terça-feira, agosto 01, 2017

Mãe nossa que estais na terra


Nas aldeias dos Andes, a mãe terra, a Pachamama, celebra hoje a sua grande festa.
Dançam e cantam seus filhos, nessa jornada sem fim, e vão oferecendo para a terra um
pouco de cada um dos manjares do milho e um golinho de cada uma das bebidas fortes que
molham a sua alegria.
E no final, pedem a ela perdão por tanto dano, terra saqueada, terra envenenada, e suplicam
a ela que não os castigue com terremotos, nevascas, secas, inundações e outras fúrias.
Essa é a fé mais antiga das Américas.
Assim os maias tojolabales cumprimentam a mãe, em Chiapas:
Você nos dá feijões,
que são tão saborosos
com pimenta, com tortilha.
Você nos dá milho, e café do bom.
Mãe querida,
cuide bem de nós, cuide bem.
E que a gente jamais pense
em vender você.
Ela não mora no Céu. Mora nas profundidades do mundo, e lá nos espera: a terra que nos
dá de comer é a terra que nos comerá.

(Eduardo Galeano - Os Filhos dos Dias)



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