terça-feira, julho 05, 2016

Scorcese comenta obra de Glauber Rocha

Título: Scorcese comenta obra de Glauber Rocha
Data: 27/Mar/96
Autor: Luiz Antônio Ryff
Editoria: Ilustrada



Diretor homenageado pela revista "Cahiers du Cinema" fala do trabalho daqueles que o influenciaram
Scorcese comenta obra de Glauber Rocha
Em Paris
"Não há ninguém que se assemelhe a Glauber Rocha, mesmo de longe, no cinema atual -a força de sua obra e sua intensa paixão me fazem falta", afirmou o cineasta norte-americano Martin Scorsese na edição de março do "Cahiers du Cinema".
O diretor de "Touro Indomável" e "Cassino" é homenageado no número 500 da revista francesa com um dossiê de 72 páginas.
Ele aproveitou a homenagem para pagar tributo a algumas de suas influências, fazendo um retrato dos cineastas John Cassavetes, Ida Lupino e Glauber Rocha.
"Os filmes de Glauber Rocha são uma irrupção no mundo do mal, uma explosão provocada por uma reação química em que se misturam o sangue e o celulóide", segundo Scorsese.
Para o cineasta, os filmes de Glauber provocavam "um enriquecimento da consciência e continuam a fazê-lo ainda hoje".
O primeiro filme de Glauber visto por Scorsese foi "Terra em Transe", que, 25 anos depois de sua estréia, o norte-americano ajudou a restaurar. Mas, na filmografia do brasileiro, Scorsese prefere "Antonio das Mortes".
"O engajamento pessoal de Rocha é tão grande que o estilo de seus filmes é inseparável do conteúdo político deles", avaliou Scorsese.
"Talvez Rocha não tenha sido tão conhecido quanto seus contemporâneos, mas essa é uma lacuna que nós devemos preencher", disse o cineasta.
"Seus filmes eram tão entusiasmantes quanto tudo que era feito na França ou na Itália nos anos 60 e 70", avaliou.
Para ele, Glauber "não se contentava em pegar uma história e desenvolvê-la. Ele criava verdadeiramente uma tapeçaria frenética de dor, da cólera e do sofrimento humano que observou ao seu redor.
(LUIZ ANTÔNIO RYFF)


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