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domingo, outubro 12, 2014

Ecos de  Halloween (1978)








































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Dia das Crianças


A morte prematura da infância

A morte prematura da infância
As crianças já não tem mais tempo para brincar enquanto professores tentam recuperar os antigos jogos e brincadeiras infantis 

Marcelo Bulgarelli 
Publicado originalmente em O DIÁRIO 
DO NORTE DO PARANÁ -   Maringá

 "Junto a minha rua havia um bosque Que um muro alto proibia Lá todo balão caía, toda maçã nascia E o dono do bosque nem via" O tal bosque existiu apenas na imaginação de Chico Buarque de Hollanda que aos 20 anos compôs essa preciosidade chamada "Até Pensei". Boa parte da infância de Chico foi em São Paulo sem direito a maçãs roubadas no pé, mas que eram degustadas pela imaginação. É possível que hoje as crianças não subam mais na árvore ou sonhem em ter uma casa entre os galhos. Não convidem meninos para brincar de rolimã ou meninas para ir ao céu na amarelinha. Desculpe, mas as crianças estão muito ocupadas ultimamente... “Estamos criando adultos em miniatura”. A preocupação parte da psicóloga maringaense Patrícia Freitas, 28. Além da agenda cheia, as crianças estão sendo obrigadas, cada vez mais cedo, a se comportarem como adultos. Plunct, plact, zuum. Não vai a lugar nenhum. É lógico que toda criança sempre tenta imitar os pais, mas ocorre que são os papais e mamães que andam incentivando a abreviação da infância. Freitas fica assustada com a moda infantil imitando as a indumentária adulta e a falta de socialização. O melhor amigo é o videogame, a televisão. “Estamos perdendo as crianças para a mídia eletrônica”. O desaparecimento da infância faz com que as crianças de hoje corram o risco de se tornarem adultos em busca da inocência e da criatividade perdida. A brincadeira deu lugar para o consumo de bens materiais. Um capítulo a mais para a história da patologia comportamental. Se hoje você quiser ver um menino soltando pipa ou andando brincado de rolimã, vai encontra-lo nos bairros periféricos da cidade. Talvez, sejam felizes apesar de viveram numa sociedade de consumo onde o “ter” tomou lugar do “ser” . Assim, qualquer brincadeira é um sinônimo de competição (quem sabe, exista um bom prêmio no final sem precisar atravessar o arco-íris).


 BRINCADEIRAS
 Crianças brincando pelas ruas não fazem mais parte da paisagem urbana das cidades. Não é à toa que hoje as escolas tentam recuperar o tempo perdido. Tanto nas particulares como as unidades públicas de Maringá, professores estão ensinando como é brincar de pião, cabra cega, fantoche ou até mesmo de boneca. Isso mesmo: aquela boneca de pano feita pela avó, não a adulta e consumista Barbie. Mas como foi dito no início da matéria, as crianças não tem tempo. Os pais querem dar para os filhos tudo aquilo que não tiveram na infância. Enchem a agenda com aulas de natação, inglês e informática. O filho não tem mais “corriolas” na rua (nesses tempos de hoje, até brincar na rua se tornou preocupante).
 NA TELEVISÃO
 A agenda cheia foi percebida pelos programas de tevê. A segunda versão de O Sitio do Pica Pau Amarelo tem apenas um quarto de hora. A primeira versão, produzida pela Globo (entre 1977/1981) durava até meia hora. “Hoje as crianças não ficam mais do que 15 minutos paradas”, argumentam os produtores. Vamos pegar carona nessa cauda de cometa: Os desenhos animados produzidos hoje são histéricos. A ação é constante. Zé Colméia e os Os Flinstones correm o risco a se tornarem “filme de arte” devido a “calma” do desenrolar das tramas. Os ídolos infantis também mudaram. Alguns educadores acusam a apresentadora Xuxa de ter iniciado a erotização da infância com seus requebros e brincadeiras sem qualquer orientação pedagógica. Enquanto o programa Vila Sésamo ensinou toda uma geração a ler e somar, Xuxa mostrou que é gritando que se consegue as coisas. O pior viria depois com o requebro de popozudas e afins. A industria cultural está tomando para si ( e com o consentimento dos pais) a formação instantânea do indivíduo, ignorando as etapas do crescimento promovidas pela família, livros e escolas. Teremos, em breve, adultos de resultados. Compra-se imaginação, bane-se a criatividade.

segunda-feira, outubro 06, 2014

Poema de Peter Handke, in Asas do Desejo, de Win Wenders



Poema de Peter Handke, in Asas do Desejo, de Win Wenders


Als das Kind Kind war,
ging es mit hängenden Armen,
wollte der Bach sei ein Fluß,
der Fluß sei ein Strom,
und diese Pfütze das Meer.
Als das Kind Kind war,
wußte es nicht, daß es Kind war,
alles war ihm beseelt,
und alle Seelen waren eins.
Als das Kind Kind war,
hatte es von nichts eine Meinung,
hatte keine Gewohnheit,
saß oft im Schneidersitz,
lief aus dem Stand,
hatte einen Wirbel im Haar
und machte kein Gesicht beim fotografieren.
Als das Kind Kind war,
war es die Zeit der folgenden Fragen:
Warum bin ich ich und warum nicht du?
Warum bin ich hier und warum nicht dort?
Wann begann die Zeit und wo endet der Raum?
Ist das Leben unter der Sonne nicht bloß ein Traum?
Ist was ich sehe und höre und rieche
nicht bloß der Schein einer Welt vor der Welt?
Gibt es tatsächlich das Böse und Leute,
die wirklich die Bösen sind?
Wie kann es sein, daß ich, der ich bin,
bevor ich wurde, nicht war,
und daß einmal ich, der ich bin,
nicht mehr der ich bin, sein werde?
Als das Kind Kind war,
würgte es am Spinat, an den Erbsen, am Milchreis,
und am gedünsteten Blumenkohl.
und ißt jetzt das alles und nicht nur zur Not.
Als das Kind Kind war,
erwachte es einmal in einem fremden Bett
und jetzt immer wieder,
erschienen ihm viele Menschen schön
und jetzt nur noch im Glücksfall,
stellte es sich klar ein Paradies vor
und kann es jetzt höchstens ahnen,
konnte es sich Nichts nicht denken
und schaudert heute davor.
Als das Kind Kind war,
spielte es mit Begeisterung
und jetzt, so ganz bei der Sache wie damals, nur noch,
wenn diese Sache seine Arbeit ist.
Als das Kind Kind war,
genügten ihm als Nahrung Apfel, Brot,
und so ist es immer noch.
Als das Kind Kind war,
fielen ihm die Beeren wie nur Beeren in die Hand
und jetzt immer noch,
machten ihm die frischen Walnüsse eine rauhe Zunge
und jetzt immer noch,
hatte es auf jedem Berg
die Sehnsucht nach dem immer höheren Berg,
und in jeden Stadt
die Sehnsucht nach der noch größeren Stadt,
und das ist immer noch so,
griff im Wipfel eines Baums nach dem Kirschen in einem Hochgefühl
wie auch heute noch,
eine Scheu vor jedem Fremden
und hat sie immer noch,
wartete es auf den ersten Schnee,
und wartet so immer noch.
Als das Kind Kind war,
warf es einen Stock als Lanze gegen den Baum,
und sie zittert da heute noch.
Quando a criança era criança,
andava balançando os braços,
queria que o riacho fosse um rio,
que o rio fosse uma torrente
e que essa poça fosse o mar.

Quando a criança era criança,

não sabia que era criança,
tudo lhe parecia ter alma,
e todas as almas eram uma.

Quando a criança era criança,

não tinha opinião a respeito de nada,
não tinha nenhum costume,
sentava-se sempre de pernas cruzadas,
saía correndo,
tinha um redemoinho no cabelo
e não fazia poses na hora da fotografia.
Quando a criança era uma criança
era a época destas perguntas:
Por que eu sou eu e não você?
Por que estou aqui, e por que não lá?
Quando foi que o tempo
começou, e onde é que o espaço termina?
Um lugar na vida sob o sol não é apenas um sonho?
Aquilo que eu vejo e ouço e cheiro
não é só a aparência de um mundo diante de um mundo?
Existe de fato o Mal e as pessoas
que são realmente más?
Como pode ser que eu, que sou eu,
antes de ser eu mesmo não era eu,
e que algum dia, eu, que sou eu,
não serei mais quem eu sou?
Quando uma criança era uma criança,
Mastigava espinafre, ervilhas, bolinhos de arroz, e couve-flor cozida,
e comia tudo isto não somente porque precisava comer.
Quando uma criança era uma criança,
Uma vez acordou numa cama estranha,
e agora faz isso de novo e de novo.
Muitas pessoas, então, pareciam lindas
e agora só algumas parecem, com alguma sorte.
Visualizava uma clara imagem do Paraíso,
e agora no máximo consegue só imaginá-lo,
não podia conceber o vazio absoluto,
que hoje estremece no seu pensamento.
Quando uma criança era uma criança,
brincava com entusiasmo,
e agora tem tanta excitação como tinha,
porém só quando pensa em trabalho.
Quando uma criança era uma criança,
Era suficiente comer uma maçã, uma laranja, pão,
E agora é a mesma coisa.
Quando uma criança era criança,
amoras enchiam sua mão como somente as amoras conseguem,
e também fazem agora,
Avelãs frescas machucavam sua língua,
parecido com o que fazem agora,
tinha, em cada cume de montanha,
a busca por uma montanha ainda mais alta,e em cada cidade,
a busca por uma cidade ainda maior,
e ainda é assim,
alcançava cerejas nos galhos mais altos das árvores
como, com algum orgulho, ainda consegue fazer hoje,
tinha uma timidez na frente de estranhos,
como ainda tem.
Esperava a primeira neve,
Como ainda espera até agora.
Quando a criança era criança,
Arremessou um bastão como se fosse uma lança contra uma árvore,
E ela ainda está lá, chacoalhando, até hoje
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