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segunda-feira, fevereiro 23, 2026

Victor Santos

Quando estudava no Colégio São José, Petropolis (RJ), conheci um dos grandes músicos da MPB  que brilha até hoje.  Aqui, uma matéria sobre Victor Santos publicada em 6 de junho de 1987. Ela anuncia o segundo LP da Orquestra Vittor Santos, "Um Toque Tropical", e traça um perfil do jovem maestro e de sua bem-sucedida orquestra, destacando seu profissionalismo, o repertório do novo disco e a estabilidade do grupo de músicos.



Texto: Maria Antonieta D’Angelo

Foto: Oliveira Junior

Para os que não conheciam o som da Orquestra Vittor Santos, era muito fácil dizer que a mesma não vingaria, considerando a cidade e o fato do dirigente ser um rapaz de 20 anos, na época. Mas não houve pouca idade nem marasmo petropolitano que segurasse tanto talento e eis que vem aí o segundo disco da Orquestra: Um Toque Tropical. O lançamento será em julho, e garante Vittor que este disco é melhor que o anterior, também muito bom.

Até mesmo a produção foi mais atenciosa na confecção deste LP. "Acho que desta vez a Continental acreditava mais no sucesso da gente. Além do mais o repertório é sofisticado e mesclado, já que desta vez incluímos músicas americanas e latinas. O encarte está mais bonito e tivemos três nomes de respeito comentando nosso trabalho: Beth Carvalho, Hermínio Bello de Carvalho e Ian Guest."

Para dar um gostinho de quero ouvir, as músicas são as seguintes: Lado A: Invitation (Kaper Webster). Samba em Prelúdio (Baden e Vinicius); Preciso Aprender a Ser Só (Marcos e P. Sérgio Valle); Vereda Tropical (Gonzalez); Deixa (Baden e Vinicius). Lado B: Potpourri de Boleros com: Frenesi e Perfídia (Alberto Dominguez); Smile (Charles Chaplin); e Aqueles Ojos Verdes (Adolfo Utrera). Na segunda faixa: Nós e o Mar (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli); Caso Sério (Rita Lee e Roberto Carvalho); Apêlo (Baden e Vinicius); Se Acaso Você Chegasse (Lupicínio Rodrigues e Felisberto Martins).

UMA ORQUESTRA SEM ROTATIVIDADE


Em agosto, a Orquestra fará dois anos de existência, e uma característica curiosa é que não só seu público se mantém fiel, mas também seus músicos. Embora nos últimos tempos o número de componentes tenha crescido apenas um saiu.

Atualmente são 21 músicos, e Vittor não nega que de vez em quando se desentendem, mas nunca houve nada de sério, e todos gostam da equipe que formaram. Vittor lamenta que a receptividade por parte dos outros músicos normalmente passe pelo despeito, e acha inclusive de difícil compreensão que isto ocorra. "Já que em Petrópolis é restrito o número de músicos profissionais, o que não acontece com a totalidade dos que atuam na Orquestra. Aqui até o baterista lê partitura. Ninguém toca de ouvido", — argumenta Vittor —, "mas apesar do despeito, a orquestra cresce, e segundo Vittor, muitos músicos vivem só desta renda, e para quem vive de música é a seriedade com que encaram o trabalho."

O próprio Vittor surpreende muitas pessoas com quem trabalha. Com apenas 22 anos, é um profissional sério que formou uma orquestra vitoriosa, e nas horas que lhe restaram grava discos fazendo solos, ou participando como músico. Das últimas gravações que realizou destaca o solo que fez no disco do compositor e guitarrista Júlio Costa, na faixa samba Torto II, e um outro solo que também gostou muito para o disco de Flávio Pantola.

O envolvimento com a orquestra não lhe deixa muito tempo livre. No programa se inclui uma ida à Vitória, e a orquestra vem mantendo contato com alguns empresários do Rio, como o Studio Zero que empresaria Caetano Veloso e Ney Matogrosso. Mas vale a pena todo esse trabalho, quando se pode ver seus resultados. "E resultados cada vez melhores, é o que nos interessa, e sem dúvida, o disco é um deles", afirma Vittor. Agora é só ouvir e conferir. E enquanto o disco não sai, pode se conhecer e bailar ao som da orquestra hoje, a partir das 22 horas no clube Euterpe, no Alto da Serra.

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