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domingo, abril 05, 2026

"La Haine" (O Ódio) - 1995, dir. Mathieu Kassovitz


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Análise do Filme "La Haine" (O Ódio) - 1995, dir. Mathieu Kassovitz

"La Haine" é um marco cinematográfico que continua a ressoar décadas após seu lançamento, não apenas pela sua estética impactante, mas pela sua exploração crua e atemporal das tensões sociais e raciais nas periferias urbanas de Paris. Dirigido por Mathieu Kassovitz, o filme é um poderoso grito de alerta sobre a marginalização e a violência, filmado inteiramente em preto e branco, o que acentua sua atmosfera sombria e realista.

O filme se desenrola nas 24 horas seguintes a uma noite de tumultos violentos nos banlieues (subúrbios) parisienses, desencadeados pela brutalidade policial contra um jovem árabe, Abdel Ichaha, que está em coma. A narrativa acompanha três jovens amigos de diferentes origens étnicas – Vinz (Vincent Cassel), judeu; Saïd (Saïd Taghmaoui), árabe; e Hubert (Hubert Koundé), negro –, enquanto eles perambulam pelas ruas de sua comunidade e, mais tarde, pela própria Paris. O ponto central do enredo é a descoberta de uma arma perdida por um policial durante os tumultos, nas mãos de Vinz, que jura usá-la para matar um policial se Abdel morrer.


"La Haine" foi aclamado pela crítica, ganhando o prêmio de Melhor Diretor no Festival de Cannes de 1995. Seu impacto foi além da esfera cinematográfica, provocando discussões importantes sobre as questões sociais e raciais na França. O filme é frequentemente estudado como um exemplo de cinema socialmente engajado e continua a ser relevante em um mundo onde as tensões entre jovens marginalizados e as forças de segurança persistem.


sábado, abril 04, 2026

Whitman’s Sampler

 


um anúncio clássico da Whitman’s Sampler do início da década de 1950, focado na celebração da Páscoa. Ele exemplifica perfeitamente a estética e o marketing da era do pós-guerra americano.

O anúncio utiliza a técnica de ilustração pintada (provavelmente sobre fotografia), muito comum na época, que conferia uma aura de idealismo e perfeição às cenas cotidianas.

  • A "Família Ideal": O casal jovem, bem vestido e sorridente, reforça o padrão de felicidade doméstica e romântica da década de 1950.

  • Simbolismo de Páscoa: O coelho de pelúcia ao fundo estabelece imediatamente a conexão com o feriado, posicionando o chocolate como o presente padrão para a data.

O texto utiliza uma abordagem de psicologia reversa e lisonja voltada para o público masculino:

  • "Who says men don't understand women!" (Quem diz que os homens não entendem as mulheres!): O anúncio desafia um clichê para, em seguida, oferecer a solução. Ele sugere que, ao comprar uma caixa de Whitman's, o homem demonstra ter um "sexto sentido sobre a psicologia feminina".

  • O "Presente Seguro": O texto reforça que toda mulher conhece a caixa amarela da Whitman's e que ela é o presente "mais impressionante que um homem pode comprar". É uma venda baseada na segurança de não errar no presente.

A caixa amarela com padrões de bordado em ponto cruz é uma das peças de design de embalagem mais icônicas da história dos EUA.

  • Nostalgia e Tradição: O design evoca o trabalho manual e doméstico (o "sampler" era originalmente um pedaço de tecido onde bordadeiras testavam pontos). Isso passa uma ideia de tradição e qualidade "feita em casa", mesmo sendo um produto industrial.

  • Referência Histórica: O rodapé da caixa menciona "Started in 1842", reforçando a solidez da marca.

É curioso notar os valores da época: as caixas variavam de $2, $4, $6 a $10. Em 1950, $10 era um valor considerável para uma caixa de chocolates, posicionando-a como um item de luxo acessível.

EM DEFESA DOS FILMES DE TERROR

 Vincent Price deixa de lado a tinta de Hollywood para discutir filmes de terror



EM DEFESA DOS FILMES DE TERROR por VINCENT PRICE

É tempo de a crítica de filmes, que começou a chamar de "terror" ou "horror" o que, na verdade, é, na maioria das vezes, drama baseado em emoções cinematográficas ou histórias originais criadas por nós, reconsiderar.

Duas coisas estabeleceram esta excitante forma de produção de filmes: o público e o ato de produção que, em filmes como os de American-International Pictures, testificam o apoio em massa do público por tais filmes como "A Mansão Usher" e "A Cova e o Pêndulo", do grande escritor de Edgar Allan Poe.

Por si só, para a maioria dos atores sérios, esses filmes de Poe provaram ser divertidos de fazer e uma fonte de grande satisfação. Além disso, a simples apresentação de dramas baseados em Poe, com sua extraordinária capacidade de "realidade" superficial, não pode oferecer. O ator, desafiado por tal material, tem a oportunidade de convencer, retratar a "irrealidade". Afinal, não é a premissa original de atuação, o ato da razão d'être, ou a razão de ser, a arte de fazer?

Um caso perfeito é o último filme The Raven, baseado em poemas de Poe, que, além de ser admiravelmente supervisionado para ser feito com, nesta imagem, dois dos melhores atores de Hollywood, Peter Lorre e Boris Karloff, certamente nos convence da veracidade dos personagens de Edgar Allan Poe, tão acreditáveis quanto eu. De fato, qualquer ator desse tipo de filme de terror ou horror oferece ao ator sério a oportunidade única de exercitar plenamente seu ofício e sua arte.

Também acredito que filmes como The Raven são, na verdade, importantes para o espectador, pois os personagens e as histórias incomuns que os acompanham são considerados em alguns círculos como um escape necessário do trivial e do mundano. Embora esses dramas sejam representativos de apenas um pequeno segmento de nossa população. É nessa fase que a arte de contar uma história de Poe se torna uma válvula de escape saudável e muito necessária para o americano comum.

O público que condena os filmes de terror e horror, também para aqueles com os faroeste, este tipo de entretenimento era responsável pela indústria original de maior prestígio de Hollywood.

Quanto a mim, prefiro levar meus jovens para ver um filme de Edgar Allan Poe, que, em todas as suas várias facetas, oferece um drama ou uma versão mais interessante da doença, recuos e questões da América. Penso que a maioria de nós, pensando na crise existencial, sente o mesmo autodepreciar-se para si mesmo, bem como para o mundo.

Eu, por minha parte, diria que os filmes de terror são produzidos com nosso talento principal e, vamos gastar menos tempo e corromper nossos epítetos de degeneração.

sexta-feira, abril 03, 2026

Sylvia Plath.

 citação extraída da obra "The Bell Jar" (A Redoma de Vidro), de Sylvia Plath.



"the world itself is a bad dream."

"o mundo em si é um sonho ruim."

pressbook 2

 

 típico de pressbook dos anos 1940/50



O texto pertence claramente à tradição dos pressbooks distribuídos pelos estúdios aos exibidores. Servia como manual de divulgação, sugerindo:

  • Ornamentação das fachadas

  • Uso de cartazes e “stills”

  • Estratégias de distribuição de ingressos e concursos

  • Fragmentos de texto para jornais

  • Ênfase no trailer como principal ferramenta

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TRANSCRIÇÃO
IDÉIAS E SUGESTÕES

Afirmam os experimentados cineastas que, na moderna e atraente produção da Warner Bros., havia um filme cujo sucesso dependia diretamente da sua publicidade de lançamento. Referimo-nos a “O MONSTRO DO MAR!”, o soberbo espetáculo que mistura ficção e realidade de maneira tão esparsa que o público assiste por confundida, sentindo no mesmo tempo, o mais funda impressão!

“O MONSTRO DO MAR!” exige, portanto, que todos os recursos da moderna propaganda cinematográfica sejam mobilizados para garantir-lhe o público que facilmente se interessará por uma película realmente fabulosa!

Vamos dizer a você, público, amigo exibidor, que “O MONSTRO DO MAR!” supera em seu gênero todos os demais espetáculos, pois consegue atingir um clímax de verdadeiro suspense, auxiliado pela história que se desenrola passo a passo, sem deixar um só momento de espaçamento que enfraqueça o enredo!

As fachadas de cinema merecem ornamentação especial com desenhos sugestivos e enormes anúncios, títulos e chamadas. Eles também servirão para a colocação de “stills” e “display”! O primeiro plano, sempre, a figura assustadora do monstro do mar em sua atitude de fúria contra a humanidade! A criatura “imaginária” e o povo que é retratado, alucinando-se para acreditar no que está vendo, é outra expressiva ilustração que atenderá a todas as ideias positivas das campanhas de “O MONSTRO DO MAR!”.

Nos jornais aconselhamos usar — e cine-pastersmo com a ilustração do monstro, incentivando sobretudo os comentários internacionalmente. Ingressos distribuídos aos fãs e críticas dos três primeiros concorrentes que apresentarem o resultado certo.

Em todos os trechos do filme é outro elemento poderoso na propaganda do lançamento de “O MONSTRO DO MAR!”. Servirá para o arranjo das vitrines e quadros. O “trailer” do filme deve ser exibido, se possível, com duas semanas de antecedência, e nos folhetos distribuídos à porta, as mais literárias, possíveis, acompanhadas de clichês das fotos mais interessantes, de forma que possam despertar no público uma vontade maior de assistir a esse espetáculo verdadeiramente maravilhoso!

Warner apresenta: Warner-Trailer

Burt Lancaster, ainda mais sensacional que em “O Gavião e a Flecha”, é o astro do espetacular “O PIRATA SANGRENTO”, o filme que a Warner Bros. produziu em magnífico Technicolor! Histórias que nos levam ao agitado tempo dos bucaneiros e das lutas pelo mar. Lancaster é o temível Capitão Vallo, que persegue os tiranos e defende a humanidade! Outro notável entretenimento do Burt Lancaster, acompanhado nas cenas mais espetaculares por artistas como Eva Bartok e Nick Cravat. Dirigido por Robert Siodmak, o que já lhe deixa de antemão uma ótima credencial.


Um bastidor de Broadway servindo de cenário a um magnífico drama entre uma famosa artista de Hollywood, um impulsivo Diretor de cinema, um cantor que vem do rádio na primeira e “brilhando” com sentimental do segundo! Virginia Mayo é a estrela desse romance passional. Ela é acompanhada por um dos melhores artistas que Hollywood tem revelado, Dennis Morgan. O Insuperável, com Steve Cochran, novamente conquistará muitos admiradores com sua atuação emocional. É um drama vibrante! Dirigido por Raoul Walsh, e nas suas emoções do final, um desfile de grandes belezas, músicas e emoções!

quinta-feira, abril 02, 2026

pressbook

 

um pressbook destinado aos exibidores brasileiros nos anos 1950.
O objetivo é fornecer:

  • sinopse “inflada”

  • ficha técnica

  • ganchos de divulgação

  • chamadas sensacionalistas para cartazes e jornais

Esse tipo de impresso acompanhava a cópia do filme e orientava o marketing local.


2. Sensacionalismo e exotismo: marcas do sci-fi de baixo orçamento

From Hell It Came (1957), aqui chamado Veio do Inferno, é um dos filmes mais famosos (e infames) da era dos monstros-plantas e da paranoia nuclear.

O texto enfatiza elementos típicos:

  • ilha exótica e fictícia

  • nativos supersticiosos

  • feiticeiros e maldições

  • radiação nuclear como gatilho do horror

  • cientistas americanos como “salvadores”

  • um monstro reanimado que busca vingança

Tudo isso dialoga com a estética e a ideologia da época, onde o Oriente e o Pacífico eram retratados de forma fantasiosa e colonialista.


3. Construção do terror atômico

O texto destaca:

  • “queimaduras de radiação”

  • “pesquisas atômicas”

  • “lenda de Tabasga” misturada à ciência

Esse cruzamento do medo nuclear com folclore inventado era uma fórmula muito usada entre 1953 e 1960. Filmes como The Beast from 20,000 Fathoms, Them!, Killers from Space trabalharam a mesma lógica.

Aqui, o monstro Tabanga é literalmente um cadáver transformado em árvore-radioativa vingativa — um ícone kitsch do horror dos 50.


4. Ideologia colonial explícita

Um ponto interessante (e problemático) na sinopse:

“Os nativos [...] correm para agradecer aos americanos.”

Isso evidencia uma narrativa onde o filme reforça:

  • supremacia científica e moral dos EUA

  • infantilização e demonização dos povos insulares

  • estereótipos étnicos comuns no cinema B

O folheto brasileiro não suaviza isso — reproduz a visão do filme em tom heroico.


5. Estratégias retóricas do marketing

As chamadas finais usam repetição, exclamações e clichês diretos:

  • “UMA BELA MULHER em poder de um terrível monstro!!”

  • “NAS SOMBRAS DA NOITE”

  • “AQUELA FORÇA SOBRENATURAL ATACAVA IMPIEDOSAMENTE!”

Isso é típico do exploitation cinematográfico: vender emoção, sugerir perigo sexual e realçar o grotesco.


TRANSCRIÇÃO

(From Hell It Came)

ELENCO

Terry – TINA CARVER
Mrs. Kilgore – LINDA WATKINS
Prof. Clark – JOHN McNAMARA
Kimo – GREGG PALMER


FICHA TÉCNICA

Produção: JACK MILNER
Direção: DAN MILNER
Roteiro de: RICHARD BERNSTEIN
Baseado numa história original de: RICHARD BERNSTEIN e JACK MILNER
Fotografia: BRYDON BAKER


RESUMO DO ARGUMENTO

Kimo, filho de um falecido chefe da Ilha Kalai, é condenado à morte por sua amizade com um grupo americano de pesquisas atômicas, culpado pelo feiticeiro Dr. Tano, e pelo chefe Maranka, pelas mortes causadas pela praga negra. Antes de morrer, Kino jura voltar da tumba para vingar-se de sua esposa, Korey, Maranka e Tano.
Logo após, a Dra. Terry, chega para ajudar o Dr. William, em seu trabalho de cuidar dos nativos que sofrem das queimaduras de radiação.
Os dois médicos descobrem um tronco estranho crescendo do túmulo de Kimo, e ficam sabendo, através de Norgu, a lenda de Tabasga, um monstro que surge do túmulo para a vingança.
Resolvem a remoção da planta de sobre o túmulo. Nesse ínterim, o feiticeiro e o chefe da ilha decidem matar Norgu, Korey e os americanos.

Korey ouve a confabulação e fica sabendo que pretendem dar ao monstro um poderoso remédio que o tornará seu escravo e de grande ajuda nos assassinatos. Korey, assustada, corre aos americanos, pedindo-lhes que a deixem ficar com eles, no acampamento.

A “coisa” é removida e levada ao laboratório; dão-lhe poderosas injeções, porém consegue escapar à procura de vingança. Kory é sua primeira vítima. O chefe é a próxima. Os americanos sabem que precisam encontrar Tabanga e matá-lo.
Porém antes que isto aconteça, o monstro apinça Terry.
Somente uma bala bem certeira faz com que o monstro caia em areia movediça, na qual ele finalmente desaparece. Os nativos presenciando a morte do malfeitor, correm para agradecer aos americanos.


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TERROR E MISTÉRIO DOMINAVAM OS HABITANTES DAQUELE ILHÁ MALDITA!

Emoção e Suspense em “VEIO DO INFERNO”
um filme que provocará muitos arrepios!...


UMA BELA MULHER em poder de um terrível monstro!!... NAS SOMBRAS DA NOITE, AQUELA FORÇA SOBRENATURAL ATACAVA IMPIEDOSAMENTE!

Cenas de alta emoção e suspense em “VEIO DO INFERNO”!!

quarta-feira, abril 01, 2026

The New York Ripper (1982)


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The New York Ripper (“O Estrangulador de Nova York”, 1982) é um dos filmes mais polêmicos e controversos do ciclo giallo tardio, dirigido por Lucio Fulci, que aqui leva o gênero ao limite da brutalidade e da degradação urbana.



Lançado num momento em que o giallo já começava a perder força, The New York Ripper surge como uma resposta desesperada — e ultraviolenta — de Fulci ao declínio do gênero e à ascensão do slasher americano.
O filme se apropria da atmosfera dos thrillers policiais dos anos 70 (como O Exorcista Urbano e Maniac) e a funde com o sadismo estilizado típico do giallo.
O resultado é um híbrido doentio entre o horror erótico italiano e o neo-noir nova-iorquino, filmado em locações decadentes da cidade real — metrôs sujos, motéis fétidos, luzes de neon sobre corpos despedaçados.



A trama acompanha um detetive que investiga uma série de assassinatos brutais cometidos por um serial killer que imita o som de um pato ao telefone — um detalhe tão absurdo quanto perturbador.
As vítimas são quase sempre mulheres associadas ao desejo e à sexualidade, o que faz o filme dialogar (de modo ambíguo e provocador) com o discurso moralista da época.

Por trás da fachada de um whodunit, Fulci constrói um retrato mórbido do desejo masculino e da violência como espetáculo, refletindo o estado de decomposição moral da metrópole.



Fulci, conhecido por seu domínio do gore e pela atmosfera febril, aqui abandona o onírico e o metafísico (de O Além, Pavor na Cidade dos Mortos-Vivos) para criar um realismo sujo, quase pornográfico.
A câmera se demora em detalhes do corpo — cortes, lâminas, feridas — de modo quase clínico.
A fotografia granulada e o uso agressivo de zooms e travellings criam uma sensação de voyeurismo constante.

A violência é não apenas explícita, mas eroticamente coreografada, o que faz o filme ser lido tanto como misoginia extrema quanto como crítica da própria cultura do olhar masculino, algo que antecipa debates que o cinema de terror só retomaria décadas depois.



O assassino que imita um pato é uma metáfora grotesca do homem infantilizado e reprimido sexualmente, uma figura patética que destrói o que deseja.
A Nova York filmada por Fulci é um corpo apodrecido, espelho da psique doentia de seus habitantes — o sexo, aqui, é sempre uma promessa de morte.

Em nível simbólico, o filme fala sobre a fragmentação do corpo feminino e a desumanização do erotismo na sociedade de consumo.
A câmera de Fulci, ao mesmo tempo cúmplice e acusatória, parece dizer: o horror está no espectador, não apenas na tela.



The New York Ripper foi banido ou censurado em vários países, inclusive no Reino Unido, acusado de ser “pura pornografia de violência”.
Mas hoje, é reconhecido como um marco transgressor, antecipando a crueza do torture porn e a crítica implícita à espetacularização do horror.

Fulci transforma o giallo em algo próximo de Peeping Tom (Michael Powell, 1960) — um espelho obsceno da própria pulsão voyeurística do público.



The New York Ripper é um filme doente sobre uma sociedade doente.
Não há redenção, nem beleza estilizada, apenas o reflexo de uma era em decomposição moral e estética.
É um filme que repudia e celebra o horror ao mesmo tempo, desconfortável e impossível de ignorar — um verdadeiro testamento do cinismo e da desesperança de Fulci diante do fim do giallo.

“O horror aqui não é sobrenatural — é humano, urbano e pornográfico. É o rosto real do inferno dos anos 80.”

segunda-feira, março 30, 2026

Disney on Parade

 






esse View-Master de “Disney on Parade” é um registro precioso de uma das experiências mais marcantes do teatro-espetáculo corporativo da Disney no início dos anos 1970. Ele traduz, em um objeto doméstico, a expansão do império Disney para o território do entretenimento ao vivo global, misturando performance, marketing e mito.


🎪 Contexto Histórico

“Disney on Parade” foi um espetáculo itinerante criado em 1969 pela Walt Disney Productions, em parceria com a Turner Entertainment Company e a produtora australiana Feld Entertainment. Era uma espécie de circo-teatral musical, sem animais, mas com dezenas de atores fantasiados de personagens clássicos — Mickey, Pateta, os Sete Anões, Alice, Peter Pan, entre outros — interpretando números coreográficos e reencenando histórias icônicas.

O show viajou pelos Estados Unidos, Europa, América Latina e Oceania, entre 1969 e 1975, tornando-se uma das primeiras “exportações performáticas” da marca Disney.





🎭 Leitura Simbólica

“Disney on Parade” representa o momento em que a fantasia animada invade o espaço físico, antecipando o que mais tarde seriam os megaeventos multimídia e os parques temáticos integrados.
O View-Master — com seu formato de “teatro portátil em 3D” — funcionava como uma extensão doméstica do espetáculo, vendendo não apenas imagens, mas a sensação de participar de um mito corporativo.

Esse tipo de produto reforça a ideia de que a Disney, mais do que produtora de filmes, era já nos anos 1970 uma máquina de controle imagético, capaz de transferir seus personagens de um meio para outro sem perda simbólica.
A tridimensionalidade do View-Master traduz, literalmente, a materialização do imaginário — os desenhos ganham corpo, volume e presença física.


🧩captura a Disney no auge da sua transição de estúdio cinematográfico para instituição total de espetáculo, onde tudo — do palco ao brinquedo, da animação ao souvenir — integra uma mesma lógica de encantamento mercadológico.

Trata-se de um objeto que combina nostalgia, performance e simulacro, uma espécie de “miniatura tridimensional da ideologia Disney”, na qual o sonho e o produto são indissociáveis.

domingo, março 29, 2026

View-Master - Rio de Janeiro






 essas duas edições do View-Master dedicadas ao Rio de Janeiro são documentos fascinantes não só do ponto de vista turístico, mas também do imaginário visual estrangeiro sobre o Brasil nas décadas de 1960 e 1970.


🗺️ Contexto Geral — “World Travel Series”

O View-Master criou a linha World Travel como parte de sua expansão internacional, vendida principalmente nos EUA e na Europa. Cada conjunto trazia 21 imagens estéreo (em 3D) que apresentavam uma cidade ou país de forma condensada, quase como um documentário portátil.
O foco era sempre em cores vibrantes, exotismo, arquitetura e folclore — uma forma de transformar o mundo em espetáculo para o consumo doméstico.


🌞 1. “Rio de Janeiro” – edição anos 1960

A segunda imagem (a da praia de Copacabana com guarda-sóis e banhistas) representa o Rio da era da Bossa Nova, em pleno ciclo de glamour turístico.

  • O enquadramento privilegia o corpo, o sol e a praia, símbolos de modernidade tropical.

  • A tipografia em vermelho, solta e manual, evoca leveza e espontaneidade.

  • O clima é de cartão-postal cinematográfico, quase um fotograma de uma comédia praiana dos anos 1960.

Essa edição foi pensada para um público americano ou europeu que via o Brasil como paraíso sensual e exótico, uma “nova Riviera” — imagem reforçada por revistas como Life e filmes como Orfeu Negro (1959).


🎭 2. “Rio de Janeiro” – edição 1979 (GAF View-Master)

A primeira imagem, de 1979, já mostra outra abordagem:

  • A cidade aparece através de dois polos icônicos — o Carnaval (à esquerda) e o Pão de Açúcar (à direita).

  • A diagramação é mais rígida, com linhas azuis e uma estética mais “corporativa”, típica da GAF (empresa que comprou a View-Master nos anos 1970).

  • O Carnaval é mostrado como espetáculo noturno, de brilho e fantasia; o Rio, como paisagem de cartão-postal.

Aqui, o exotismo ganha um tom turístico institucional: é o Brasil promovido para o mundo durante o final da ditadura militar, quando o governo investia em campanhas de turismo internacional (“Brasil: ame-o ou deixe-o”, Embratur etc.).
O país é apresentado como vitrine tropical moderna, já sem o romantismo artesanal dos anos 60.

sábado, março 28, 2026

Apple’s Way

 



Essa imagem mostra uma embalagem de disco View-Master — um brinquedo icônico das décadas de 1960 e 1970 que projetava imagens tridimensionais em um visor portátil. O conteúdo apresentado é o conjunto “Apple’s Way”, baseado em uma série de TV da rede CBS, produzida pela Lorimar Productions (a mesma de Dallas e Knots Landing).


🍎 Contexto da Série

“Apple’s Way” foi uma série dramática americana exibida entre 1974 e 1975, criada por Earl Hamner Jr., também responsável por The Waltons. O enredo segue a família Apple, que abandona a vida urbana em Los Angeles para se estabelecer na pequena cidade de Appleton, Iowa, buscando um modo de vida mais simples e humano.

A série tinha uma pegada moralista e idealizada, explorando temas como solidariedade, valores familiares e conflito entre modernidade e tradição — refletindo a nostalgia rural típica do período pós-Vietnã, quando o público ansiava por narrativas reconfortantes.


📸 Sobre o View-Master

O View-Master, criado em 1939, atingiu o auge nos anos 1960 e 1970. Cada pacote vinha com três discos contendo 21 fotos em estéreo, formando uma narrativa visual (quase como um minifilme em slides 3D).
A série Showtime do View-Master incluía programas de TV populares, filmes e atrações da cultura pop. Era uma forma de “reviver” episódios e cenas antes do advento do videocassete doméstico.


💬 Comentário Cultural

O item combina dois ícones da cultura de consumo americana:

  • A idealização da família tradicional, representada pela série televisiva;

  • E o fetiche tecnológico infantil, o View-Master, que transformava a TV em um objeto tátil, colecionável e imersivo.

Esses discos são hoje itens de colecionador, valorizados tanto por fãs de mídia vintage quanto por estudiosos da cultura visual dos anos 70.
“Apple’s Way”, embora não tenha tido o mesmo sucesso de The Waltons, é lembrada como parte dessa fase de televisão moralmente edificante e nostalgia pastoral — um antídoto à violência urbana e à crise de valores que tomava conta da sociedade americana da época.


sexta-feira, março 27, 2026

MONSTROS TAMANHO MONSTRO

 

MONSTROS TAMANHO MONSTRO
2,13 metros de altura (7 feet tall)
Em cores autênticas, com olhos que brilham no escuro
Apenas US$ 1,00
Teste grátis por 10 dias!

Imagine o susto dos seus amigos quando entrarem no seu quarto e virem o “Monstro” de pé — maior que o próprio Frankenstein, o verdadeiro homem feito de pedaços! Sim, ele vai dominá-los com seu olhar, de pé com incríveis 2,13 metros!

Coloque-o na parede e veja a expressão deles! É uma decoração de arrepiar! Perfeito para festas de Halloween, brincadeiras e sustos.

Você ficará impressionado com o realismo — e com os olhos que brilham no escuro!

Escolha o Dr. Frankenstein ou Boney, o Esqueleto. E o melhor: nenhum deles sai do túmulo — eles são feitos de papel resistente e vêm com instruções fáceis de pendurar!

Mande US$ 1,00 por cada monstro ou envie US$ 2,00 pelos dois — Frankenstein e Boney.

Adicione 35 centavos para o envio e manuseio. Garantia total de devolução do dinheiro se não ficar satisfeito.

(A entrega leva de 2 a 4 semanas.)


💀 Comentário e Contexto Histórico

Esse tipo de anúncio é um clássico das revistas pulp e quadrinhos de terror e ficção científica das décadas de 1960 e 1970 nos Estados Unidos. Eles apelavam diretamente à imaginação juvenil — prometendo algo “gigantesco” e “assustador” por apenas um dólar.

Na prática, o que os compradores recebiam era um pôster de papel fino, impresso em tamanho real (2,13 metros), geralmente com uma arte tosca e um leve brilho nos olhos pintados com tinta fosforescente. Era, portanto, um produto de ilusão publicitária, típico da cultura de consumo infantil da época — muito antes de qualquer regulamentação mais rígida sobre propaganda enganosa.

O tom do texto é deliberadamente teatral: cheio de exclamações, ênfase em adjetivos (“realista”, “assustador”, “gigante”), e apelos emocionais (“imagine o susto dos seus amigos!”). Ele reproduz o espírito de um show de horror de parque de diversões em forma de anúncio.

Também reflete um momento em que o imaginário do terror clássico — Frankenstein, esqueletos, fantasmas — estava sendo reapropriado pelo consumo de massa, misturando humor, kitsch e nostalgia. Esses anúncios são, hoje, objetos de culto e representam bem o lado “camp” da cultura pop de horror.

quinta-feira, março 26, 2026

Creval Sabino

 O programa Encontros com a Imprensa, da UEM FM, recebeu o cinegrafista Creval Aparecido Sabino para uma entrevista conduzida pelo jornalista Marcelo Bulgarelli. Com quase 40 anos de carreira, Creval compartilhou sua trajetória profissional e histórias marcantes dos bastidores do telejornalismo regional.

Natural de Iretama, na região de Campo Mourão, Creval chegou a Maringá ainda criança e construiu na cidade a maior parte de sua vida. Antes de ingressar na televisão, trabalhou como repositor de supermercado, até que um convite inesperado mudou completamente seu destino profissional.
O início na comunicação aconteceu no fim dos anos 1980, na TV Sarandi, onde começou como operador de áudio. Em pouco tempo, passou a atuar com câmeras e descobriu a vocação que o acompanharia por toda a vida: contar histórias por meio das imagens.
Ao longo da carreira, Creval acumulou passagens por importantes emissoras da região, como a TV Maringá (Band), RPC, RIC e Rede Massa. Em cada uma delas, vivenciou diferentes fases do jornalismo televisivo, acompanhando transformações tecnológicas e editoriais ao longo das décadas.
Um dos momentos mais marcantes de sua trajetória foi o período em que trabalhou na RPC de Guarapuava, onde permaneceu por nove anos. Segundo ele, essa foi a fase mais intensa e enriquecedora da carreira, marcada por grandes reportagens, desafios e aprendizados.
Entre as histórias compartilhadas na entrevista, uma reportagem exibida em rede nacional ganhou destaque. Realizada no interior do Paraná, a matéria denunciou o trabalho infantil em carvoarias clandestinas, contribuindo para mobilizar órgãos públicos e promover mudanças na realidade da comunidade.
Creval também falou sobre os bastidores da profissão, destacando a pressão por prazos, os desafios enfrentados em campo e os chamados “perrengues” do dia a dia, como problemas técnicos, longas viagens e situações inesperadas durante as coberturas.
Outro ponto abordado foi a relação entre cinegrafistas e repórteres. Para ele, o diferencial de um bom profissional está na curiosidade, na iniciativa e na capacidade de ir além do básico, buscando sempre novas abordagens para enriquecer as reportagens.
Ao comentar o lado humano do trabalho, Creval destacou a necessidade de equilíbrio emocional, especialmente em coberturas policiais. Segundo ele, é fundamental manter o profissionalismo diante de situações difíceis, sem perder a sensibilidade necessária para contar histórias com respeito.
A entrevista reforça a importância dos profissionais que atuam nos bastidores do jornalismo, muitas vezes invisíveis ao público, mas essenciais para a construção da notícia. O episódio completo está disponível no Spotify e integra a programação do Encontros com a Imprensa, que segue valorizando trajetórias e reflexões sobre a comunicação.
Aperte o play e acompanhe essa conversa impactante no Encontros com a Imprensa.
Encontros com a Imprensa” é um programa semanal apresentado por Marcelo Bulgarelli que reúne jornalistas, repórteres, fotógrafos, radialistas, cinegrafistas e colunistas para celebrar suas histórias mais marcantes. O programa vai ao ar todas as sextas-feiras, às 13h, e aos sábados, às 16h, na rádio UEM FM 106,9, no YouTube da UEM TV e no Spotify.

Outros episódios no   Spotify.


Alexandre Gaioto Amarildo LegalAndreia Silva

 Andye Iore -Antonio Carlos Moretti Antonio Roberto de Paula - Brenda Caramaschi

Bruno PerukaClaudio Galetti Claudio Viola -  Creval Sabino

Dayane Barbosa Diniz Neto - Dirceu Herrero • Edilson PereiraEduardo Xavier

Elaine Guarnieri

Edvaldo Magro  Everton Barbosa Gilson Aguiar Ivan Amorim

Juliane GuzzoniKris Schornobay Leonardo FilhoLuiz de Carvalho - Marcos Zanatta -

Messias MendesMilton Ravagnani - Natália Garay

PauloPupimRachel Coelho - Regina Daefiol Ricardo de Jesus Souza, o Salsicha Roberta Pitarelli-

Robson Jardim - Ronaldo Nezo - - Rogério Recco - Rose Leonel -

Sandro Ivanovski Sérgio Mendes e Rose Machado

Solange Riuzim Thaís Santana • Valdete da Graça •

Vanessa Bellei Victor Ramalho -Victor Simião -