terça-feira, março 25, 2014

John Fante segundo Lukas

John Fante nasceu no Colorado em 1920. Começou a escrever em 1929 e teve seu primeiro texto publicado na revista The American Mercury em agosto de 1932: o conto Altar boy (O Coronhinha) Seu primeiro romance, Espere a primavera, Bandini, foi publicado em 1938. No ano seguinte Pergunte ao Pó foi publicado. Em 1940 a coletânea com seus contos: intitulada Dago Red foi lançada. Para ganhar dinheiro, Fante trabalhava como roteirista em Hollywood. Descobriu que tinha diabetes em 1955 e as complicações da doença terminaram por deixá-lo cego em 1978, mas continuou a escrever ditando para sua mulher, Joyce, e o resultado foi Sonhos de Bunker Hill. Morreu com 74 anos em 8 de maio de 1983. Vige, Mãe de Deus! John Fante é um dos cinco melhores escritores que eu derricei na minha vida. Eu não tenho inveja dos Barros, como um anônimo colocou num comentário (que eu deletei). Eu morro é de inveja é do John Fante! Eu tenho a maior dor de cotovelo e inveja do John Fante. Eu odeio o Fante porque eu queria ter sido ele. Eu queria ser o Fante; eu adoraria ter diabetes, ficar cego, amputar as duas pernas e escrever como o John Fante. Juro por essa luz do monitor que eu queria ser John Fante. Mas nunca iria querer ser outro John. (Lukas)



A beringela assada levou-me de volta à minha infância, quando custavam apenas um níquel cada e davam para um festim: maravilhosos globos roxos e suculentos prontos para encher o nosso estômago; tios ricos das Arábias ansiosos por nos dar de comer. Tão lindo que me apetecia chorar. As fatias de vitela também me trouxeram as lágrimas aos olhos enquanto as empurrava com o magnífico vinho de Musso, nascido das encostas vizinhas. E finalmente, os gnocchi cozinhados em manteiga e leite acabaram comigo. Os meus olhos encheram-se de lágrimas de alegria. Limpei-os com o guardanapo, sentindo-me como se tivesse voltado ao útero da minha mãe, cheio de doçura e paz e com a boca para sempre cheia de vida. A Mama viu os meus olhos encharcados. Também não havia maneira de os esconder. - Alguma coisa no ar - justifiquei - lixívia, talvez? Arde-me os olhos. - É lixívia. Lavei o chão com lixívia. - É isso. Lixívia. - O teu pai detesta lixívia. Não me deixa usar na máquina de lavar. - A sério? - Sabes o que é que ele gosta? - Não. - Sais de banho! John Fante, A confraria do vinho. Tradução de Luís Ruívo.

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