A série "Night at the Opera" (que faz parte do projeto mais amplo Detroit Disassembled, de 2008) de Andrew Moore, é uma das representações mais potentes do chamado "ruína-pornô" (ruin porn), embora Moore eleve o conceito a um nível de documentário antropológico e artístico.
As fotos retratam o Michigan Theatre, construído em 1926. O que torna este local específico fascinante (e trágico) é que ele foi construído no local onde Henry Ford construiu seu primeiro carro. No final dos anos 70, em vez de ser totalmente demolido, o interior do teatro foi parcialmente convertido em um estacionamento.
Moore captura o momento em que a opulência do passado encontra a negligência do presente. Night at the Opera não é apenas sobre um prédio caindo, mas sobre o eco de uma era de ouro americana. Ele consegue transformar o caos do Michigan Theatre em uma composição formal e equilibrada, forçando o espectador a encontrar beleza na perda.
Antes mesmo de o teatro existir, o terreno já era histórico. Foi exatamente naquele local, em uma pequena garagem de tijolos na Bagley Avenue, que Henry Ford construiu seu primeiro veículo, o Quadriciclo, em 1896.
Para construir o teatro em 1926, a garagem original teve que ser demolida (embora Ford tenha reconstruído uma réplica mais tarde no museu Greenfield Village). Há uma ironia poética aqui: o local onde o carro nasceu acabou sendo "devorado" por carros décadas depois.
A Era de Ouro (1926 - meados de 1960)
Projetado pelo renomado escritório Rapp & Rapp (especialistas em palácios de cinema), o Michigan Theatre custou cerca de 5 milhões de dólares na época.
Capacidade: 4.000 lugares.
Estilo: Renascimento Italiano e Francês, com colunas de mármore, espelhos enormes, lustres de cristal e uma suntuosa escadaria (aquela da estátua na foto de Moore).
Função: Não era apenas um cinema; era uma experiência social completa, com orquestras ao vivo e órgãos de tubos monumentais.
A Crise e o "Ultimato" Estrutural
Com a decadência do centro de Detroit nos anos 60 e 70, o teatro perdeu público e fechou em 1976. O prédio corria sério risco de demolição total.
No entanto, o edifício que abriga o teatro é uma estrutura integrada: o auditório está "anexado" a um prédio de escritórios de 13 andares.
O Dilema: Engenheiros descobriram que demolir o teatro comprometeria a estabilidade estrutural do prédio de escritórios vizinho. A solução encontrada foi radical: esvaziar o interior do teatro e transformá-lo em um estacionamento privado para os funcionários do escritório.
O "Teatro-Estacionamento"
Diferente de outros lugares que são totalmente reformados, o Michigan Theatre passou por uma "destruição parcial".
Retiraram as poltronas e nivelaram o chão com asfalto.
As paredes ornamentadas, o teto abobadado e o arco do proscênio foram mantidos, mas deixados à mercê da umidade e do tempo.



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