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terça-feira, julho 07, 2026

'DEMOS GRAÇAS', O NOVO LIVRO DE LUKAS

 Maringá, sexta-feira, 07 de julho de 2000 | ARTE . CULTURA . LAZER | B-1

'DEMOS GRAÇAS', O NOVO LIVRO DE LUKAS



Cartunista de O DIÁRIO lança hoje o seu segundo livro com o melhor do humor reunindo personagens famosos como Argemiro, Vagauzinho e Odenilson

Marcelo Bulgarelli Da equipe de O DIÁRIO

Tão tradicionais quanto o caderno de classificados, os cartuns de Lukas estão presentes desde 1991 nas páginas de O DIÁRIO. Aos domingos, a coluna dele é uma das mais lidas. E um pouco desse universo, ao lado de personagens como Vagauzinho, Argemiro e Odenilson, estão agora no novo livro do cartunista, Demos Graças.

O lançamento será hoje, às 20 horas, na Sala Joubert de Carvalho, anexo à Biblioteca Bento Munhoz da Rocha Neto. "A renda do livro será destinada à compra de um sofá novo e quem sabe, uma casa para colocá-lo", brinca Lukas, ou melhor, Marcos César Lukaszewigz, 38. Passou a assinar Lukas após mandar desenhos para o Pasquim, um dos editores do extinto semanário, Jaguar, mandou uma carta de apresentação, dizendo que "era o melhor cartunista do Paraná". O público concorda.

"E que mundo a rir de tudo isso", justifica o cartunista, dos equívocos públicos. Traço ágil e humor corrosivo, Lukas iniciou sua carreira desenhando para fanzines em São Paulo e fez ilustrações para a revista País e Filhos e depois para a regional de Maringá. Foram dois anos com uma charge diária, além de uma coluna dominical para ganhar a vida trabalhando com classificados de cereais até 89. Em 13 anos produziu mais de 12 mil cartuns, ilustrações e textos. Assim que entrou para O DIÁRIO, lançou o primeiro livro, "O que vier eu traço", uma coletânea com 170 trabalhos.

MISANTROPO

Na apresentação de Demos Graças, Lukas se define como um misantropo, alheio a badalações. Passa o tempo de onde anda, jogando videogame e lendo livros. Uma rápida olhada em suas estantes é possível identificar obras de Jack Kerouac, Jordi Font e Bukowski.

O livro demorou para sair. Não necessariamente por falta de verba, mas pelo "latinismo". Lukas se acha um tanto preguiçoso, mas não para os seus desenhos. Hoje, O DIÁRIO é a sua grande vitrine com quem manteve uma regular correspondência. Ele é um amigo e colaborador de Disney, Karl Barks, e também dos traços de Hergé, o belga que criou Tintim.

VAGAUZINHO

Mas os seus personagens nascem do cotidiano, das piadas, do fato. Vagauzinho é uma sátira do "vaga-lume", personagem criado para a campanha política de Ricardo Barros. Lukas decidiu, na ocasião, criar um anti-herói. Passou em frente da Secretaria do Meio Ambiente quando leu a palavra "vagau" no mais. Foi o que bastou e o carismático Vagauzinho começou a carreira fumando. Mais tarde, quando foi contratado para fazer uma campanha educativa para uma livraria, decidiu largar o vício. "Foi em respeito às crianças". Lukas sempre manteve a ética, respeitou as minorias sociais, mas esses cuidados não impediram o aparecimento de alguns problemas.

ARGEMIRO

Certa vez, fez uma página com desenhos das "grandes figurinhas políticas maringaenses". Um político, de origem nordestina, não gostou da caricatura e principalmente da legenda: "grau de achatamento encefálico". O incidente foi esquecido. Hoje, Lukas mantém esse ato de ingenuidade. O filho, Argemiro dos Santos, esnoba-se sempre: de boca aberta, é fã de música. Surgiu por acaso durante uma exposição em que Lukas participaria. Símbolo do cara, no entanto, nos primeiros cartuns, foi Odenilson, se excede no humor nonsense. Seus cartuns não são apenas admirados, mas acompanhados com atenção pelos políticos. Mas o melhor de tudo, está em seu livro. Sempre sutil, e muitas vezes incisivo, Demos Graças ao Lukas.

SERVIÇO Demos Graças - Lançamento do livro do cartunista Lukas - hoje, às 20 horas, na Sala Joubert de Carvalho. Entrada franca.

Cats Meow

 

Esta imagem, registrada em fevereiro de 2016, transporta-nos diretamente para o coração da vida noturna de Nova Orleans, especificamente para a famosa Bourbon Street.

O Local: Cats Meow

O letreiro em neon "CATS" ao fundo identifica o lendário Cats Meow, localizado no número 701 da Bourbon Street.

  • Karaoke Histórico: Este é mundialmente conhecido como o "Melhor Bar de Karaoke do Mundo". É um ponto de parada obrigatória no French Quarter.

  • A Atmosfera: O palco é famoso por receber turistas e locais que se arriscam a cantar clássicos do rock e pop sob luzes vibrantes e uma decoração cheia de guitarras (como as visíveis à esquerda da imagem).

  • Mardi Gras: A data do arquivo (fevereiro de 2016) coincide com a temporada de Mardi Gras daquele ano (o "Dia da Marmota" do Carnaval de Nova Orleans foi em 9 de fevereiro). A presença de colares de contas (beads) nas pessoas reforça essa celebração.

  • Cena Musical: Vê-se um grupo no palco sob o letreiro, capturando aquele momento de euforia coletiva que define a experiência de quem visita a cidade nesta época.

  •  As guitarras expostas na parede (uma branca estilo SG e outra amarela) são marcas registradas da decoração do bar, que celebra a história do rock.

segunda-feira, julho 06, 2026

TUDO É PROVISÓRIO

 


Essa imagem captura uma das intervenções urbanas mais emblemáticas de Lisboa, especificamente no bairro do Bairro Alto ou Chiado, registrada em setembro de 2014.

O texto, aplicado com a técnica de stencil (estêncil), diz:

"TUDO É PROVISÓRIO. O AMOR, A ARTE, O PLANETA TERRA, VOCÊS, EU, SOBRETUDO EU."

Esta frase é frequentemente associada à obra de Charles Bukowski (embora muitas vezes adaptada ou reinterpretada por artistas de rua locais). Ela carrega um niilismo suave, lembrando o transeunte da impermanência de todas as coisas — desde as emoções humanas mais profundas até a própria existência física do planeta e do indivíduo.

  • A Calçada Portuguesa: O detalhe do pavimento em primeiro plano é o clássico calcário e basalto que define a estética de Lisboa.

  • Efemeridade da Arte: Ironicamente, a própria mensagem sobre ser "provisório" é exemplificada pela arte de rua. Esse tipo de grafite em Lisboa costuma ser sobreposto por outros, limpo ou desgastado pelo tempo, tornando o registro fotográfico de 2014 um documento histórico de algo que provavelmente já não existe da mesma forma hoje..

Como este registro foi feito há mais de uma década, ele funciona quase como um "Urbex" (exploração urbana) temporal, preservando o pensamento que ocupava as paredes da capital portuguesa naquele momento.

domingo, julho 05, 2026

Monumento a Brigitte Bardot.

 

fotos Marcelo Bulgarelli 2014

Esta imagem foi capturada em Armação dos Búzios, Rio de Janeiro, na Praça Eugênio Honold, onde se localiza o famoso Monumento a Brigitte Bardot.

As fotografia mostram eu (marcelo Bulgarelli) e minha namorada Ana Lucia Neves interagindo de forma descontraída com a estátua da atriz francesa Brigitte Bardot.  As fotos são um exemplo perfeito de como os visitantes se conectam com esse marco icônico da cidade.

A estátua de bronze  celebra a ligação histórica entre Bardot e Búzios.

  • História: Brigitte Bardot visitou Búzios em 1964, fugindo do assédio da imprensa no Rio de Janeiro. Sua estadia transformou a vila de pescadores pacata em um destino turístico de renome internacional.

  • Detalhes da Escultura: Criada pela artista plástica Christina Motta, a obra retrata a atriz aos 29 anos, em pose natural, sentada sobre uma mala de viagem. O figurino reproduz as roupas que ela usava durante sua visita: calça jeans, blusa listrada (estilo marinière) e cabelos soltos.

  • A Interação: Christina Motta projetou a estátua em tamanho natural justamente para convidar a essa proximidade. A ideia é que as pessoas possam sentar ao lado dela na mala, tirar fotos e tocá-la, como você está fazendo. Isso explica por que o bronze nessas áreas de contato frequente (como os ombros e a mala) é mais claro e polido.

  • A praça e a Rua das Pedras formam o coração de Búzios, onde a atmosfera sofisticada e a história da vila se encontram.

Fernando Pessoa em Sintra

Foto de Marcelo Bulgarelli - 2014

 Esta imagem apresenta uma composição fascinante que equilibra literatura, publicidade e o cotidiano urbano. Pelo contexto visual e pelos cartazes ao fundo, o registro parece ter sido feito em Sintra, Portugal.

O ponto central da imagem é o cartaz com a frase atribuída a Fernando Pessoa:

"Boa é a vida, mas melhor é o vinho."

Esta citação (que também aparece em inglês abaixo) é amplamente utilizada no marketing turístico e gastronômico de Portugal. Ela sintetiza a valorização do prazer imediato e da cultura vitivinícola tão intrínseca à identidade portuguesa, ecoando a faceta hedonista presente em alguns dos heterônimos de Pessoa.

 Há um contraste quase irônico entre o entusiasmo da frase de Pessoa e a postura do senhor de boné, que parece estar em um momento de repouso, cansaço ou reflexão profunda, com a cabeça baixa.

O posicionamento dele cria uma linha que guia o olhar diretamente para a citação, transformando um anúncio estático em uma cena de "fotografia de rua" (street photography) com forte carga emocional.

No canto direito da imagem, é possível notar fragmentos de cartazes que mencionam "Sintra" e eventos locais, o que situa a foto em uma das vilas mais pitorescas de Portugal, reforçando o clima de patrimônio histórico.

sábado, julho 04, 2026

Carlos Paredes.

 

Foto de Marcelo Bulgarelli - 2014

Esta imagem registra uma placa comemorativa na fachada da casa onde viveu Artur Paredes, em Coimbra, Portugal. Localizada na Rua de Sobre-Ripas, a placa é um tributo a um dos nomes mais fundamentais da história da Guitarra de Coimbra.

Artur Paredes (1899–1980) foi o grande mestre que revolucionou a sonoridade da guitarra de Coimbra, introduzindo modificações técnicas no instrumento e um estilo de execução inigualável. Ele é o pai de outro gênio da música portuguesa, Carlos Paredes.

A placa cita versos de José Régio, um dos maiores vultos da literatura portuguesa do século XX:

"Ai choro com que o Paredes, vibrando os dedos em garra, despedaçava a guitarra, punha os bordões a estalar..."

Estes versos capturam a intensidade física e emocional da performance de Artur, descrita quase como um ato de entrega violenta e visceral ao instrumento.

A placa foi colocada em Maio de 1979, por ocasião do II Seminário sobre o Fado de Coimbra. É um marco importante para quem faz o roteiro histórico da Alta de Coimbra, uma área densamente ligada à vida acadêmica e às tradições musicais da cidade.

sexta-feira, julho 03, 2026

The Tini Martini Bar

imagens de 02 de fev  2021 


 Esta imagem foi captada em St. Augustine, Flórida, na Avenida Menendez, junto à orla marítima da cidade histórica.
A cena destaca o Casablanca Inn on the Bay um alojamento histórico de estilo Mediterranean Revival que oferece vistas privilegiadas para a Matanzas Bay.

O The Tini Martini Bar  é o bar visível na varanda, muito procurado pela sua atmosfera sofisticada e iluminada por tochas ao entardecer.

É famoso pela sua extensa carta de martinis e vinhos finos.

Oferece mesas ao ar livre que permitem desfrutar da brisa da baía.

O Nero's Waterfront Cafe funciona no mesmo complexo, servindo refeições durante o dia.

Especializado em pequenos-almoços e almoços com vista para a água.

O ambiente é casual e tipicamente frequentado tanto por hóspedes como por visitantes locais.

Ao fundo, é possível ver a Bridge of Lions uma icónica ponte levadiça que liga o centro histórico à ilha de Anastasia.

A ponte é guardada por duas estátuas de leões de mármore branco nas suas extremidades.

É um dos marcos arquitetónicos mais fotografados da cidade.

quinta-feira, julho 02, 2026

Chico Buarque - Revista Destino 1972




 Recorte da revista Destino nº 169, de novembro de 1972, captura um momento de transição na vida de Chico Buarque, misturando o sucesso artístico com o estilo de vida da época.

Chico no mar
Depois de construir a sua casa em São Conrado, com campo de futebol e tudo mais, a atual grande vidração de Chico Buarque são os iates. Os seus amigos já estão procurando ver alguns modelos. O de que mais gostaram é bastante caro. Fica na base de 900 mil cruzeiros. Apesar de todos os elogios e as referências, Chico ainda não deu a resposta definitiva.

quarta-feira, julho 01, 2026

"Galeria do Terror" (Night Gallery)

 revista Amigão (nº 380, de 1977): o crítico A.C. Gomes de Mattos, analisa o seriado de TV que estava sendo reprisado na época pela TV Record (SP) e TV Estúdio Silvio Santos (RJ).



POR DENTRO DOS SERIADOS

A.C. GOMES DE MATTOS

Galeria do Terror, suspense sem vampiros nem lobisomens

Um seriado que está alcançando bons índices de audiência, embora se trate de uma reprise é "Galeria do Terror" ("Night Gallery"), exibido em São Paulo pela TV Record e no Rio pela TV Estúdio Silvio Santos. Verdade que o gênero conta com grande aceitação dos espectadores, tendo inclusive seus adeptos incondicionais, que não se incomodam com a costumeira implausibilidade da trama nem se importam se a dose de sustos, que os realizadores gostam sempre de espalhar em alguns trechos da narrativa, passar um pouco da conta. 

Nem todos os quadros desta exposição terrorífica são satisfatórios, mas num ou noutro respeitou-se a lição de Val Lewton, um produtor de cinema dos anos 40 que sabia o que dizia quando falava de filme de horror. Para ele o horror tinha que ser sugerido: nada de vampiros ou lobisomens metendo medo com suas caras feias. Pavor sem monstros é mais eficiente. Contudo, muita gente poderá achar que há pobreza de imaginação ou inverossimilhança na maioria das histórias desta série, mas convém lembrar que não se pode esperar de um despretensioso seriado de televisão o mesmo rigor de um filme de Lewton ou de outro cineasta do gabarito dele.

O organizador desta coletânea de episódios foi Rod Serling, autor de telepeças notáveis como "Patterns" ("História de um Egoísta") e "Requiem for a Heavyweight" ("Réquiem por um Lutador"), depois transformadas em filmes. Fez também o roteiro de "The Planet of the Apes" ("O Planeta dos Macacos") e criou o seriado "Twilight Zone", que obteve enorme êxito. Se ele não acertou na escolha de alguns enredos, pelo menos o espetáculo vale pelo escapismo.

terça-feira, junho 30, 2026

Paul Davis,

 Esta é uma obra do artista britânico Paul Davis, conhecido por suas ilustrações minimalistas que utilizam um humor seco e melancólico para explorar a ansiedade, a vida urbana e as neuroses do cotidiano.



Tradução

No topo, o horário: 03:42.

O texto repetido em azul diz:

"Não adianta se preocupar com isso agora. Não adianta se preocupar com isso agora. Não adianta se preocupar com isso agora..." (e assim por diante).

1. O Paradoxo da Ansiedade: A força da imagem reside na contradição. O personagem está tentando usar a lógica para silenciar a mente, mas o fato de a frase ser repetida exaustivamente (como um mantra que não funciona) prova que ele está, na verdade, profundamente preocupado. É o retrato visual do "pensamento em looping".

2. Estética "Doodle": O estilo de Paul Davis é propositalmente cru, quase como um rascunho feito às pressas em um guardanapo ou caderno. Isso confere uma sensação de intimidade e urgência. A escolha do azul para o texto contrasta com o traço preto da figura, separando o "mundo físico" (o homem na cama) do "mundo mental" (o barulho dos pensamentos).

3. O Horário (03:42): Esse é o detalhe crucial. É a "hora do lobo", aquele momento da madrugada em que os problemas parecem insolúveis e a mente se torna nossa pior inimiga. Para quem trabalha com comunicação, jornalismo ou produção cultural — áreas que demandam criatividade e lidam com prazos constantes —, essa cena é quase um espelho.



Paul Davis tem um histórico de colaborações com veículos como The New Yorker e The Guardian. Ele é mestre em capturar o absurdo da condição humana com pouquíssimas linhas. Essa peça específica faz parte de uma série que explora a insônia e o peso das expectativas modernas.

segunda-feira, junho 29, 2026

Eric White





 Eis o trabalho do artista contemporâneo americano
Eric White, especificamente de sua exposição intitulada "Fury". White é conhecido por um estilo que mistura o Surrealismo com uma estética de Realismo Cinematográfico, evocando frequentemente a nostalgia distorcida da cultura americana dos anos 40 a 70.
O trabalho de White nestas peças brinca com a memória coletiva e o subconsciente. Ele utiliza ícones da cultura pop e do consumo para criar cenas que parecem frames de um filme de David Lynch ou um pesadelo tecnicolor.

domingo, junho 28, 2026

Michael Ripper

 Tributo fúnebre a Michael Ripper (1913–2000), um dos atores coadjuvantes mais prolíficos e queridos do cinema britânico, especialmente conhecido por sua associação com a Hammer Film Productions. Texto de Ronald Bergan, um renomado historiador de cinema e escritor de obituários para o The Guardian.



Ator com talento para o horror e o humor

Michael Ripper

Os fãs dos filmes de terror da Hammer estão familiarizados com o ator coadjuvante de nome apropriado, Michael Ripper, que faleceu aos 87 anos. Ele foi um dos pilares daquela que é a mais comercialmente bem-sucedida de todas as produtoras cinematográficas britânicas. Na verdade, ele apareceu — em vez de protagonizar ou ter destaque — em mais filmes da Hammer do que qualquer outro ator.

Baixo e atarracado, com uma cabeça grande e olhos saltados, Ripper foi frequentemente vítima de Dráculas, múmias, Frankensteins e lobisomens. Em O Sarcófago da Múmia (1967), ele foi jogado de uma janela pela múmia, enquanto em O Testamento do Monstro (1961), interpretando um bêbado, ele foi jogado na mesma cela de prisão que o lobisomem (Oliver Reed).

No início da década de 1950, Ripper, que era um fumante inveterado, desenvolveu um problema na tireoide que exigiu uma cirurgia. "Quando acordei da operação, só conseguia falar sussurrando", lembrou ele. "Melhorou um pouco, é claro, mas eu não soava mais como um ser humano — então, tudo o que eu podia fazer era terror."


Além dos filmes de terror da Hammer, ele apareceu em uma infinidade de produções britânicas, interpretando todos os tipos de servos, donos de pub, pequenos criminosos e policiais. Principalmente, porém, sua aparência rústica o escalava como oficial militar de baixa patente, notavelmente como o soldado nervoso que vigia a massa radioativa pulsante em X - O Desconhecido (1956), e como o sargento em Quatermass 2 (1957), um dos três filmes derivados da série de televisão de Nigel Kneale para a BBC, Quatermass, na qual Ripper era um ator regular.

Ripper nasceu em Portsmouth, onde seu pai trabalhava no Almirantado. Aos 14 anos, ele já havia decidido deixar a escola para se tornar ator. Seus pais, compreensivos, permitiram que ele estudasse na Central School of Speech and Drama, da qual se formou aos 16 anos e ingressou no teatro de repertório de Folkestone.

Enquanto trabalhava no teatro, Ripper fez sua estreia nas telas em um filme de baixo orçamento (quota quickie) chamado Twice Branded (1935), estrelado por James Mason em seu segundo filme. Pouco antes da guerra, após uma dúzia ou mais de filmes esquecíveis — muitos deles dirigidos por Maclean Rogers —, ele foi convidado para o Gate Theatre, em Dublin, onde Rogers se tornara produtor. Foi lá que o ator de 27 anos interpretou Hamlet. Após a guerra, ele retornou à Inglaterra, onde apareceu regularmente em filmes, especialmente naqueles da equipe de produtor-diretor Frank Launder e Sidney Gilliat.

Entre eles estava A História de Gilbert e Sullivan (1953), no qual Ripper interpretou o criado de Sullivan, e o personagem Albert, o atrevido cavalariço em The Belles of St Trinian's (1954).

Em Ricardo III (1955), de Laurence Olivier, Ripper foi Forrest, o segundo assassino que coloca o cadáver do Duque de Clarence (John Gielgud) em um barril de malvasia, e um dos "cães sangrentos" que matam os jovens príncipes na Torre de Londres. Alguns anos depois, em O Anatomista (1961), ele foi o ladrão de túmulos Hare, fornecendo cadáveres ao Dr. Alastair Sim. Entre seus outros filmes dos anos 60 estavam O Segredo da Ilha de Sangue (interpretando um soldado japonês cruel), O Réptil, A Praga dos Zumbis e Drácula - O Perfil do Diabo.

Na televisão, Ripper impressionou como o paciente motorista e confidente na série Butterflies (1978) e, mais recentemente, foi o porteiro experiente do clube Drones na série Jeeves and Wooster. Um de seus últimos papéis foi como o veterano Tony Bonaparte, em No Surrender (1985), uma parábola eficaz sobre o conflito na Irlanda do Norte.

Ripper deixa sua terceira esposa e uma filha de seu primeiro casamento. Ronald Bergan

Michael Ripper, ator, nascido em 27 de janeiro de 1913; faleceu em 28 de junho de 2000.


“Woman and Terrier” (1963) Alex Colville.



 Esta obra de Alex Colville, Woman and Terrier (1963), é uma das pinturas mais icónicas e enigmáticas da arte canadiana do século 20

Colville era mestre em pintar cenas que parecem perfeitamente normais à primeira vista, mas que estão carregadas de uma tensão quase insuportável. A pintura mostra uma mulher e um cão num espaço doméstico. A composição é rigorosamente geométrica, quase matemática. Essa precisão confere à obra uma sensação de imobilidade absoluta, como se o tempo tivesse parado.

O que torna a obra perturbadora é o que não está a acontecer. A mulher e o cão olham para fora do quadro ou para algo que nós não vemos. Existe uma desconexão: eles estão juntos fisicamente, mas parecem habitados por pensamentos isolados. É este silêncio, este "suspense doméstico", que faz com que a obra seja frequentemente associada ao cinema de Stanley Kubrick (que, de facto, utilizou obras de Colville como inspiração visual para o filme The Shining - O Iluminado).

A pintura captura a essência do isolamento. O interior, embora cuidado, parece um palco desprovido de vida externa. É um retrato da psique humana — a ideia de que, mesmo num ambiente doméstico protegido, existe um mistério ou uma estranheza inerente.

Colville era um artista de detalhes minuciosos. A forma como a luz bate nas superfícies e a geometria das sombras na pintura de Colville exige que o espectador "leia" a imagem, tal como você faz ao pesquisar a localização histórica das fotos que partilhou.