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quarta-feira, fevereiro 11, 2026

Oakley Court

 Oakley Court é um lugar com uma história rica, especialmente no mundo do cinema. Ele é mais conhecido por ser um dos cenários preferidos dos estúdios Hammer Films durante a era de ouro do cinema de terror britânico.






Localizado às margens do rio Tâmisa, em Windsor (Berkshire, Inglaterra), o Oakley Court é um imponente mansão vitoriana construída em 1859. Com sua arquitetura que mistura elementos neogóticos e neo-renascentistas, a mansão tem uma aparência que varia entre majestosa e ligeiramente ameaçadora – perfeita para os filmes que acabou abrigando.



O Oakley Court ganhou fama internacional como o "cenário definitivo" dos filmes de terror da Hammer Film Productions. A proximidade com os estúdios Bray Studios (a apenas 1,6 km de distância) tornou-o extremamente conveniente e barato para ser usado como locação.

  • Architetura Imponente: Suas torres, vitrais e interiores de madeira escura passavam perfeitamente a aura de um castelo assombrado ou uma mansão gótica da Europa Oriental.

  • Versatilidade: A propriedade foi usada para representar desde o exterior do Castelo de Drácula na Transilvânia até asilos sombrios e casas de famílias aristocráticas com segredos terríveis.

  • Economia: Era muito mais barato filmar nas dependências reais da mansão do que construir sets complexos nos estúdios.





Filmes Notáveis Filmados no Oakley Court



  1. Os Clássicos de Terror da Hammer:

    • A Maldição de Frankenstein (1957) - Um dos filmes que lançou a era de ouro da Hammer.

    • Drácula (1958) - Estrelado por Christopher Lee como Drácula e Peter Cushing como Van Helsing. O Oakley Court foi o Castelo de Drácula.

    • A Múmia (1959)

    • O Cão dos Baskervilles (1959) - Representou a infame Mansão dos Baskerville.

    • As Noivas de Drácula (1960)

    • A Maldição do Werewolf (1961)


  2. O Cult Absoluto: The Rocky Horror Picture Show (1975)
    Sem dúvida, o filme que mais imortalizou o Oakley Court para o público moderno. A mansão foi usada como a mansão de Dr. Frank-N-Furter (Tim Curry), onde ocorrem a maioria dos eventos loucos do filme. Sua escadaria imponente se tornou icônica.


  3. Outros Filmes:

    • The Old Dark House (1963) - Um remake do clássico de terror de 1932.

    • A Lagoa Azul (1980) - A ilha paradisíaca do filme foi, na verdade, uma ilha no rio Tâmisa em frente ao Oakley Court.

    • A Filha de Drácula (1976) - Mais um clássico da Hammer.

    • Vários filmes de comédia da Carry On.





    • O Oakley Court Hoje

A era de ouro do cinema britânico chegou ao fim, e com ela, o uso frequente do Oakley Court como locação. A mansão passou por um grande processo de restauração e hoje funciona como um hotel de luxo de 4 estrelas, parte da rede Bespoke Hotels.

Os hóspedes podem se hospedar no mesmo local onde Drácula e Frank-N-Furter "viveram", desfrutar de jantares em seus salões históricos e até mesmo se casar lá. O hotel celebra com orgulho seu passado cinematográfico, com decoração que homenageia os filmes.





  • Fantasmas: Como toda boa mansão inglesa antiga, diz-se que o Oakley Court é assombrado. A lenda fala de uma "Dama de Cinza" que vagueia pelos corredores.

  • Jardins e Terreno: Os extensos jardins e a localização à beira do rio também foram amplamente utilizados nos filmes, criando uma atmosfera isolada e misteriosa.


terça-feira, fevereiro 10, 2026

Hammer Glamour

 A expressão “Hammer Glamour” nasceu entre fãs e críticos para falar do carisma e do impacto visual das atrizes que brilharam nas produções da Hammer Film Productions, especialmente nas décadas de 1950 a 1970. A Hammer, estúdio britânico célebre por revitalizar o terror gótico com cores fortes e sensualidade insinuada, usava essas presenças femininas como contraponto ao sangue e às sombras.

Martine Beswick, Linda Hayden, Stephanie Beacham et Caroline Munro. Photo © Matt Gemmell  2012


🔎 Alguns pontos-chave sobre as “Hammer Glamour Girls”:

  • Símbolo de modernidade no terror gótico – Enquanto a Hammer atualizava Drácula, Frankenstein e Múmia, as personagens femininas ganhavam figurinos ousados, decotes marcantes e uma postura mais ativa do que se via no cinema de horror anterior.

  • Atrizes icônicas – Names como Ingrid Pitt (The Vampire Lovers, Countess Dracula), Caroline Munro (Dracula A.D. 1972, Captain Kronos), Barbara Shelley (Dracula, Prince of Darkness), Veronica Carlson (Frankenstein Must Be Destroyed), Martine Beswick e Valerie Leon se tornaram rostos emblemáticos.

  • Sex appeal + força dramática – Embora a publicidade explorasse a sensualidade, muitas dessas atrizes interpretaram personagens complexas: vítimas que resistem, vilãs sedutoras, heroínas que enfrentam monstros.

  • Marketing inteligente – Cartazes e revistas destacavam as “Hammer Glamour Girls” para atrair público jovem, numa época em que o cinema de terror competia com TV e mudanças culturais pós-anos 60.

  • Legado cult – Hoje, o termo é celebrado em livros, documentários e convenções de fãs, reconhecendo a importância dessas mulheres não só como “rostos bonitos”, mas como parte essencial da estética Hammer.

  •  Ingrid Pitt

    • Filmes Hammer: The Vampire Lovers (1970), Countess Dracula (1971)

    • Por que marcou: A polonesa Ingrid Pitt trouxe magnetismo e sensualidade aos papéis de vampira, tornando-se ícone imediato da fase mais ousada da Hammer.


    2. Caroline Munro 

    • Filmes Hammer: Dracula A.D. 1972 (1972), Captain Kronos: Vampire Hunter (1974)

    • Por que marcou: Beleza clássica, figurinos chamativos e uma presença física atlética que combinava bem com heroínas de ação.


    3. Barbara Shelley  

    • Filmes Hammer: The Gorgon (1964), Dracula: Prince of Darkness (1966)

    • Por que marcou: Considerada “a rainha da Hammer”, alternava vulnerabilidade e autoridade, com interpretações consistentes e elegantes.


    4. Veronica Carlson

    • Filmes Hammer: Frankenstein Must Be Destroyed (1969), Dracula Has Risen from the Grave (1968)

    • Por que marcou: Look “girl next door”, mas carregado de dramaticidade, tornou-se um dos rostos mais reconhecíveis do ciclo tardio de Frankenstein e Drácula.


    5. Martine Beswick 

    • Filmes Hammer: One Million Years B.C. (1966), Dr. Jekyll and Sister Hyde (1971)

    • Por que marcou: Presença carismática, olhar marcante e disposição para papéis fisicamente exigentes; também ex-Bond girl.


    6. Valerie Leon 

    • Filmes Hammer: Blood from the Mummy’s Tomb (1971)

    • Por que marcou: Um dos destaques do último suspiro do terror Hammer clássico, interpretando a dualidade inocência/posseção com impacto visual.


    7. Madeline Smith  

    • Filmes Hammer: The Vampire Lovers (1970), Taste the Blood of Dracula (1970)

    • Por que marcou: Beleza etérea e forte presença nos thrillers góticos; muito associada ao erotismo sugerido do período.


    8. Hazel Court 

    • Filmes Hammer: The Curse of Frankenstein (1957), The Man Who Could Cheat Death (1959)

    • Por que marcou: Um dos primeiros rostos femininos da fase de ouro da Hammer; aura elegante, performances intensas.


    9. Yvonne Monlaur  

    • Filmes Hammer: The Brides of Dracula (1960), The Terror of the Tongs (1961)

    • Por que marcou: Aparência angelical e delicada, mas com energia dramática que cativava.


    10. Susan Denberg 

    • Filmes Hammer: Frankenstein Created Woman (1967)

    • Por que marcou: Beleza estonteante e personagem trágica, símbolo da virada “romântica” na abordagem de Frankenstein.

    • 11  Yutte Stensgaard 

      • Origem: Dinamarquesa, nascida em 1946, radicou-se cedo no Reino Unido.

      • Hammer: Tornou-se cult ao protagonizar Lust for a Vampire (1971), segundo capítulo da trilogia “Karnstein” da Hammer. Viveu Mircalla/Carmilla, vampira sensual num internato feminino, reforçando a virada mais ousada do estúdio no início dos anos 70.

      • Estilo: Mistura de ingenuidade com erotismo, presença de tela forte e look “européia chic”. Depois do filme, trabalhou um pouco em TV britânica (Doctor in the House, The Saint), mas afastou-se do cinema ainda nos anos 70.

      • 12  Kate O’Mara  

        • Origem: Inglesa (1939-2014), conhecida também por carreira longa na TV.

        • Hammer: Esteve em The Vampire Lovers (1970) como Carmilla/Mircalla numa pequena participação e em Horror of Frankenstein (1970) como Alys, personagem de forte apelo sensual.

        • Depois da Hammer: Tornou-se rosto recorrente de séries britânicas (The Brothers, Doctor Who como The Rani, Triangle) e ganhou projeção internacional em Dynasty (anos 80). Sempre carregou a imagem de “femme fatale” elegante e irônica.


        🔹13 Julie Ege 

        • Origem: Norueguesa (1943-2008), modelo e atriz.

        • Hammer: Ficou conhecida por Creatures the World Forgot (1971), sucessor espiritual de One Million Years B.C. – pouca fala, muito impacto visual nos cartazes. Também fez Legend of the 7 Golden Vampires (1974), coprodução Hammer/Shaw Brothers.

        • Perfil: Beleza exótica, presença magnética, consolidou-se como símbolo de “glamour pré-histórico” da Hammer. Seguiu em filmes europeus de gênero e trabalhos ocasionais de TV até os anos 80.

      • 14 Lalla Ward

        • Nome completo: Sarah Ward (Lalla é apelido de infância)

        • Origem: Nascida em 1949, em Londres; filha de um aristocrata britânico, teve formação artística e inclinação precoce para atuação.

        • Hammer: Participou de Vampire Circus (1972), um dos últimos grandes títulos da produtora no início da década de 70. Viveu Helga, jovem presa no vilarejo dominado por vampiros e pelo circo sinistro. Apesar de não ser papel de protagonista, Lalla trouxe frescor juvenil e dramatismo convincente ao filme.

        • 15  Victoria Vetri 

          • Origem: Nascida em 1944, em Los Angeles (de ascendência italiana). Também usou o nome artístico Angela Dorian.

          • Trajetória inicial: Modelo e atriz de TV nos anos 1960; eleita Playmate of the Year em 1968, o que projetou sua imagem internacionalmente.

          • Hammer: Seu filme mais ligado ao estúdio é When Dinosaurs Ruled the Earth (1970), produção Hammer que surfou no sucesso de One Million Years B.C.. Victoria interpretou Sanna, a mulher pré-histórica que vive um romance em meio a clãs rivais e criaturas stop-motion de Jim Danfort

        •             Em 2010 enfrentou grave problema judicial ao ser acusada de atirar no             então marido, fato amplamente noticiado. Cumpriu pena e, depois de                 anos, obteve liberdade condicional. Esses episódios acabaram                             eclipsando a carreira artística, embora ela mantenha status cult entre                    colecionadores e fãs da Hammer.




        • 16 Maxine Audley

          A inglesa Maxine Audley (1923 – 1992) teve uma carreira sólida no teatro e no cinema britânico, e acabou entrando para a história do terror por uma breve, mas marcante, passagem pela Hammer. 
        • Na Hammer sua colaboração se dá em:The Phantom of the Opera (1962) – dirigida por Terence Fisher. Maxine Audley faz Lattimer, personagem secundária mas com presença, num filme que mistura gótico e melodrama musical, típico do estúdio.

        • 17 Lynn Frederick


        • (1954-1994) não foi propriamente um “rosto recorrente” da Hammer, mas fez parte do cinema britânico de horror/fantasia no começo dos anos 1970 e acabou lembrada pelos fãs do estúdio
        • Vampire Circus (Hammer, 1972) – seu crédito de horror mais notório. Faz Dora Mueller, jovem de aldeia aterrorizada quando um circo sinistro chega trazendo de volta a maldição de um vampiro. O filme, dirigido por Robert Young, é um dos títulos mais estilizados da Hammer pós-Drácula, com gore moderado e atmosfera de fábula.
        • Na Hammer ela aparece uma única vez, mas os fãs de terror a associam ao estúdio por causa da popularidade cult de Vampire Circus.
        • Casou-se em 1980 com o comediante e ator Peter Sellers, tornando-se sua quarta esposa. Sellers faleceu meses depois, deixando-a viúva aos 26 anos, situação que gerou intensa atenção midiática.

        • 18 Suzanna Leigh 


        • (1945 – 2017) foi uma das atrizes britânicas mais associadas ao glamour pop e ao cinema de gênero dos anos 1960, transitando entre aventura, terror gótico e até um clássico musical de Elvis.
        • Fase Hammer / Terror britânico
          The Deadly Bees (1967, Amicus) – embora não seja Hammer, marcou seu primeiro mergulho em horror, vivendo a cantora pop assombrada por um enxame assassino.
          Lust for a Vampire (1971, Hammer)** – vive Janet Playfair, professora do colégio feminino onde ocorre a trama vampiresca. Filme dirigido por Jimmy Sangster, parte do ciclo “Karnstein” que inclui The Vampire Lovers e Twins of Evil.
      •  20 - Jenny Hanley


      • A inglesa Jenny Hanley (n. 15 de agosto de 1947, Gerrards Cross, Buckinghamshire) é um rosto muito querido dos fãs do cinema de gênero britânico dos anos 1960/70, especialmente por sua ligação com a Hammer Films e sua carreira como apresentadora de televisão.

      • Ficou conhecida no universo cult ao estrelar:

        • Scars of Dracula (1970, Hammer) – interpretou Sarah Framsen, interesse romântico de Paul (Christopher Matthews). Divide cenas com Christopher Lee, num dos Dráculas mais violentos da Hammer.

        • On Her Majesty’s Secret Service (1969, James Bond) – aparece como uma das “angel faces” no esconderijo de Blofeld.



segunda-feira, fevereiro 09, 2026

Peter Cushing

Louco? Cientista diabólico? Não, ele é
SAINT PETER
nosso ilustre Convidado de Honra –
 típico de fanzines dos anos 70/80: mistura reverência, curiosidades biográficas e filmografia essencial, legitimando o ator como “santo padroeiro” do terror clássico.

Peter Cushing


“Uma lenda viva”

MATADOR DE VAMPIROS! CRIADOR DE MONSTROS! DOUTOR DA MORTE! Muitos são os títulos que têm sido dados ao grande Peter Cushing. É, portanto, com imenso prazer que o apresentamos como nosso Convidado de Honra no Festival Internacional de Filmes de Terror deste ano.
Para milhares de fãs, Peter Cushing é O ator de filmes de terror. Ele nasceu em 26 de maio de 1913, em Kent, Inglaterra. Construiu reputação sólida no teatro, televisão e cinema, tornando-se um dos intérpretes mais respeitados do mundo.
Através de suas atuações como Dr. Frankenstein, Van Helsing, Sherlock Holmes e dezenas de outros, Cushing encantou plateias do mundo inteiro.
Depois de anos retratando vilões, caçadores de monstros e heróis trágicos, Peter Cushing tornou-se, para os fãs de terror, quase um “santo”.  


“Por dentro de Peter Cushing”

Quem é esse homem? O que sabemos a seu respeito?
Embora tenha interpretado muitos personagens de coração negro, amigos e colegas descrevem Peter como bondoso e generoso. Christopher Lee costuma dizer: “Ele é um santo”. Robert Quarry o chama de “verdadeiro cavalheiro”. O prefeito de sua cidade chegou a chamá-lo de “escolha óbvia para ser prefeito de Hollywood”.
Sua gentileza contrasta com os papéis sombrios – prova de que o horror estava somente nas telas.


“Sua juventude”

Segundo a biografia oficial de Peter Cushing, ele nasceu em 26 de maio de 1913, em Kenley, Surrey (Inglaterra). Desde cedo amava o desenho e as artes dramáticas. Em 1939 mudou-se para os Estados Unidos e conseguiu seu primeiro trabalho importante em Hollywood com The Man in the Iron Mask.
Durante a Segunda Guerra Mundial, voltou para a Inglaterra, participou de teatro e TV, tornando-se nome familiar antes de se tornar ícone do cinema de terror nos anos 50.


“Uma estrela maior do que se esperava”

O grande marco de sua carreira veio com a Hammer: The Curse of Frankenstein (1957). Seu retrato do Dr. Frankenstein, frio e determinado, tornou-se referência definitiva. Seguiram-se sucessos como The Horror of Dracula (1958), The Brides of Dracula (1960) e The Hound of the Baskervilles (1959).

Enquanto Hollywood o via apenas como um ator de caráter, os fãs de terror o elevaram ao status de lenda. Sua parceria com Christopher Lee (Drácula) tornou-se um dos duelos mais icônicos do gênero

domingo, fevereiro 08, 2026

"Escrete – Estratégia, Habilidade e Sorte no Futebol"




O jogo de tabuleiro "Escrete – Estratégia, Habilidade e Sorte no Futebol", um item clássico de colecionador lançado pela Grow em 1982 e hoje vendido por até R$1.500 no Mercado livre e objeto de leilões. 

O jogo é notável por ter sido idealizado pelo Chico Buarque, refletindo sua conhecida paixão pelo futebol.

De acordo com o texto da caixa assinado pelo Chico, o jogo foi criado na Itália durante um período em que ele, "evidentemente, não tinha mais o que fazer" (referindo-se ao seu período de exílio).

O texto de apresentação mantém o tom irreverente de Chico, mencionando que as regras estão lá "para serem desrespeitadas" e que o jogo inclui elementos como a "lei do acesso" e anulação de estrelas para "pernas de pau".

 É um jogo para 2 a 4 jogadores, focado na gestão de um time. Os jogadores assumem os papéis de cartola e técnico, montando esquemas táticos com "cartões de craques" para vencer o campeonato.

  • Conteúdo da Caixa:

    • 94 cartões de craques (com biografia e atributos dos atletas).

    • 26 cartões de surpresas e 60 cartas de lances.

    • 2 tabuleiros que representam os campos de futebol.

    • Dinheiro fictício da Grow em diversas denominações.

Mostra de Arte Sacra em Maringá- 2004

 

Mostra de Arte Sacra reúne cinco artistas

Cinco artistas maringaenses numa mostra de arte sacra. Até o dia 17 de outubro será possível visitar a exposição com os trabalhos de Carlos Mariucci, Tânia Machado, Hélio Yamamura, Luiz Carlos Bulla Júnior e Jorge Pedro.

Idealizada por Cláudia Michiura, a exposição está no segundo piso do Aspen Park. Panos e cortinas negras com luzes difusas estilizam o clima gótico para visualização dos trabalhos. Começando pelas fotos em P&B de Bulla, reconhecidamente um dos melhores fotógrafos paranaenses. Especialista em detalhes: são mãos, rostos, terços.

Do outro lado da nave, Tânia Machado em seus angelicais traços que dispensam considerações, envolvendo a paisagem com as esculturas flutuantes de Yamamura. Tudo sob uma enorme cruz do tridimensional Jorge Pedro. Faz gerar vida do útero da madeira.

Em torno, a via sacra de Mariucci. Um conjunto de 14 peças em bronze, cobre e ferro que termina no 15º trabalho da via: um altar assinado por Jorge Pedro. A via sacra de Mariucci é um dos seus melhores trabalhos. Recentemente, junto com Yamamura, confeccionou as esculturas do Festival de Cinema de Maringá. Católico fervoroso, ele ainda apresenta taças cerimoniais.

Tal arte contemporânea não esconde influências do barroco mineiro. Fica, no entanto, a vontade de encontrar tais objetos novamente. Quem sabe, uma exposição itinerante pelas igrejas da cidade. A exposição é sacra por iluminação. É reza enquanto luz. Em cruz.

(Marcelo Bulgarelli - O Diário do Norte do Paraná- 2004)



Análise da Reportagem sobre Carlos Mariucci segundo a IA :

A reportagem, apesar de focar em uma exposição coletiva, destaca Carlos Mariucci como uma figura central e estabelece vários aspectos importantes de seu trabalho e perfil como artista.

1. O Artista e sua Obra Central:

O texto identifica imediatamente Mariucci como um dos cinco expositores, mas vai além, dedicando a ele um dos poucos detalhamentos específicos da mostra. Sua Via Sacra é apresentada como a âncora espacial da exposição ("Em torno, a via sacra de Mariucci") e como uma de suas obras-primas ("um dos seus melhores trabalhos"). A descrição do material – "bronze, cobre e ferro" – enfatiza a solidez, a perenidade e o caráter artesanal de sua obra, ligando-a a uma tradição escultórica séria e durável.

2. Técnica e Simbolismo:

A menção aos metais usados por Mariucci não é casual. O bronze e o cobre são materiais nobres na história da escultura, frequentemente associados a obras monumentais e sacras. O ferro introduz um elemento mais rústico e contemporâneo. Essa combinação sugere um artista que domina técnicas tradicionais de fundição e metalurgia, mas que não teme misturar linguagens. O fato de sua via sacra culminar em um altar (de Jorge Pedro) integra sua obra em um contexto ritualístico completo, mostrando que sua arte está a serviço da devoção e não é meramente decorativa.


3. O Artista Devoto:

A reportagem não separa a arte do artista, traçando um elo direto entre sua produção e sua fé pessoal. A caracterização de "Católico fervoroso" é crucial. Ela sugere que sua motivação vai além da expressão estética; é uma expressão de fé. Isso confere autenticidade e profundidade espiritual ao seu trabalho, explicando a escolha temática e a provável intensidade emocional investida nas peças. A referência às "taças cerimoniais" reforça que seu ofício está integrado à vida ritual da Igreja.

4. Contexto e Reconhecimento:

A reportagem o situa no cenário artístico local de duas formas:

Colaboração: Ao mencionar que ele trabalhou recentemente com Yamamura nas esculturas do Festival de Cinema de Maringá, mostra que Mariucci é um artista ativo e valorizado para projetos culturais significativos na cidade, não restrito ao ambiente sacro.

Influências: A observação de que a "arte contemporânea não esconde influências do barroco mineiro" é particularmente pertinente para Mariucci. O Barroco Mineiro é conhecido por sua dramaticidade, emotividade e uso de metais (como o ouro), elementos que podem ser transladados para a linguagem contemporânea de sua via sacra em metal, conectando-o a uma rica tradição artística brasileira.

5. O Elogio Crítico:

A linguagem da reportagem é elogiosa e profundamente sensorial. Frases como "É reza enquanto luz. Em cruz" e a descrição da atmosfera "gótica" criada pela curadoria elevam a exposição a uma experiência quase transcendental. Ao escolher a Via Sacra de Mariucci como um ponto focal dessa experiência, a matéria sugere que sua obra tem o poder de conduzir o espectador a um estado de contemplação e reflexão espiritual.

Conclusão:

A reportagem pinta um retrato de Carlos Mariucci como um artista técnico, profundamente espiritual e integrado à cultura de Maringá. Ele é apresentado não como um artesão isolado, mas como um criador cujo trabalho dialoga com a tradição barroca, serve à comunidade religiosa e participa ativamente do cenário cultural contemporâneo da cidade. Sua obra é caracterizada como séria, autêntica e central para a compreensão da arte sacra produzida na região naquele período.


sábado, fevereiro 07, 2026

Chico Buarque e o Mug


 o jovem Chico Buarque era um dos maiores fenômenos de marketing e cultura pop do Brasil nos anos 60. Aqui ele está com o boneco Mug na capa de uma revista.

 O Mug não era apenas um brinquedo, mas um verdadeiro ícone cultural lançado em 1966. Ele era um boneco de pano preto, com cabelos de lã vermelha e olhos grandes, criado para ser um "amuleto de sorte". O nome veio da expressão inglesa mug (que pode significar "careta" ou "caneca"), e ele se tornou onipresente na televisão e nas mãos de celebridades da época, sendo o cantor Wilson Simonal foi um dos maiores divulgadores do boneco. 

É curioso ver Chico, conhecido por suas letras sofisticadas e engajamento político, associado a um produto de consumo tão popular e lúdico.

ZANZAL MATTAR - O DIARIO do Norte do Paraná (23 05 04)


 DE ASSIS A CERVANTES

O artista maringaense Zanzal Mattar transita com naturalidade entre o sacro e o social: sonha com uma cidade formada por obras de arte

MARCELO BULGARELLI

Equipe O DIÁRIO


Zanzal Mattar em estado de graça e alma. O artista plástico maringaense, muito conhecido pela arte sacra refletida pelas igrejas de toda a região, mergulhou na literatura. Depois de construir Dom Quixotes em esculturas de tamanhos diversos, ele viajou ao final do século 18 para se encontrar com Machado de Assis.

Dom Casmurro é o nome de um futuro centro de convenções, em Marialva, que recebeu esculturas e pinturas de Mattar. É mais uma mostra das obras públicas do artista, conhecido pelos afrescos da Catedral Metropolitana (82), Igreja Cristo Resuscitado (80) além de trabalhos no Centro Português, Hotel Cidade Verde e Atacadão.

Em Marialva, o visitante encontra em frente ao centro de convenções uma personagem lendo um livro. Olhando de perto, é possível perceber que é Machado. Logo ali, no hall de entrada, um painel vai contar a história de Dom Casmurro e de outras inesquecíveis personagens.

Mattar não será eternizado pelas obras sacras. Quer a arte nas ruas, visível ao povo como uma oportunidade de transformar pessoas. Vislumbra a idéia de enxergar a cidade através de esculturas nas praças e jardins. Discretamente, confessa que tem um estudo para o Parque do Ingá. Pensa em homenagear as antigas lavadeiras que trabalhavam nas nascentes do parque. “Lugar de cultura é na praça”, reflete.

Certa vez, ao ser indagado por um padre sobre a razão de pintar personagens bíblicos sem os rostos tradicionais, Mattar respondeu que a arte dele também é para mudar a percepção das pessoas. É necessário causar o estranhamento – é inicial e a fata rar as repetições. O ser pode mudar o mundo no momento em que descobre a possibilidade de mudança dentro desti.

Uma cidade sem artistas é como um jardim sem crianças. A composição é necessária. Quem olhar atentamente para as paredes da Catedral Metropolitana vai descobrir seres alados indicando uma ruptura na arte sacra. São anjos de asas pontiagudas em harmonia com a arquitetura da nave.

E só mesmo um quadro de Mattar para unir, numa única fotografia, políticos tão díspares como Fernando Henrique, Jaime Lerner e o falecido José Cláudio Pereira Neto. A curiosa foto mostra os três juntos, apreciando um autêntico Mattar.

Reconhecido nacionalmente, Mattar é o único artista paranaense ao lado de Poty com trabalho no Museu de Arte Moderna de Londrina. A escultura, “espaço em movimento” remete a um trabalhador sem-terra.

O mesmo social é visto em “menor abandonado”, belo quadro entregue ao papa João Paulo II quando ele visitou Curitiba, em 1980.

Assim é a arte de Mattar. É o sacro, o social, a denúncia. “A arte contemporânea fala do momento que estamos vivendo. O artista capta o mundo da mesma forma que um repórter”. A cor e a forma de Mattar se traduzem em libertação.

Análise da matérsa segundo a IA sobre Zanzal Mattar:

A reportagem pinta um retrato multifacetado e profundamente humanista do artista plástico paranaense Zanzal Mattar, revelando-o como uma figura central e versátil na cena cultural do Paraná. A análise destaca os seguintes aspectos:

1. Um Artista Entre o Sagrado e o Social:

A matéria estabelece desde o título a dualidade que define a obra de Mattar: a transição natural "entre o sacro e o social". Ele é reconhecido nacionalmente por sua arte sacra (afrescos na Catedral Metropolitana de Maringá e na Igreja Cristo Ressuscitado), mas sua ambição artística vai muito além dos muros das igrejas. Seu trabalho é impulsionado por um desejo de transformação social, usando a arte como uma ferramenta para mudar a percepção e a realidade das pessoas.

2. A Arte Pública e a Democratização da Cultura:

Um dos pilares centrais da filosofia de Mattar, destacado na reportagem, é a crença de que a arte deve pertencer ao povo. Sua frase “Lugar de cultura é na praça” sintetiza sua missão de democratizar o acesso à arte, tirando-a de galerias elitizadas e integrando-a ao espaço urbano. Seus projetos para praças e jardins, como a homenagem às lavadeiras no Parque do Ingá, mostram um artista preocupado em contar a história da cidade e honrar seu povo, tornando a arte parte do cotidiano de todos.


3. Das Influências Literárias à Denúncia:

A reportagem mostra um artista erudito e bem-inspirado. Sua imersão na literatura, homenageando Cervantes (Dom Quixote) e Machado de Assis (Dom Casmurro), revela uma profundidade intelectual que fundamenta sua criação. Simultaneamente, sua arte não foge do compromisso com seu tempo. Esculturas como “Espaço em Movimento” (sobre o trabalhador sem-terra) e o quadro “Menor Abandonado” (entregue ao Papa João Paulo II) posicionam Mattar como um artista engajado, que usa sua arte para denunciar injustiças sociais, aproximando-se da função de um "repórter" visual, como ele próprio define.

4. Inovação na Tradição:

Mesmo na arte sacra, Mattar é apresentado como um inovador. A explicação que dá ao padre sobre pintar figuras bíblicas "sem os rostos tradicionais" para "causar estranhamento" e evitar repetições, revela um pensamento artístico moderno e reflexivo. Seus "anjos de asas pontiagudas" na Catedral são um exemplo de como ele introduz uma linguagem contemporânea e pessoal em um gênero artístico tradicionalmente muito codificado.

5. Reconhecimento e Legado:

O texto consolida sua importância ao situá-lo ao lado de Poty Lazzarotto como um dos grandes nomes paranaenses no acervo do Museu de Arte Moderna de Londrina. A anedota sobre o quadro que reuniu políticos díspares como FHC, Jaime Lerner e José Cláudio Pereira Neto é um testemunho curioso do poder unificador e do amplo reconhecimento de sua obra.

Zanzal Mattar emerge da reportagem não como um artista restrito a um único tema ou técnica, mas como um intelectual público cujo medium é a arte. Sua obra é caracterizada por uma síntese rara: o domínio da técnica clássica (afrescos, esculturas), a ousadia da inovação contemporânea, a profundidade das influências literárias e um profundo compromisso ético e social. Ele é retratado como um visionário que sonha em transformar a cidade em um museu a céu aberto, onde a arte seja um direito de todos e um catalisador para a libertação, tanto estética quanto social.