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sexta-feira, agosto 14, 2026

Lukas by Lukas: A Arte e a Trajetória do Cartunista

 Lukas by Lukas: A Arte e a Trajetória do Cartunista


Maringá, sexta-feira, 07 de maio de 1999 | O DIÁRIO do Norte do Paraná


Por Marcelo Bulgarelli — Da equipe de O DIÁRIO

Foto de Nelson Jaca pupim


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O Início de Tudo e o "Padrinho" Jaguar

Ele nasceu em Mandaguari, tem um sobrenome polonês impronunciável e hoje é o autor de uma das colunas mais lidas e vistas nas páginas de *O DIÁRIO*. Seu nome completo é Marcos César Lukaszewingz

O sobrenome longo foi encurtado graças ao legendário **Jaguar**, um dos principais nomes do histórico jornal *O Pasquim*. Em 1985, o jovem mandou seus desenhos para o Rio de Janeiro com uma dose de audácia:

> "Sou o melhor cartunista do Paraná. Só que não sei disso."

A resposta de Jaguar veio rápida e certeira: *"Você pode ser o melhor cartunista do Paraná, mas seu sobrenome é impronunciável. Que tal Lukas?"*. A partir dali, nascia o codinome que marcaria a imprensa regional.

No início, muitos colegas acharam que ele estava maluco ao tentar viver exclusivamente dos desenhos. *"Hoje faço o que gosto, tenho como me sustentar e trabalho sem pressão"*, comemora Lukas, sem esquecer as dificuldades econômicas e os momentos de altos e baixos do início da carreira.

A Vitrine em O DIÁRIO

No início da década de 90, Lukas já era um nome conhecido em Maringá. Em 1991, assumiu sua coluna diária no jornal. "O DIÁRIO é uma vitrine", define.

Em cerca de oito anos de casa, o cartunista estima já ter produzido cerca de **12 mil cartuns**. Como o humor mexe com feridas cotidianas, alguns desenhos foram mal interpretados no caminho, rendendo três processos judiciais que acabaram arquivados. *"Eu ainda era meio moleque e acabei mexendo com uma pessoa, ao invés de criticar uma instituição"*, relembra.

O Processo Criativo

Para criar, não há rotina ou hora marcada. As ideias surgem de repente: no bar, na rua ou até mesmo durante o sono.

*"Sabe, velho, às vezes estou dormindo e vem o cartum todinho na minha cabeça, em movimento. Pena que nem sempre lembro dos meus sonhos."*

 A Enxuta Galeria de Personagens

Lukas trabalha com um universo focado de criações que conquistaram o público:

Vaguizinho: O garoto sacana que, segundo o autor, "is o filho que Lukas ainda não teve". Através dele, o cartunista expressa suas preocupações e revoltas com a situação do país.

Odenilson e Argentino:Os paranaenses típicos que nunca abriram a boca para falar, mas estão sempre com o fumo aceso. O cartunista se identifica com eles, embora brinque: *"O Argentino é mais bonito do que eu".

Apesar do sucesso de suas charges, Lukas faz questão de desmistificar a profissão de cartunista no dia a dia. Se alguém o chamar para animar festinhas de aniversário ou batizados, a resposta é curta: **"Sou muito ruim de piada"**. O humor dele funciona no papel.

Reconhecimento e Novos Projetos

O talento de Lukas cruzou fronteiras e recebeu elogios públicos de mestres do traço, como Ziraldo, nas páginas da Folha de S.Paulo. "Fiquei arrepiado quando li. Sou fã desse cara", conta.

 Exposição na Biblioteca Municipal

Para quem deseja ver a arte do cartunista de perto, seus trabalhos estão reunidos em uma exposição na **Biblioteca Municipal Bento Munhoz da Rocha**. A mostra traz um apanhado de charges com humor leve e atemporal.

Novo Livro: "Demais Graças"

Após o sucesso de "O que vier eu traço"(lançado em 1991), Lukas já prepara o seu segundo livro de coletâneas, que se chamará "Demais Graças"

Aos 36 anos, o cartunista se autodefine de forma bem-humorada como um "preguiçoso assumido" que, nas horas vagas, ataca de cozinheiro e adora jogar videogame. Por trás da simplicidade, ele sabe o poder que o traço tem: o humor, muitas vezes sutil, é mais corrosivo que páginas inteiras de críticas textuais. Atinge sem atirar e desarma sem ameaçar.

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