sexta-feira, abril 18, 2014

futebol de botão

Qual é o esporte mais nobre do mundo? Conta a lenda que certa vez três sábios de países diferentes tentavam responder a pergunta. O chinês respondeu que era o xadrez por se tratar de um jogo de estratégia e inteligência. O francês defendeu a esgrima, um esporte onde o que vale é a habilidade física. O americano, mais malandro, disse que era o pôquer por envolver a dissimulação ,trama e controle emocional. Mas que ganhou a questão foi um humilde servo brasileiro ao afirmar que o mais nobre de todos os esportes é o futebol de botão.
Sim, o futebol de botão tem os movimentos estratégicos do xadrez, os reflexos da esgrima, e o controle emocional do pôquer. É o único esporte a reunir essas qualidades em proporção e importância.
 O esporte é reconhecido pelo Conselho Nacional de Desporto (CND). Por sinal, muitos praticantes, conhecidos como botonistas, lutam para que a modalidade se torne olímpica.
mesas  de Academia Santanense se Futebol de Mesa RGS,

 Pouco atletas dizem “eu sou campeão” de uma forma individualista. Na verdade, os atletas, são “técnicos” que creditam as vitorias aos times, cheios de “craques” capazes de desequilibrar partidas.
 E para jogar de verdade, vale algumas dicas: sempre apoie todo o antebraço na mesa antes de jogar para dar mais firmeza; use palheta transparente pois ela ajuda a mirar a jogada; utilize botões menores para os jogadores de ataque baterem melhor na bola e não deixe de polir o botão com cera de carro para ficar mais liso e deslizar melhor.
 Quem joga botão não é fiel. É um fanático. Fica sem dormir antes e depois de um jogo e é capaz de perder horas estudando projetos na criação de peças de acrílico, coco ou para fazer a bainha. Tudo para melhorar o desempenho. Por isso mesmo, muitas seleções são feitas sob encomenda.
Entre os botonistas ilustres, podemos registrar o ator Osmar Prado, o cantor Chico Buarque, o empresário Carlos Eduardo Moreira Ferreira, o ex-governador de São Paulo, Luiz Antonio Fleury Filho, o “bluesman” André Christovam, o humorista Chico Anísio e o cestinha Oscar.
Oscar estreou em 1996 na Copa Brasil de Masters (para jogadores acima de 35 anos), realizada em São Paulo. Mesmo como debutante, conseguiu uma vitória, um empate e sofreu duas derrotas. Foi o oitavo de um total de 16 jogadores. Antes, Oscar praticava o futebol de mesa desde a infância, em Natal (RN). Chegou a disputar campeonatos no Nordeste. Depois de 20 anos, voltou ao esporte após ganhar um time, presente do músico Christovam.
 As origens do futebol de mesa são incertas. A única certeza é que o esporte é 100 por cento brasileiro. A primeira regra foi redigida em 1930, pelo carioca Geraldo Décourt, mas somente em 1962 foi fundada a Federação Paulista. A organização oficial só ocorreu em 1988, com o reconhecimento do CND. Em 1989, o botão se organizou e virou futebol de mesa, com regras, federação e calendário de competições para o ano todo.
 Os botões se diferenciam pela espessura, diâmetro e curvatura. Os jogadores de defesa geralmente são maiores e mais altos (6mm) do que os do ataque (4mm).
 São três modalidades : paulista, carioca e baiana .  No campeonato brasileiro, disputado geralmente durante a Semana da Pátria, é utilizada a modalidade paulista. Chico Buarque também adota essa modalidade pois é a mais técnica das três, permitindo 12 toques por time, abrindo a possibilidade de se criar jogadas.
A regra carioca, por sua vez, limita a três toques na bola por jogada, enquanto a baiana apenas um toque, ou seja, valendo somente o chute a gol.
Numa partida de futebol de mesa, vale tudo aquilo que já existe no futebol de campo: Catimba, cera, lances de sorte e até mesmo broncas dos “técnicos” em seus “jogadores”. Somente em São Paulo, existem mais de 2.000 jogadores federados. O empresário Salvador Perrotti, um entusiasta do esporte, chegou certa vez a fornecer um patrocínio de aproximadamente US$ 1.000 por mês à equipe de futebol de mesa do Sesi paulista. (Marcelo Bulgarelli - Publicado originalmente em O Diário do Norte do Paraná - Maringá)

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