Maringá, sexta-feira, 07 de julho de 2000 | ARTE . CULTURA . LAZER | B-1
'DEMOS GRAÇAS', O NOVO LIVRO DE LUKAS
Cartunista de O DIÁRIO lança hoje o seu segundo livro com o melhor do humor reunindo personagens famosos como Argemiro, Vagauzinho e Odenilson
Marcelo Bulgarelli Da equipe de O DIÁRIO
Tão tradicionais quanto o caderno de classificados, os cartuns de Lukas estão presentes desde 1991 nas páginas de O DIÁRIO. Aos domingos, a coluna dele é uma das mais lidas. E um pouco desse universo, ao lado de personagens como Vagauzinho, Argemiro e Odenilson, estão agora no novo livro do cartunista, Demos Graças.
O lançamento será hoje, às 20 horas, na Sala Joubert de Carvalho, anexo à Biblioteca Bento Munhoz da Rocha Neto. "A renda do livro será destinada à compra de um sofá novo e quem sabe, uma casa para colocá-lo", brinca Lukas, ou melhor, Marcos César Lukaszewigz, 38. Passou a assinar Lukas após mandar desenhos para o Pasquim, um dos editores do extinto semanário, Jaguar, mandou uma carta de apresentação, dizendo que "era o melhor cartunista do Paraná". O público concorda.
"E que mundo a rir de tudo isso", justifica o cartunista, dos equívocos públicos. Traço ágil e humor corrosivo, Lukas iniciou sua carreira desenhando para fanzines em São Paulo e fez ilustrações para a revista País e Filhos e depois para a regional de Maringá. Foram dois anos com uma charge diária, além de uma coluna dominical para ganhar a vida trabalhando com classificados de cereais até 89. Em 13 anos produziu mais de 12 mil cartuns, ilustrações e textos. Assim que entrou para O DIÁRIO, lançou o primeiro livro, "O que vier eu traço", uma coletânea com 170 trabalhos.
MISANTROPO
Na apresentação de Demos Graças, Lukas se define como um misantropo, alheio a badalações. Passa o tempo de onde anda, jogando videogame e lendo livros. Uma rápida olhada em suas estantes é possível identificar obras de Jack Kerouac, Jordi Font e Bukowski.
O livro demorou para sair. Não necessariamente por falta de verba, mas pelo "latinismo". Lukas se acha um tanto preguiçoso, mas não para os seus desenhos. Hoje, O DIÁRIO é a sua grande vitrine com quem manteve uma regular correspondência. Ele é um amigo e colaborador de Disney, Karl Barks, e também dos traços de Hergé, o belga que criou Tintim.
VAGAUZINHO
Mas os seus personagens nascem do cotidiano, das piadas, do fato. Vagauzinho é uma sátira do "vaga-lume", personagem criado para a campanha política de Ricardo Barros. Lukas decidiu, na ocasião, criar um anti-herói. Passou em frente da Secretaria do Meio Ambiente quando leu a palavra "vagau" no mais. Foi o que bastou e o carismático Vagauzinho começou a carreira fumando. Mais tarde, quando foi contratado para fazer uma campanha educativa para uma livraria, decidiu largar o vício. "Foi em respeito às crianças". Lukas sempre manteve a ética, respeitou as minorias sociais, mas esses cuidados não impediram o aparecimento de alguns problemas.
ARGEMIRO
Certa vez, fez uma página com desenhos das "grandes figurinhas políticas maringaenses". Um político, de origem nordestina, não gostou da caricatura e principalmente da legenda: "grau de achatamento encefálico". O incidente foi esquecido. Hoje, Lukas mantém esse ato de ingenuidade. O filho, Argemiro dos Santos, esnoba-se sempre: de boca aberta, é fã de música. Surgiu por acaso durante uma exposição em que Lukas participaria. Símbolo do cara, no entanto, nos primeiros cartuns, foi Odenilson, se excede no humor nonsense. Seus cartuns não são apenas admirados, mas acompanhados com atenção pelos políticos. Mas o melhor de tudo, está em seu livro. Sempre sutil, e muitas vezes incisivo, Demos Graças ao Lukas.
SERVIÇO Demos Graças - Lançamento do livro do cartunista Lukas - hoje, às 20 horas, na Sala Joubert de Carvalho. Entrada franca.

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