NOS ACOMPANHE TAMBÉM :

quarta-feira, janeiro 14, 2026

Nego Rosa

 O Diário do Norte do Paraná, em 22 de março de 1998:


"Nego Rosa" sonha com mundo maravilhoso

Foto: Nelson Jaca Puipim


O cantor Rosínio de Oliveira brilha na noite como personagem vivo da história da música maringaense; em seu repertório nunca falta “What a Wonderful World”


.”Marcelo Bulgarelli

Da equipe de O DIÁRIO

Popular, fanfarrão, divertido e dono de uma voz rouca bem peculiar nas noites de Maringá.
Ele é Rosalino de Oliveira, 57, conhecido também como “Nego Rosa” e outros apelidos criados carinhosamente pelos seus antigos amigos em grandes farras pela cidade.

Com um repertório eclético, fruto de sua educação musical ao lado de Aniceto Matti que lhe ensinou canções italianas na juventude, Rosalino se apresenta em casas de shows, choperias e onde existir emoção para cantar clássicos da MPB, boleros e até músicas internacionais.

“Conheci na antiga Rádio Cultura que funcionava ainda numa casa de madeira. Tinha 15 anos quando comecei e não parei mais”. Tamanha vocação o levou a abandonar o emprego numa retífica: “Não dava mais pra ficar cantando na oficina”, brinca.

Rosalino sabe de tudo sobre a música popular na cidade. Revela que o primeiro guitarrista não foi o Britinho (“Os Cometas”) conforme foi publicado diversas vezes: “O primeiro foi o Itamar Bandeira do conjunto Os Anjos da Lua que fazia muito sucesso nos bailes do Aeroclube”.

Se lembra ainda dos grupos “Os Sete Notas”, o primeiro conjunto de rock (“Os Jacarés”, são os nomes de todos os integrantes de conjuntos extintos e reinventados nos seus primeiros anos em Maringá.

Muitos empresários se empolgaram com sua voz e sempre tentaram levá-lo para São Paulo. Em 1965, ficou em segundo lugar num programa de calouros do Bolinha. Um ano antes, estaria brilhando na “Discoteca do Chacrinha” caso não tivesse levado a sério a brincadeira do comunicador:

“Estava muito nervoso e tomei umas bebidas para acalmar. O pessoal da produção me chamava de ‘pé vermelho’ e eu respondia que meu pé era preto”.

“Quando entrei no palco, o Chacrinha me perguntou, brincando, se eu tinha vindo do Paraná a pé, de burro ou de trem. Não gostei da brincadeira e respondi na hora: Vim nas costas da sua mãe!”

Boêmio, vivia na Vila Marumbi onde também cantava. Tinha 19 anos quando surgiu o empresário do Lindomar Castilho. Empolgado, o empresário providenciou tudo para levar o vocal para São Paulo.

Além da passagem, também comprou um terno na Hermes Macedo e até havia uma música que deveria estourar com a voz de Rosalino.

No dia do embarque, com as malas na mão, olhou aquele avião fumacento no Aeroporto Gastão Vidigal e imediatamente vendeu a passagem pela metade do preço:

“Gastei o dinheiro bebendo no bar da esquina na Vila Marumbi e depois vendi o terno. O empresário ficou louco lá em São Paulo e me esqueceu no dia do retorno”, revela às gargalhadas.

Em relação à chance que lhe prometeram, ele recorda isso tudo com grande carinho, o medo de São Paulo e pouco depois se tornaria conhecido como “Noite Ilustrada”.

Assim é Rosalino, uma voz natural em boemia noturna. Talvez seja por isso que em seu repertório não falte uma última música que ele apresenta ovacionado e que hoje adora cantar: “What a Wonderful World.”


nota: Rosalino era natural de Ourinhos, interior de São Paulo, e morreu aos 68 anos, em 7 de março de 2009. 


Nenhum comentário :