revista Amigão (nº 380, de 1977): o crítico A.C. Gomes de Mattos, analisa o seriado de TV que estava sendo reprisado na época pela TV Record (SP) e TV Estúdio Silvio Santos (RJ).
POR DENTRO DOS SERIADOS
A.C. GOMES DE MATTOS
Galeria do Terror, suspense sem vampiros nem lobisomens
Um seriado que está alcançando bons índices de audiência, embora se trate de uma reprise é "Galeria do Terror" ("Night Gallery"), exibido em São Paulo pela TV Record e no Rio pela TV Estúdio Silvio Santos. Verdade que o gênero conta com grande aceitação dos espectadores, tendo inclusive seus adeptos incondicionais, que não se incomodam com a costumeira implausibilidade da trama nem se importam se a dose de sustos, que os realizadores gostam sempre de espalhar em alguns trechos da narrativa, passar um pouco da conta.
Nem todos os quadros desta exposição terrorífica são satisfatórios, mas num ou noutro respeitou-se a lição de Val Lewton, um produtor de cinema dos anos 40 que sabia o que dizia quando falava de filme de horror. Para ele o horror tinha que ser sugerido: nada de vampiros ou lobisomens metendo medo com suas caras feias. Pavor sem monstros é mais eficiente. Contudo, muita gente poderá achar que há pobreza de imaginação ou inverossimilhança na maioria das histórias desta série, mas convém lembrar que não se pode esperar de um despretensioso seriado de televisão o mesmo rigor de um filme de Lewton ou de outro cineasta do gabarito dele.
O organizador desta coletânea de episódios foi Rod Serling, autor de telepeças notáveis como "Patterns" ("História de um Egoísta") e "Requiem for a Heavyweight" ("Réquiem por um Lutador"), depois transformadas em filmes. Fez também o roteiro de "The Planet of the Apes" ("O Planeta dos Macacos") e criou o seriado "Twilight Zone", que obteve enorme êxito. Se ele não acertou na escolha de alguns enredos, pelo menos o espetáculo vale pelo escapismo.
