sexta-feira, fevereiro 17, 2017

Rolling Stones em Copacabana - Eu fui!


Cobri o evento para  Odiário do Norte do Paraná (Maringá).  Foi muito bom. As fotos abaixo são minhas e o texto é do Jaotabê Medeiros para a UOL
O Rio de Janeiro jamais esquecerá. Nem o Brasil. Nem o planeta. Lanchas e barcos guardavam lugar em alto mar. Navios de cruzeiro mudaram o plano de viagem e ancoraram na baía de Guanabara com as luzes acesas como árvores de Natal. Para ver o show de um catamarã, pagava-se R$ 300. Os restaurantes de localização mais privilegiada --como aquele na esquina da rua Fernando Mendes com a avenida Atlântica-- alugavam mesas no calçadão por R$ 200. Os hotéis montaram telões para seus clientes verem o show nos lobbies.
No backstage, encontramos o cantor Serguei. 

Era 18 de fevereiro de 2006, e os Rolling Stones fizeram a cidade do Rio de Janeiro ferver acima dos 32ºC estimados para aquela noite com a turnê "A Bigger Bang". Tudo de graça, na praia. As estatísticas de público daquele hoje lendário concerto variaram entre 1,2 milhão e 1,5 milhão de pessoas, e até hoje persiste a controvérsia. Mais de 10 mil policiais foram destacados para a segurança da cidade no período, número só comparável ao Réveillon (o dobro do efetivo normalmente utilizado).
Minha selfie feita com máquina comum (não tinha uma
digital na época)

O show custou cerca de US$ 2,5 milhões (hoje, algo em torno de R$ 10 milhões). O palco tinha 24 metros de altura, equivalente a um prédio de oito andares, por 70 metros de largura. Havia 16 torres de som entre Copacabana e o Leme, e em sete delas foram colocados telões. No sambódromo, para saudar os visitantes ilustres, o ensaio da bateria da Imperatriz Leopoldinense teve uma versão carnavalizada de "(I Can't Get No) Satisfaction".
Eu  (segundo da esquerda pra direita) ao lado dos coleguinhas da imprensa no
backstage

Os Stones chegaram ao Rio para aquele show cercados de uma expectativa que raramente se repetiu no país. Desembarcaram na sexta-feira de madrugada, às 3h30. Nos fundos do Copacabana Palace (e na frente), onde se hospedavam, havia uns 30 jornalistas. Um fotógrafo estava empoleirado em cima de um ponto de ônibus. Umas 400 pessoas, entre fãs, bêbados, insones e curiosos que os esperavam, ao descobrirem que poderiam já ter entrado em um esquema de Mercedes falsas, protestaram: "Beatles, Beatles!", gritavam, com senso de humor tipicamente nacional. Mas era cascata: os Stones chegaram todos juntos num microônibus logo depois, cercados por batedores da PM em 15 carros e 30 motos. Um exagero.
De óculos escuros, Keith Richards foi o primeiro a descer. Em seguida, Charlie Watts. A seguir, desceu Ron Wood, que acenou para o povo. Parecia que não havia mais nada. Após alguns minutos depois, ele em pessoa, todo serelepe, sir Mick Jagger, desceu e acenou para os dois lados da avenida Nossa Senhora de Copacabana, como um papa saindo de seu papamóvel.
Pela manhã, Ron Wood apareceria na sacada do Copacabana Palace com uma camiseta da seleção brasileira. Keith Richards surgiria sem camisa e com cigarro no canto da boca. Mick Jagger era aguardado em ensaio da Beija-Flor.

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