extraído do livro "O Ritmo Dissoluto", de 1924.
NOTURNO DA MOSELA
A noite... O silêncio... Se fosse só o silêncio! Mas esta queda d’água que não pára! Que não pára! Não é de dentro de mim que ela flui sem piedade?... A minha vida foge, - e sinto que foge inutilmente!
O silêncio e a estrada ensopada, com dois reflexos intermináveis...
Fumo até quase não sentir mais que a brasa e a cinza em minha boca. O fumo faz mal aos meus pulmões comidos pelas algas. O fumo é amargo e abjeto. fumo abençoado, que és amargo e abjeto!
Um pequenina aranha no peitoril da janela e a teiazinha levíssima.
Tenho vontade de beijar esta aranhazinha...
Petrópolis, 1921

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