Carmilla (1872), a pioneira novela gótica de Sheridan Le Fanu que inspirou Drácula e estabeleceu os códigos do vampiro feminino na literatura
Trecho (A Sedução Vampírica):
"Às vezes, após horas de silêncio, Carmilla me dizia, com um suspiro: 'Você é minha, você será minha, e você e eu somos uma só para sempre'. Então seus lábios se aproximavam do meu pescoço, e eu sentia duas agulhas finas perfurando minha carne — mas era um sonho... era sempre um sonho... ou não?"
(Capítulo 4 — Os beijos noturnos)
A jovem Laura narra suas experiências ambíguas com a misteriosa Carmilla, que chega à sua casa após um "acidente" suspeito. A cena mistura erotismo e horror, desafiando os tabus vitorianos sobre sexualidade feminina.
A Revelação
"No caixão aberto, vestida de branco, com os lábios rubros como sangue fresco, jazia Millarca — ou Carmilla — ou Mircalla, Condessa Karnstein, morta há 150 anos! Seu rosto estava rosado, suas unhas crescidas como garras... e em seu peito, uma estaca de madeira."
(Capítulo 15 — A verdadeira identidade)
Le Fanu baseou sua vampira em lendas reais da Europa Oriental, dando nome histórico ao mito (Condessa Mircalla Karnstein) e influenciando Stoker.
Lesbianismo Gótico: A relação entre Carmilla e Laura é a primeira representação de atração vampírica entre mulheres na literatura.
Histeria Feminina: Os desmaios e febres de Laura refletem diagnósticos médicos da época para sexualidade "desviante".
Duplicidade: Carmilla alterna entre ternura e predação, questionando quem é a verdadeira vítima.
O Ataque na Cama
"Acordei com um peso sobre meu peito — Carmilla estava sobre mim, seus olhos brilhando no escuro como os de um gato. Sua boca estava manchada de vermelho, e quando gritei, ela fugiu pela porta... mas a porta estava trancada por dentro."
(Capítulo 8 — O primeiro ataque)
Essa cena estabeleceu o tropo do vampiro que invade quartos à noite, depois replicado em Drácula e milhares de outras obras.
Publicada 25 anos antes de Drácula, Carmilla já usava técnicas como diários médicos e documentos históricos para dar veracidade.
O nome "Carmilla" vem do latim carmen (encantamento) + illa (diminutivo feminino) — "pequena feiticeira".
A obra inspirou filmes como The Vampire Lovers (1970) e a série Carmilla (2014-2016).
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