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sexta-feira, março 20, 2026

Rita Lee j Fatos & Fotos Gente (1977)

 

📰 Fatos & Fotos Gente (1977)



Em Família
Picurucha é tão bonitinho (e risonho) que Rita Lee já está pensando em ter um batalhão de filhos. Por causa dele até sua música mudou de ritmo. Do rock para o acalanto.

Com apenas quatro meses de vida, Picurucha pode se tornar o responsável por uma importante renovação na música popular brasileira. Por causa dele, sua mamãe — a esfuziante Rita Lee — sem deixar de adorar o rock — pode amenizar o compasso de seus frenesis e entrar numa cadência mais pausada. Ao mesmo tempo em que o bebê dá nó à ternura do acalanto.
Músicas de acalanto, maternidade e picardia (do registro da vida civil do pequeno filho de Rita Lee e do também músico Bob Lee) “nasceu”, de alguma maneira, a nova fase da vida da cantora.
Rita Lee, aliás, adora brincar com a ideia de que o filho surgiu do desejo de compor para crianças, que ainda são puras. “É bem mais para dar do que para trocar.”

Ela está consciente de não ter muito a falar para quem já está feito. O seu negócio agora é investir no futuro, modelar, construir o amanhã, o alfabeto e as crianças. Enquanto isso, Picurucha vai embasbacando os pais (o pai é o ex-músico do conjunto Secos e MolhadosRoberto Carvalho) com seus sorrisos e umedecendo as roupas alheias. Muito sua mãe. Alheios a tudo, absorvem esse mundo sublinear.

Durante a gravidez, ainda mais barriguda, Rita estava pesadíssima de emoção. Mas de um jeito doce, mole, maternal. Mesmo depois que Picurucha nasceu, ela não mudou muito.

Aos 28 anos, cinco a mais que o marido e companheiro musical (a dupla assina Trampo Produções — que fundaram para administrar o conjunto Tutti Frutti), também só pensa em filhos e discos.

O rock, porém, continua — mas agora mais doce, mais lírico. Rita e Roberto são um casal especialíssimo. Trabalham juntos, se divertem juntos, falam de música, filhos e mulheres com naturalidade.

“Meu marido, Rita Lee, está sempre comigo e Roberto. Lemos, trabalhamos e viajamos juntos. Bob Lee é muito calmo. Ele chora pouco e ri para nós o tempo todo. Agora estamos tranquilos. Bob passou por cima de tudo. Numa boa. Nós mesmos coruja que o pai. Rita curte intensamente o filho. ‘Eu aproveito desesperadamente dele o máximo que posso. Durante a gravidez li muito sobre puericultura, sobre bebê. Mas um pouquinho só. No dia a dia aprendo tudo o que é fundamental. Fiz questão de dar o peito, de cuidar pessoalmente. Me senti mais mãe e menos pessoa física.’”

Para os dois, o nascimento do filho foi o coroamento de um amor já sereno e estável.
“Não houve crise, nem depois da prisão”, diz Rita.

Ela se refere ao período em que ficou detida por porte de maconha. “Foi um sofrimento, mas também um aprendizado. Depois daquilo, amadureci muito. Na prisão, aprendi muita coisa sobre a vida, inclusive as mais perigosas para os inocentes como eu. As presas foram maravilhosas comigo. Elas faziam de tudo para que eu ficasse bem. As mulheres me deram muito carinho.”

Rita passou quinze dias presa e foi libertada em liberdade condicional. “Nos fins de semana, eu só podia ir à rua com autorização do juiz. Mas considero essa fase da minha vida muito importante.”

Depois da prisão, não houve mais nenhuma crise. Agora, com o filho, Rita pensa em multiplicar a experiência.
“Quero ter um batalhão de filhos. Não quero que Bob seja filho único. Acho que criança precisa de criança.”

Enquanto o bloco não sai, Rita vai cuidando do seu trabalho com entusiasmo.
Atualmente, ela estava grávida de três meses e descobriu que esperava uma menina.

Ela encontrou maconha. “Foi engraçado. A coisa mais chata do mundo é ser presa e ficar sendo olhada por qualquer pessoa.”

Ela se diz absolutamente segura e consciente. “Ninguém poderia fazer nada contra mim e o filho que eu carregava.”

Desquitada, a cantora não pretende viver uma nova experiência matrimonial. “Eu e Roberto não somos casados. E daí? Não pretendo entrar nessa de segundo casamento.”

Às vezes, por suas imposições profissionais, Rita tem de se afastar de Bob. “O máximo que já fiquei longe dele foi dois dias. Já fico com saudade.”

Nesses períodos, é o pai quem toma conta de Picurucha.
“Ele fica comigo o tempo todo”, diz Rita. “Meu marido é ótimo pai. O Bob faz tudo com muito carinho.”

A vida com Bob e Picurucha deu a Rita uma segurança sólida, firme, serena.
“Hoje sou mais mulher, mais madura e menos menina. E é por isso que me sinto cada vez melhor, mais alegre, mais viva. E feliz.”

A artista encerra a conversa:
“Já passei dos 15 anos — tenho só som para dar.”

(Reportagem de Graça Neiva — Fotos de Mitue Shiguihara)

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