NOS ACOMPANHE TAMBÉM :

segunda-feira, fevereiro 16, 2026

“Hipócritas” (1915)

 







Hipócritas” (1915), dirigido por Lois Weber, é considerado um dos filmes mais ousados e polêmicos do cinema mudo norte-americano. Lois Weber foi uma das primeiras mulheres a dirigir longas-metragens em Hollywood, além de ser pioneira no uso da linguagem cinematográfica para abordar questões sociais, morais e religiosas.

Enredo e Estrutura

O filme apresenta uma narrativa alegórica em duas linhas paralelas:

  • De um lado, um ministro contemporâneo que luta para transmitir ao seu rebanho a necessidade da verdade espiritual, mas enfrenta resistência e hipocrisia.

  • De outro, a história de um monge medieval que esculpe a alegoria da Verdade nua, provocando o escândalo e a rejeição de sua comunidade.

Essa duplicidade reforça a ideia de que a busca pela verdade universal sempre esbarra na hipocrisia humana, independentemente da época.

Estilo e Inovações

  • Weber utilizou efeitos fotográficos inovadores para a época, como múltiplas exposições e sobreposições, criando imagens oníricas e alegóricas.

  • A personificação da Verdade nua (interpretada pela atriz Margaret Edwards) foi um marco: uma mulher que aparece sem roupas, não em tom erótico, mas como símbolo de pureza e franqueza. Isso causou grande polêmica, gerando censura em várias cidades dos EUA.

  • Os diretores de fotografia Dal Clawson e George W. Hill ajudaram a criar a estética que mistura realismo e alegoria visual.

Importância Histórica

  • “Hipócritas” reforça Lois Weber como uma cineasta que desafiava padrões sociais e morais, além de ser uma das primeiras mulheres a explorar o cinema como ferramenta de debate filosófico e ético.

  • O filme também antecipa discussões sobre liberdade de expressão, censura e o papel da arte em confrontar tabus.

  • Hoje, é lembrado tanto por sua ousadia estética quanto por seu valor histórico no cinema de vanguarda americano do início do século XX.

 Em algumas exibições, cartazes anunciavam que o público poderia ver uma “mulher totalmente nua” no filme — algo que atraiu atenção, mas ao mesmo tempo gerou proibições e cortes, revelando justamente a contradição que o título denuncia: a hipocrisia da sociedade diante da arte e da verdade.

Nenhum comentário :