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quarta-feira, agosto 05, 2026

Os 25 Anos do Fantástico

 Contigo nº 1.196 - 18/08/98 - Editora Abril


Fantástico

A voz da família

Completando 25 anos no ar, o programa que se consolidou como atração dominical aposta na interatividade

Por MARIANA CASTRO

No dia 5 de agosto de 1973 a família brasileira parava pela primeira vez em frente à TV para assistir ao Fantástico, o Show da Vida. Era só o começo do que se tornaria um hábito, quase uma obrigação, das noites entediantes de domingo. Para muita gente, começar a semana sem ter ouvido a famosa música escrita por José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, é como pular o domingo.

Em 25 anos, a atração que se consolidou como o programa para a família agora é o programa da família. Por meio do Painel do Fantástico, hoje, quem assiste ao programa pode opinar sobre os assuntos abordados ou votar em sua matéria preferida.

Criado para ser uma revista de variedades na TV, o Fantástico sempre foi eclético. Teve sua fase voltada à paranormalidade, à saúde, ao shows e musicais, ao jornalismo em geral. Agora, o que dá o tom ao programa é a interatividade.

A cada edição, no final do programa o Fantástico apresenta uma pesquisa para avaliar qual matéria caiu no gosto do público, para, na semana seguinte, detalhar o assunto. Temas polêmicos também ganham direito a pesquisas de opinião.

Um dos quadros que já estreou usando e abusando do recurso foi o Altos Papos, comandado pelo jornalista Zeca Camargo. Dirigido aos jovens, pais e adolescentes podem expor seu ponto de vista em relação a temas que vão de sexo e Aids à maneira mais adequada de terminar um namoro.

Mesmo antes de ocupar boa parte do programa, pesquisas de opinião já faziam parte da história do Fantástico, que comemora seus 25 anos com um quadro especial — no ar até o final do ano — com seus melhores momentos.

Passagens memoráveis é que não vão faltar. Se o Você Decide consolidou a idéia de interagir com o público, definindo seu final a partir da opinião de telespectadores, o Fantástico já exibia, no final dos anos 70, um quadro nos mesmos moldes.

O quadro Você É o Juiz, uma espécie de fórum popular de pequenas causas, contava com a participação do público.

— O quadro ia ao ar no início do programa e o resultado era mostrado no final. Além dos telefonemas recebidos pela produção, o Ibope fazia a pesquisa de opinião — conta José Itamar de Freitas, que dedicou vinte anos de sua vida ao Fantástico, quinze deles como diretor-geral.

— O Fantástico sempre foi um programa de grande impacto popular. Com os avanços tecnológicos, a partir de 1993 o Fantástico passou a usar recursos eletrônicos, que agilizam a obtenção dos resultados. Hoje, todo o serviço de participação do público via telefone é terceirizado.

Segundo Freitas, o programa passa a ser elaborado em função dos resultados apontados pelas pesquisas.

Para Manoel Carlos, autor da novela Por Amor, "o Fantástico é o melhor programa da TV", por acompanhar tendências e estar em sintonia com o interesse do telespectador. Ele foi diretor-geral da atração em 1973 e, até o ano passado, participava de reuniões da equipe.

— A criação do programa saiu da proposta de fazer uma revista de variedades que refletisse os principais acontecimentos da semana, com conteúdo jornalístico e artístico — diz. — O Fantástico se mantém há tanto tempo no ar porque acompanha tendências e mostra o que o telespectador quer ver — analisa.

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