Marcos Aurélio Zanatta, jornalista conhecido na imprensa simplesmente como Marcos Zanatta — um nome que ele encurtou ao longo do tempo, mas que carrega a elegância do “Aurélio” que ele mesmo brinca ser “bonito e filósofo”.
Zanatta não é de Maringá: ele nasceu em Rolândia, onde viveu por muitos anos. A mudança para Maringá aconteceu já na fase adulta, por volta dos 36 ou 37 anos, quando veio para trabalhar na Cocamar — uma virada de vida que também teve um motivo afetivo: foi quando ele conheceu Leda, sua esposa, e decidiu construir aqui um novo capítulo.
A relação dele com a comunicação começou antes de qualquer “plano de carreira”. No tempo do segundo grau (o atual ensino médio), não existia orientação vocacional, e ele mesmo conta que tentou vestibular para Agronomia duas vezes, sem sucesso. Mas havia algo que já o definia: o amor pela leitura, alimentado desde cedo pelo pai, que assinava jornais e revistas em Londrina.
Foi assim que ele acabou encontrando o jornalismo, se formando pela UEL, em 1986, numa rotina pesada: estudava de manhã e trabalhava à noite, sem tempo “nem de dormir direito”. Por isso, ficou cinco anos na faculdade — e diz que saiu “mais especialista” do que quem fazia em quatro, porque viveu o jornalismo na prática enquanto estudava.
A estreia profissional aconteceu na Folha de Londrina, onde entrou primeiro no comercial e depois foi para a redação. Passou pelo noticiário local, mas se encontrou de verdade na Folha Rural, uma editoria que tinha prestígio e liberdade, e onde ele podia fazer o tipo de reportagem que amava: aquela ligada ao campo, à economia e à vida real do interior.
Em Maringá, depois de uma passagem breve pela Cocamar, ele foi para o Diário, convivendo com nomes marcantes da redação e vivendo um período que ele considera positivo, inclusive pela valorização salarial da categoria. Mais tarde, voltou para a Folha de Londrina, já na fase da sucursal, onde permaneceu cerca de nove anos e viveu o auge de um jornalismo com estrutura, autonomia e espaço para grandes pautas.
Entre as reportagens que mais o marcaram, ele lembra da cobertura sobre a mortalidade infantil em Paiçandu, quando era tão frequente a morte de bebês que a cena no cemitério dispensava qualquer agendamento. Outra memória forte foi o caso de Fabíola Coalho, atropelada em um episódio traumático na Avenida Colombo, além do assassinato do menino ligado à churrascaria Querência, em Sarandi — um caso que ele acompanhou por muito tempo e que expôs tensões entre polícia, imprensa e sigilo investigativo.
Há também um episódio que ele nunca esqueceu: um acidente grave na véspera de Ano Novo, perto do Hospital Paraná, envolvendo uma família japonesa. A cena dos corpos e o reconhecimento dos parentes “acabou” com a virada de ano dele, e ele admite que carregou aquilo na cabeça mesmo quando viajou depois — como tantas coberturas que ficam para sempre na memória de quem viveu redação.
Zanatta também teve participação importante na cobertura política, lembrando o caso Paulico, que mobilizou a imprensa e trouxe grande repercussão. Ele destaca como, naquela época, o jornal tinha força, a reportagem rendia, e a Folha chegou a triplicar vendas na região — um sinal de como o público acompanhava e valorizava a investigação jornalística.
Por fim, ele fala com emoção do encerramento do Diário do Norte do Paraná, em 2019, quando fez parte do último grupo da redação. O momento do fechamento, comunicado oficialmente, foi desolador: uma redação enorme, vazia, com poucos profissionais resistindo até o fim. Para ele, ali ficou evidente uma crise maior do modelo de negócio dos jornais, afetado pela perda de receita dos classificados e pela chegada do online.
Ao olhar para trás, Marcos Zanatta diz que não mudaria sua trajetória — embora sonhasse ter se aposentado na Folha de Londrina. E quando define o jornalismo, ele resume em duas palavras: informar e fuçar. Ele sente falta das grandes reportagens, da apuração completa, do tempo para investigar e “fechar o assunto”, e lamenta o quanto o jornalismo atual, para ele, se tornou superficial, apressado e cheio de informação desencontrada.
Encontros com a Imprensa” é um programa semanal apresentado por Marcelo Bulgarelli que reúne jornalistas, repórteres, fotógrafos, radialistas, cinegrafistas e colunistas para celebrar suas histórias mais marcantes. O programa vai ao ar todas as sextas-feiras, às 13h, e aos sábados, às 16h, na rádio UEM FM 106,9, no YouTube da UEM TV e no Spotify.
Outros episódios no Spotify.:
Alexandre Gaioto • Amarildo Legal • Andreia Silva •
Andye Iore -Antonio Carlos Moretti • Antonio Roberto de Paula - Brenda Caramaschi •
Bruno Peruka • Claudio Galetti • Claudio Viola -
Dayane Barbosa • Diniz Neto - Dirceu Herrero • Edilson Pereira • Eduardo Xavier •
• Edvaldo Magro • Everton Barbosa • Gilson Aguiar • Ivan Amorim •
Juliane Guzzoni • Kris Schornobay • Leonardo Filho • Luiz de Carvalho - Marcos Zanatta -
Messias Mendes • Milton Ravagnani - Natália Garay
PauloPupim • Regina Daefiol • Ricardo de Jesus Souza, o Salsicha •Roberta Pitarelli-
Robson Jardim - Ronaldo Nezo - - Rogério Recco -
Sandro Ivanovski • Sérgio Mendes e Rose Machado
Solange Riuzim • Thaís Santana • Valdete da Graça •
Vanessa Bellei • Victor Ramalho

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