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quinta-feira, setembro 17, 2026

o primeiro serial killer de Portugal

Diogo Alves (1810–1841) é frequentemente apontado na cultura popular como o primeiro serial killer (assassino em série) de Portugal, embora historiadores apontem que grande parte da sua fama romanesca carece de rigor documental.

Como ele foi executado em 1841, a fotografia ainda estava nos seus primórdios e não existem registos fotográficos dele em vida. No entanto, o que sobreviveu de forma impressionante - e que frequentemente é associado a imagens públicas sobre ele - é a fotografia da sua cabeça preservada em formol, mantida até hoje na Faculdade de Medicina de Lisboa. Além disso, existem algumas ilustrações e litografias da época que retratam o criminoso ou o seu julgamento.


Origem e Contexto

Nascido em Samos, na região da Galiza (Espanha), Diogo Alves emigrou jovem para Lisboa em busca de melhores condições de vida, tal como muitos compatriotas da época. Na capital portuguesa, trabalhou inicialmente como criado em casas abastadas, inserindo-se nos estratos mais desfavorecidos de uma cidade marcada por grandes desigualdades. Com o tempo, acabou por enveredar pelo mundo do crime.

O Mito do Aqueduto das Águas Livres

Ficou célebre no imaginário coletivo português como o "assassino do Aqueduto das Águas Livres". Segundo a lenda popular e diversas narrativas de cordel e ficção, Diogo Alves emboscava-se nas imediações do monumento durante a noite, atacando pessoas indefesas — como lavadeiras e agricultores que regressavam a casa — para as roubar e, em seguida, atirá-las do aqueduto de uma altura de cerca de 65 metros. Acredita-se popularmente que o seu modus operandi tenha vitimado dezenas de pessoas (algumas fontes exageram para mais de 70 ou até uma centena) entre 1836 e 1839.

No entanto, investigações históricas modernas sublinham que a ligação direta de Diogo Alves a dezenas de mortes específicas dentro do aqueduto é difícil de comprovar documentalmente, misturando-se fortemente com o mito urbano e a literatura de época.

Prisão e Execução

O fim da linha para Diogo Alves não ocorreu devido às supostas mortes no aqueduto, mas sim após a formação de uma quadrilha que cometeu assaltos violentos. Ele e o seu grupo foram capturados e levados à justiça após o assassinato brutal de um médico e de toda a sua família na respetiva residência.

Foi condenado à pena de morte por enforcamento, tendo a execução ocorrido a 19 de fevereiro de 1841, no Cais do Tojo, em Lisboa.

A Cabeça Preservada

Um dos aspetos mais macabros e conhecidos associados a Diogo Alves é o destino do seu corpo. Após a execução, a cabeça foi decepada e preservada num frasco com formol para ser estudada por frenólogos e cientistas da época (que tentavam encontrar no formato do crânio explicações biológicas para o comportamento criminoso).

Esta cabeça preservada continua guardada e visível até hoje no Teatro Anatómico da Faculdade de Medicina de Lisboa, tornando-se um artefato histórico e bizarro que frequentemente desperta curiosidade pública e inspira obras literárias, artísticas e cinematográficas. 

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