terça-feira, maio 31, 2016

Principais tendencias e movimentos do Cinema


Expressionismo
Surge em 1919, na Alemanha, com "O Gabinete do dr. Caligari", de Robert Wiene. Derivado da literatura e da arte, concebe a imagem como expressão física de um universo psíquico. Daí o uso distorcido dos cenários e a iluminação contrastada. Convive com outras tendências no período, como o "kammerspiel film", o realismo e o drama social.


Vanguardas soviéticas
Várias tendências inspiradas na arte, literatura e estudos linguísticos desenvolvidos na Rússia. Todas procuram o aprimoramento da linguagem e uma expressão proletária da arte. A junção das imagens, pela montagem, é vista como o elemento básico na formação do sentido.

Classicismo
O cinema narrativo americano surgido dos trabalhos do diretor D.W. Griffith e consolidado a partir de "O Nascimento de uma Nação", cujo trabalho de montagem traz o espectador para o centro da intriga.

Filme B
A partir dos anos 30, com a depressão, os estúdios instituem o sistema de programa duplo. "B" era o filme de complemento de programa, rodado com produção pequena e, em geral, maior liberdade. O nome aplica-se até hoje, por extensão, ao filmes de pequena produção fiéis ao cinema de gênero.

Modernismo
Cinema surgido a partir de 1940, que rompe com a linearidade narrativa (Orson Welles), a dramaturgia baseada nos tempos fortes da intriga (Nouvelle Vague) e a fragmentação da cena em diversos planos (Neo-realismo).

Neo-realismo
Em 1945, na Itália do pós-guerra, "Roma, Cidade Aberta", de Roberto Rossellini, institui a captação da realidade sem manipulações é como essência do ato cinematográfico. Abandona os estúdios pelos cenários naturais, substitui profissionais por atores amadores

Cinefilia
Na França, no fim da Segunda Guerra Mundial, surge uma geração para quem o cinema já tem uma história e sua prática não pode dispensar a visão e análise dos filmes. Sustenta a "política dos autores" contra os estúdios; a revista "Cahiers du Cinéma" torna-se sua bíblia.


Nouvelle Vague
Grupo de redatores de "Cahiers du Cinéma" opta por um cinema realista e simples e pelo uso dos materiais leves, em oposição ao cinema da "qualidade francesa".


Cinema Novo
No Brasil, anos 60, jovens cineastas preconizam a busca de um realismo inspirado pelos italianos e a necessidade de visar uma realidade nacional. Procura adaptar essas idéias à falta de recursos própria de um país subdesenvolvido.

Actors' Studio
Criado por Lee Strasberg, forma uma nova escola de atores, baseada no método Stanislavski. Elia Kazan transporta o método para o cinema.

Cinema de autor
Diz-se do conjunto de filmes em que o diretor mantém o controle da produção, por oposição ao sistema clássico de estúdio em vigor nos EUA a partir dos anos 20.


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Ecos de "A Cidade dos Amaldiçoados"

Ah! Essas crianças !

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Village of the Damned |1995| John Carpenter


O Senhor


domingo, maio 29, 2016

Cerveja artesanal

Hoje no Festival Sabor de Cultura 29.05.16

GODSPELL


Tem gente que jura ter se apaixonado pelo filme apesar de ter assistido uma só vez na vida, quando criança. A única cópia que andava pelas emissoras de tevê acabou se deteriorando. Além disso, o filme jamais esteve nas locadoras de vídeo do país. Até a edição em DVD está esgotada.
Tudo isso aumenta a áurea cult de Godspell A Esperança um musical de 1973 baseado na peça teatral homônima. Ao contrário de outras óperas-rock do período como Tommy e Jesus Cristo Superstar, Godspell jamais envelheceu.
O espírito hippie deixou o musical com alto astral. As músicas são belíssimas, incluindo o clássico Day by Day de Stephen Scharts.
Godspell faz uma interpretação do evangelho. Pra começar, Jesus (Victor Garber) surge com uma camisa do Superman.
João Batista (David Haskell) monta uma banda com jovens discípulos para seguir e divulgar os ensinamentos de Jesus. É uma trupe teatral que apresenta parábolas pelas ruas e pontos turísticos de Nova York no início da década de 70.
Godspell foi indicado a Palma de Ouro no Festival de Cannes em 73. Depois, percorreu o mundo. Porém, muitos saudosistas só conseguiram ver o filme em suas remotas exibições pelas tevês Globo, Manchete e Cultura. Na versão para o teatro, Godspell se passe dentro de um circo.

A trilha sonora foi lançada no Brasil em vinil. Nunca encontrei em CD. Na internet, há discos importados com a trilha da peça teatral, com arranjos muito parecidos. Tenho o DVD e a trilha (baixada da internet).

?Day by day, Oh Dear Lord,
Three things I pray
To see thee more clearly
Love thee more dearly
Follow thee more nearly
Day by day?




O Senhor


O Senhor


sábado, maio 28, 2016

Festival da Ilha de Wight

O Festival da Ilha de Wight (The Isle of Wight Festival) é um festival musical que acontece anualmente na Ilha de Wight, Inglaterra. Foi realizado originalmente entre 1968 e 1970, respectivamente em Ford Farm (próximo a Godshill), Wootton e Afton Down (próximo a Freshwater). A edição de 1970 foi de longe a maior e mais famosa dos primeiros festivais desse estilo. (Fonte Wikipedia)
Abaixo, o DVD do festival que está em nosso acervo.


Nosso DVD

"The Shinning" by Alvaro Tapia Hidalgo

 


Titulos originais dos filmes de terror.

O artista Andrew Peters relançou cartazes de grandes filmes de terror com os títulos que seria os originais.

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  • Halloween - The Babysitter Murders
  • Friday the 13th - Sexta Feira 13 - A Long Night at Camp Blood
  • Child’s Play - Brinquedo Assassino - Batteries Not Included
  • Alien - Star Beast
  • The Evil Dead - A Morte do Demonio - The Book of the Dead
  • The Texas Chainsaw Massacre - O Massacre da Serra Elétrica Head Cheese
  • Psycho - Psicose - Wimpy
  • Jeepers Creepers - Here Comes the Boogey Man
  • Scream - Pânico - Scary Movie

Aumente a velocidade de sua tartaruga



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John Carpenter in concert

John Carpenter - diretor, roteirista, produtor e compositor - estreia nos palcos. O criador de clássicos do horror como Halloween – A Noite do Terror (1978),e A Bruma Assassina (1980), está desde o dia 20/05 no palco doTeatro Bootleg em Los Angeles. É o John Carpenter: Live Retrospective. Confira!

Ecos de :Marlon Brando em Um Bonde Chamado Desejo

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Marlon Brando in A Streetcar Named Desire (1951)

O Senhor


sexta-feira, maio 27, 2016

Ignacio Tomás


Tenho vaga-lumes no pomar.
Desde criança não as via.
Estou emocionado.


Hang Ten, Skate e All Star

Aos 14 anos nosso  sonho de consumo era um skate de verdade e uma camisa Hang Ten, a marca dos dois pezinhos. Também sonhamos com o tênis All Star e um skate. Muitos tinham uma versão brasileira do skate fabricado pela Bandeirantes (feito com uma madeira grossa). Ninguém gostava, mas poucos poderia ter um skate original. O  mesmo se aplicava à camiseta. Nenhum mãe pagaria uma fortuna por uma camisa importada tendo um filho em idade de crescimento.  Não tive nenhum skate. Confesso que na época ganhei uma Hang Ten que os amiguinhos descobriram rapidamente que era falsificada. E o All Star eu ganhei faz uns cinco anos. Meu All Star é vermelho.

Kate Bush

Confesso. Wuthering Heights foi uma daas musicas que mais eu ouvi naquele já distante ano de 1978. Aos 14 anos, curtia muito Kate Bush.

Mônica Granuzzo

1985 - Monica Granuzzo, 14 anos, foi à boite Mamão com Açúcar, na Lagoa, RJ. Não voltou para casa. No dia 16 de junho, o corpo da jovem foi encontrado. Mônica morreu ao cair da varanda do apartamento do modelo Ricardo Peixoto Sampaio, ao tentar fugir de uma tentativa de estupro. Sobre esse caso, Angela Rô Rô fez essa belíssima composição.

Garota não vá se distrair E acreditar que o mundo vive com a inocência desse seu olhar Você se engana e se dá mal, com tipinho anormal, E a sociedade vai te condenar Morreu violentada por que quis! Saía, falava, dançava, Podia estar quieta e ser feliz Calada, acuada, castrada... Agora não dá mais para sonhar O seu diário na TV Não há segredos mais para ocultar Todos vão saber que era criança Que amava muito os pais Que tinha um gato e outros pecados mais Aída Curi era rock, Aracelli balão mágico Cláudia Lessin a geração de Reich, O que eu não vou classificar É a dor do pai, a dor da mãe Que ela poderia ser, mas não vai

"Estupraram a felicidade

“Estupraram a felicidade

Estupraram as memórias

Estupraram laços

Estupraram a história

Estupraram a juventude

Estupraram o corpo

Estupraram a alma

Estupraram os sonhos

Estupraram a vida.

E não foi uma só vez

Foram trinta.”



- Ludmilla favaro (via ludfavaro)


Legend Of Hammer Vampires


:



40 Grandes Filmes

Seleção de Amir Labaki, Inácio Araujo e Sérgio Dávila
em : 10/Dez/98
Publicado na Folha de São Paulo 


Acossado", de Jean-Luc Godard (França, 1959)*
"O Amigo Americano", de Wim Wenders (Alemanha/França, 1977)*
"O Anjo Exterminador", de Luis Buñuel (México, 1962)
"O Bandido da Luz Vermelha", de Rogério Sganzerla (Brasil, 1968)
"O Bebê de Rosemary", de Roman Polanski (EUA, 1968)*

"Blade Runner - Caçador de Andróides", de Ridley Scott (EUA, 1982)*
"Blow Up - Depois daquele Beijo", de Michelangelo Antonioni (Inglaterra/Itália, 1966)*
"Um Tiro na Noite", de Brian Depalma (EUA, 1981)*
"O Casamento de Maria Braun", de Rainer Werner Fassbinder (Alemanha, 1978)*
"Central do Brasil", de Walter Salles (Brasil, 1998)*
"O Clamor do Sexo", de Elia Kazan (EUA, 1961)
"A Doce Vida", de Federico Fellini (França/Itália, 1960)*
"2001, Uma Odisséia no Espaço", de Stanley Kubrick (EUA, 1968)*
"Dona Flor e Seus Dois Maridos", de Bruno Barreto (Brasil, 1976)*
"Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver", de José Mojica Marins, (Brasil, 1967)
"E.T. - O Extraterrestre", de Steven Spielberg (EUA, 1982)*
"Guerra nas Estrelas", George Lucas (EUA, 1977)*

"Hiroshima, Meu Amor", de Alain Resnais (França/Japão, 1959)*
"O Homem Mau Dorme Bem", de Akira Kurosawa (Japão, 1960)
"Ilha das Flores", Jorge Furtado (Brasil, 1989)
"Os Imperdoáveis", de Clint Eastwood (EUA, 1992)*
"O Império dos Sentidos", de Nagisa Oshima (França/Japão, 1976)*
"Os Incompreendidos", de François Truffaut (França, 1959)*
"Macunaíma", de Joaquim Pedro de Andrade (Brasil, 1969)*
"A Marca da Maldade", de Orson Welles (EUA, 1958)*
"Nashville", de Robert Altman (EUA, 1975)
"Noivo Neurótico, Noiva Nervosa", de Woody Allen (EUA, 1977)*
"O Pagador de Promessas", de Anselmo Duarte (Brasil, 1962)*
"Pixote, a Lei do Mais Fraco", de Hector Babenco, (Brasil,1980)*
"O Poderoso Chefão", de Francis Ford Coppola (EUA, 1972)*
"Psicose", de Alfred Hitchcock (EUA, 1960)*
"Pulp Fiction", de Quentin Tarantino (EUA, 1994)*

"Rocco e Seus Irmãos", de Luchino Visconti (Itália, 1960)*
"O Silêncio", de Ingmar Bergman (Suécia, 1963)
"Taxi Driver", de Martin Scorsese (EUA, 1976)*
"Terra em Transe", de Glauber Rocha, (Brasil, 1967)*
"Toda Nudez Será Castigada", de Arnaldo Jabor, (Brasil, 1973)
"The Truman Show - O Show da Vida", de Peter Weir (Brasil, 1998)
"Último Tango em Paris", de Bernardo Bertolucci (França/Itália, 1972)*
"Vidas Secas", de Nelson Pereira dos Santos, (Brasil, 1963)
(*) Filmes disponíveis no acervo do Bar do Bulga

Drácula é 'cult'

Título: Drácula é 'cult', feroz e pornô no cinema
Data: 11/Ago/97
Autor: Federico Mengozzi

Há uma gota de sangue em cada filme da Hammer, a companhia britânica que responde pela mais recente -e lá vão 30 anos- produção em massa de filmes do Drácula. A festa, regada a muito ketchup, durou até os anos 70 e contou principalmente com o talento do ator Christopher Lee e do diretor Terence Fisher.
Nesse tempo, os corredores da Hammer Films também eram frequentados por Frankenstein, a Múmia e o Lobisomem. Ahrrgh! A companhia repetia a experiência da produtora norte-americana Universal Pictures, que, nos anos 30, lançou a moda dos filmes de Drácula. Obteve enorme sucesso, mas nunca a mesma atmosfera.
O fenômeno Drácula é anterior aos filmes da Universal e Hammer -há tantos filmes do Drácula, vampiras e assemelhados quanto alhos numa réstia. Já em 1896, um ano após a primeira projeção de cinema, Georges Méliès fazia "Le Manoir du Diable" (O Solar do Diabo), sobre um morcego que vira Mefistófeles.

Na sequência, dezenas de produções com vampiros, até que, em 1920, na Hungria, Karoly Lajthay rodou o primeiro filme inspirado no romance de Bram Stoker, "Drakula", que se perdeu. "Nosferatu, uma Sinfonia de Horror" (1922), de Friedrich Wilhelm Murnau, é a primeira obra-prima do gênero, ainda hoje assustadora.
Murnau não obteve autorização para adaptar o livro e mudou cenários e personagens. A ação se passa no mar Báltico, e Max Schreck, com orelhas à dr. Spock e unhas à Zé do Caixão, é o conde Orlock.
Apesar de tudo, Murnau foi processado pela mulher de Stoker, e a Justiça exigiu a destruição da obra. Por sorte, o filme sobreviveu.
Quase 50 anos depois, o também alemão Werner Herzog se inspirou no clássico de Murnau para fazer "Nosferatu, o Vampiro da Noite" (1979). Klaus Kinski, apavorante como Max Schreck, é um vampiro apaixonado e atormentado, que carrega o peso de seu destino e viaja à Alemanha num navio repleto de ratos.
Tod Browning já tinha feito um filme de vampiro quando, em 1931, adaptou para o cinema a peça de Hamilton Deane e John F. Balderston, escrita a partir do romance de Stoker. O ator húngaro Bela Lugosi, adequadamente nascido na região da Transilvânia, fez o papel na Broadway e o repetiu na tela.
"Drácula" (1931) foi o primeiro filme falado do gênero e, naquele ano, o maior sucesso da Universal. Nos anos seguintes, gerou filhotes como "Dracula's Daughter" (A Filha de Drácula), "O Filho de Drácula", "The House of Dracula" (A Casa de Drácula), e por décadas serviu de modelo aos filmes sobre o vampiro.

Lugosi não conseguiu escapar do papel, interpretando-o em fitas como "A Marca do Vampiro" e "The Return of the Vampire" (A Volta do Vampiro), até cair no deboche e participar, como Drácula, das comédias de Abbott e Costello. Enriqueceu, tornou-se viciado, morreu pobre. Foi sepultado com a capa preta de cetim.
No final dos anos 40, os filmes do Drácula deram lugar às histórias do produtor russo Val Lewton. Mais sofisticadas, não aterrorizavam com monstros, mas com sugestão. É no final dos anos 50 que se dá a volta, em grande estilo, do personagem: "O Vampiro da Noite" (1958), de Terence Fisher, produzido pela Hammer Films.
O filme desloca o centro da produção vampiresca para a Inglaterra, elege Christopher Lee para o papel e mostra a sangueira em technicolor. Lee é o vampiro sedutor, e Peter Cushing, seu implacável caçador. Em dois anos, arrecadou oito vezes o seu custo e, a exemplo do "Drácula" da Universal, gerou filhotes.
Lee voltou em "Drácula, o Príncipe das Trevas" (1965), de Fisher; "Drácula, o Perfil do Diabo" (1968), de Freddie Francis; "Sangue de Drácula" (1970); "O Conde Drácula" (1970), de Roy Ward Baker etc. Drácula-Lee não assustava as mulheres, pelo contrário.
Entre os filhotes da Hammer estão "As Noivas do Vampiro", "O Beijo do Vampiro" e "A Condessa Drácula". Drácula aparecia em versões isoladas, e mais interessantes. Se "A Dança dos Vampiros" (1967), de Roman Polanski, é uma comédia sobre vampiros, "Drácula de Andy Warhol" (1973), de Paul Morrisey, volta ao personagem.
Discípulo de Andy Warhol -segundo alguns, a pessoa que colocou um pouco de ordem no seu caos cinematográfico-, Morrisey reflete os tempos da liberação sexual. Udo Kier é o conde Drácula, como sempre sedento de sangue, mas só pode tomar sangue de moças virgens. Um problema que ele tenta resolver na Itália.
Ambos de 1979, "Drácula", de John Badham, com Frank Langella, foi definido o mais lascivo filme de Drácula. "Amor à Primeira Mordida", de Stan Dragosti, com George Hamilton, também envereda pelo humor. Como eles, Jack Palance, David Niven e Louis Jourdan tiveram, com resultados variáveis, seus dias de Drácula.

Houve um Drácula turco, ele já foi ao Velho Oeste e à China imperial, transformou-se no conde Alucard (Drácula ao contrário), Frankenhausen (qualquer semelhança com Frankenstein não é mera coincidência), Yorga e quejando, apareceu em filmes pornográficos... Ufa!
Francis Ford Coppola achou que a bagunça era muita -e que o personagem ainda atraía o público- e fez "Drácula de Bram Stoker" (1992). Um exercício de estilo que destaca mais o romance entre Drácula e Mina do que o vampirismo propriamente dito. A caracterização de Gary Oldman nada deve às de Schreck e Kinski.
Curioso... Drácula exibia uma fina estampa, o monstro do dr. Frankenstein era feio como a fome. Um era íntegro em sua maldade, o outro nada tinha de inteiro.
Drácula foi criado por um homem, o monstro, por uma mulher (Mary Shelley). Nada em comum e, no entanto, ao menos no cinema, suas "carreiras" são afins.
Quando Browning rodou "Drácula", a mesma Universal produziu "Frankenstein" (1931), de James Whale. Sem contar que, em "O Filho de Frankenstein" (1939), de Rowland V. Lee, é Bela Lugosi, o Drácula, quem personifica o criado Igor, tão tétrico quanto o monstro. Na vida real, sabe-se, Lugosi e Karloff foram rivais.
Parece que um pressupõe o outro. Foi assim na Universal, assim na Hammer. Quando Paul Morrisey rodou o seu Drácula, ao mesmo tempo filmou "Frankenstein de Andy Warhol". E o próprio Coppola, depois de dirigir "Drácula de Bram Stoker", produziu "Frankenstein de Mary Shelley" (1994), de Kenneth Branagh.
Gostar desse ou daquele filme é uma questão pessoal. Há quem procure um clima gótico e há quem não fique sem o trash explícito -caso de dois terços da produção do gênero. Há quem queira o personagem complexo, vítima da própria condição, e há quem se contente com um Drácula chapado, todo sangue e ruindade.
Raymond T. Mcnally e Radu Florescu, dois eminentes draculólogos, elegem os seis grandes filmes inspirados em Stoker.
Pela cronologia: "Nosferatu" (Murnau), "Drácula" (Browning), "O Vampiro da Noite" (Fisher), "Amor à Primeira Mordida" (Dragosti), "Drácula" (Badham) e "Drácula de Bram Stoker" (Coppola).
Pode discordar à vontade e escolher aquele Drácula que melhor combinou com a sua pipoca. Ploc!

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Drácula chega ao centenário exposto à luz (1897 - 1997)

Título original: Drácula chega ao centenário exposto à luz
Data: 11/Ago/97
Autor: Federico Mengozzi
Folha de São Paulo

"Muito sangue, algum suor e nada de lágrimas", reza a política do prazer de Drácula, cavalheiro da triste figura que deixou a Transilvânia para assustar o mundo.
Há cem anos, o irlandês Bram Stoker (1847-1912) publicou "Drácula", uma história que caiu nas graças do público, assinalou a transição do romance gótico para o romance de horror e foi incorporada ao imaginário coletivo.
A partir do livro, o conde Drácula foi assombrar no teatro, no cinema e na televisão, virou personagem de quadrinhos, atração em parques de diversões, fantasia de Carnaval e tudo o que a indústria cultural permite. Até turismo.
Há roteiros que levam ao império das trevas na Transilvânia, Romênia, terra natal de Drácula, e na Inglaterra, para onde se transferiu. Ele aportou em Whitby, ao norte de Londres, depois de matar a tripulação do navio Demetriu.
E há roteiros pelos lugares onde viveu o príncipe Vlad, o Empalador (1431-1476), personagem real no qual Stoker se inspirou para criar Drácula. Ele exerceu um reinado de terror na Transilvânia e Valáquia, na Romênia, onde estão a casa natal, o palácio e o castelo.
Bram Stoker nasceu há 150 anos e tem roteiro próprio. O ponto inicial é o subúrbio de Clontarf, em Dublin, na Irlanda, onde nasceu.
Em Londres, o roteiro Stoker inclui o Lyceum Theatre, hoje um salão de danças, onde trabalhou para o ator Henry Irving, e as casas que habitou, todas em Chelsea.
Turismo e vampirismo -jugulares, tremei!- têm muito mais em comum do que sugere a vã rima.

Título: Criador morreu antes do sucesso da criatura
Data: 11/Ago/97
Autor: Federico Mengozzi

Era um dia gélido e chuvoso quando ele nasceu. De saúde delicada, não se esperava que sobrevivesse. Até os 8 anos, esteve confinado ao leito, vítima de desconhecida doença. A biografia de Drácula poderia começar assim, mas os dados se referem ao escritor Bram Stoker, autor de "Drácula".
Abraham Stoker nasceu em 1847, em Dublin, capital da Irlanda, cidade onde também nasceu Joseph Sheridan Le Fanu. Le Fanu escreveu "Carmila", sobre a jovem de mesmo nome que se envolve com Laura e, por fim, demonstra ser uma vampira. "Carmilla" estaria na base de "Drácula".
Quando entrou no Trinity College, em Dublin, a doença era uma referência remota -mas Stoker não caminhou até os 8 anos. Tornou-se atleta e se interessava mais pelo teatro que pelo serviço público -carreira à qual, como o pai, estava destinado.
Em 1875, publicou, na revista "The Shamrok", a primeira história de horror, "A Cadeia do Destino", com um estranho personagem e uma maldição no ar.
Eram tempos em que o romance gótico, na linha iniciada por "O Castelo de Otranto", de Horace Walpole, herdeiro direto de uma certa tradição medieval, já tinha mais de um século. Histórias sombrias, com personagens soturnos como o monstro de "Frankenstein", de Mary Shelley.
Como admirador e amigo, Stoker se aproximou de Henry Irving, ator e empresário teatral. Trabalhou como seu secretário por 27 anos. Uma amizade, diria, "tão íntima e duradoura como é possível existir entre dois homens".
Por esse tempo, casou-se com Florence Balcombe -ela recusara uma proposta de casamento de Oscar Wilde e ficou com Stoker- e continuou a investigar o vampirismo, assunto ao qual se dedicava desde que começou a escrever.

O personagem Rei da Morte, de seu livro de horror para crianças (!) "Under the Sunset" (Sob o Crepúsculo), de 1881, era um esboço de Drácula. Mas só em 1890, após "The Snake's Pass" (O Passo da Serpente), primeiro romance longo, iniciou os trabalhos de seu livro mais importante -o único que restou de sua obra.
Não faltavam sugestões. Stoker deve ter visitado uma exposição do Museu Britânico sobre a Europa Oriental, na qual se descrevia o verdadeiro Drácula, o príncipe Vlad. E disse que, ao conhecer Richard Burton, tradutor de histórias indianas e de vampiros, impressionou-se com seus caninos.
Bram Stoker empregou sete anos nas pesquisas para o romance -ainda há 78 páginas de notas, esboços, perfis de personagens, capítulos não-publicados e diagramas, mais listas dos livros que usou em seu trabalho. Fez ficção a partir de um personagem real e usando o maior realismo possível.
Antes da publicação de "Drácula", a história chegara ao palco. Ele mesmo escreveu "Dracula, or the Un-Dead" (Drácula, o Vampiro), que estreou dias antes do lançamento do livro, no Lyceum Theatre, de Londres.
O livro saiu em maio de 1897 e, segundo a crítica, marcou a transição do romance gótico para o romance de horror. Seu sucesso foi gradativo, em parte alavancado pela carreira da história no teatro e, mais tarde, no cinema.
Stoker escreveu mais uma dezena de livros e não chegou a ver o sucesso de sua principal obra.
"Drácula", o livro, é uma colagem de cartas, diários, recortes, telegramas e testemunhos fonográficos. Tudo começa quando conde Drácula propõe comprar uma propriedade na Inglaterra. O solicitador Jonathan Harker viaja à Transilvânia e se hospeda no castelo do conde... É só ler o resto.
Stoker morreu em 1912.

Título: Centenário de vampiro será comemorado em todo o mundo
Data: 13/Mar/97
Autor: Raul Moreira

Este é o ano do centenário do conde Drácula. Criado pelo escritor Bram Stoker, o "príncipe das trevas" chega aos 100 anos mais vivo e revigorado do que nunca. Para comemorar seu aniversário, estão programados para este ano, nos EUA e na Europa, dezenas de "festas horripilantes", mostras, operetas teatrais, estudos, debates, filmes e o lançamento de livros sobre a saga do vampiro.
Nos Estados Unidos seu centenário fez crescer a febre do vampirismo, um mercado que movimenta anualmente dezenas de milhões de dólares. Nos últimos meses aumentaram consideravelmente as consultas e adesões a clubes e associações ligados ao vampirismo e o número de livros publicados que tratam do assunto.
Um lançamento que vem despertando curiosidade nos EUA é "Ano Drácula", de Kim Newman, história em que o "príncipe das trevas", depois de eliminar seu caçador Van Helsing, casa com a rainha Vitória, da Inglaterra.
Um dos principais eventos programados nos EUA é o "Centennial Celebration", que acontecerá no hotel Doubletree, no aeroporto de Los Angeles, em agosto, com a participação dos principais "vampiristas" do mundo. Estão programados mostras de cinema, exposições literárias, bailes à fantasia e o show "Drácula, the Musical".
No museu-biblioteca Rosenbach, na Philadelphia, onde se encontram os originais do livro de Stoker, começa no início de abril uma mostra comemorativa do centenário, que se estenderá até novembro. O museu apresenta também em exposição um papiro do século 15 que pertenceu ao conde Vlad Tepes, nobre romeno em que o escritor irlandês se inspirou para criar o personagem.
Em Bruxelas (Bélgica), no museu Real de História e Arte, começa neste mês uma mostra de vários documentos e obras de arte ligadas ao mito de Drácula. Na Romênia, a casa Transylvanian Society of Dracula apresenta no início de maio uma série de simpósios.


Apesar dos eventos europeus, é nos EUA onde a febre de Drácula ganha maior dimensão. Algumas polêmicas ganharam destaque, como a pesquisa sócio-antropológica de Steven Kaplan, já morto, que teria descoberto, com o aval de antropólogos, psicanalistas e historiadores, a existência de 600 vampiros em todo o mundo, grande parte vivendo na América.
Cresce também nos EUA o número de "vampiristas". Além do Centro de Estudos de Vampirismo, fundado em 72, existem o Vampire Information Exchange, no Brooklyn, o Manhattan il Vampire's Vault e o Count Dracula Fan Club, todos na área de Nova York.
No resto dos EUA, estão catalogados ainda Count Dracula Society, em Los Angeles, Temple of Vampire, em Virginia, e Vampire of America Association, em Seattle.
Tais associações têm sites na Internet, museus e bibliotecas e ajudam iniciantes interessados em desenvolverem projetos literários e cinematográficos ligados ao vampirismo.


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