto Scorsese, vestido de preto dos pés à cabeça, e sentado bem reto em uma cadeira, dirigia a conversa.
*
Martin Scorsese - Encontramo-nos algumas vezes por casualidade.
Allen - Lembro-me de ter visto você, já faz alguns anos, em uma loja de vídeo da Broadway.
Scorsese - Foi muito divertido. Eu estava procurando "Itïs in the Bag", de Jack Benny e Fred Allen.
Allen - É mesmo, agora lembrei! Por que estava tão interessado nesse filme?
Scorsese - Gosto muito dele. Gosto demais de Fred Allen e também de Jack Benny.
Allen - Mas, pelo que eu me lembro, esse filme não teve muito sucesso...
Scorsese - Não, não teve mesmo.
Allen - Mas os dois trabalhando juntos é demais.
Scorsese - Lembro que você estava procurando um filme de Buñuel, "Os Esquecidos", acho...
Allen - É mesmo, isso.
OUTROS DIRETORES
Scorsese - Tenho algumas fases em que só assisto a filmes antigos, principalmente quando estou rodando ou editando algum filme.
Allen - Não fica deprimido quando assiste a um filme muito bom enquanto está fazendo um filme?
Scorsese - Não, não fico deprimido, mas isso me obriga a rever o que estou fazendo. Às vezes, torna-se difícil, principalmente se é na fase da filmagem. Se for a obra de um diretor jovem e novo, o que a gente pensa é: "Vou me sair bem na comparação?"
Allen - Ingmar Bergman também dizia isso. Afirmava que não podia assistir a nenhum filme -nenhum filme bom- enquanto estava filmando porque perdia toda a confiança nele mesmo. Eu o compreendo perfeitamente, é tão difícil manter a autoconfiança durante os dez meses ou um ano que se leva para fazer um filme...
Scorsese - É. Algumas vezes também acontece isso quando se trata dos grandes clássicos. No último final de semana, decidi assistir novamente a minha antiga cópia em tecnicolor de "Um Corpo que Cai". É verdadeiramente genial!
Allen - Assistir a uma obra de arte filmada por outra pessoa acaba com a autoconfiança. São trabalhos prontos: já foram montados, editados, sua cor foi corrigida. Enquanto isso, você está aí, rodeado de um monte de copiões pouco promissores (risada). Fica difícil continuar trabalhando.
Scorsese - Uma vez, quando estava no meio da filmagem de "Os Bons Companheiros", eu estava cansado e comprei uma cópia de "Man with a Movie Camera", de Dziga Vertov, um diretor russo. Nunca tinha visto nada igual, mal podia esperar que fosse segunda-feira para voltar a trabalhar.
Allen - Isso é inspiração.
HOLLYWOOD
Scorsese - Fui a Hollywood para montar "Woodstock". Eu não era um hippie. Quando estive em Woodstock, usava camisas e abotoaduras francesas -por sinal perdi uma delas no festival. Depois fui para Los Angeles, onde me transformei num típico habitante local. Consegui abrir caminho e fiz o primeiro filme com Roger Corman. Depois fiz "Taxi Driver - Motorista de Táxi". Achei que devia ir embora, mas gostei de tudo aquilo.
Allen - Você ficou bastante tempo lá.
Scorsese - Sim, mas todos continuavam me considerando um forasteiro.
Allen - Mas você se saiu muito bem. Foi capaz de conseguir dinheiro para fazer seus filmes e os fez do jeito que queria. Acho isso uma conquista.
Scorsese - Tive muita sorte. O sucesso nos anos 70 se deveu grande parte a Robert De Niro. Os estúdios estavam encantados com ele, e, depois de "Taxi Driver", sempre estavam dispostos a oferecer seu apoio, obviamente sempre que houvesse um papel para De Niro.
Ele estava interessado em fazer "Touro Indomável". Antes de começar a rodar, fiquei quatro anos preparando o filme. Assim, entrei nos anos 80 e praticamente precisei começar tudo de novo.
Allen - Eu tive muita sorte, a sorte dos novatos. Quando fiz meu primeiro filme, ninguém esperava nada de mim. A única coisa que os estúdios fizeram foi me apoiar.
Scorsese - Nos estúdios, é necessário passar por todo um processo no que se refere aos roteiros, é necessário levar em consideração as observações que eles fazem.
Mas eu tento filtrar as observações, porque eles, embora estejam muito bem-intencionados, têm que fazer filmes para o mercado.
Mas para mim as coisas não são assim. Preciso fazer o que eu gosto e depois espero que exista alguém interessado em assisti-lo. Lembro-me de "Os Bons Companheiros": respeitei os prazos e fiz tudo o que podia. Quando os executivos do estúdio assistiram ao filme, gostaram, mas exigiram que fizéssemos algumas pré-estréias, e por causa disso surgiram problemas.
Allen - As pessoas saíam da sala?
Scorsese - Sim, foi um horror! Depois da primeira cena das facadas, houve um pequeno êxodo. As pessoas deveriam saber qual é o tipo de filme que vão ver.
SEUS FILMES
Allen - Fiz meus primeiros filmes no fim dos anos 60, mas nunca mais os vi.
Scorsese - Nem eu.
Allen - Você não assistiu a "Touro Indomável"?
Scorsese - Está brincando? Nem morto.
Allen - Se você assistisse a esse filme agora, não pensaria: "Gostaria de mudar isto" ou "não poderia ter feito tudo isto melhor"?
Scorsese - Esse filme me traz muitas lembranças.
Allen - Mas você sente isso em relação a todos seus filmes, não é?
Scorsese - Sim, por isso tenho tantos problemas em assisti-los.
Allen - O que eu não suporto quando assisto a um filme meu é a crueldade de perceber que se pudesse começar de novo poderia fazê-lo muito melhor.
Scorsese - De vez em quando, assisto a algum dos meus filmes na TV. Mas com o som desligado.
SUAS POSIÇÕES
Allen - Espero que você tenha percebido o grande impacto causado pelo seu trabalho sobre todos estes cineastas jovens. Não pode deixar isso passar batido. É seu estilo de filmar, o conteúdo de seus filmes e a forma como os dirige. Eu não acredito ter influenciado ninguém. Não é falsa modéstia.
Scorsese - Isso não é verdade. Sem dúvida seus filmes abriram caminho para um determinado estilo de comédia. Não existe nada igual a eles.
Allen - Eu não percebo essa influência, mas acho que é uma sorte ter podido trabalhar com tanta liberdade. Sempre lidei com orçamentos relativamente baixos, não até o extremo daqueles garotos negros da Califórnia que fazem filmes maravilhosos.
Scorsese - Sei, os irmãos (Albert e Allen) Hughes, não é? "Perigo para a Sociedade" é excelente.
Allen - Você também acha? É surpreendente como esses caras conseguem, quase sem dinheiro, fazer filmes excelentes. Eu trabalhei com orçamentos relativamente baixos, mas que não podem nem se comparar aos deles.
Scorsese - Nem sequer me passou pela cabeça pensar quanto custou "Perigo para a Sociedade", porque o filme funciona.
Por isso reaprendi tudo para fazer "Depois de Horas" com um orçamento mais baixo. Precisei abaixar meu nível de vida. Quando estava filmando, um amigo me disse: "Não quer voltar para Los Angeles e fazer um filme de verdade?" Mas depois disso fui capaz de fazer um filme de estúdio, "A Cor do Dinheiro", e ter dois grandes astros (Paul Newman e Tom Cruise) como protagonistas.
Allen - Conseguiu controlar a situação?
Scorsese - Consegui controlar a situação e não estourar o orçamento. Depois disso filmei "A Última Tentação de Cristo" com um orçamento de apenas US$ 7 milhões. De certa forma, estava outra vez no caminho, fazendo o tipo de filme que eu gosto de fazer.
Allen - Eu preferiria que meus filmes fossem mais populares. Mas nunca farei nada para isso. Os custos com a publicidade superariam os rendimentos da bilheteria. Além disso, quando as críticas são boas, nem sempre são úteis.
Scorsese - "O Rei da Comédia" obteve boas críticas, mas foi um desastre de bilheteria. Mas a minha carreira sempre teve o apoio da crítica. De certa forma dependo da crítica. Ela torna possível que estúdios dêem dinheiro para fazer o próximo filme. Nunca se sabe qual é o estúdio que vai querer produzir seu filme.
"Kundun" foi da Universal à Disney, passando pela Warner Brothers. Para mim leva anos conseguir fazer um filme a partir de um roteiro determinado. Fizemos esse último com um orçamento de US$ 28 milhões, o que é aceitável.
Allen - A minha carreira é menos agitada. Devido à minha forma de trabalhar, sempre cuidei para que os meus filmes não fossem um acontecimento. Por isso que gosto de fazer o filme e não ler as críticas sobre ele nem me preocupar com a bilheteria. Quero esquecê-lo e pensar no próximo trabalho.
O ELENCO
Scorsese - O elenco de um filme é uma das coisas mais terríveis do nosso trabalho -e também é horrível para os atores. As pessoas vêm te ver, querem o papel e tudo isso. É muito triste. É terrível.
Allen - Mas é uma questão de sobrevivência. Você tem um roteiro e faz uma idéia da pessoa que quer para um determinado papel.
Scorsese - É um pouco mais complicado se for fazer um filme em que é preciso ter um ator que seja um sucesso de bilheteria. É necessário combinar a estrela de cinema com a personagem.
Allen - Algumas idéias somem com muita facilidade. A única que tive em toda a minha vida foi Julia Child (risada). Mas nunca tive a sorte de poder usá-la. No entanto, acho que se eu tivesse uma comédia faria o papel de mãe.
Scorsese - Exato.
Allen - Foi a única inspiração que tive. O resto foi uma espécie de escolha feita com bom senso. Há atores excelentes! Certamente gosto dos mesmos atores que você! Nunca trabalhei com Dustin Hoffman, mas ele é maravilhoso.
Scorsese - É excelente. Eu nunca trabalhei com Al Pacino.
Allen - Pacino também é incrível. Igual a De Niro. Os que todos acham que são bons, certamente são. Mas, considerando os orçamentos que eu tenho, as estrelas devem fazer um abatimento para trabalhar comigo, do contrário não posso me dar esse luxo.
Scorsese - No meu caso, depende do projeto. Em "A Época da Inocência", Daniel Day-Lewis e Michelle Pfeiffer reduziram o cachê, e o mesmo aconteceu com Sharon Stone em "Cassino".
Allen - A gente depende da sua bondade, da sua consciência e da sua disponibilidade. Embora estejam dispostos a fazer seu filme, tudo pode mudar se alguém lhes oferece o que eles ganham normalmente. Se no momento não estão com nenhum projeto, é possível contratá-los por um valor bem menor. Mas, se alguém os contrata para algo interessante, é melhor esquecer.
Allen - Eu já passei pela situação de atores que me falaram: "Não posso fazer isso, estão me oferecendo mais dinheiro para outros filmes" ou "o papel não é muito importante, quando trabalho com você quero fazer um papel melhor".
Allen - O meu último filme, "Deconstructing Harry", foi escrito por mim e teria gostado que o protagonista fosse outra pessoa. Não gosto de ter que ser sempre o protagonista. É mais divertido dirigir de vez em quando e não precisar fazer a barba todos os dias. Mas não consegui ninguém. Eu fui a minha última alternativa.
A TECNOLOGIA
Scorsese - Há pouco tempo um amigo me disse: "Você se lembra dos filmes em que sabia o que ia acontecer, mas aconteciam muitas coisas até chegar o momento culminante? Tudo isso acabou. Agora tudo se reduz a um clímax contínuo. É como uma surra. Agora a questão não é por que morre o bandido, é como morre".
Allen - Mas isso é para garotos. Esse tipo de coisas não interessa às pessoas sérias, não acha? O problema de todos esses avanços tecnológicos no cinema é que muitos diretores não os consideram apenas uma ferramenta.
Scorsese - É você quem deve controlar a técnica, não é a técnica que deve controlar você. Seis anos atrás, deixei de assistir a filmes de ação. Tentei assistir alguns depois disso, mas tudo era pura técnica. Esses filmes logo se voltam contra o diretor. É barulho demais. E depois vem o sexo.
Na década de 70, o sexo era mais duro, mais forte. Havia coisas muito fortes. Agora, até certo ponto -com exceção de "Crash", que considero um filme extraordinário-, há um tipo de filtro que depura o sensual e o elimina. Vemos imagens falsas e corpos falsos. Como você filmaria uma cena de sexo? Não tenho resposta.
Allen - É verdade. Se não há limite, tudo é muito mais difícil, porque as opções são muitas. Alguns anos atrás, essas opções não existiam, por isso era necessário trabalhar com algumas poucas formas sofisticadas de mostrar o sexo.
Agora, com a tecnologia virtual, é possível fazer qualquer coisa, e a decisão é uma questão estética.
Scorsese - Sem dúvida é mais difícil.
Allen - Porque você não pode usar a censura como desculpa. Tem que fazer algo criativo ou esteticamente agradável.
Scorsese - É aquela velha história de que Lubitsch conseguia fazer muito mais com uma porta fechada que qualquer outro diretor com uma braguilha aberta.
Allen - É isso mesmo.
Tradução Maria Carbajal


 Copyright © 1994-1999 Empresa Folha da Manhã S/A

sexta-feira, outubro 23, 2026

Artista desconhecido

 

Se você já navegou por páginas de arte surrealista, com certeza já esbarrou nessa imagem: uma caveira encapuzada segura um grande espelho oval no meio do oceano. Dentro do espelho, um céu estrelado com uma lua crescente. Do lado de fora, uma lua cheia. E bem na borda do espelho, um pequeno barco com dois homens prestes a cair numa cachoeira que despenca no vazio.


A obra não tem autor confirmado. Ela circula na internet desde os anos 2000 como "arte de autor desconhecido" e, justamente por isso, já foi atribuída a dezenas de nomes

quinta-feira, outubro 22, 2026

Eu - Augusto dos Anjos



 É  a única obra em livro do poeta Augusto dos Anjos.

Eu e Outras Poesias

Esta obra é um dos marcos fundamentais da literatura brasileira, situada entre o final do Simbolismo e o início do Pré-Modernismo, célebre pela sua linguagem crua, cientificista, mórbida e de profundo pessimismo existencial.

  1. Dados da Edição 

    • Edição: 3.ª edição.

    • Editora: Livraria Castilho (de A. J. de Castilho – Editor), localizada na Rua da Assembléa, 92, no Rio de Janeiro.

    • Ano: 1928.

    • Marcas de Proveniência / Manuscritos: Na folha de rosto existe uma anotação manuscrita a tinta (que parece indicar um nome, como "Virgilio Costa...", acompanhado de uma data,  Recife, "25/9/928"). Este tipo de registo manuscrito é comum em livros antigos, atestando a história de posse, circulação ou leitura do exemplar ao longo das décadas.

    •  Composto e impresso na Typographia do Annuario do Brasil.

    • Rua D. Manoel, 62, no Rio de Janeiro.

    •  Setembro de 1928.

Trata-se de um registo bibliográfico interessante de uma edição clássica dos anos 1920 deste clássico da poesia em língua portuguesa. 

The Elephant Man // 1980



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I am not an elephant! I am not an animal! I am a human being! I am a man!

The Elephant Man // 1980

quarta-feira, outubro 21, 2026

segunda-feira, outubro 19, 2026

Nigel Van Wieck

 



Estas duas obras de Nigel Van Wieck — que compartilham a atmosfera do conceito "August is the month of last chances" (Agosto é o mês das últimas chances) — são estudos brilhantes de narrativa visual, melancolia urbana e suspense psicológico.

O trabalho de Van Wieck carrega uma herança direta do realismo americano de Edward Hopper, mas com uma roupagem marcadamente cinematográfica, quase como frames congelados de um filme neo-noir ou de um drama estival que está prestes a terminar.

O mês de agosto, no hemisfério norte, representa o fim do verão, a transição para o outono e a sensação de que o tempo está se esgotando

domingo, outubro 18, 2026

Nastassja Kinski: "Não cometerei os erros do meu pai"

 Nastassja Kinski: "Não cometerei os erros do meu pai"

Frau im Spiegel = 1980


Como a atriz imagina sua futura vida familiar

Um relato de Susanne Schubert

Ela tem apenas 19 anos e está a caminho de se tornar uma estrela mundial: Nastassja, a filha de Klaus Kinski do seu segundo casamento. Mas ela não está exatamente feliz. Carreira e dinheiro simplesmente não substituem tudo. O que a filha de Kinski tem em mente é uma verdadeira família. E ela diz que nunca teve uma.

É verdade que houve Ruth, a mãe dedicada, que com o tempo acabou se tornando excessivamente protetora. Por isso, Nastassja – antes mesmo de ser maior de idade – se "desmamou" da mãe o mais rápido possível. "Eu amo muito a Ruth", diz ela, "ela não teve mais ninguém além de mim desde o divórcio do meu pai. Mas ela não podia ficar comigo para sempre. Em algum momento, cada um tem que seguir seu próprio caminho."

Do pai Klaus, Nasti não precisou se distanciar muito quando adolescente. Afinal, ele "nunca esteve realmente lá", afirma a filhota, "e isso às vezes me machucou muito". Quando ela era pequena, ele teria sido amoroso e gentil. Mas isso mudou; à medida que ela crescia, ele mudava cada vez mais. Hoje ele nem se importa mais com ela, chegando a desviar o seu caminho dela.

Por que será que chegou a esse ponto? "Talvez por causa do divórcio dos meus pais, mas talvez também devido a apertos financeiros", ela explica. "Se meu pai tinha dinheiro, ele me cobria de brinquedos e doces. Se não tinha, ficava meses sem dar notícias nossas. Era um eterno banho-maria. Afinal, não se pode tratar uma criança assim."

Para Nastassja, que deseja "o maior número possível de bebês", fica claro que ela fará tudo completamente diferente dessas lembranças sombrias de infância.

"Quando eu tiver uma família, vou desistir da profissão", diz ela, "e me dedicar apenas aos meus filhos." No entanto, à atriz falta no momento o homem certo.

(Legendas e fotos menores)

  • Uma "Mona Lisa" do século 20: Nasti para Antonio Recalcati, um pintor de Paris que imortalizou a bela três vezes em tela e lhe deu as pinturas.

  • Vida familiar à la Kinski: Nastassja, o pai e o meio-irmão nos braços sorriem para os fotógrafos. Isso foi há um ano. De uma reconciliação, no entanto, não se podia falar na época.

  • Relacionamento: O relacionamento dela com um advogado italiano, 16 anos mais velho e "muito inteligente", acabou quebrando devido às muitas separações. "Mas ele provavelmente não era o homem certo de qualquer maneira", diz ela. "Caso contrário, ele não teria desistido tão rápido."

  • O amor: Roman Polanski conecta a loira Nastassja apenas com amizade. E os muitos jovens homens que a cortejam são simplesmente "jovens demais". "Me sinto mais segura com homens mais velho!", diz ela. Que ela tenha um "complexo de pai", Nastassja Kinski está convencida de que não tem...

  • Roman Polanski & Nastassja Kinski by Jean-Claude Deutsch, 1980.


sábado, outubro 17, 2026

Miles Teves

 Miles Teves, um dos maiores concept artists de monstros de Hollywood - e essa peça é a cara dele.

é do seu livro/serie autoral "The Demon Hunters Handbook" / "How to Slay a Werewolf" - onde ele cataloga lobisomens, vampiros, etc. com ilustrações à la manual medieval.


Miles Teves (nascido em 1963 em Salinas, Califórnia) é artista e designer conceitual de Hollywood que trabalha em filmes, TV e games. 

Estudou escultura no Art Center College of Design e, aos 18 anos em 1982, mostrou seu portfólio para o mestre de efeitos especiais Rob Bottin. Bottin o contratou em 1983 para criar a arte conceitual do personagem Darkness do filme Legend. 

Nessa mesma época ele co-criou o RPG cult Skyrealms of Jorune (1984) e fez todas as capas - aquela pintura renascentista "Death Scene of Sho Cora-Tra" é dele.

Depois de Legend em 1985 ele virou máquina de Hollywood: Explorers, RoboCop, The Witches of Eastwick, Total Recall, Batman & Robin, Hollow Man, Spider-Man, Terminator 3, Reign of Fire, Van Helsing, Piratas do Caribe, As Crônicas de Riddick. Ele também esculpiu coisas tão realistas quanto a cabeça do Tom Cruise para Entrevista com o Vampiro e tão fantásticas quanto o Kong de Peter Jackson. 

Crescido nos anos 60/70 com Godzilla, Batman, Star Trek, filmes velhos de terror e Monty Python, ele virou o cara que Hollywood chama quando precisa desenhar um monstro que parece anatomicamente possível.


 Instagram @milesteves

HARRY DEAN STANTON

via The Church of Splatter-Day Saints


 “Tenho 87 anos… Só como para poder fumar e continuar vivo… O único medo que tenho é por quanto tempo a consciência vai durar depois que meu corpo se for. Só espero que não haja nada. Como havia antes de eu nascer. Não sou muito ligado em religião, todas são macrocosmos do ego. Quando o homem começou a pensar que era uma pessoa separada com uma alma separada, criou uma situação violenta.”

O vazio, o conceito de nada, é aterrorizante para a maioria das pessoas no planeta. E eu mesmo tenho crises de ansiedade. Conheço o medo desse vazio. É preciso aprender a morrer antes de morrer. É preciso desistir, render-se ao vazio, ao nada.

Mais alguém que você entrevistou mencionou essas coisas? Espera aí, preciso atender essa ligação… E aí, cara. Que ótimo. É, estou sendo entrevistado… Estamos falando de nada. Ele está completamente imerso em nada agora. Parou de fazer perguntas.

- HARRY DEAN STANTON

sexta-feira, outubro 16, 2026

Halloween Cards

 











"O Beijo da Morte" (El beso de la muerte).

  • A escultura foi criada em 1930. Sua autoria é frequentemente atribuída ao escultor e designer gráfico catalão Jaume Barba (embora alguns registros apontem que o projeto tenha sido concebido ou esculpido por seu genro, Eduard Alentorn).



  •  A escultura retrata um esqueleto alado (a Morte) inclinando-se para beijar um jovem recostado em seus braços. A obra explora um contraste melancólico e visceral entre a rigidez macabra da morte e a vitalidade física do corpo jovem, transmitindo uma mensagem sobre a inevitabilidade do destino e a dor da perda precoce.


  • Local: Cementerio de Poblenou (Cemitério de Poblenou), localizado em Barcelona, Espanha.

  • Contexto: A escultura adorna o túmulo de Joan Llaudet Soler, um jovem da alta burguesia catalã que faleceu tragicamente na juventude. O túmulo traz ainda um verso comovente do poeta Jacint Verdaguer gravado na base, reforçando o caráter doloroso e prematuro da partida.

  • O verso do poeta catalão Jacint Verdaguer (conhecido popularmente como Mossèn Cinto Verdaguer) inscrito como epitafio na base da escultura "O Beijo da Morte" diz:

    “Mas su joven corazón no puede más; en sus venas la sangre se detiene y se hiela, y el ánimo perdido con la fe se abraza, sintiéndose caer al beso de la muerte.”

    (No original em catalão: "Mes son cor jovenívol no pot més; en ses venes la sanch s´atura i glaça, i l´esma perduda amb la fe s´abraça, sentint-se caure de la mort al bes.")

  • “Mas o seu jovem coração não aguenta mais; nas suas veias o sangue estanca e gela, e o ânimo perdido abraça-se à fé, sentindo-se cair ao beijo da morte.”