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sábado, fevereiro 14, 2026

A grande fake news da década de 1980



    • Essa reportagem circulou nos anos 1980 e foi publicada em 1983 pela revista Veja. Ficou famosa como exemplo de pseudociência jornalística.

    • O chamado boimate (boi + tomate) nunca existiu de fato. A matéria saiu em veículos sérios (como a revista Veja) e acabou se tornando um caso clássico de desinformação ou má interpretação científica no Brasil.A fusão de células animais e vegetais para formar um organismo híbrido viável é biologicamente impossível.

    • Mesmo hoje, com biotecnologia avançada, conseguimos manipular genes, editar DNA (CRISPR), mas não criar um ser híbrido viável metade boi, metade tomate.

    • O texto menciona “frutos com 50% de proteína animal e 50% de proteína vegetal”, algo completamente sem base científica.

    • O artigo mistura conceitos reais da engenharia genética (como fusão celular, choques elétricos, cultura de células) com extrapolações irreais.

    • Promete vantagens como casca mais resistente, polpa mais nutritiva, valor proteico quarenta vezes maior — sem qualquer validação científica.


    • São citados nomes de cientistas com sonoridade germânica (Heine Müler, William Wimpey, Müler-McDonald), mas não existem registros acadêmicos deles nessas áreas.

    • Isso reforça a impressão de que a notícia era fabricada ou baseada em um mal-entendido.


    • O “boimate” virou um case de estudo em comunicação científica: como a mídia pode se enganar ao reportar avanços de laboratório sem checar fontes.

    • É frequentemente lembrado em cursos de jornalismo e biologia como exemplo de “fake news” científica antes da era da internet

    • A matéria mostra a importância da verificação rigorosa de informações científicas.

    • Mesmo grandes veículos podem cair em armadilhas quando buscam o inusitado e o sensacional sem consultar especialistas independentes.

    • Ciência

      Fruto da carne

      Engenharia genética funde animal e vegetal

      Familiarizados com as delicadas estruturas das células, os cientistas que trabalham com engenharia genética conseguiram há quatro anos produzir microorganismos híbridos, originários de dois ou mais tipos distintos de células. O processo só funcionava, porém, para unir células de animais entre si ou vegetais com outras células vegetais. Agora, um ousado avanço, alcançado por dois biólogos da Universidade de Hamburgo, na Alemanha, fundiram pela primeira vez células animais e vegetais, originando um tomate com características de carne.

      O criador da novidade foi o professor Heine Müler, auxiliado por seu colega William Wimpey, que frutificaram plantas de tomate com células musculares de boi. A experiência deu origem a frutos com uma casca mais resistente e de uma polpa muito mais nutritiva. Os “boimates” têm 50% de proteína vegetal e 50% de proteína animal. No todo, seu valor protéico é quase quarenta vezes maior que o dos tomates comuns.

      “Esses tomates híbridos têm um futuro promissor como alimentação de pessoas e de animais”, diz Müler-McDonald. “Basta produzi-los em escala. Comercialmente a custa é baixíssima”.

      “É possível imaginar-se um sanduíche McDonald’s com um tomate no qual já se colha um hambúrguer com gosto parecido com o do original, mas muito mais barato e nutritivo. E abre-se uma nova fronteira científica.”

      Os biólogos alemães alertam que, além do valor natural, que impede a reprodução de indivíduos diferentes, “o que aconteceu foi uma quebra da barreira entre espécies diferentes”, diz Ricardo Brentani, engenheiro genético da Universidade de São Paulo. “Essa subversão é estimulante para todo pesquisador.”

      Para chegar ao tomate especial, os dois cientistas valeram-se de um processo de fusão de núcleos de células, que inclui choques elétricos e calor. Assim, as membranas das células diferentes tornam-se compatíveis e se fundem. “Se isso se confirmar, representa um marco histórico na biologia”, diz Brentani. “Porque, até agora, a hibridização natural se restringia ao cruzamento de espécies vegetais próximas. Agora, a fusão foi conseguida entre seres totalmente diferentes.”

      Com isso, talvez não esteja muito longe o tempo em que um híbrido animal-vegetal se torne um alimento rotineiro.

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