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domingo, março 15, 2026

Pirralhos e Pessoas Perfeitas

                        Artigo da revista TIME de 13 de agosto de 1979




Pirralhos e Pessoas Perfeitas

Ah, sim, talvez a gracinha ainda esteja por aí, em algum canto. Roddy McDowall, em A Força do Coração, podia fazer a boneca Barbie parecer uma heroína trágica. A Elizabeth Taylor de 11 anos em A Mocidade é Assim Mesmo tinha uma beleza e um aprumo que certamente seriam notados. Margaret O'Brien em E a Vida Continua podia chorar com ou sem motivo; de qualquer forma, era inevitável. Eram os "bebês" superdotados dos anos 30 e 40, e o fato de Baby LeRoy ter arrancado o nariz de W.C. Fields no set de Um Velho Ninho sempre nos lembra que sob a fachada de Hollywood reside o coração de um protestante descontente.

Mas a posterior escola de atores infantis de LeRoy — um naturalismo com fofura e um sentimentalismo acentuado — raramente era convincente. Quando Jackie Cooper, por exemplo, chorava em O Campeão, ele parecia mais um adotado pelo pai doente do que o filho do lutador. Com poucas exceções, como as crianças em O Rei do Bairro, os astros infantis daqueles dias, quando choravam, choravam baldes de xarope de bordo. Pense na desavergonhada doçura de Freddie Bartholomew em O Pequeno Lord. Com a exceção visionária de O Rei do Bairro, é um cinema de cachos empoeirados que se parece mais com mastros de maio do que com marcos.

A morte, por exemplo, parece menos pungente em suas mãos do que em um cartão de condolências. A morte de Elizabeth Taylor no final de Lassie (1943) parece projetada para equiparar o céu com um canil.

Foi preciso uma boa dose de coragem e algo como um gênio para mudar isso. Judy Garland, em O Mágico de Oz, e Mickey Rooney, em A Cidade dos Rapazes, conseguiram. Mas foi após a Segunda Guerra Mundial, à medida que os estilos mudavam e um novo realismo social surgia, que as crianças no cinema começaram a atuar com seriedade. "Somos os artistas perfeitos", escreveu James Agee em uma crítica de A Força do Coração para a revista Nation em 1946. "Não é de se admirar que gostemos de nos ver."

Apenas um mês antes, Margaret O'Brien e a igualmente jovem Peggy Ann Garner haviam combinado charme de rua e polidez de salão de beleza para dar a Laços Humanos um toque sombrio e ousado. À medida que as crianças começavam a ver o mundo como ele era — uma ameaça sempre presente de todos os lados —, os filmes sobre a infância ficavam melhores.

O final dos anos 40 foi uma época de cinema notável sobre crianças. Filmes como Alemanha, Ano Zero, de Roberto Rossellini, e Ladrões de Bicicleta, de Vittorio De Sica, olham para o lado sombrio da rua, onde crianças endurecidas pela guerra eram confrontadas com a fome e a morte.

Na Inglaterra, o diretor Carol Reed escalou Bobby Henrey como o filho solitário de um diplomata em O Ídolo Caído, que era sobre a separação abrupta e chocante do ideal.

Cineastas e roteiristas americanos, mais astutos e cautelosos, raramente correram tais riscos. O jovem Dean Stockwell, quase romanticamente belo, deu uma performance impecavelmente natural em O Menino dos Cabelos Verdes, um filme sobre um órfão de guerra cujos cabelos ficam verdes. Mas Stockwell teve que lutar contra um roteiro que era um melodrama descarado. John Ford, em Como Era Verde o Meu Vale, escalou o jovem Roddy McDowall. Foi uma das primeiras performances juvenis a explorar a força básica da infância, mas o filme, um tanto sentimental, antecipou os sonhos dos pobres. Para ser justo com o filme de Ford, o garoto com a espingarda em Shane é um dos momentos mais arrepiantes da história do cinema, mas não é uma criança, é um arquétipo.

Da mesma forma, ninguém usou, também, a frase "pessoas perfeitas" de Truffaut para descrever o sentimento adolescente perfeito em The Last Picture Show (A Última Sessão de Cinema), de Peter Bogdanovich. Bogdanovich, ele mesmo um crítico de cinema, traçou para Jean Vigo, cujo Zero de Comportamento foi feito sem compromisso profissional, e para François Truffaut, cuja estreia na direção, Os Incompreendidos, é um grande poema à juventude rebelde e incompreendida. Mas é George Roy Hill, em Butch Cassidy, que deu ao cinema americano a sua mais perfeita elegia à infância.

Enquanto isso, havia duas crianças excêntricas de filmes de terror que, energizadas, mas não afetadas, por sua possessão demoníaca, pareciam mais anormais do que assustadoras.

Enquanto isso, havia insinuações muito tênues de coisas sombrias no horizonte. Na versão original de A Tara Maldita, de 1956, havia crianças aparentemente normais encenando uma parábola de assassinato e ressurreição, enquanto seus pais mantinham o corpo da mãe morta em um armário.

Filmes como esses lançam um brilho de leviandade sobre a maior parte do que é feito hoje. Hollywood, no entanto, é o baluarte do sentimentalismo profissional. A morte da mãe de Ricky Schroder em O Campeão é recebida com uma reação pequena, mas previsível. Consequentemente, tem havido um retorno aos dramas familiares açucarados na televisão, como The Goodbye Girl e a família sit-com.

O sinal de esperança: uma nova versão de Um Pequeno Romance, de George Roy Hill, que escalou Kristy McNichol e Christopher Atkins para os papéis principais. O diretor está atualmente em pré-produção, e a escalação não foi anunciada. Ele nunca atuou antes, em um teste de elenco aberto. Ninguém poderia dizer que seu pai, ou mesmo sua filha, já o viram.

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