“Os Inocentes” (Coleção Elefante, Edições de Ouro, nº 1595), com texto de Marques Rebelo, recontando a obra original de Henry James (The Turn of the Screw, 1898).
🔎 1. Contexto da Obra
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The Turn of the Screw é uma das narrativas de horror psicológico mais importantes já escritas, questionando a confiabilidade da narradora e a natureza do sobrenatural.
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No Brasil, o título “Os Inocentes” provavelmente foi escolhido pela força do filme homônimo de 1961 (The Innocents, de Jack Clayton), que consolidou a imagem gótica da história.
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A edição mostra como a literatura de gênero circulava no Brasil através de coleções populares, simplificadas para o público de massa.
🖊️ 2. A Intervenção de Marques Rebelo
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Marques Rebelo (1907-1973), escritor e jornalista, foi convidado a “recontar” a obra — ou seja, criar uma versão mais acessível.
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Isso se insere numa prática editorial comum nos anos 1960-70: condensar ou adaptar clássicos para coleções baratas (a exemplo de Monteiro Lobato com adaptações infantis).
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A narrativa, portanto, provavelmente atenua a ambiguidade de James, tornando-a mais direta e legível.
🎨 3. Capa e Iconografia
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A arte traz três figuras infantis de aparência espectral e melancólica.
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O menino à frente (possivelmente Miles) é representado com semblante enigmático; a menina (Flora) segura uma boneca, reforçando a tensão entre inocência e ameaça.
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A mulher ao fundo (a governanta) é mostrada em posição protetora, mas também perturbada — sugerindo dúvida entre realidade e imaginação.
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O detalhe da lamparina remete ao clima gótico, reforçando a atmosfera de narrativas de fantasmas vitorianas.
📖 4. O Texto da Chamada
“Apavorado, o menino acordou a mãe para que ela constatasse com os próprios olhos a medonha visão...”
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Interessante notar que aqui se fala em “mãe”, quando na trama original é a governanta quem interage com as crianças.
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Isso sugere alteração editorial para tornar o enredo mais compreensível ao público popular, que poderia estranhar a figura de uma tutora/guardiã.
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Ou seja, a edição já introduz uma camada de “adaptação cultural”.
🏛️ 5. Importância Histórica
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Esse tipo de edição popularizou clássicos de horror e suspense no Brasil, mas também os simplificou — diminuindo ambiguidades literárias em favor de impacto imediato.
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Funciona como um documento do consumo cultural de massa e do lugar do horror psicológico na literatura brasileira de meados do século XX.
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Para pesquisas como a sua (sobre crítica e cinema de gênero), é uma peça valiosa porque mostra como o público brasileiro recebia e reinterpretava narrativas estrangeiras.

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