terça-feira, julho 05, 2016

Reino Unido tem o seu 'roteiro Drácula'

Título: Reino Unido tem o seu 'roteiro Drácula'
Data: 11/Ago/97
Autor: Igor Gielow
Editoria: Turismo

Reino Unido tem o seu 'roteiro Drácula'
da Reportagem Local

Mais do que a própria Romênia, onde é passado um quarto da história, o "Drácula" de Stoker tem no Reino Unido seu principal palco -e o mais acessível para os turistas comuns.
Há uma série de passeios para o fã do vampiro no país, boa parte sugerida no livro "Em busca de Drácula e outros vampiros", escrito por Raymond T. Mcnally e Radu Florescu.
Comece seu roteiro pela capital do país, Londres, porta de entrada de quase todos os que entram no Reino Unido.
Fica no coração físico (e turístico) da cidade um dos principais locais citados por Stoker: o esconderijo número 1 de Drácula. Após ter seus caixões com terra natal destruídos, o vampiro vai para a casa do número 138 de Piccadilly.

Há cem anos, o local já era descrito como movimentado. Hoje, fica exatamente ao lado do Hard Rock Cafe londrino.
É apenas uma porta de um escritório comercial desativado, mas vale lembrar que lá Drácula foi atacado fisicamente pelos caça-vampiros do livro e pegou o dinheiro para fugir de volta para a Romênia.
No mais, a atual frequência do local daria um bom cardápio para o vampirão. Do lado do metrô Green Park.
Cemitério
Há também o cemitério de Highgate. Mais famoso por ter gente como Karl Marx enterrada lá, o lugar foi palco das andanças noturnas da donzela Lucy -quando já não era tão donzela, e sim uma vampira de "lábios voluptuosos".
Como outros ícones da era vitoriana, Highgate é carregado, úmido e meio aterrador. Cuidado com os góticos -há alguns anos, corria a lenda de que alguns fãs do Sisters of Mercy queriam brincar de Lucy com turistas. Metrô Archway.
Para os fãs da Lucy vampira, o famoso subúrbio arborizado de Hampstead ainda conserva o clima de um século atrás.
Lá, ela deixava marcas, que a polícia acreditava ser de "um cão pequeno", na garganta de crianças. Chega-se por meio da famigerada linha preta (Northern) do metrô.
Whitby
Um passeio indiscutivelmente "draculiano" no Reino Unido é ir para Whitby. Na distante North Yorkshire, mais de três horas de trem a partir de Londres, a cidade explora como ninguém o comércio de Drácula.
Foi lá que o Demeter, uma escuna russa no romance, aportou com sua tripulação sumida, o capitão morto e amarrado junto ao leme, 50 caixões de "terra experimental" e um suspeitíssimo cão que fugiu quando o navio bateu desgovernado na costa.
Logo na saída da estação de trem é possível encontrar um Tourist Office, onde abundam mapas com "roteiros Drácula". Os principais pontos são o West Cliff e o East Cliff, de onde é possível ver parte dos "Dracula highlights" -como uma mal-humorada guia alugável por 10 libras avisa.
De forma geral, o excesso de merchandising irrita um pouco. Perde-se o encanto de ver como Stoker descreveu fielmente inscrições nos túmulos da igreja de St. Mary. As lápides, junto a uma descida de colina com direção ao mar, lembram as que aparecem no "Nosferatu" original de 1922.
O caminho feito por Lucy (sempre ela), sonâmbula até ver os olhos de Drácula vermelhos contra os vitrais da igreja de St. Mary, está descrito em um dos folhetos.
Há também o famoso banco favorito de Lucy na igreja, onde Drácula a atacou suavemente pela primeira vez em solo britânico.
Para quem não resiste a um suvenir, há diversas lojinhas com badulaques ligados ao vampiro. A Dracula Experience tem até réplicas dos personagens.
De forma geral, não vale a pena sair de Londres para conhecer Whitby, a menos que a curiosidade seja grande. A viagem é desconfortável, e a cidade não tem vida noturna (turística, pelo menos).
Irlanda e Escócia
O pesquisador e "draculófilo" Raymond Mcnally sugere uma ida à República da Irlanda.
Na capital Dublin, é possível conhecer a casa onde o escritor irlandês nasceu, no The Crescent, número 15. O cemitério Clontarf, próximo, é um dos exemplos de lugar lúgubre que influenciou o "visual" do livro.
Na Escócia, porém, é possível encontrar as ruínas do castelo Slains na Cruden Bay. É um dos modelos do castelo do conde no livro. Para maior fidelidade, é possível ficar hospedado no mesmo Kilmarnock Inn, onde o escritor começou a trabalhar no romance.
(IGOR GIELOW)


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