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quarta-feira, março 25, 2026

revista Peteca






 A revista Peteca foi uma publicação brasileira de comportamento e erotismo leve que circulou principalmente entre meados dos anos 1970 e início dos 1980, integrando a onda das chamadas revistas masculinas populares do período — um subgênero editorial que misturava sexo, humor, curiosidades e astrologia, direcionado ao público adulto de classe média urbana.


🗞️ Contexto editorial

A Peteca surgiu em um momento em que o Brasil vivia a liberalização gradual dos costumes, ainda sob o regime militar, mas com a censura começando a afrouxar. Assim como títulos contemporâneos (Homem, Ele & Ela, Status, Playmen, Sexy), ela explorava o erotismo dentro dos limites legais da época — sem nudez explícita, mas com forte apelo sensual e linguagem coloquial.

A revista era publicada pela Grafipar Editora, de Curitiba — uma das casas editoriais mais ousadas e prolíficas da época, conhecida também por seus gibis eróticos e de terror (Histórias do Além, Erotika, Eros). A Grafipar foi dirigida por Cláudio Seto e Rogério de Campos, e teve enorme importância para a cultura gráfica e alternativa brasileira.


💋 Conteúdo típico

Os números da Peteca combinavam:

  • Ensaios fotográficos com atrizes, modelos ou "garotas do mês" (geralmente acompanhados de pôster central);

  • Reportagens de comportamento sexual — sobre temas como impotência, fetichismo, masturbação, homossexualidade, “mulher moderna”, etc.;

  • Textos humorísticos e pseudocientíficos, muitas vezes irônicos ou parodiando a linguagem das revistas femininas;

  • Astrologia, confissões e cartas de leitores, que criavam um tom de proximidade popular.

A edição  nº 37/79, traz a modelo Andréa de Fio a Pavio na capa e chamadas típicas do estilo Peteca: provocativas, mas de tom leve e sensacionalista — “Como conquistar o homem que me despreza?”, “Meu pênis está atrofiado?”, “Homossexualidade: assumir ou não?”.


📸 Estilo gráfico e público

Visualmente, a Peteca seguia o modelo das revistas italianas e argentinas do gênero, com fotografia quente, tipografia de impacto e cores fortes, além de uma linguagem de manchete voltada à curiosidade sexual e confessional.
O público-alvo era majoritariamente masculino entre 18 e 35 anos, mas curiosamente muitas leitoras escreviam para as seções de cartas, sugerindo que o conteúdo circulava de modo mais ambíguo do que o de revistas mais explícitas.


🕰️

Hoje, Peteca é lembrada como parte do ciclo da imprensa erótica brasileira dos anos 1970, anterior à explosão de títulos abertamente pornográficos nos anos 1980 (Private etc.).
Ela é também um registro de época, misturando repressão, curiosidade sexual e humor, e faz parte da mitologia da Grafipar, cuja produção é hoje objeto de estudo em cursos de comunicação e cultura pop.

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