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quinta-feira, julho 23, 2026

Heitor Marcon

 

Mais de 40 anos de carreira, milhares de imagens produzidas e incontáveis histórias registradas. Para o fotógrafo Heitor Teixeira Marcon, a fotografia sempre foi muito mais do que equipamentos e técnica: o verdadeiro foco está nas pessoas. Essa é uma das principais reflexões compartilhadas durante sua participação no programa Encontros com a Imprensa, da Rádio UEM FM e UEM TV, apresentado pelo jornalista Marcelo Bulgarelli.

Natural de Maringá, Heitor contou que nunca imaginou seguir a profissão. Depois de trabalhar em uma fábrica de boxes de alumínio, ingressou na antiga TV Manchete como operador de VT. A mudança definitiva aconteceu quando foi convidado pelo fotógrafo Nelson Jaca Pupim para integrar a equipe de O Diário do Norte do Paraná, onde aprendeu o fotojornalismo ao lado de profissionais que marcaram sua formação.

Ao longo da entrevista, relembrou coberturas que deixaram marcas profundas. Entre elas, destacou o desaparecimento de dois jovens em Maringá, quando um simples chinelo boiando na água se transformou na imagem que simbolizou toda a tragédia. Também afirmou que, em diversas ocasiões, precisou decidir entre fotografar ou ajudar pessoas em situação de risco, optando pela solidariedade quando percebeu que poderia fazer diferença.

Heitor também compartilhou episódios curiosos da carreira. Em um comício político, fingiu fotografar uma agressão para inibir a violência praticada por seguranças. Já em outro momento, viveu um dos maiores equívocos profissionais ao registrar quase toda a apresentação escolar da instituição errada antes de perceber o engano.

Além do fotojornalismo, construiu uma sólida trajetória na fotografia publicitária ao lado da esposa, Solange Marcon, com quem manteve o Estúdio 2 por cerca de 25 anos. Em uma viagem de trabalho, acabou registrando por acaso um eclipse parcial do sol em Cuiabá, fotografia que se tornou uma de suas favoritas.

Ao falar sobre a evolução da profissão, destacou as transformações provocadas pela fotografia digital. Para ele, embora a tecnologia tenha democratizado a produção de imagens, ela também ampliou as responsabilidades do fotógrafo. Ainda assim, acredita que o diferencial continua sendo o olhar de quem está atrás da câmera, independentemente do equipamento utilizado.

As histórias humanas seguem sendo sua maior inspiração. Entre os relatos mais emocionantes está o encontro com uma mãe em situação de extrema vulnerabilidade durante uma reportagem em Maringá e a cobertura de um caso de feminicídio em Mandaguari, quando os objetos deixados na casa revelaram, de forma silenciosa, a dimensão da tragédia.

Atualmente, Heitor integra a Assessoria de Comunicação da Universidade Estadual de Maringá (ASC/UEM). Fora do trabalho, dedica-se à marcenaria, prepara um novo estúdio fotográfico em casa e planeja uma exposição com imagens de grandes shows registrados ao longo da carreira, incluindo apresentações dos Paralamas do Sucesso.

Ao fazer um balanço da trajetória, Heitor afirma não cultivar arrependimentos. Para ele, até mesmo os erros contribuíram para sua formação. Depois de mais de quatro décadas fotografando pessoas, acontecimentos e emoções, conclui que seu maior patrimônio não são as imagens produzidas, mas as histórias e os encontros que a fotografia lhe proporcionou.

O Encontros com a Imprensa vai ao ar às sextas-feiras, às 13h, e aos sábados, às 16h, pela UEM FM 106,9, com transmissão também no YouTube da UEM TV e no Spotify.

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