Rachel de Oliveira Coelho nasceu e cresceu na Cidade Alta, em Maringá. Criada na Rua Evaldo Braga, em meio a ruas com nomes de artistas como Carmen Miranda, Maísa e Vinícius de Moraes, ela viveu uma infância típica dos anos 1980: brincadeiras na rua, pouca televisão e muita terra nos pés. “Fui uma criança travessa, dei trabalho para minha mãe”, relembra, com humor.
Estudante da Escola Estadual Vinícius de Moraes, foi ali que aprendeu a ler e começou a formar seu olhar curioso para o mundo. Apesar de não ser exatamente fã dos estudos na infância, havia uma disciplina que sempre a mobilizou: História. O interesse, no entanto, não a levou imediatamente para essa área.
Rachel ingressou primeiro no curso de Jornalismo, em 1997, na então Cesumar. Ela conta que a escolha teve muito de idealização: a figura do jornalista dinâmico, quase cinematográfico, inspirava aquela jovem que ainda buscava seu caminho. O incentivo decisivo veio da mãe, que sugeriu a nova graduação quando o curso abriu na cidade.
Durante a formação, também iniciou História na UEM, curso que concluiu em 2005, após enfrentar greves e um período de trancamento. Ao terminar as graduações, decidiu sair de Maringá e passou um ano no Rio de Janeiro. Sem conseguir se firmar profissionalmente na área, mergulhou na cena cultural carioca como espectadora: teatro, grupos independentes, circulação artística intensa. Experiência que, mais tarde, influenciaria profundamente sua atuação.
De volta a Maringá, Rachel começou a trabalhar no jornal O Diário. Seu primeiro grande convite foi cobrir o Femucic — festival que, anos antes, já havia sido tema de seu Trabalho de Conclusão de Curso, transformado em livro por meio de lei de incentivo. A partir daí, passou a atuar principalmente no caderno de Cultura e em projetos como o “Diário na Escola”.
Ela relembra que sempre quis permanecer na editoria cultural, decisão que, acredita, pode ter limitado sua trajetória dentro da redação. Nunca foi efetivada como repórter e, após três anos de tentativas, deixou o jornal frustrada por se sentir desvalorizada. Coberturas marcantes, como velórios de figuras públicas da cidade, reforçaram tanto o peso quanto a responsabilidade da profissão.
Após sair do Diário, foi convidada para assumir a Gerência de Patrimônio Histórico na Secretaria de Cultura de Maringá. O convite partiu da então secretária Flor Duarte, que reconheceu sua formação também em História. Rachel permaneceu cerca de três anos no cargo, em um período politicamente tenso, marcado por pressões e disputas ideológicas.
Ela não esconde que enfrentou dificuldades no ambiente político — inclusive episódios públicos envolvendo posicionamentos antigos em blogs pessoais. Ainda assim, reconhece que o período foi importante: foi com o salário da função comissionada que conseguiu concluir a construção da própria casa, garantindo estabilidade para seguir na área cultural.
A transição para a produção cultural aconteceu de forma gradual. Atuando em assessorias de imprensa para projetos e festivais, Rachel percebeu que já exercia também funções de produção. Assim nasceu a Dois Coelhos Comunicação e Cultura, empresa que une assessoria de imprensa e produção cultural — “dois coelhos” em uma só proposta.
Hoje, ela analisa a cena cultural de Maringá como mais ampla e diversa do que no início de sua carreira, muito impulsionada pelos cursos de artes da UEM. Ao mesmo tempo, aponta fragilidades: dependência de editais públicos, instabilidade de políticas culturais e, principalmente, a ausência de crítica especializada consistente na cidade.
Sobre o jornalismo cultural local, é direta: considera-o quase inexistente. Para ela, a crítica — feita com responsabilidade e contextualização — é fundamental para o amadurecimento da cena. Sem veículos fortes e sem tradição consolidada, artistas e produtores acabam circulando em um ambiente de pouca confrontação estética.
Rachel afirma que não sente falta da redação tradicional. Encontrou na produção cultural um espaço onde consegue unir comunicação, estratégia e formação de público. Para ela, o produtor cultural é um agente estratégico, capaz de preencher lacunas, estruturar a cena e colocar a cidade em circulação. Entre frustrações, reinvenções e resistência, sua trajetória revela alguém que nunca deixou de acreditar na cultura como ferramenta de transformação local.
Encontros com a Imprensa” é um programa semanal apresentado por Marcelo Bulgarelli que reúne jornalistas, repórteres, fotógrafos, radialistas, cinegrafistas e colunistas para celebrar suas histórias mais marcantes. O programa vai ao ar todas as sextas-feiras, às 13h, e aos sábados, às 16h, na rádio UEM FM 106,9, no YouTube da UEM TV e no Spotify.
Outros episódios no Spotify.:
Alexandre Gaioto • Amarildo Legal • Andreia Silva •
Andye Iore -Antonio Carlos Moretti • Antonio Roberto de Paula - Brenda Caramaschi •
Bruno Peruka • Claudio Galetti • Claudio Viola -
Dayane Barbosa • Diniz Neto - Dirceu Herrero • Edilson Pereira • Eduardo Xavier •
• Edvaldo Magro • Everton Barbosa • Gilson Aguiar • Ivan Amorim •
Juliane Guzzoni • Kris Schornobay • Leonardo Filho • Luiz de Carvalho - Marcos Zanatta -
Messias Mendes • Milton Ravagnani - Natália Garay
PauloPupim • Rachel Coelho - Regina Daefiol • Ricardo de Jesus Souza, o Salsicha •Roberta Pitarelli-
Robson Jardim - Ronaldo Nezo - - Rogério Recco -
Sandro Ivanovski • Sérgio Mendes e Rose Machado
Solange Riuzim • Thaís Santana • Valdete da Graça •
Vanessa Bellei • Victor Ramalho -Victor Simião -
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