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terça-feira, março 29, 2022

ecos da quarentena

Em frente ao meu prédio tem um senhor que me acorda aos domingos com um forró bem raiz, gostoso mesmo, sabe? Durante meses foi assim. Quando a esposa dele foi diagnosticada com câncer, a musica parou.  
. No dia que eu ouvi o forró novamente fui até a sacada e acenei pra aquele vizinho. A esposa havia melhorado. E meus domingos também. 
Percebi hoje que desde o inicio da quarentena, a vida seguia num melancólico silencio. Hoje, sem forró, tentei não me absorver com tanto noticiário, redes sociais.  E recorro ao meu direito de prisioneiro. O direito de tentar fugir.  Portanto, ouço Tom Jobim.  
O piano jobiniano e a voz de Elis ninam o apartamento. A musica me conforta, ilumina. O dia tá bonito, porém inalcançável. Percebo que a musica está deslocada do tempo. O piano insiste.
Não era esse mundo que a música concebeu. Não era esse o país imaginado por aqueles que sonham. E a gente não sabe onde colocar o riso ou a melancolia. Atores que desconhecem o roteiro  e  tão desmotivados para  buscar seus personagens.  O que salva é a trilha sonora. “Pra que esse céu, pra que esse mar, pra que?’, pergunta Elis. .
A paisagem é inútil.

segunda-feira, fevereiro 21, 2022

A Arte de Marc-Antoine Coulon

na ordem :  Ava Gardner, Sophia Loren, Marilyn Monroe, Audrey Hepburn, Elizabeth Taylor, Gina Lollobrigida, Anouk Aimée, Marlene Dietrich, Greta Garbo and Jean SebergBy Marc-Antoine Coulon:


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pela ordem :  Ava Gardner, Sophia Loren, Marilyn Monroe, Audrey Hepburn, Elizabeth Taylor, Gina Lollobrigida, Anouk Aimée, Marlene Dietrich, Greta Garbo and Jean Seberg

por Marc-Antoine Coulon

Happy Jennifer O'Neill !

 Hoje (20/02) é aniversario da carioca  Jennifer O'Neil, atriz de Verão de 42.  Completa 74 anos.

A  mãe era inglesa e  opai era um brasileiro de ascendência espanhola e irlandesa. 

Iniciou-se na carreira de modelo aos quinze anos, em Nova Iorque. Seu primeiro filme foi For Love of Ivy, em 1968. Apesar do pequeno papel, ela atraiu a atenção do diretor Howard Hawks, que a contratou para estrelar Rio Lobo em 1970, em que contracenou com John Wayne. Em 1971, atuou em Summer of '42, filme que a tornou conhecida nos Estados Unidos. Depois desse filme nunca mais recebeu convites para um grande papel. Fez Lady Ice em 1973 e Scanners em 1981. Em 1976, passou algum tempo na Europa, onde trabalhou com o diretor italiano Luchino Visconti em seu último filme, L'Innocente.

Jennifer fez mais sucesso em filmes para a televisão, incluindo atuações em Love's Savage Fury e em Bare Essence.

Casou nove vezes, com oito diferentes maridos, e tem três filhos. Atualmente, vive em uma fazenda em Nashville. Escreveu uma autobiografia, Surviving Myself, e participa de campanhas humanitárias diversas.



domingo, fevereiro 06, 2022

Bob Marley

 Quando tinha quatro anos, Bob começou a pressagiar a partir da leitura da palma da mão. Como as previsões invariavelmente eram acertadas, ficou conhecido na região. Um dia, quando já era famoso, voltou a Kingston e uma mulher pediu que ele lesse a mão dela. Diante do pedido, respondeu: “Eu não estou mais lendo mãos. Estou cantando agora”.

(Via Vanessa Martina Silva, Opera Mundi)



sexta-feira, janeiro 21, 2022

A Copa que não comemorei

 (ELZA SOARES) - 25/05/2014



Além de ter sido um período muito difícil para o Brasil, a ditadura militar foi quando tive minha casa metralhada. Estávamos todos lá: eu, Garrincha e meus filhos. Os caras entraram, metralharam tudo e nunca soube o motivo.

Era 1970, já tínhamos recebido telefonemas e cartas anônimas, nos sentíamos ameaçados e deixamos o país. Acredito que fizeram isso por conta do Garrincha, mas também por mim, pois eu era muito inflamada e então, como ainda hoje, de falar o que penso. Eu andava muito com o Geraldo Vandré e devem ter pensado que eu estava envolvida com política. Mas eu sou uma operária da música, e qual é o operário que não se revolta?

Fomos para Roma, e lá o Garrincha, que não tinha sido convocado para aquela Copa, estava em desespero por não estar jogando e por não ter onde morar. Estávamos num hotel, vendo o Brasil ser campeão. Foi quando o Juca Chaves foi comemorar na Piazza Navona, onde fica a embaixada brasileira.

Estávamos trancados dentro de um apartamento, e o Garrincha queria sair de qualquer maneira: queria participar da festa, mas ao mesmo tempo estava altamente deprimido. Ele perdeu a casa, teve de deixar o país e não sabíamos como voltar.

Enquanto se celebrava o fato de o país se tornar o primeiro tricampeão na história da Copa do Mundo, o Brasil fazia barbaridades com sua população. O Garrincha sentia um misto de alegria e dor, porque ele queria comemorar, mas, ao mesmo tempo, sentia repulsa por tudo que nos havia acontecido.

Imagine o que é para um homem que, para mim, está acima de qualquer nome no futebol brasileiro, ser mandado embora do país. Isso já é tenebroso, vergonhoso; imagine então esse homem vendo aquela conquista, confinado numa selva de pedra, no exterior, sem entender nada, sem saber o que havia acontecido com nossa casa.

Aquela foi a época em que ele mais bebeu, e não saía de casa, pois tinha vergonha de aparecer embriagado. Eu fazia de tudo para ele não beber, mas não adiantava.

Era tão grande a minha angústia que eu tinha vontade de invadir a embaixada brasileira em Roma. Mas segurei a onda. Continuamos vivendo num hotel e tivemos grande ajuda de Chico Buarque e Marieta. Eles tinham se exilado na cidade e foram dois amigos de alma.

Ali eu tive um bom empresário, trabalhei muito e fui ganhando o dinheiro com o qual pagava todas as contas. Durante um jantar, conheci Ella Fitzgerald, que estava fazendo shows com repertório de bossa nova e teve um problema de saúde. Eu acabei substituindo-a.

Mas, quando descobriram que eu estava trabalhando na Itália sem documentação, tivemos de sair de Roma -então fomos para Portugal por um tempo.

Um dia, estávamos no Cassino Estoril, perto de Lisboa, e encontramos o apresentador Flávio Cavalcanti e o Maurício Sherman, que dirigia um programa na TV Tupi. Eles deram ao Garrincha uma camisa do Brasil, querendo homenageá-lo -mas quem queria camisa da seleção naquela altura?

"Obrigado o..., cadê minha casa, cadê minha moradia? Já vesti a camisa do Brasil anteriormente, já dei tudo que eu poderia ter dado ao Brasil", ele disse.

Passados 50 anos do golpe, ninguém jamais tomou nenhuma atitude sobre o que nos aconteceu naquele 1970, e eu continuo brigando pelo Mané, até hoje.

Quando eu canto "Meu Guri", canto com muita força, e essa é uma maneira que eu tenho de cantar uma música do Chico, mas homenageando o Mané. Eles são os dois guris de "my life".

ELZA SOARES, 86, é cantora e se apresenta no show "A Voz e a Máquina" nos dia 6 e 7/6 no Sesc Santo André.

Elza Soares

Chico Buarque beija Elza Soares em show no Garden Hall, em outubro de 2000.

Chico Buarque beija Elza Soares em show no Garden Hall, em outubro de 2000. Foto: Wania Pedroso/07-10-2000

Por Chico Buarque

Se acaso você chegasse a um bairro residencial de Roma e desse com uma pelada de meninos brasileiros no meio da rua, não teria dúvida: ali morava Elza Soares com Garrincha, mais uma penca de filhos e afilhados trazidos do Rio em 1969. Aplaudida de pé no Teatro Sistina, dias mais tarde Elza alugou um apartamento na cidade e foi ficando, ficando e ficando.

Se acaso você chegasse ao Teatro Record em 1968 e fosse apresentado a Elza Soares, ficaria mudo. E ficaria besta quando ela soltasse uma gargalhada e cantasse assim: “Elza desatinou, viu.”

Se acaso você chegasse a Londres em 1999 e visse Elza Soares entrar no Royal Albert Hall em cadeira de rodas, não acreditaria que ela pudesse subir ao palco. Subiu e sambou “de maillot apertadíssimo e semi-transparente”, nas palavras de um jornalista português.

Se acaso você chegasse ao Canecão em 2002 e visse Elza Soares cantar que a carne mais barata do mercado é a carne negra, ficaria arrepiado. Tanto quanto anos antes, ao ouvi-la em “Língua’’ com Caetano.

Se acaso você chegasse a uma estação de metrô em Paris e ouvisse alguém às suas costas cantar Elza desatinou, pensaria que estava sonhando. Mas era Elza Soares nos anos 80, apresentando seu jovem manager e os novos olhos cor de esmeralda.

Se acaso você chegasse a 1959 e ouvisse no rádio aquela voz cantando “Se acaso você chegasse’’, saberia que nunca houve nem haverá no mundo uma mulher como Elza Soares.

Ecos from The Kid (1921)

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The Kid (1921)

segunda-feira, janeiro 10, 2022

Gabriela Mistral

 Em 10 de janeiro de 1957, morria em Nova York, a chilena Gabriela Mistral. Poetisa, educadora, diplomata e feminista, ela ganhou o Nobel de Literatura de 1945. Mistral residia em Petrópolis quando soube que se tornara a primeira de todos os escritores latino-americanos a receber o Nobel. O Prêmio

a transformou em figura de destaque na literatura internacional e a levou a viajar por todo o mundo e representar seu país em comissões culturais das Nações Unidas, até falecer em 1957 nos EUA. Sua obra é humanitária. (Na foto, portão da casa de Mistral, no bairro Independência, Petrópolis)



domingo, janeiro 09, 2022

biscoitos Globo

Biscoito Globo, uma tradição do Rio.  Nunca fez propaganda, jamais mudou de embalagem. Um simbolo da cidade estampado até em  cangas e biquinis. Aqui estou com a versão doce do biscoito. Os pacotes vermelhos vendem biscoito doce e os verdes, salgado. Isso vem da época em que os ambulantes eram analfabetos. A unica fabrica produz 150 mil biscoitos diariamente. Uma historia que começou em 1955