História do Carnaval em Petrópolis: dos Corsos à Passarela
Petrópolis, conhecida como “Cidade Imperial”, guarda uma rica tradição carnavalesca que acompanhou as transformações sociais do século XX. O Carnaval petropolitano, que já foi refúgio da elite carioca, transformou-se em uma festa popular marcada por bailes elegantes, blocos de rua e o surgimento das escolas de samba.
As Origens – O Carnaval da Elite (1900-1930)
No início do século XX, Petrópolis era o destino preferido da burguesia carioca durante o Carnaval. Famílias abastadas fugiam do calor e das doenças do Rio de Janeiro para celebrar na serra. Os corsos — desfiles de carros enfeitados — dominavam as ruas, especialmente na Praça da Liberdade, onde serpentinas e confetes criavam um espetáculo de cores.
A Chegada dos Imigrantes e a Popularização (1940)
Com a Segunda Guerra Mundial e a chegada de imigrantes, o Carnaval ganhou novos ritmos. Bailes de salão no Hotel Cassino Quitandinha (inaugurado em 1944) atraíam artistas e políticos, como Ary Barroso e Lamartine Babo. Paralelamente, nos bairros populares surgiam os primeiros blocos de percussão, embriões das futuras escolas de samba.
O Auge dos Bailes e Blocos (1950-1960)
Petropolitano Futebol Clube – Em 1953, criou o Baile de Máscaras, frequentado por autoridades como o presidente Café Filho.
Serrano Futebol Clube – Tornou-se o maior clube de bairro, com bailes que se estendiam até o amanhecer.
Blocos e ranchos – A Avenida 15 de Novembro (atual Rua do Imperador) virou palco de desfiles que deram origem às escolas de samba locais.
Declínio e Resistência (1980-1990)
Em 1988, uma tragédia causada por fortes chuvas abalou o Carnaval petropolitano. Escolas tradicionais, como a Estrela do Oriente e a 24 de Maio, perderam força, e o apoio da prefeitura diminuiu. Mesmo assim, tradições como o Baile do Preto e Branco (criado em 1987) resistiram, mantendo viva a chama carnavalesca.
Curiosidades
Lança-perfume – Muito popular nos anos 1960, foi proibido na década seguinte.
Clóvis – Figura típica do Carnaval, vestida de preto e com máscara de tela, que assustava foliões.
Veranistas – Nome dado aos cariocas que passavam a temporada de verão na serra.
O Carnaval Hoje
Em 1994, ano desta reportagem, o Carnaval petropolitano já não tinha o mesmo esplendor, concentrando-se em bairros como Itaipava e Nogueira. Mas, como dizia Nelson Cavaquinho, “o samba agoniza, mas não morre”.
Legado
A trajetória do Carnaval em Petrópolis reflete as mudanças sociais brasileiras: de uma festa elitizada à celebração popular, mantendo viva a magia de Momo na serra fluminense.

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