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quarta-feira, fevereiro 04, 2026

Mamãe é de Morte Washington Post (1993)

 





Mamãe é perigosa

Kathleen Turner fala sobre a comédia em que faz uma terrível assassina

FRANK RIZZO
Washington Post  (1993)

KATHLEEN Turner está resistindo a pequenos contratempos.” Esta frase foi cunhada por ela própria durante as filmagens da comédia surrealista de John Waters Serial mom, na qual interpreta uma doce mãezinha que também é uma assassina psicopata. “Minhas bochechas dóiam depois de um dia dizendo ‘Alguém quer salada de frutas?’”. As bochechas de Turner tiveram outro dia movimentado durante uma série de entrevistas que ela concedeu para promover seu último filme, Undercover blues, outra comédia, lançada semana passada nos Estados Unidos.
Apesar de ser uma das celebridades mais sensuais de Hollywood, Turner também é uma atriz que chafurdou na lama, balançou em candelabros e pulou de ancoradouros. Em Undercover blues ela contracena com outro ator cheio de facetas, Dennis Quaid. Eles representam os agentes secretos Jeff e Jane Blue, que estão tirando uma licença para cuidar de seu bebê quando o dever e as fraldas os chamam. “Acho que Dennis e eu juntos somos bem naturais”, ela diz. “É bom trabalhar com alguém que não tenha problemas na vida. Metade dos atores que conheço estão sofrendo o tempo inteiro e é muito cansativo ter que conviver com isso. O Dennis é muito legal. Nós não temos um problemas de ego.”
“Eu esperava que ela fosse uma diva do cinema”, declarou Quaid numa entrevista recente. “Ela é uma veterana que está sempre pronta a passar por uma situação ridícula para encarnar o personagem”, disse Quaid. O diretor Herbert Ross também a elogiou: “Adoraria ter o metabolismo dela.” Desde sua estréia nas telas em 1981, em Corpos ardentes, Kathleen Turner trabalhou em muitas frentes, da comédia e da aventura — O médico erótico (1983), Tudo por uma esmeralda (1984) e A jóia do Nilo (1985) — a dramas fora do padrão, como A honra do poderoso Prizzi, de John Huston (1985), e Peggy Sue, seu passado a espera, de Francis Ford Coppola (1986).

Ela fez também escolhas diferentes para uma estrela de seu porte, como Crimes de paixão, de Ken Russell (1984), pegando um pequeno papel em O turista acidental (1988), e fazendo a voz de Jessica Rabbitt em Uma cilada para Roger Rabbitt (1988). E nem todas as suas escolhas foram boas. O drama Julia e Julia (1987) e a comédia Troca de maridos foram verdadeiros fracassos.

Undercover blues é o primeiro grande filme de Turner em um bom tempo, depois do mal sucedido policial V. I. Warshawski (1991). Recentemente ela teve boas notícias de um filmezinho independente bem sério, House of cards, lançado no último verão americano. A atriz de 39 anos é brusca ao falar dos últimos comentários sobre sua carreira. “O executivo de um estúdio me disse outro dia que estou envelhecendo muito bem.” Ela pára, e dá um olhar enfurecido. “Tenho uma carreira que me deixa muito orgulhosa, e acho que conquistei respeito por minhas escolhas. Mas estou realmente ficando cansada de ser julgada pelo meu envelhecimento físico. Pro inferno com isso. Enquanto estiver me sentindo bem, continuo na ativa. Minha imagem
não está mudando, eu estou mudando.”

Uma das maiores mudanças é seu desejo de enfrentar novos desafios. Um deles foi aceitar o convite do diretor cult John Waters (Hairspray, Cry baby e Pink flamingos), que a escalou no papel principal de Serial mom. “Não dá para definir o John Waters”, ela diz, nitidamente apaixonada por seu divertido diretor. “Ele apenas vê as coisas de um jeito diferente do resto de nós. É engraçado, simpático, e sempre leva a família para o estúdio. A mãe dele, um dia, me perguntou se não iam achar o personagem da mãe assassina inspirado nela. Eu disse que ela não devia se preocupar.”
Em Serial mom, que deve ser lançado em fevereiro, ela esmaga um homem com um condicionador de ar. “Depois mato Patty Hearst com um telefone porque ela está usando sapatos brancos depois do dia de trabalho, e também acerto uma mulher na cabeça com uma perna de carneiro, ao som de Tomorrow. Não me perguntem por que, não tenho a mínima idéia. Mas é engraçado como o diabo. Serial Mom é o maravilhoso tipo de risco que só existe quando se está fazendo algo que poderia não funcionar sem você. Isso é irresistível.”
Kathleen Turner também pensa em dirigir e está tentando encontrar o material certo para sua estréia. Hoje ela vive em Nova Iorque com seu marido, Jay Weiss, com quem está casada há 7 anos:
“Moro no West Side, onde não preciso me maquiar para comprar o jornal”, diz. “Não gosto de estar numa cidade-empresa como Los Angeles. Ela me sinto mais segura em Nova Iorque.”




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