O retorno sombrio: The Exorcist III
Lançado em 1990, The Exorcist III chegou aos cinemas quase vinte anos após o clássico absoluto de William Friedkin. Baseado no romance Legion, escrito pelo próprio William Peter Blatty (autor do livro original O Exorcista), o filme não tenta ser uma continuação convencional da história de Regan MacNeil. Ao contrário, Blatty explora uma dimensão mais filosófica e metafísica do horror, privilegiando atmosfera e diálogos existenciais em detrimento de choques fáceis.
A trama se concentra no Tenente Kinderman (George C. Scott), que investiga uma série de assassinatos brutais em Georgetown. As mortes carregam a assinatura do infame “Gemini Killer”, executado anos antes. A investigação leva Kinderman a um hospital psiquiátrico, onde encontra um paciente enigmático que parece ser tanto o Padre Damien Karras quanto o próprio assassino (interpretado com intensidade febril por Brad Dourif). Esse duelo entre fé, dúvida e o mal absoluto constitui o coração do filme.
O grande trunfo de The Exorcist III está no clima opressivo que Blatty constrói. A direção privilegia longos planos, corredores vazios e uma cadência narrativa que beira o hipnótico. A famosa cena do “jump scare no hospital” tornou-se uma das mais comentadas do gênero, não só pela eficácia, mas pelo domínio do tempo cinematográfico. Blatty sabe esticar a tensão até o limite antes da explosão.
O elenco contribui de forma decisiva. George C. Scott traz peso humano ao papel de Kinderman, equilibrando sarcasmo e desespero, enquanto Brad Dourif entrega uma das performances mais inquietantes de sua carreira, alternando fúria demoníaca e lucidez desconcertante. Sua presença é magnética, quase teatral, e justifica sozinha a força do filme.
Entretanto, o filme carrega também marcas da interferência do estúdio. A exigência de inserir uma cena explícita de exorcismo no clímax — ausente na versão original de Blatty — gera certo descompasso estético. O resultado é uma conclusão que soa apressada e convencional, destoando da investigação cerebral e metafísica que domina a maior parte da narrativa.
Apesar disso, The Exorcist III sobrevive ao tempo como um dos mais subestimados thrillers sobrenaturais dos anos 1990. É um filme de horror adulto, mais preocupado em debater fé, moralidade e a persistência do mal do que em repetir os choques visuais do primeiro longa. Para muitos fãs, inclusive, trata-se da verdadeira sequência de O Exorcista, ignorando a problemática Parte II (1977).
No fim, o que Blatty entrega é um pesadelo teológico — um thriller policial com roupagem metafísica, que desafia o espectador a encarar o horror não como espetáculo, mas como algo que se infiltra nos corredores da mente e da fé.
The Exorcist III (1990) - Directed by William Peter Blatty
quarta-feira, fevereiro 18, 2026
The Exorcist III (1990) - William Peter Blatty
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