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domingo, março 29, 2026

View-Master - Rio de Janeiro






 essas duas edições do View-Master dedicadas ao Rio de Janeiro são documentos fascinantes não só do ponto de vista turístico, mas também do imaginário visual estrangeiro sobre o Brasil nas décadas de 1960 e 1970.


🗺️ Contexto Geral — “World Travel Series”

O View-Master criou a linha World Travel como parte de sua expansão internacional, vendida principalmente nos EUA e na Europa. Cada conjunto trazia 21 imagens estéreo (em 3D) que apresentavam uma cidade ou país de forma condensada, quase como um documentário portátil.
O foco era sempre em cores vibrantes, exotismo, arquitetura e folclore — uma forma de transformar o mundo em espetáculo para o consumo doméstico.


🌞 1. “Rio de Janeiro” – edição anos 1960

A segunda imagem (a da praia de Copacabana com guarda-sóis e banhistas) representa o Rio da era da Bossa Nova, em pleno ciclo de glamour turístico.

  • O enquadramento privilegia o corpo, o sol e a praia, símbolos de modernidade tropical.

  • A tipografia em vermelho, solta e manual, evoca leveza e espontaneidade.

  • O clima é de cartão-postal cinematográfico, quase um fotograma de uma comédia praiana dos anos 1960.

Essa edição foi pensada para um público americano ou europeu que via o Brasil como paraíso sensual e exótico, uma “nova Riviera” — imagem reforçada por revistas como Life e filmes como Orfeu Negro (1959).


🎭 2. “Rio de Janeiro” – edição 1979 (GAF View-Master)

A primeira imagem, de 1979, já mostra outra abordagem:

  • A cidade aparece através de dois polos icônicos — o Carnaval (à esquerda) e o Pão de Açúcar (à direita).

  • A diagramação é mais rígida, com linhas azuis e uma estética mais “corporativa”, típica da GAF (empresa que comprou a View-Master nos anos 1970).

  • O Carnaval é mostrado como espetáculo noturno, de brilho e fantasia; o Rio, como paisagem de cartão-postal.

Aqui, o exotismo ganha um tom turístico institucional: é o Brasil promovido para o mundo durante o final da ditadura militar, quando o governo investia em campanhas de turismo internacional (“Brasil: ame-o ou deixe-o”, Embratur etc.).
O país é apresentado como vitrine tropical moderna, já sem o romantismo artesanal dos anos 60.

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