sexta-feira, junho 09, 2017

Sacrílegas

No ano de 1901, Elisa Sánchez e Marcela Gracia contraíram matrimônio na igreja de São Jorge, na cidade galega de A Corunha.
Elisa e Marcela se amavam às escondidas. Para normalizar a situação, com boda, sacerdote, certidão e foto, foi preciso inventar um marido: Elisa se transformou em Mario, vestiu roupa de cavalheiro, cortou os cabelos e falou com outra voz.
Depois, quando ficaram sabendo, os jornais da Espanha inteira puseram a boca no mundo diante daquele escândalo asquerosíssimo, essa imoralidade desavergonhada, e aproveitaram aquela tão lamentável ocasião para vender como nunca, enquanto a Igreja, enganada em sua boa- fé, denunciava para a polícia o sacrilégio cometido.
E desatou-se a caçada.
Elisa e Marcela fugiram para Portugal.
Caíram presas na cidade do Porto.
Quando escaparam da cadeia, trocaram de nomes e foram mar afora.
Na cidade de Buenos Aires perdeu-se a pista das fugitivas.
(Eduardo Galeano em "O Filho dos Dias")

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