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segunda-feira, março 09, 2026

UPA — O Voo Livre do Desenho Animado

 

UPA — O Voo Livre do Desenho Animado

Por Antônio Moreno  - Jornal do Brasil 1979



Psicose, Unicórnio no Jardim, Aventuras de um Asterisco

O desenvolvimento do desenho animado nos Estados Unidos foi por muito tempo limitado e também bem imprensado em termos de criação, pelo formato clássico, o desenho certinho, com boneco de rosto redondo, proporções exatas e movimentos suaves — sempre cultivado como um bem de família. A fórmula, desenvolvida à função por Walt Elias Disney, percorreu o mundo e conquistou prestígio e lucro para quem passasse em suas mãos. Desde cedo, ele soube perceber o gosto do público infantil e familiar, atingindo todas as faixas de idade.

Numerosos artistas que se dedicaram à arte de animação se notabilizaram na década de 30, trabalhando em estúdios que não fugiam dessa forma clássica. Entre eles, Dave e Max Fleischer — os produtores de Betty Boop, a escandalosa bonequinha condenada na década de 30 por um tribunal de Nova York, com sua saia curta e sua liga com flores prendendo a meia.

Sua tentativa de dar ao desenho animado uma nova forma de expressão foi abafada pela moral dominante e acabou em 1945, quando artistas saídos dos grandes estúdios de cinema americano se uniram para fazer frente a Walt Disney, formando a United Productions of America: UPA. Do movimento deflagrado pela UPA brotou a forma, hoje comum em todo o mundo, de traço solto, geométrico, colorido, com figuras simplificadas. Formou-se escola nos países socialistas (URSS, Tchecoslováquia, Iugoslávia, Bulgária, Hungria), refletindo a nova concepção criativa, com traços descontraídos, simples e historicistas.

Filmes como The Cat, que previamente jamais seriam distribuídos no Brasil, começaram a ser exibidos ao público, como é o caso do filme italiano de Brunno Buzzetto, que, partindo da ideia do melhor dos Disney, Fantasia, se expande em direção ao novo, realizando Música e Fantasia (Allegro Non Troppo), onde se abrem a magia da criação e as formas e personagens em espaço livre.

  • Três estilos de desenho: Cinderela (E), de Disney; Betty Boop, de Davi e Max Fleischer; e uma personagem da UPA, influenciada pelo traço de Modigliani.




A UPA: O Voo Livre da Animação

A UPA nasce pelas mãos de Stephen Bosustow, que, junto a John Hubley, Pete Burness, Robert Cannon, Ted Parmelee, William Hurtz, Art Babbitt, Lew Keller e Al Kouser, forma um grupo dissidente dos estúdios de Walt Disney.

O resultado surgiu do único método novo: a criação do desenho animado sem caricatura. Utilizando traços de melhores cartunistas e ilustradores, como os da New Yorker e Esquire, criaram personagens como o robô Gerald McBoing-Boing e Mr. Magoo, conhecido até hoje na televisão, personagem criado por Pete Burness.

Mas, como o caminho da arte hoje não seja imediato, a penetração da UPA foi difícil. Sofreu a mesma lentidão da crítica, e foi relegada ao segundo plano em função do êxito comercial dos filmes de Disney.

Satirizando o american way of life, os sonhos do homem prático, Mr. Magoo, míope, desastrado, faz tudo errado e nunca percebe nada — e sempre termina bem. Um exemplo clássico é o episódio Take the Elevator (“Pegue o elevador”), parodiando o filme Do Not Smoke (“Não fume”).

Outro personagem, Gerald McBoing-Boing, é o menino que vive problemas de comunicação. Os pais, incapazes de compreendê-lo, procuram curá-lo, pois o menino só consegue emitir sons e acordes vocais, emitindo um tremendo ruído.

Os sons vão se ampliando, e o menino, quando tenta se aproximar da garotada, ouve um ruído de locomotiva quando estão em animado jogo de bola de gude. Expulso da escola, por não falar e causar perturbações entre os alunos, foge de casa — numa sequência inesquecível da animação mundial: ele atravessa uma escada de traço simples, num fundo negro, carregando uma trouxa de roupa nas costas e, de um pedaço de madeira, surgem os primeiros flocos de neve.

Um trem entra em cena, Gerald corre perturbado e cai de cansaço. Pessoas o rodeiam e entre elas um velhinho que vai impressioná-lo e levá-lo ao sucesso, aperfeiçoando em shows a sua arte de emitir sons. Gerald volta à sua cidade natal e é recebido com grande pompa e euforia.




A Simplificação e a Liberdade da UPA

A UPA, seguidamente, se renova, e o traço simplificado, na maior liberação e uso da cor, principalmente na desestruturação da proporção acadêmica dos “bonecos”, desenvolve um desenho livre, abordando temáticas adultas com muita graça, mas sempre renegando o escapismo.

São filmes da UPA preciosidades como Madeleine, Unicórnio no Jardim, Jogos Ternos e Aventuras de um Asterisco. O estilo da UPA chega inclusive a influenciar Disney, que, adotando a realização Toot, Whistle, Plunk and Boom (filme premiado com o Oscar para a Disney e responsável pela criação de um número de escolas desvinculadas do academicismo).

A UPA, no entanto, vai mais tarde se voltar para produções digestivas e adaptadas para televisão, por não despertar interesse suficiente no público americano. Mas as ideias lançadas permaneceram, ainda por muito tempo como traço criativo aceito, hoje assimiladas e, por isso, de maior veiculação, sufocando a área do experimentalismo, da vanguarda.


Os Mestres e o Legado

No entanto, artistas como John Hubley, premiado em diversos festivais, Ernest Pintoff e Saul Bass — que se especializou em desenhar créditos e apresentações para filmes longos ao vivo — prosseguem em novas experiências de grande valor.

De Saul Bass podemos citar a magnífica apresentação de Psicose, onde os créditos se misturam a traços, dando uma perfeita noção visual de uma personalidade dividida, interpretada por Anthony Perkins.




Dois Filmes Notáveis

Em dois filmes, Flebus, de Ernest Pintoff, e O Pequeno Malabarista de Nossa Senhora, de Al Kouser e Gene Deitch, a tela grande do cinemascope é explorada com utilização de todos os espaços em sequência, de canto a canto, criando um curto de ação dentro do mesmo enquadramento.

A história de O Pequeno Malabarista de Nossa Senhora é a de um frade triste que, fracassando em seu intuito de obter sucesso com o público, resolve entrar para um mosteiro. O espaço oferecido pela tela do cinemascope serve para mostrar, num traço mínimo (um risco formando um arco representando as diversas portas dos corredores dos frades), o caminho do jogador de bolinhas, entrando a cada uma delas.

Ao final, ele se encontra num grande salão, e à frente da imagem da Virgem, começa a malabarizar com bolinhas. Tendo se cansado, desmaia, e sua alma é acolhida por dois frades. Pela manhã, quando os frades chegam à igreja, presenciam um milagre: a mão da Virgem surge numa das janelas segurando as bolinhas.

Outra vez, a tela grande foi usada com grande força na cena final, mostrando a presença divina do milagre e a leveza do traço.


Legendas originais

  • Três estilos de desenho: Cinderela (E), de Disney; Betty Boop, de Davi e Max Fleischer; e uma personagem da UPA, influenciada pelo traço de Modigliani.

  • A utilização da tela grande do cinemascope no traço simples da UPA, em O Pequeno Malabarista de Nossa Senhora.

  • Mickey e a turma de Disney, todos no estilo clássico.

  • O estilo da UPA comparado com uma pintura de Modigliani.

  • Cenas de Música e Fantasia, de Brunno Buzzetto, onde a descontração e a irreverência tomam conta de um espetáculo de primeira linha.

domingo, março 08, 2026

DIMITRI TIOMKIN

 


DIMITRI TIOMKIN — O ROMANTISMO, O HUMOR E A ARTE DE UM MESTRE DA MÚSICA DO CINEMA

(Publicada em 1979  no Jornal do Brasil))


Dimitri Tiomkin foi o responsável pela maior gargalhada já registrada numa cerimônia de entrega do Oscar.
Ao receber sua estatueta de Um Fio de Esperança (The High and the Mighty), ele subiu ao palco e disse, em seu inglês ucraniano um tanto confuso, que dedicava o prêmio “aos meus colegas que habitualmente não ouvimos ver — os cliclistas que passam nos velocípedes”.

Agradeceu a Beethoven, Brahms, Wagner, Strauss, Rimsky-Korsakov, Bach, Verdi, Tchaikovsky... E, antes que pudesse prosseguir, a orquestra começou a tocar para apressar sua saída do palco.

Mas Tiomkin insistiu em agradecer a todos os mestres, e a orquestra foi obrigada a acompanhá-lo com o mesmo tema, tocado mais forte, até que ele terminasse de citar os clássicos.


Da Ucrânia a Hollywood

Nascido na Ucrânia, em 10 de maio de 1899, filho de um médico e de uma professora de música, Dimitri Tiomkin cresceu cercado de educação artística e sólida formação musical. Foi aluno de Alexander Siloti — discípulo de Liszt — e amigo de Rachmaninoff.

Estudou no Conservatório de São Petersburgo, onde se destacou como pianista e compositor. Com o advento da Revolução Russa, emigrou para Berlim, onde prosseguiu os estudos e se tornou acompanhante de ballet e de cantores.

Em Berlim, trabalhou com a bailarina Albertina Rasch, que seria mais tarde sua esposa e parceira profissional.


A chegada aos Estados Unidos

Em 1929, Tiomkin seguiu para Nova York, onde passou por tempos difíceis. Tocou em cinemas, acompanhando filmes mudos ao piano. Em 1931, foi para Los Angeles, atraído pelas possibilidades do cinema sonoro.

Começou compondo para pequenas produções e, logo, para os grandes estúdios. Seu primeiro sucesso foi a trilha de Resurrection, baseado no romance de Tolstói.

Mas o reconhecimento viria anos depois, com Horizonte Perdido (Lost Horizon, 1937), de Frank Capra.


A parceria com Frank Capra

Capra descobriu em Tiomkin um aliado perfeito para sua visão de cinema humanista e emocional. Trabalharam juntos em vários filmes, incluindo A Mulher Faz o Homem (Mr. Smith Goes to Washington, 1939) e A Felicidade Não Se Compra (It’s a Wonderful Life, 1946).

As músicas de Tiomkin acentuavam o tom épico e sentimental de Capra, oferecendo ao público uma emoção direta, sem ironia. Sua orquestração grandiosa, de influência russa, contrastava com o otimismo americano das narrativas de Capra — e o resultado era um equilíbrio raro entre emoção e técnica.


O estilo e a força

Tiomkin gostava de dizer que “o cinema é como uma sinfonia interrompida por imagens”. Sua música, de fato, tinha o poder de preencher os espaços vazios do drama.

Foi o primeiro a tratar o tema musical como personagem — não apenas como acompanhamento. Em Matar ou Morrer (High Noon, 1952), a canção Do Not Forsake Me, Oh My Darlin’, interpretada por Tex Ritter, não era apenas uma melodia, mas a própria alma do filme.

A música começa antes dos créditos e se repete como uma prece, crescendo até o duelo final.

A partitura valeu-lhe o Oscar de Melhor Trilha Sonora e se tornou um marco na história do western.


O mestre do western

Tiomkin redefiniu o som do faroeste americano. Em Duas Almas em Suplício (Duel in the Sun, 1946), Rio Vermelho (Red River, 1948), O Velho e o Mar (The Old Man and the Sea, 1958), e Os Brutos Também Amam (Shane, 1953), suas composições combinavam romantismo, majestade e um senso de solidão quase metafísico.

Ele dizia: “A música do western é a solidão da humanidade.”

Essa concepção lírica e grandiosa influenciou profundamente Elmer Bernstein, Jerry Goldsmith e, décadas depois, John Williams.


O humor e o temperamento

Apesar do temperamento explosivo, Tiomkin era conhecido pelo bom humor e pela teatralidade. Nos bastidores, alternava acessos de fúria e momentos de pura comédia.

Certa vez, durante a gravação de Assim Caminha a Humanidade (Giant, 1956), David O. Selznick lhe disse:
— “Dimitri, você põe emoção demais na música.”
E Tiomkin respondeu:
— “Ora, Selznick, mas é só o que sei fazer!”

Essa mistura de intensidade e ironia o tornava uma figura única em Hollywood.


Os últimos anos

Nos anos 1960, já afastado de Hollywood, Tiomkin regressou à Europa, estabelecendo-se em Londres. Continuou ativo em concertos e gravações, mas com menor intensidade.

Em 1970, lançou sua autobiografia, Please Don’t Hate Me, repleta de humor e memórias do cinema.

Faleceu em 11 de novembro de 1979, aos 80 anos, em Londres.


O legado

Tiomkin compôs para mais de 150 filmes, conquistando quatro Oscars e diversas indicações.

Foi um dos poucos compositores que souberam unir o rigor clássico europeu ao ritmo narrativo americano. Sua música continua viva — tanto no romantismo de Capra quanto no heroísmo de Matar ou Morrer.

Como disse um crítico da época:

“Tiomkin não escrevia apenas para o cinema — ele escrevia o próprio cinema.”


📰 Fonte: Matéria de jornal ilustrada com foto de Dimitri Tiomkin segurando o Oscar (datada de 1979).
Título: Dimitri Tiomkin — O romantismo, o humor e a arte de um mestre da música do cinema.

sábado, março 07, 2026

O Fã, Obsessão Cega, de Edward Bianchi

JORNAL DO BRASIL 

O CRIMINOSO É O MORDOMO



Por José Carlos Avellar

O melhor modo de ver e compreender O Fã, Obsessão Cega, de Edward Bianchi, é começar pelo fim. O filme se revela logo de saída, e quando a gente percebe que sabe o desfecho de uma determinada história, a sensação é outra. Em cinema, e muito particularmente em cinema norte-americano, acostumamo-nos a esperar a surpresa final como um filme de suspense. A história é sempre contada a partir de uma informação fundamental que não se dá ao público. A surpresa é o telão se abrir e o assassino aparecer no último plano.

Já virou uma espécie de código: não há sentido em assistir a uma história de mistério se não houver um “truque final”. A regra é clara, e o melhor exemplo vem de Agatha Christie. Assim, quem sabe o fim de O Expresso do Oriente jamais o leria de novo. Sabe-se que o criminoso é o mordomo, ou seja, que há uma convenção de que o enredo policial se apoia no elemento surpresa — e esta, por sua vez, reside no desfecho.

Em aventuras policiais como esta, onde uma atriz é ameaçada de morte por um fã apaixonado, sem saber ao certo o que vai acontecer com o bandido e o que vai acontecer com a mocinha — mocinha em termos de idade mas ainda assim assim chamada, mesmo em Hollywood —, ninguém da plateia tem motivos de tédio. Ninguém vai trair o final, porque o prazer está todo concentrado na espera da surpresa, na expectativa do desfecho. O essencial está na surpresa da revelação final.

Por isso mesmo, com certa frequência, nos filmes onde o mistério é a trama, ele se revela não no último plano, mas no penúltimo. É o modo de dar tempo ao público para se emocionar, festejar ou se horrorizar com o que descobriu. A verdadeira surpresa final das narrativas policiais é, portanto, a de quem matou. Em O Fã, Edward Bianchi inverte essa regra: a surpresa final nem vem no penúltimo plano — ela está logo no primeiro. O espectador já sabe, desde o início, que o criminoso é o mordomo — ou, neste caso, o fã.

Mas com relação a O Fã, Obsessão Cega, mesmo conhecendo seu final, não é possível se deixar como desmanchar o prazer de assistir ao que se passa na tela. Paradoxal? Talvez. Com o filme, essa inversão parece ser o modo de investigar os avessos da convenção do suspense — o jogo entre o mistério e os elementos que preparam a surpresa final. É possível, inclusive, que esta inversão possa dar algum interesse ao que se passa na tela: o confronto final entre a atriz Sally Ross e seu fã, Douglas Breen, torna-se desinteressante se passa a um tanto mecânico e previsível. Bianchi, no entanto, parece inventivo e desordenado o suficiente para montar um outro começo.


Muitas histórias, nenhuma história

Uma narrativa pouco inventiva e um tanto desordenada. As diversas situações são independentes umas das outras, e a soma delas não forma uma linha coerente. Os personagens se passam sem transição de um gênero para outro. A mulher que é estrela de teatro — a atriz famosa, a diva — aparece como uma figura distante, em nada lembrando uma mulher real. Não tem caráter nem vida interior. Nenhum dos sentimentos parece verdadeiro. A relação entre ela e o fã é mal delineada — ele é apenas um maníaco que escreve cartas.

O espectador se sente um pouco deslocado diante de uma história que se desenrola sem motivação dramática. A ação se dá, mas sem força interna, como se tudo fosse apenas demonstração de uma mecânica de suspense.

Sally, a atriz (Lauren Bacall), está constantemente à beira do exagero e do tédio. Há uma sensação de que o filme não se decide entre o drama psicológico e o suspense policial.

O Fã é uma colagem de histórias que não se cruzam. Há Sally, a atriz solitária e egocêntrica; há Douglas, o fã obcecado e misógino; há um ex-marido que é ao mesmo tempo confidente e sombra; há uma secretária que serve de contraponto ao desespero da patroa.

Essas tramas correm em paralelo, sem força para se unirem num todo. O resultado é uma narrativa que não se completa, mas que deixa ver o que há de mais frágil no cinema americano dos últimos anos — uma mistura de realismo e artificialidade.

A montagem, de Alan Heim, acentua essa sensação de fragmentação. E a direção de Edward Bianchi parece indecisa: oscila entre o thriller e o melodrama.

Sally é o centro da ação, mas a câmera não a acompanha com interesse. Quando ela enfrenta o perseguidor, o filme parece desabar.

O público sente a ausência de uma tensão crescente. Há apenas episódios isolados — a carta, o camarim, o assassinato, a perseguição — que não se ligam entre si.

O filme termina como começou, sem revelação nova. O criminoso é o fã, mas a atriz continua sendo uma figura fria.

No final, Sally se confronta com Douglas, mas a cena é previsível. Ele não tem a cara suja, barbada, desaliñada — é um louco de outro tipo, evidentemente. Talvez por isso o confronto final seja menos tenso.

O cinema norte-americano, hoje, quer surpreender o espectador com vídeos bem-pensados e de bons modos. Mas o que se vê é o mesmo: a velha forma sem substância.

O Fã é um filme de bom acabamento e de nenhuma emoção. A surpresa não está no desfecho, mas na constatação de que o cinema americano, hoje, parece incapaz de lidar com o real.


Ficha técnica:

O Fã (The Fan)
Direção: Edward Bianchi
Roteiro: Priscilla Chapman e John Hartwell
Fotografia: Dick Bush
Montagem: Alan Heim
Música: Pino Donaggio
Elenco: Lauren Bacall (Sally Ross), James Garner (Jake Berman), Michael Biehn (Douglas Breen), Maureen Stapleton (Belle Goldman), Hector Elizondo (Rafael Andrews)
Produção: Robert Stigwood
Distribuição: CIC / Paramount
EUA, 1980.


🗞 Fonte: Caderno B, sábado, 6 de fevereiro de 1982. 

sexta-feira, março 06, 2026

Os Meninos do Brasil

Critica publicada  no Jornal do Brasil (1979)



APESAR da escolha do Brasil como uma das sementeiras de líderes para o projeto de um Quarto Reich nazista e do título pouco lisonjeiro à nossa imagem, fomos ver com bom ânimo a versão do livro de Ira Levin, The Boys from Brazil. Em primeiro lugar, mesmo para quem não leu Os Meninos do Brasil (o caso desse crítico), o nome de Levin está bem situado na memória pela imaginação e profissionalismo narrativo de A Semente do Diabo, de cujas páginas Roman Polanski extraiu o singular O Bebê de Rosemary, 1968. Depois, ninguém espera um mau trabalho com a assinatura de Franklin J. Schaffner (diretor de Patton e do excelente filme que deu origem a decepcionante série O Planeta dos Macacos), realizado com forte apoio de produção e bom elenco, tendo à frente Gregory Peck e Laurence Olivier. No entanto, provavelmente por força da diminuição da autoridade do diretor — que ocorre com frequência em produções muito caras e baseadas em best seller — o filme fica muito aquém da expectativa. Há algumas seqüências de muito boa qualidade: mas, no conjunto, apenas um espetáculo intermitentemente interessante.

Sobretudo em favor de Ira Levin, manda a justiça que se diga liminarmente: gostando ou não, ninguém sairá da sala depois da apresentação de seu anjo exterminador. Este é, nada mais, nada menos que Josef Mengele — doutor de um dos mais terríveis campos de extermínio do terceiro Reich, Auschwitz, que, após o holocausto hitlerista, desapareceu do mapa, tornando-se um dos principais desafios aos caçadores de nazistas. Como sabe quem leu e ou viu a história da gênese do Anti-Cristo no lar de Rosemary, Levin é um demonólogo hábil. E a figura de Mengele não pedia grande esforço para criação (no caso, recriação) de personagem diabólico. Em Auschwitz, este se calculou em experimentos científicos com seres humanos, levando a extremo o sacrilégio contra a espécie.

O roteiro, como costuma acontecer em adaptações de best sellers, passou por várias mãos. Com o aval dos letreiros oficiais, vamos atribuir a responsabilidade de sua elaboração final a Heywood Gould — sem poder ocultar a suspeita de estarmos ante um nome apócrifo ou (quem sabe?) um bode expiatório. Não é um roteiro à altura de um cineasta como Schaffner. Este, com certeza, aceitou o projeto com plena consciência de que os produtores não correriam riscos de bilheteria. Franco empreendimento comercial. The Boys from Brazil teria como estrela o escritor Ira Levin: o maniqueísmo da história e seus excessos de imaginação seriam irredutíveis. A julgar por informes dos que conhecem o original, a adaptação tomou poucas liberdades com a construção da história, mas, incompreensivelmente, eliminou quase todos os toques de humor.

Em algum lugar do Paraguai, falando a seguidores de uma organização nazista, Josef Mengele anuncia como etapa decisiva de um plano para implantação do Quarto Reich o assassínio, nos próximos dois anos e meio, de 84 pessoas. Estranhamente, essas vítimas, residentes na Europa e Estados Unidos, não são personalidades políticas, nem possuem a menor influência nos rumos das sociedades em que vivem: são funcionários públicos sem posição invejável, e todos têm 60 ou 60 e pouco anos de idade. O plano entra em execução. Apesar de suas preocupações, os participantes da Organização dos Jovens Defensores dos Judeus, que têm informações sobre o plano, nada podem fazer. Não há motivo conhecido para os crimes, nem a menor vinculação entre os homens marcados, que, um a um, vão encontrando morte inexplicável.

Um elemento da organização pró-judeus põe Ezra Liebermann a par do novo esquema de Mengele. Liebermann (personagem calcada em Wiesenthal, célebre nazy hunter, responsável pela captura de Eichmann) vive em Viena, afastado da ação punitiva que o tornou famoso. A princípio relutante, investiga alguns dos casos de viúvez recém-promovidos por Mengele. Sua militância antinazista ganha novo impulso ao fazer uma assombrosa descoberta: alguns jovens, filhos adotivos de famílias sem nenhuma afinidade, são absolutamente iguais. Fisicamente mais semelhantes que a maioria dos casos de irmãos gêmeos — verdadeiras cópias. De olhos azuis, cabelos escuros, eles foram encaminhados por uma agência de adoções onde, por outra coincidência, trabalhava Frieda Maloney, nazista, depois presa por crimes de guerra. Enfim, Liebermann segue pistas que o levarão à América do Sul, onde Mengele trabalha em experiência genéticas. Os produtos de tais experimentos deverão ser novos Hitler, novos líderes que promoverão a retomada dos preceitos do Mein Kampf em 1980, em 1990...

Poucas vezes The Boys from Brazil se situa a altura da curiosidade despertada pelo início e pela sequência em que se insinua a citada experiência genética. O roteiro, com suas idas e vindas em rotas da Europa e da América, provoca uma dispersão de ação que aproxima o filme de intrigas internacionais desinteressantes. Nessa dispersão a linha central da trama perde força, e o ritmo, até certo ponto, se dilui. O confronto pessoal entre Liebermann e Mengele proporciona uma sequência de excelente direção. Em seguida, chegamos a um final morno, moralista, que deixa no ar os destinos da nova solução nazista. Típico final que parece insinuar uma continuação, um Boys from Brazil-Parte 2. Mas que não satisfaz.

Gregory Peck (Mengele), que não pode ser culpado pelos exageros do papel, tem a melhor atuação possível dentro das contingências, e sua caracterização física é excelente. Laurence Olivier dispensa elogios: ator histórico, sempre desce do pedestal para encontrar novas crianças humanas, valorizando papéis sem maiores problemas, como este Liebermann. James Mason (outro líder nazista) está amarrado a uma linha comum de vilão. Apesar da presença de bons coadjuvantes, Peck e Olivier concentram as atenções no âmbito do elenco.

As filmagens foram realizadas em Portugal, Áustria e Estados Unidos. O Brasil não tem nada a ver com esse meninos. No livro, a trama pró Quarto Reich é claramente articulada em cenário brasileiros. No filme, deu-se preferência ao Paraguai.

quinta-feira, março 05, 2026

Borges y Alvarez Libro-Bar (El Calafate, Argentina) - Há 10 anos

Avenida del Libertador 1015, El Calafate, Argentina 

27 de Setembro ds 2015
Atualmente,  o LibroBar está fechado










SI TIENES:
Comida en el Refrigerador,
Ropa en el Closet, Techo sobre tu Cabeza
y una Cama donde Dormir...
ERES MÁS RICO QUE
EL 75% DEL PLANETA

SI TIENES DINERO EN EL BANCO,
EN TU BILLETERA, Y ALGO DE CAMBIO...
ENTONCES ESTÁS ENTRE
EL 8% MÁS RICO DEL MUNDO

SI PUEDES LEER ESTA NOTA,
ERES UNA DE LAS PERSONAS
QUE NO SUFRE ANALFABETISMO

SI TE LEVANTAS ESTA MAÑANA
CON MÁS SALUD QUE ENFERMEDAD,
ERES MÁS AFORTUNADO QUE
LOS MILLONES QUE NO SOBREVIVIRÁN
ESTA SEMANA

SI NUNCA HAS EXPERIMENTADO
EL PELIGRO DE LA GUERRA,
LA SOLEDAD DEL ENCIERRO,
LA AGONÍA DE LA TORTURA,
O LA DESESPERACIÓN DEL HAMBRE...
ERES MÁS FELIZ QUE
700 MILLONES DE PERSONAS EN EL MUNDO

SI PUEDES IR A LA IGLESIA
SIN MIEDO A SER AMENAZADO,
ENCARCELADO O MORIR...
TIENES UN PRIVILEGIO QUE
MILLONES DE PERSONAS NO TIENEN
```

VINÍCOLAS FRNESTO CATENA

SE VOCÊ TEM:
Comida na geladeira,
Roupas no armário, um teto sobre sua cabeça
e uma cama para dormir...
VOCÊ É MAIS RICO QUE
75% DA POPULAÇÃO MUNDIAL

SE VOCÊ TEM DINHEIRO NO BANCO,
NA SUA CARTEIRA E ALGUM TROCADO...
ENTÃO VOCÊ ESTÁ ENTRE
OS 8% MAIS RICOS DO MUNDO

SE VOCÊ CONSEGUE LER ESTA MENSAGEM,
VOCÊ É UMA DAS PESSOAS
QUE NÃO SOFRE COM ANALFABETISMO

SE VOCÊ ACORDOU HOJE
COM MAIS SAÚDE QUE DOENÇAS,
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MILHÕES QUE NÃO SOBREVIVERÃO
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SE VOCÊ NUNCA EXPERIMENTOU
O PERIGO DA GUERRA,
A SOLIDÃO DO ENCARCERAMENTO,
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OU O DESESPERO DA FOME...
VOCÊ É MAIS FELIZ QUE
700 MILHÕES DE PESSOAS NO MUNDO

SE VOCÊ PODE IR À IGREJA
SEM MEDO DE SER AMEAÇADO,
PRESO OU MORTO...
VOCÊ TEM UM PRIVILÉGIO QUE
MILHÕES DE PESSOAS NÃO TÊM

quarta-feira, março 04, 2026

Príncipe de Astúrias



O navio Príncipe de Astúrias foi um dos mais trágicos desastres marítimos da história brasileira — e frequentemente chamado de “o Titanic brasileiro”, embora muito menos conhecido. Abaixo, segue um resumo detalhado sobre esse navio e seu naufrágio:


Príncipe de Astúrias — O Titanic Sul-Americano

🛳️ O Navio

Era um luxuoso transatlântico espanhol, construído para fazer a rota entre Barcelona e Buenos Aires, com escalas em portos brasileiros, incluindo Rio de Janeiro e Santos.




🚨 O Naufrágio (4 de março de 1916)

  • Local: Próximo à Ilha de Búzios, litoral de São Sebastião (SP)

  • Motivo: Colisão com rochedos submersos durante uma tempestade densa e com neblina

  • Consequência: O navio afundou em 5 minutos

  • Mortes: Estima-se cerca de 445 mortos, entre passageiros e tripulantes

  • Sobreviventes: Cerca de 143 resgatados

O navio estava lotado, incluindo imigrantes espanhóis, italianos e portugueses a caminho da América do Sul, além de oficiais, nobres e comerciantes. Muitos estavam dormindo quando o navio se chocou contra as pedras, o que impediu qualquer evacuação organizada.




🧭 Contexto Histórico

Na época, a Primeira Guerra Mundial ainda estava em andamento, e viagens pelo Atlântico eram arriscadas. O Príncipe de Astúrias levava também carga valiosa e, segundo rumores históricos, até ouro, o que motivou várias expedições de busca nos anos seguintes.


🔎 Mistérios e Curiosidades

  • Ouro perdido? Há lendas que o navio carregava toneladas de ouro escondidas entre os porões — até hoje não encontradas.

  • Tesouros submersos: Já foram feitas várias tentativas de exploração do navio, que ainda está a cerca de 18 a 20 metros de profundidade.

  • Desatenção? Muitos relatos sugerem que o capitão confiava demais nos instrumentos e não avistou a costa rochosa a tempo.

  • Memorial? Apesar do impacto, o desastre não tem o mesmo peso na memória coletiva brasileira quanto o Titanic — há poucos monumentos ou lembranças oficiais.




Rose Leonel

 

A jornalista maringaense Rose Leonel é a convidada deste episódio especial do Encontros com a Imprensa, com apresentação de Marcelo Bulgarelli, na UEM FM e UEM TV.

Com uma trajetória construída entre o jornalismo impresso, a televisão e o colunismo social, Rose relembra sua infância no Jardim Alvorada, a influência do pai apaixonado por leitura e comunicação e os primeiros passos na imprensa de Maringá. Ela fala sobre os desafios de começar na reportagem diária, a experiência ao vivo na TV e a consolidação profissional nos principais veículos da cidade.

Mas o ponto central da conversa é o ano de 2005 — o divisor de águas em sua vida. Após o término de um relacionamento, Rose passou a ser ameaçada pelo ex-companheiro, que prometeu divulgar fotos íntimas caso ela não reatasse. Mesmo tomando medidas judiciais preventivas, a ameaça se concretizou. Teve início uma campanha sistemática de exposição na internet e fora dela, com envio de milhares de e-mails, distribuição de cópias impressas e tentativas claras de destruir sua reputação.

No episódio, ela relata como viveu aquele período: as noites sem dormir, a perda do emprego, o isolamento social, os julgamentos públicos e o impacto direto sobre seus filhos. Em uma época em que o Brasil ainda não possuía legislação específica para crimes digitais, Rose enfrentou a desinformação jurídica e a dificuldade de encontrar respaldo legal. Ainda assim, decidiu lutar.

A entrevista revela bastidores do processo judicial, a condenação do agressor e a sensação de ter sido vítima de uma “morte civil”. Mais do que um depoimento pessoal, é um registro histórico de um dos primeiros casos de violência digital com grande repercussão no país — e de como essa experiência transformou Rose em uma voz ativa na defesa de mulheres vítimas de exposição íntima não autorizada.

Um episódio forte, sensível e necessário sobre jornalismo, violência de gênero, justiça e reconstrução.

Aperte o play e acompanhe essa conversa impactante no Encontros com a Imprensa.

Encontros com a Imprensa” é um programa semanal apresentado por Marcelo Bulgarelli que reúne jornalistas, repórteres, fotógrafos, radialistas, cinegrafistas e colunistas para celebrar suas histórias mais marcantes. O programa vai ao ar todas as sextas-feiras, às 13h, e aos sábados, às 16h, na rádio UEM FM 106,9, no YouTube da UEM TV e no Spotify.

Outros episódios no   Spotify.


Alexandre Gaioto Amarildo LegalAndreia Silva

 Andye Iore -Antonio Carlos Moretti Antonio Roberto de Paula - Brenda Caramaschi

Bruno PerukaClaudio Galetti Claudio Viola -

Dayane Barbosa Diniz Neto - Dirceu Herrero • Edilson PereiraEduardo Xavier

Elaine Guarnieri

Edvaldo Magro  Everton Barbosa Gilson Aguiar Ivan Amorim

Juliane GuzzoniKris Schornobay Leonardo FilhoLuiz de Carvalho - Marcos Zanatta -

Messias MendesMilton Ravagnani - Natália Garay

PauloPupimRachel Coelho - Regina Daefiol Ricardo de Jesus Souza, o Salsicha Roberta Pitarelli-

Robson Jardim - Ronaldo Nezo - - Rogério Recco - Rose Leonel -

Sandro Ivanovski Sérgio Mendes e Rose Machado

Solange Riuzim Thaís Santana • Valdete da Graça •

Vanessa Bellei Victor Ramalho -Victor Simião -