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domingo, abril 19, 2026

Underground - Sheldon Renan 1967 Ed. lidador

 


Trata-se de um objeto editorial bastante revelador do momento em que o cinema underground começa a ser sistematizado como campo de estudo, sobretudo no Brasil.

A capa de Underground – uma introdução ao cinema underground, de Sheldon Renan, aposta numa estética claramente alinhada ao espírito que o livro descreve:

  • Imagem fragmentada de um rosto feminino, em alto contraste, quase “rasgada”, remetendo à colagem, ao experimentalismo e à recusa da imagem clássica e íntegra do cinema industrial.

  • O uso do roxo/magenta no título reforça a associação com contracultura, psicodelia e artes marginais dos anos 1960 e 1970.

  • A tipografia irregular de “UNDERGROUND” sugere ruptura, informalidade e um certo gesto de afronta gráfica ao design editorial tradicional.

  • Há um diálogo visual direto com o cinema de vanguarda americano, o cinema experimental, o Warhol dos Screen Tests, o Jonas Mekas diarístico, e até com a iconografia da imprensa alternativa.

A capa, portanto, não é apenas ilustrativa: ela performativiza o conceito de underground.

O texto da contracapa é especialmente significativo porque revela a recepção histórica do tema no Brasil:

  • O livro é apresentado como o “primeiro estudo fluente” sobre o filme underground americano, o que indica um esforço de legitimação acadêmica e crítica.

  • O discurso equilibra entusiasmo (“excitante campo novo da expressão artística”) e cautela institucional (“sujeita a controvérsias”), típico de quando práticas marginais começam a entrar no circuito editorial.

  • Renan é descrito como alguém que:

    • Analisa subjetividade, técnica, estilo e processos de produção;

    • Constrói uma história geral do avant-garde americano;

    • Cataloga carreiras, créditos e filmografias de 26 realizadores centrais, o que dá ao livro um valor documental enorme;

    • Discute a tensão entre underground e “establishment”, tema crucial para entender a absorção do experimental pelo mercado e pelos museus.

  • A menção ao futuro do cinema e aos filmes cibernéticos denuncia o otimismo tecnológico típico do período, antecipando debates que hoje associamos à videoarte, cinema expandido e mídias digitais.

Este livro ocupa um lugar-chave porque:

Em síntese

É um livro que:

  • Não apenas explica o cinema underground,

  • Mas encena editorialmente seus valores,

  • E marca um momento em que o marginal começa a ser historicizado sem perder totalmente seu caráter subversivo.

Para pesquisa, crítica ou reflexão histórica, trata-se de um volume canônico e ainda muito atual, especialmente quando relido à luz da institucionalização contemporânea do experimental e do “cinema de borda”.

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