“Hipócritas” (1915), dirigido por Lois Weber, é considerado um dos filmes mais ousados e polêmicos do cinema mudo norte-americano. Lois Weber foi uma das primeiras mulheres a dirigir longas-metragens em Hollywood, além de ser pioneira no uso da linguagem cinematográfica para abordar questões sociais, morais e religiosas.
Enredo e Estrutura
O filme apresenta uma narrativa alegórica em duas linhas paralelas:
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De um lado, um ministro contemporâneo que luta para transmitir ao seu rebanho a necessidade da verdade espiritual, mas enfrenta resistência e hipocrisia.
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De outro, a história de um monge medieval que esculpe a alegoria da Verdade nua, provocando o escândalo e a rejeição de sua comunidade.
Essa duplicidade reforça a ideia de que a busca pela verdade universal sempre esbarra na hipocrisia humana, independentemente da época.
Estilo e Inovações
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Weber utilizou efeitos fotográficos inovadores para a época, como múltiplas exposições e sobreposições, criando imagens oníricas e alegóricas.
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A personificação da Verdade nua (interpretada pela atriz Margaret Edwards) foi um marco: uma mulher que aparece sem roupas, não em tom erótico, mas como símbolo de pureza e franqueza. Isso causou grande polêmica, gerando censura em várias cidades dos EUA.
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Os diretores de fotografia Dal Clawson e George W. Hill ajudaram a criar a estética que mistura realismo e alegoria visual.
Importância Histórica
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“Hipócritas” reforça Lois Weber como uma cineasta que desafiava padrões sociais e morais, além de ser uma das primeiras mulheres a explorar o cinema como ferramenta de debate filosófico e ético.
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O filme também antecipa discussões sobre liberdade de expressão, censura e o papel da arte em confrontar tabus.
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Hoje, é lembrado tanto por sua ousadia estética quanto por seu valor histórico no cinema de vanguarda americano do início do século XX.
Em algumas exibições, cartazes anunciavam que o público poderia ver uma “mulher totalmente nua” no filme — algo que atraiu atenção, mas ao mesmo tempo gerou proibições e cortes, revelando justamente a contradição que o título denuncia: a hipocrisia da sociedade diante da arte e da verdade.
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