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domingo, março 15, 2026

A Poética do Abandono de Dimitri Bourriau

 Sentem-se, acomodem-se. Hoje não vamos falar de cidades que crescem, mas de palácios que silenciam.

Se você é frequentador assíduo aqui do Bar, sabe que temos uma queda por "coisas que o tempo levou". Mas o fotógrafo francês Dimitri Bourriau (o homem por trás da lente do Jahz Design) elevou isso a um nível artístico absurdo. Ele percorre a Europa, especialmente a França, atrás de castelos e mansões que foram esquecidos por herdeiros, pelo governo e pelo próprio mundo.

Trouxe três joias do acervo dele para a gente analisar enquanto a bebida não esquenta:

1. O Manoir aux Palmiers: Onde o Trópico Encontra o Clássico



Na primeira imagem, vemos uma mansão imponente que parece estar sendo engolida por um exército verde. O detalhe das palmeiras à frente dá um ar exótico, quase surrealista, para o interior da França. É o contraste perfeito: a rigidez das janelas francesas contra o caos orgânico da vegetação. É como se a casa estivesse pedindo: "Abandone-me com mais força".

2. O Château des Cheminées: Sentinelas de Tijolo



Olhem para essas chaminés listradas na segunda foto. Elas parecem dedos apontados para o céu, testemunhas de um teto que já não existe mais. Este castelo, conhecido no meio Urbex como o "Castelo das Chaminés", mostra o esqueleto da nobreza. Sem o telhado, o sol invade o que antes era o lugar mais privado da elite. A hera sobe pelas torres como se estivesse tentando costurar as feridas da pedra.

3. O Château Rouge: O Outono Eterno



A terceira imagem nos traz o "Castelo Vermelho". Com seus tijolos aparentes e torres laterais, ele remete a uma era de caçadas e verões intermináveis. Mas reparem nas janelas: são órbitas vazias. Não há mais ninguém olhando para fora. O tapete de folhas secas no chão não será limpo por nenhum jardineiro. Aqui, o outono não é uma estação, é um estado permanente.

O trabalho de Bourriau nos faz questionar: quem ganhou a batalha? O homem que construiu algo tão grandioso para durar séculos, ou a natureza que, com paciência e silêncio, retoma cada centímetro de volta?

Como diria Flannery O’Connor, "de onde você veio já não existe mais". Esses castelos são a prova física disso. Eles são portais para um passado que não tem mais volta, mas que, graças ao olhar de fotógrafos como Dimitri, ainda conseguem nos arrepiar.

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