domingo, novembro 19, 2017

A Brazileira

A Brazileira, também conhecida como A Brazileira do Chiado é um café emblemático da cidade de Lisboa, fundado em 19 de Novembro de 1905 na Rua Garrett, n.º 120-122, junto ao Largo do Chiado, em Lisboa.

 A brasileira do Chiado vendia o "genuíno café do Brasil", produto muito pouco apreciado ou até evitado pelas donas de casa lisboetas naquela época. O estabelecimento foi fundado por Adriano Soares Teles do Vale, avô do cineasta Luís Galvão Teles.
Adriano Teles nasceu na Casa de Cimo d'Aldeia, em Alvarenga, concelho de Arouca onde, curiosamente, Fernando Pessoa, frequentador assíduo do café, também tinha raízes familiares do lado paterno.

 Ainda jovem, Adriano Teles emigrou para o Brasil. No Brasil fundou um estabelecimento comercial, inicialmente chamado "Ao Preço Fixo", que incluía também casa de câmbios, e dedicou-se à produção agrícola, em particular de café, com o que enriqueceu nos finais do século XIX. Regressado a Portugal no início do século XX, devido aos problemas de saúde da sua mulher que acabaria por falecer, criou uma rede de pontos de venda do café que produzia e importava do Brasil: as famosas "Brasileiras".
 Mas o fundador da Adriano Soares foi também um homem de cultura, com interesse pela música e pela pintura. Fundou a Banda de Alvarenga, financiando a compra dos seus primeiros instrumentos, e fez da Brasileira do Chiado o primeiro museu de arte moderna em Lisboa. No Brasil, ainda no séc. XIX, passou pela imprensa e pela política, tendo sido Vereador da Câmara da cidade onde casou e se estabeleceu. Em 1908 faz uma remodelação, criando então a cafetaria.

A Brazileira do Chiado mantém uma identidade muito própria, quer pela especificidade da sua decoração, quer pela simbologia que representa por se encontrar ligada a círculos de intelectuais, escritores e artistas de renome como Fernando Pessoa, Almada Negreiros, Santa Rita Pintor, José Pacheko ou Abel Manta, entre muitos outros. A assiduidade de Fernando Pessoa motivou a inauguração, nos anos 80, da estátua em bronze da autoria de Lagoa Henriques, que representa o escritor sentado à mesa na esplanada do café.  (Wikipedia)
Ana e Fernando Pessoa

                                                          Fotos de 2014 -  Bar do Bulga

sábado, novembro 18, 2017

Conheço um lugar...

Trem Bala - Madrid - Barcelona - Janeiro 2017



Conheço um Lugar

Madrid Puerto del Sol           08052017 


Guia pra se Converter em Pirata


Adoro senhas...


Horror House

Tenta adivinhar : asa casas abaixo correspondem a qual dos seguintes filmes:

 Psycho (1960), 
 The Innocents (1961),
 The Haunting (1963), 
Rosemary’s Baby (1968), 
The Legend of Hell House (1973),
 Suspiria (1977), 
The Sentinel (1977), 
The Changeling (1980).










Farrah Fawcett

Farrah Fawcett  no skate em Charlie’s Angels (As Panteras 1976), episódio  “Consenting Adults”.
Tudo muito em editado.












quinta-feira, novembro 16, 2017

Tom Sawyer

Vocês não me conhecem, a não ser que tenham lido um livro que se chama As aventuras de Tom Sawyer, mas isso não tem importância. Foi o Sr. Mark Twain quem fez o livro, e o que ele conta ali dentro é verdade, quer dizer, mais ou menos. Em algumas coisas ele exagerou, mas na maior parte não. Na verdade, tanto faz. Eu ainda não conheci ninguém que não minta de vez em quando.
Mark Twain, As aventuras de Huckleberry Finn

"Tom Sawyer foi procurar-me, dizendo que ia chefiar uma quadrilha de ladrões, e que eu poderia fazer parte dela se voltasse para a casa da viúva e me tornasse uma pessoa respeitável. Por isso, voltei". Huckleberry Finn 

Alternative pin Up


Art by Kemp

Helen Diamond - pin-up star from Russia by Timohina Julia











A SBPC e a "Carta de Maringá"

Carta dirigida à nação brasileira completa 19 anos. De lá pra cá,  pouca coisa mudou e a tendencia é piorar. 

Título: A SBPC e a "Carta de Maringá"
Data: 16/Nov/98
Autor: Sérgio Henrique Ferreira
Editoria: Opinião
Publicado em Folha de São Paulo


A defesa de ciência e tecnologia não pode ficar restrita à comunidade acadêmico-científica

Documento dirigido à nação brasileira, ao presidente e aos deputados estaduais, federais e senadores, a "Carta de Maringá" analisa os cortes no Orçamento deste ano na área de ciência e tecnologia e aponta riscos decorrentes do modelo econômico adotado pelo governo. O manifesto foi divulgado durante a 6ª Reunião Especial da SBPC, realizada nessa cidade paranaense. Seu tema principal foi o perfil e o destino das cidades de médio porte.
A carta reflete um momento de grande incerteza e a insatisfação que acometeu toda a comunidade acadêmica e científica. Opondo-se aos cortes lineares no Orçamento anunciados pelo ajuste fiscal, trata-se de um manifesto em defesa da soberania nacional.
Os cientistas brasileiros alertam para o fato de que nenhuma nação será independente nem atingirá patamares mínimos de justiça social se abdicar dos investimentos em conhecimento e inovação tecnológica próprios. Esse foi o caminho de todas as nações desenvolvidas, hoje repetido por aqueles poucos países do Terceiro Mundo que estão conseguindo, paulatinamente, fugir da miséria e da dependência.
Ressalte-se que a carta não reflete uma atitude corporativista de defesa de interesses acadêmicos, mas emite um alerta em defesa de um patrimônio nacional, construído durante 50 anos (21 deles em plena ditadura militar): o sistema nacional de pós-graduação, responsável pela formação de novos cientistas, cujas pesquisas colocam hoje o Brasil entre os 20 maiores produtores de ciência no mundo, com a mais importante produção da América Latina.
Acaba de chegar ao Congresso a peça orçamentária para o próximo ano. Em consonância com o apelo que a SBPC e a Academia Brasileira de Ciências fizeram diretamente ao presidente, o financiamento para as bolsas de estudo e de pesquisa está mantido nos patamares propostos. Isso permite ao CNPQ (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e à Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) cumprir suas políticas de formação de recursos humanos em ciência e tecnologia. É importante que os senhores deputados federais e senadores respeitem essa proposta, integralmente endossada pela comunidade científica.
Os cortes no MCT (Ministério da Ciência e Tecnologia), centrados no sistema de fomento, vão afetar gravemente as pesquisas e o desenvolvimento tecnológico. Assim, cabe aos parlamentares agora inverter essa perda. Os piores reflexos afetarão principalmente universidades e institutos de pesquisa dos Estados que não têm fundações de amparo à pesquisa ativas e regularmente financiadas pelos governos. É fundamental que a comunidade científica, o senhor ministro e os secretários de Estado da Ciência e Tecnologia se comprometam a desenvolver uma política clara pela salvação do setor.
Na "Carta de Maringá", declaramos que a recente portaria do CNPQ refletindo os contingenciamentos orçamentários deste ano sinalizava claramente a falência do financiamento público para ciência e tecnologia, indicando a completa ausência de prioridade para o setor e se contrapondo ao que seria desejável para um país em desenvolvimento. Mesmo com as liberações de recursos anunciadas agora, após a vigorosa reação da comunidade científica (inclusive com repercussões internacionais), a situação ainda é bastante difícil.
Maringa - foto de Amarildo Ramalho.

O Brasil, para sobreviver economicamente, tem de enfrentar com suas próprias armas o mercado globalizado que se estabeleceu na aurora do século 21. Nos últimos 50 anos, a comunidade científica brasileira dedicou-se à construção de um parque científico, o que nos permitiu sair da condição de simples usuários de inovações alheias para a de geradores delas, como nos setores petroquímico e agrícola. A defesa de ciência e tecnologia não pode ficar restrita à comunidade acadêmico-científica. Devem participar dela os distintos segmentos da sociedade brasileira.
É com profunda desconfiança que a comunidade científica toma conhecimento da proposta de fusão do MCT com a área de ensino superior, hoje sob responsabilidade do Ministério da Educação. Essa proposta, alardeada pelo ministro Paulo Renato Souza como idéia inovadora, já faliu na França. Há mais de um ano, essa fusão foi realizada no sistema educacional francês, trazendo sérios transtornos para o sistema de ciência e tecnologia; hoje, o ministro Claude Allègre está sendo duramente criticado pela comunidade científica ("Le Monde", 30/9/1998).
Se a proposta de fusão atende aos atuais interesses do ministro, que se livra da complexa administração das universidades federais e de suas necessárias reestruturação e autonomia, ela é inadequada à área de ciência e tecnologia. Achamos que adotar essa medida agora é sinal de precipitação. Solicitamos ao presidente uma moratória para a sua implementação, até que suas eventuais vantagens e destinações orçamentárias estejam devidamente esclarecidas para a sociedade.
Na carta, dissemos estar conscientes de que não basta a adequação momentânea do orçamento do setor. Certamente, faz-se necessário mudar a proposta econômica atual; outras devem ser consideradas, invertendo a ênfase na captação de recursos internacionais. Essas proposições devem estar baseadas na poupança interna e diretamente vinculadas ao desenvolvimento científico e tecnológico, em prol de uma indústria inovadora e de projetos econômicos estratégicos para o avanço social.
Assim, convocamos todos os segmentos a discutir alternativas para o desenvolvimento social e econômico do país, para que não se cristalize uma situação desprovida de esperanças.
Sérgio Henrique Ferreira, 62, médico e farmacologista, é professor e pesquisador da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo) em Ribeirão Preto e presidente da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência).

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