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sexta-feira, janeiro 16, 2026

Os Inocentes - The Turn of the Screw


 “Os Inocentes” (Coleção Elefante, Edições de Ouro, nº 1595), com texto de Marques Rebelo, recontando a obra original de Henry James (The Turn of the Screw, 1898).



🔎 1. Contexto da Obra

  • The Turn of the Screw é uma das narrativas de horror psicológico mais importantes já escritas, questionando a confiabilidade da narradora e a natureza do sobrenatural.

  • No Brasil, o título “Os Inocentes” provavelmente foi escolhido pela força do filme homônimo de 1961 (The Innocents, de Jack Clayton), que consolidou a imagem gótica da história.

  • A edição mostra como a literatura de gênero circulava no Brasil através de coleções populares, simplificadas para o público de massa.


🖊️ 2. A Intervenção de Marques Rebelo

  • Marques Rebelo (1907-1973), escritor e jornalista, foi convidado a “recontar” a obra — ou seja, criar uma versão mais acessível.

  • Isso se insere numa prática editorial comum nos anos 1960-70: condensar ou adaptar clássicos para coleções baratas (a exemplo de Monteiro Lobato com adaptações infantis).

  • A narrativa, portanto, provavelmente atenua a ambiguidade de James, tornando-a mais direta e legível.


🎨 3. Capa e Iconografia

  • A arte traz três figuras infantis de aparência espectral e melancólica.

  • O menino à frente (possivelmente Miles) é representado com semblante enigmático; a menina (Flora) segura uma boneca, reforçando a tensão entre inocência e ameaça.

  • A mulher ao fundo (a governanta) é mostrada em posição protetora, mas também perturbada — sugerindo dúvida entre realidade e imaginação.

  • O detalhe da lamparina remete ao clima gótico, reforçando a atmosfera de narrativas de fantasmas vitorianas.


📖 4. O Texto da Chamada

“Apavorado, o menino acordou a mãe para que ela constatasse com os próprios olhos a medonha visão...”

  • Interessante notar que aqui se fala em “mãe”, quando na trama original é a governanta quem interage com as crianças.

  • Isso sugere alteração editorial para tornar o enredo mais compreensível ao público popular, que poderia estranhar a figura de uma tutora/guardiã.

  • Ou seja, a edição já introduz uma camada de “adaptação cultural”.


🏛️ 5. Importância Histórica

  • Esse tipo de edição popularizou clássicos de horror e suspense no Brasil, mas também os simplificou — diminuindo ambiguidades literárias em favor de impacto imediato.

  • Funciona como um documento do consumo cultural de massa e do lugar do horror psicológico na literatura brasileira de meados do século XX.

  • Para pesquisas como a sua (sobre crítica e cinema de gênero), é uma peça valiosa porque mostra como o público brasileiro recebia e reinterpretava narrativas estrangeiras.

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