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quinta-feira, novembro 06, 2014

Quinta da Regaleira


Quinta da Regaleira (O passeio mais divertido em Portugal!)
Palácio da Regaleira é o edifício principal e o nome mais comum da Quinta da Regaleira. Também é designado Palácio do Monteiro dos Milhões, denominação esta associada à alcunha do seu primeiro proprietário, António Augusto Carvalho Monteiro. O palácio está situado na encosta da serra e a escassa distância do Centro Histórico de Sintraestando classificado como Imóvel de Interesse Público desde 2002.
Carvalho Monteiro, pelo traço do arquitecto italiano Luigi Manini, dá à quinta de 4 hectares, o palácio, rodeado de luxuriantes jardins, lagos, grutas e construções enigmáticas, lugares estes que ocultam significados alquímicos, como os evocados pela Maçonaria, Templáriose Rosa-cruz. Modela o espaço em traçados mistos, que evocam a arquitectura românica, gótica, renascentista e manuelina.







sábado, novembro 01, 2014

Ecos das series animadas da Marvel (1966)

Para lembrar as séries "não" animadas da Marvel na década de 60























Official Marvel Fan Club bumper stickers (1966)

Coco Chanel


Ecos de A Casa da Noite Eterna -The Legend of Hell House (1973)


:






























The Legend of Hell House (1973) -

"The house tried to kill me once. It almost succeeded."

Bom Helloween!









































Finados - morte vista como um milagre

De todas as criações existentes no universo, a mais extraordinária talvez seja a morte. A frase pode ser um tanto paradoxal, mas sem a morte não existiria a vida.
Os biólogos chegam a afirmar que a morte é um dos maiores fenômenos do universo. É para ela que nós crescemos.

 Mas se a morte é um processo natural inerente à vida, por que há tanta rejeição sobre o tema?
Quem sentiu na pele esse tabu foi a professora do Departamento de Enfermagem da UEM, Maria Dalva Barros de Carvalho, autora de uma tese de doutorado sobre o assunto.
A preocupação dela era justamente falar de um fato presente no cotidiano dos estudantes de enfermagem, mas que jamais foi pensado dentro das salas de aula.
 A tese “Sendo com o aluno no mundo da enfermagem: a morte no cotidiano do hospital” foi defendida em 1999. As idéias de Dalva se baseiam em conceitos filosóficos do existencialista alemão Martin Hideggard.
 A morte está na obra “Ser e Tempo” onde ele afirma que ela é a finalidade do viver. O homem, portanto, é um ser para a morte. Nascemos para morrer. Esta é a única verdade.
E quais são as “dicas” para tratar a morte? Essa pergunta foi feita recentemente pelo portal Terra à professora da UEM. Dalva, por ser enfermeira, já se deparou diversas vezes em situações hospitalares em que deveria contar o falecimento de um paciente aos familiares dele.
 Não há caderno de receita. A melhor forma é entender o sofrimento do outro para achar palavras e meios para comunicar a morte. “Mas toda a área da saúde não sabe trabalhar com a questão da perda”, revela.
Ela defende a humanização da morte, o direito do paciente terminal passar suas últimas horas em casa, ao lado dos familiares. É desumana a morte no hospital.



 Na Idade média as pessoas morriam muito cedo. A expectativa de vida era em média de 30 anos, mas também havia muitos nascimentos. No final do século 19, a morte tinha uma conotação familiar. O moribundo morria cercado pelos familiares, fazia testamento, tinha os seus pedidos, recebia visitas. Era uma morte participada.  Mas o século 20 tratou de afastar o assunto das pessoas.
 Dalva, citando o cientista social Rubem Alves, explica que antes, a morte era nossa amiga. A gente morria perto da família. Vivia-se melhor. Hoje a morte é nossa inimiga, algo a ser combatido com se não fosse natural. O capitalismo colocou a morte como se ela estivesse no fim da vida, não mais como um fato que pode acontecer a qualquer momento.
 Uma crítica semelhante vamos encontrar no livro O Tabu da Morte de José Carlos Rodrigues (Achiamé, 1983). Na obra, a morte é compreendida como um produto da história. A morte é ao mesmo tempo banida e presente em toda parte da sociedade industrial, justamente numa sociedade que tem como meta a divinização da vida.
E essa “vida divina” já tomou conta da África e Ásia, continentes que no passado davam outro tratamento à morte. Assim, não se pensa mais a morte cuja indeterminação gera a angústia. Isso talvez possa ser minimizado quando ela é encarada por pessoas menos apegadas às conquistas e bens materiais.
“A morte deve ser vista como uma companheira, uma pessoa que está ao seu lado dizendo: carpe diem, aproveite o dia”, comenta Dalva citando um bordão do filme Sociedade dos Poetas Mortos.
 A professora também chama a atenção para as festas de ano novo, com seus fogos e festas. É uma encenação. Estamos comemorando mais um ano que se passou, menos um ano de nossas vidas. O mesmo acontece em nossos aniversários.
 “Devia ter amado mais, ter chorado mais; ter visto o sol nascer; devia ter arriscado mais e até errado mais; ter feito o que eu queria fazer; queria ter aceitado as pessoas como elas são; cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração”, cantam os Titãs em “Epitáfio”, do último CD da banda, anunciando que existe vida antes da morte.
 Na biologia, há algum tempo, acreditava-se que a pessoa estaria morta assim que o coração parasse de bater. Hoje a medicina adota outros critérios, como a morte cerebral.
Mas os indivíduos morrem e a vida continua. Portanto, há de se pensar na morte que dá sentido à vida. E é na procura desse sentido que as religiões interpretam esse momento inevitável.
A maioria das religiões cristãs prega a existência de paraíso e inferno. Crêem que depois da morte a alma da pessoa pode migrar para o paraíso, para o inferno ou para o purgatório. De acordo com os católicos, a morte é como se fosse um novo nascimento. É a hora do encontro com Deus. A alma nasce para uma nova vida.
 A religião islâmica acredita que depois da morte acontece o juízo universal. Os bons ficarão ao lado de Alá, segundo o Alcorão.
 Já os judeus acreditam que há a terra dos vivos e dos mortos e constantemente estamos atravessando esses dois elos por meio de nossos pensamentos.
 Para Lannis Buljevac Csucsuly, presidente da União Regional Espírita em Maringá, a morte é uma passagem do mundo material para o espiritual. Cada um acorda num mundo espiritual de acordo como viveu na terra. “Os bons são recepcionados pelos bons espíritos e os maus pelos seus desafetos. Quem viveu bem acorda bem”.
 A reencarnação para os espíritas é necessária quantas vezes forem necessárias para evolução espiritual até chegar à condição de espíritos puros. “O numero de reencarnação e diferente para cada espírito”, esclarece Csucsuly.
 Neda Fatheazam, seguidora da Fé Bahá’i, a mais nova religião do mundo, entende a morte como se fosse o começo da vida eterna. Os bahais não acreditam em reencarnação, mas sim, numa vida de etapas: uma no ventre da mãe, a passagem pelo mundo terrestre e depois no espírito. “O espírito sai do corpo como um pássaro sai após a gaiola ser destruída”.
 A morte é o que mais importante acontece em nossas vidas, mas é necessário o desenvolvimento das qualidades espirituais. Segundo os bahais, isso significa honestidade, o reconhecimento de um Deus, justiça. Isso também inclui o respeito aos que morreram, a pratica de atos filantrópicos em nome deles.
 Nilson D’ogum, adepto do Candomblé, explica a morte como uma passagem, não uma extinção total da vida. É uma mudança de estado de plano de existência. Quando um membro da comunidade morre, os vivos fazem um ritual para purificação.
O sacerdote ajuda a família nas dificuldades e libertar o morto das relações terrenas. Até suas roupas são colocadas num balaio. Cerca de um ano depois da morte da pessoa, os orixás respondem através dos búzios se o falecido será cultuado (ancestral) ou não (Ogum). Caso afirmativo, ocorre um novo ritual. São nomeados todos os ancestrais já mortos para receber o novo ancestral.
 “Os ancestrais são como os guardiões do equilíbrio familiar e da disciplina moral da comunidade. A tudo se recorre aos ancestrais. A morte é muito dolorida, é um processo natural quando há vida. Ninguém vive a sua própria vida e ninguém morre para si mesmo”, concluiu.
 A psicanálise trabalha com o conceito da vida e acredita que o destino dela é a morte. Arthur Molina, psicanalista, sintetiza esse pensamento mostrando que desde o momento em que um bebê vem ao mundo, ele luta contra a estimulação. A criança é convocada a reagir. É como a contração pupilar diante de estímulo de luz. “Se contrai para se preservar. É a tensão que nos mobiliza a correr. A intenção da vida é a morte. Freud dizia que estamos sempre desejando retornar a um estado anterior. O estado inanimado”.
 Então, a morte é uma seqüência natural. Mas para quem? O monge budista Eduardo Sasaki filosofa: “A morte existe para aquele que morre ou para aquele que fica? Os ritos funerários, por exemplo, servem pra quem?”. Para Sasaki, a morte brinca com a noção de tempo. É uma passagem dolorosa, mas muito rica para aqueles que ficam, muda existencialmente o ser envolvido. “A gente percebe essa mudança principalmente naqueles que perderam os pais. Renascer dá projeção do ser”.
 A reencarnação existe para os budistas. Ela é necessária até quando o ser descobre as causas do sofrimento. Então, ele se torna um Buda.
( Marcelo Bulgarelli - publicado originalmente em  O DIÁRIO do Norte do Paraná)