quarta-feira, dezembro 23, 2015

O Natal de Manuel Bandeira



Penso no Natal. No teu Natal. Para a Bondade A minhalma se volta. Uma grande saudade Cresce em todo o meu ser magoado pela ausência. Tudo é saudade... A voz dos sinos... A cadência Do rio... E esta saudade é boa como um sonho! E esta saudade é um sonho... Evoco-te... Componho O ambiente cuja luz os teus cabelos douram. Figuro os olhos teus, tristes como eles foram No momento final de nossa despedida... O teu busto pendeu como um lírio sem vida, E tu sonhas, na paz divina do Natal... Ó minha amiga, aceita a carícia filial De minhalma a teus pés humilhada de rastos. Seca o pranto feliz sobre os meus olhos castos... Ampara a minha fronte, e que a minha ternura Se torne insexual, mais do que humana pura Como aquela fervente e benfazeja luz Que Madalena viu nos olhos de Jesus... 

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