Obras-Primas do Conto de Terror", publicado pela Livraria Martins Editora em 1958. A obra é uma antologia com seleção, introdução e notas de Jacob Penteado, contando com capa ilustrada por Isabel Soblier.
Análise do Conteúdo
A introdução do livro aborda o gênero "conto de terror", diferenciando-o do conto fantástico. Enquanto o conto fantástico estaria ligado ao lirismo, o conto de terror busca resolver-se em si mesmo, focando em narrativas "eletrizantes" que pretendem capturar o leitor e oferecer perspectivas novas, muitas vezes confrontando a monotonia da rotina e a realidade objetiva.
Lista de Autores e Contos
A antologia reúne uma variedade de autores clássicos e renomados da literatura mundial e brasileira. Abaixo, os contos listados:
Schiller: Uma aventura singular
Charles Brockden Brown: Uma noite com uma pantera
Thomas de Quincey: Confissões de um comedor de ópio
Prósper Mérimée: A Vênus de Ille
Jules Barbey d'Aurevilly: O sinete
Edgar Allan Poe: O gato prêto
Ernest Hello: Um homem corajoso
Henry James: O romance de uns velhos vestidos
Paul Verlaine: A mão do major Müller
Guy de Maupassant: A mão esfolada
Manuel José Othón: Um encontro pavoroso
Conan Doyle: O unicórnio
Afonso Celso: Valsa fantástica
Gabriel d'Annunzio: O herói
Luigi Pirandello: O outro filho
Somerset Maugham: O homem de Glasgow
Giovanni Papini: Prisioneiro de si mesmo
Viriato Correa: A cobra preta
Humberto de Campos: Os olhos que comiam carne
Fannie Hurst: O peixe
Miguel Torga: O leproso
W. F. Harvey: A morte tem cinco dedos
Henry Kuttner: O vampiro
Gabriel Marques: Mêdo
OBRAS-PRIMAS DO CONTO DE TERROR
O que interessa realmente, acima de distinções críticas, é que aqui temos uma série de histórias eletrizantes que vão prender o leitor da primeira à última palavra, revelando aspectos contraditórios e excepcionais do ambiente físico e humano a que estamos ligados. O homem de hoje, encerrado numa vida recalcitrante e febril, bitolado na estereotipada ordem da realidade objetiva, infensa ao sonho e ao devanelo, procura sempre um sôpro sobrenatural, como a querer desvencilhar-se da monótona série de convenções que o prendem. A literatura de terror vem expressamente obviar esta ambição, abrindo perspectivas novas e de aparente inverossimilhança, levando a imaginação a delirantes fugas, fugas estas sempre estigmatizadas pelo sentimento da fragilidade de tudo que a mesmice rotineira erigiu em verdade dogmática.
Compõem esta antologia contos dos seguintes autores: Schiller, Uma Aventura Singular; Brown, Uma Noite com uma Pantera; Quincey, Confissões de um Comedor de Ópio; Mérimée, A Vênus de Ille; D’Aurevilly, O Sinête; Poe, O Gato Prêto; Hello, Um Homem Corajoso; James, O Romance de uns Velhos Vestidos; Verlaine, A Mão do Major Müller; Maupassant, A Mão Esfolada; Othón, Um Encontro Pavoroso; Doyle, O Unicórnio; Afonso Celso, Valsa Fantástica; D’Annunzio, O Herói; Pirandello, O Outro Filho; Maugham, O Homem de Glasgow; Papini, Prisioneiro de Si Mesmo; Viriato Correa, A Cobra Preta; Humberto de Campos, Os Olhos que Comiam a Carne; Hurst, O Peixe; Torga, O Leproso; Harvey, A Morte tem Cinco Dedos; Kuttner, O Vampiro; e Gabriel Marques, O Mêdo.
Prosseguindo em sua fase de notáveis lançamentos, a Coleção OBRAS-PRIMAS apresenta ao seu inumerável público mais uma antologia. O tema central, agrupador das composições, é agora o conto de terror. Gênero complexo, palpitante, surge entrelaçado e, por vêzes mesmo, confundido com o conto fantástico, cuja coletânea já foi lançada por esta Coleção. Uma diferença teórica, no entanto, se impõe: enquanto o conto fantástico desponta na literatura a fantasia, vinculada quase sempre a um lirismo, o conto de terror assoma resolvendo-se em si mesmo, buscando em si próprio as suas finalidades. Contos fantásticos há que nada têm de terrífico e vice-versa.

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