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Autor da adaptação: Herberto Sales (um dos grandes nomes da literatura brasileira, autor de Cascalho e membro da ABL).
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Obra original: “The Story of a Bad Boy” (1870), de Thomas Bailey Aldrich, escritor norte-americano, poeta e editor, importante figura literária do século XIX.
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Editora: Cultura / Ediouro (selo Cultura Ouro, nº 1719).
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Chamada: “Recontado da obra original de Thomas Bailey Aldrich”.
1. O original americano
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Publicado em 1870, The Story of a Bad Boy é considerado o primeiro romance de formação juvenil dos EUA.
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Antecede e influencia diretamente Mark Twain em The Adventures of Tom Sawyer (1876).
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Aldrich criou um protagonista (Tom Bailey, inspirado em sua própria infância) que não era o “garoto perfeito” das histórias moralizantes da época, mas arteiro, teimoso, cheio de travessuras.
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Isso quebrou padrões da literatura juvenil norte-americana, que até então servia apenas como instrumento pedagógico.
2. A adaptação de Herberto Sales
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Não foi apenas tradução: foi recontado por Herberto Sales, ou seja, condensado e tropicalizado.
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Herberto tinha um estilo direto, coloquial, e já vinha sendo usado pela Ediouro para aproximar clássicos estrangeiros dos jovens brasileiros.
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O título foi simplificado para História de um Menino Mau, reforçando o impacto e a curiosidade imediata no público juvenil.
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A adaptação possivelmente suavizou certas referências culturais do século XIX americano, trazendo fluidez para o leitor brasileiro da época.
3. Importância editorial
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Esse tipo de projeto fazia parte da política das coleções populares da Ediouro (Cultura Ouro, Edições de Ouro, Coleção Estrela), que democratizavam o acesso a clássicos estrangeiros.
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A escolha de Herberto Sales para a adaptação dava um selo de legitimidade literária nacional: um autor consagrado recontando um clássico estrangeiro para jovens leitores.
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Assim, o livro é um exemplo de mediação cultural — ponte entre a tradição literária americana do século XIX e a formação leitora brasileira dos anos 60–70.
4. O simbolismo do livro no Brasil
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Para muitos leitores adolescentes brasileiros, este foi o primeiro contato indireto com a linhagem que leva a Mark Twain.
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Ao invés de consumir diretamente um texto de 1870, leram uma versão mais curta, mais clara, sem arcaísmos, feita por um escritor nacional respeitado.
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O fato de estar no selo Cultura Ouro também reforça sua circulação em massa — livros baratos, vendidos em bancas e livrarias populares.
👉 Em resumo:
Este livro não é só uma adaptação; é uma peça chave de como o Brasil dos anos 60–70 nacionalizava clássicos estrangeiros, usando escritores brasileiros como mediadores, e assim formava leitores. História de um Menino Mau é, de certo modo, o elo perdido entre Aldrich (EUA, 1870) → Mark Twain (EUA, 1876) → Ediouro (Brasil, 1970s) → Herberto Sales (mediador cultural).

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