Andréa Tragueta relembra quase 30 anos no O Diário e diz que ainda não consegue passar em frente ao antigo jornal
Quase três décadas dedicadas ao jornal impresso fizeram de Andréa Tragueta uma das mais respeitadas diagramadoras de Maringá. Convidada do Encontros com a Imprensa, da Rádio UEM FM e UEM TV, apresentado pelo jornalista Marcelo Bulgarelli, ela relembrou sua trajetória profissional, as transformações do jornalismo e a emoção de viver o último dia de funcionamento de O Diário do Norte do Paraná.
Natural de Palotina, Andréa conta que desde criança tinha dois sonhos: morar em Maringá e trabalhar em um jornal. O primeiro se realizou quando veio estudar na Universidade Estadual de Maringá (UEM). O segundo começou pouco depois, ao conquistar uma vaga como revisora em O Diário, onde permaneceu por quase 30 anos, acompanhando todas as mudanças tecnológicas e editoriais do veículo.
Durante a entrevista, ela recordou a evolução da produção gráfica do jornal, desde a diagramação manual até a informatização das páginas. Mesmo sem experiência, foi uma das primeiras profissionais a assumir o novo sistema de diagramação digital, ajudando a liderar a transformação da equipe. Ao longo dos anos, trabalhou com diversos editores, entre eles Jorge Henrique Lopes, Edson Lima, Edvaldo Magro, Rogério Fischer, Décio Sperandio, Milton Havaiane e Tele.
Reconhecida pelo cuidado com o acabamento visual das páginas, Andréa afirma que o fechamento de cada edição exigia rapidez, precisão e capacidade de adaptação às constantes alterações de última hora. Hoje, além de atuar no Jornal do Povo, continua desenvolvendo projetos de diagramação de livros e materiais editoriais para diversos clientes.
Um dos momentos mais marcantes da conversa foi o relato sobre o encerramento das atividades de O Diário. Andréa esteve presente no último dia de funcionamento do jornal e ajudou a apagar as luzes da redação. A lembrança ainda é dolorosa. Segundo ela, até hoje evita passar em frente ao prédio onde trabalhou durante grande parte da vida, por ainda não conseguir aceitar o fechamento do jornal.
Após o encerramento das atividades do veículo e os impactos da pandemia, viu boa parte dos trabalhos desaparecer. Em busca de estabilidade, ingressou por meio de processo seletivo no sistema penitenciário do Paraná, onde atua como monitora de ressocialização. Mesmo na nova função, sua experiência em comunicação continua sendo aproveitada em atividades relacionadas à produção de conteúdo.
Ao refletir sobre o cenário atual da comunicação, Andréa demonstra preocupação com o uso indiscriminado da inteligência artificial na produção de textos. Para ela, nenhuma tecnologia substitui a sensibilidade, a criatividade e a qualidade da apuração realizadas por profissionais preparados. "O bom jornalista sempre vai existir", afirma.
Aos estudantes de Comunicação, ela aconselha que preservem a essência do jornalismo e invistam na formação contínua. Embora tenha construído uma carreira de sucesso, revela que ainda sonha em cursar a faculdade de Jornalismo, desejo que pretende realizar no futuro.
Fora do ambiente profissional, Andréa gosta de ler, assistir séries, praticar exercícios físicos e cuidar dos gatos. Ao olhar para sua trajetória, afirma que gostaria de ser lembrada pelo trabalho que realizou e pelo compromisso que sempre teve com a qualidade da informação e da produção editorial.
O Encontros com a Imprensa vai ao ar às sextas-feiras, às 13h, e aos sábados, às 16h, pela UEM FM 106,9, com transmissão também no YouTube da UEM TV e no Spotify.

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