A adaptação de Hamnet (2025) para o cinema foi o encontro de uma narrativa literária devastadora com a estética contemplativa de Chloé Zhao.
Baseado no best-seller de Maggie O’Farrell, o filme não é uma cinebiografia convencional de William Shakespeare. Na verdade, o "Bardo" é quase uma figura secundária. O foco total está em Agnes (interpretada pela sempre visceral Jessie Buckley), sua esposa, e na perda trágica do filho do casal, Hamnet, aos 11 anos.
Zhao (vencedora do Oscar por Nomadland) trouxe para a Inglaterra elisabetana o mesmo olhar que dedica às paisagens americanas:
Beleza Naturalista: Muita luz natural e uma sensação de que a natureza é uma personagem viva. Agnes é uma curandeira ligada à terra, e Zhao captura isso perfeitamente.
Silêncios que Falam: O filme não tem pressa. Ele foca no luto silencioso, no toque e no ambiente, transformando a dor da perda em algo quase palpável.
Desconstrução do Mito: O filme humaniza Shakespeare (vivido por Paul Mescal), mostrando-o não como o gênio intocável, mas como um pai e marido ausente e em luto.
A química entre Paul Mescal e Jessie Buckley é o que sustenta o coração emocional da obra.
Buckley entrega uma Agnes mística, forte e profundamente ferida.
Mescal traz aquela vulnerabilidade contida que já se tornou sua marca registrada, mostrando como a dor de um pai se transforma, eventualmente, na criação de Hamlet.
O filme consolidou ainda mais o nome de Zhao como uma das diretoras mais capazes de traduzir sentimentos complexos em imagens puras, sem precisar de diálogos expositivos.
Hamnet (2025) dir. Chloe Zhao
quarta-feira, janeiro 28, 2026
Hamnet (2025) dir. Chloe Zhao
Assinar:
Postar comentários
(
Atom
)










Nenhum comentário :
Postar um comentário