NOS ACOMPANHE TAMBÉM :

sábado, fevereiro 07, 2026

ZANZAL MATTAR - O DIARIO do Norte do Paraná (23 05 04)


 DE ASSIS A CERVANTES

O artista maringaense Zanzal Mattar transita com naturalidade entre o sacro e o social: sonha com uma cidade formada por obras de arte

MARCELO BULGARELLI

Equipe O DIÁRIO


Zanzal Mattar em estado de graça e alma. O artista plástico maringaense, muito conhecido pela arte sacra refletida pelas igrejas de toda a região, mergulhou na literatura. Depois de construir Dom Quixotes em esculturas de tamanhos diversos, ele viajou ao final do século 18 para se encontrar com Machado de Assis.

Dom Casmurro é o nome de um futuro centro de convenções, em Marialva, que recebeu esculturas e pinturas de Mattar. É mais uma mostra das obras públicas do artista, conhecido pelos afrescos da Catedral Metropolitana (82), Igreja Cristo Resuscitado (80) além de trabalhos no Centro Português, Hotel Cidade Verde e Atacadão.

Em Marialva, o visitante encontra em frente ao centro de convenções uma personagem lendo um livro. Olhando de perto, é possível perceber que é Machado. Logo ali, no hall de entrada, um painel vai contar a história de Dom Casmurro e de outras inesquecíveis personagens.

Mattar não será eternizado pelas obras sacras. Quer a arte nas ruas, visível ao povo como uma oportunidade de transformar pessoas. Vislumbra a idéia de enxergar a cidade através de esculturas nas praças e jardins. Discretamente, confessa que tem um estudo para o Parque do Ingá. Pensa em homenagear as antigas lavadeiras que trabalhavam nas nascentes do parque. “Lugar de cultura é na praça”, reflete.

Certa vez, ao ser indagado por um padre sobre a razão de pintar personagens bíblicos sem os rostos tradicionais, Mattar respondeu que a arte dele também é para mudar a percepção das pessoas. É necessário causar o estranhamento – é inicial e a fata rar as repetições. O ser pode mudar o mundo no momento em que descobre a possibilidade de mudança dentro desti.

Uma cidade sem artistas é como um jardim sem crianças. A composição é necessária. Quem olhar atentamente para as paredes da Catedral Metropolitana vai descobrir seres alados indicando uma ruptura na arte sacra. São anjos de asas pontiagudas em harmonia com a arquitetura da nave.

E só mesmo um quadro de Mattar para unir, numa única fotografia, políticos tão díspares como Fernando Henrique, Jaime Lerner e o falecido José Cláudio Pereira Neto. A curiosa foto mostra os três juntos, apreciando um autêntico Mattar.

Reconhecido nacionalmente, Mattar é o único artista paranaense ao lado de Poty com trabalho no Museu de Arte Moderna de Londrina. A escultura, “espaço em movimento” remete a um trabalhador sem-terra.

O mesmo social é visto em “menor abandonado”, belo quadro entregue ao papa João Paulo II quando ele visitou Curitiba, em 1980.

Assim é a arte de Mattar. É o sacro, o social, a denúncia. “A arte contemporânea fala do momento que estamos vivendo. O artista capta o mundo da mesma forma que um repórter”. A cor e a forma de Mattar se traduzem em libertação.

Análise da matérsa segundo a IA sobre Zanzal Mattar:

A reportagem pinta um retrato multifacetado e profundamente humanista do artista plástico paranaense Zanzal Mattar, revelando-o como uma figura central e versátil na cena cultural do Paraná. A análise destaca os seguintes aspectos:

1. Um Artista Entre o Sagrado e o Social:

A matéria estabelece desde o título a dualidade que define a obra de Mattar: a transição natural "entre o sacro e o social". Ele é reconhecido nacionalmente por sua arte sacra (afrescos na Catedral Metropolitana de Maringá e na Igreja Cristo Ressuscitado), mas sua ambição artística vai muito além dos muros das igrejas. Seu trabalho é impulsionado por um desejo de transformação social, usando a arte como uma ferramenta para mudar a percepção e a realidade das pessoas.

2. A Arte Pública e a Democratização da Cultura:

Um dos pilares centrais da filosofia de Mattar, destacado na reportagem, é a crença de que a arte deve pertencer ao povo. Sua frase “Lugar de cultura é na praça” sintetiza sua missão de democratizar o acesso à arte, tirando-a de galerias elitizadas e integrando-a ao espaço urbano. Seus projetos para praças e jardins, como a homenagem às lavadeiras no Parque do Ingá, mostram um artista preocupado em contar a história da cidade e honrar seu povo, tornando a arte parte do cotidiano de todos.


3. Das Influências Literárias à Denúncia:

A reportagem mostra um artista erudito e bem-inspirado. Sua imersão na literatura, homenageando Cervantes (Dom Quixote) e Machado de Assis (Dom Casmurro), revela uma profundidade intelectual que fundamenta sua criação. Simultaneamente, sua arte não foge do compromisso com seu tempo. Esculturas como “Espaço em Movimento” (sobre o trabalhador sem-terra) e o quadro “Menor Abandonado” (entregue ao Papa João Paulo II) posicionam Mattar como um artista engajado, que usa sua arte para denunciar injustiças sociais, aproximando-se da função de um "repórter" visual, como ele próprio define.

4. Inovação na Tradição:

Mesmo na arte sacra, Mattar é apresentado como um inovador. A explicação que dá ao padre sobre pintar figuras bíblicas "sem os rostos tradicionais" para "causar estranhamento" e evitar repetições, revela um pensamento artístico moderno e reflexivo. Seus "anjos de asas pontiagudas" na Catedral são um exemplo de como ele introduz uma linguagem contemporânea e pessoal em um gênero artístico tradicionalmente muito codificado.

5. Reconhecimento e Legado:

O texto consolida sua importância ao situá-lo ao lado de Poty Lazzarotto como um dos grandes nomes paranaenses no acervo do Museu de Arte Moderna de Londrina. A anedota sobre o quadro que reuniu políticos díspares como FHC, Jaime Lerner e José Cláudio Pereira Neto é um testemunho curioso do poder unificador e do amplo reconhecimento de sua obra.

Zanzal Mattar emerge da reportagem não como um artista restrito a um único tema ou técnica, mas como um intelectual público cujo medium é a arte. Sua obra é caracterizada por uma síntese rara: o domínio da técnica clássica (afrescos, esculturas), a ousadia da inovação contemporânea, a profundidade das influências literárias e um profundo compromisso ético e social. Ele é retratado como um visionário que sonha em transformar a cidade em um museu a céu aberto, onde a arte seja um direito de todos e um catalisador para a libertação, tanto estética quanto social.

Nenhum comentário :