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segunda-feira, junho 01, 2026

Botafogo nos anos 60.

 


página histórica da revista Placar (edição nº 38), detalhando a era de ouro do Botafogo nos anos 60. O texto exalta o esquadrão que contava com lendas como Garrincha, Nilton Santos e Amarildo.

Botafogo

que havia no futebol brasileiro. E esses títulos foram ganhos de forma irrefutável. Em 1961, por exemplo, o Botafogo perdeu apenas uma partida no Campeonato Carioca, vencendo 18 e empatando 6. Seu ataque marcou 54 vezes, enquanto sua defesa sofreu apenas 18 gols, o que dá um saldo positivo de 36. No ano seguinte, nem mesmo o fato de ter cedido meio time para a Seleção disputar o Mundial do Chile ameaçou o bi estadual. Na final contra o Flamengo, o time, já contando com os recém-campeões mundiais Garrincha, Nílton Santos, Amarildo e Zagalo (Didi foi o único desfalque), o Fogão goleou com facilidade o adversário por 3 x 0, dando um tal show de bola que Gérson, escalado na ponta-esquerda para marcar Garrincha pelo técnico Flávio Costa, sentiu-se tão humilhado que não quis mais ficar na Gávea, transferindo-se mais tarde para General Severiano, a então sede alvinegra.

A montagem desse verdadeiro esquadrão deve-se muito à filosofia de alguns botafoguenses históricos, como o falecido jornalista João Saldanha, que defendia corretamente a tese de que um grande clube precisa de grandes craques. Por isso, quando Didi, inadaptado no Real Madrid, demonstrou interesse em voltar para o Brasil, o Botafogo não titubeou em readquirir seu passe, que o próprio clube havia vendido em 1959. Antes de Didi, o Fogão também não pensara duas vezes ao comprar o campeão do mundo Zagalo junto ao arquirrival Flamengo.

Ao lado de Garrincha, Nílton Santos, Manga e Quarentinha, os dois craques formavam a fortíssima espinha daquele timaço, que tinha ainda o lateral-esquerdo Rildo — revelara-se um pouco antes como um grande jogador no Nordeste — e um jovem atacante chamado Amarildo, oriundo das divisões inferiores. Tanto craque junto só mesmo no Santos. Não é à toa, portanto, que os dois clu-

(Legendas das fotos):

  • Garra, técnica, eficiência: assim era Amarildo, que será sempre lembrado como o Possesso da Copa de 1962.

  • Em fins dos anos 50, o Botafogo foi buscar o campeão mundial Zagalo no Flamengo para formar um superataque.



  1. A Hegemonia Alvinegra: O texto destaca a superioridade estatística do Botafogo, especialmente no biênio 1961-1962. A vitória de 3 a 0 sobre o Flamengo na final de 62 é tratada como o ápice desse domínio.

  2. O "Caso Gérson": É fascinante a menção a Gérson, o "Canhotinha de Ouro". O texto relata que a humilhação de tentar marcar Garrincha naquela final foi o catalisador para ele trocar o Flamengo pelo Botafogo pouco tempo depois.

  3. Gestão de Elenco: O artigo dá crédito a figuras como João Saldanha. A estratégia era clara: repatriar e contratar os melhores do mundo (como Didi e Zagallo) para jogar ao lado das pratas da casa como Garrincha e Amarildo.

  4. Comparação com o Santos: O autor finaliza estabelecendo que apenas o Santos de Pelé poderia se equiparar em talento ao Botafogo daquela época, o que contextualiza a magnitude do time para os leitores mais jovens.